Um país trocado
Poucas, mesmo raríssimas estorietas são tão deprimentes como o episódio “trocas-te”. Não se trata do que o ocupante do cargo merece ou não merece, consoante os desejos de cada um, e sabe _________ que ele há cada uns para tudo o que imaginar se possa e ainda sobra.
Trata-se de verificar o índice de anormalidade a que chegámos como povo. Somos, de facto, um país trocado.
Paz, pão, povo e liberdade condicionada
A capa do dia é a do jornal gratuito Metro, confira abaixo a eloquência sobre o congresso do PSD, que aprovou uma regra interna contra a qual se manifestaram os quatro — isto é: todos — candidatos à liderança nas primárias a realizar dentro de poucos dias.

PSD: só há um remédio
Há quem defenda a extraordinária medida aprovada pelo Congresso do PSD de sancionar quem diga mal da Direcção nos 60 dias antes das eleições (quaisquer eleições). Com o argumento de que é preciso que o partido “deixe de ser uma saco de gatos” — e variantes mais ou menos bem educadas ao nível da forma, mantendo a mensagem.
Discordo. Toda a instituição democrática e livre é rotulável de saco de gatos em alguns momentos do seu percurso. Só há um remédio para apaziguar um saco de gatos. Chama-se poder. E é milagroso: uma vez lá chegado, a gataria cala-se perante a perspectiva do pires cheio de leite.
O cavalo de Manuela

Um cavalo armadilhado, não de Tróia, mas de Manuela, é o que fica no PSD após o congresso que hoje terminou na terra do Piquenicão — essa outra festa popular tão justamente esquecida.
Um cavalo sob a forma de regra estatutária que prevê sanções para os militantes que critiquem a direcção nos 60 dias antes das eleições. É claro que ninguém vai cumprir uma regra tão idiota, mas que ela lá está, está.
Um cavalo com o poder de minar a partir de dentro qualquer estratégia de qualquer líder que tenha a intenção de re-credibilizar o partido aos olhos do seu eleitorado e do país. Eleitorado e país que já estão baralhados: onde está a coerência de quem andou a armadilhar a comunicação social com as “asfixias democráticas”, a “censura” e as “violações” da “liberdade de expressão” e agora impõe a lei da rolha aos seus militantes?
Muitos estão a concluir, desgraçadamente, que não era gaffe, afinal, a ideia de Manuela Ferreira Leite de suspender a democracia por 6 meses.
O facto de os três principais candidatos à sucessão se terem manifestado contra a extraordinária medida reforça a ideia de estarmos perante uma manobra de guerra — ainda que infantil.
Como se vê pelos links abaixo, não são propriamente as “centrais de comunicação” “afetas” ao Partido Socialista ou ao governo a fazer vapor, como também envenenaram as eminências (?) pardas de Manuela ao longo dos útimos 3 anos. Ná. É tudo boa gente à direita, nalguns casos muito, do partido que governa, que consideram muito justamente a medida como errada, para não dizer pior.
A sovietização do PSD. De Francisco Almeida Leite (e de onde pedi emprestado o cartaz brilhantemente escolhido para ilustração).
Sobre a lei da rolha. De Carlos Abreu Amorim.
Asfixia democática no PSD. De André Azevedo Alves.
Uma aprovação norte-coreana. De Nuno Gouveia.
Mancha deplorável. De Luís Rocha.
Quo vadis PSD? De António de Almeida.
A lei da rolha De Paulo Gorjão.
E mais pelos lados esquerdos do PS, mas sem ligações às “centrais”:
ПСД De Daniel Oliveira
Eu, francamente, acho que a coisa vai esquecer-se depressa. Mas a mancha fica. Ainda para mais porque se soma a outra no mesmo sentido: proibir o acesso normal dos bloggers ao congresso. O sinal passado é claro e é de inspiração costista: evitar o debate e as opiniões que afrontem o chefe e o seu poder, controlando ao máximo quem tem acesso e quem diz o quê.
Público sacode a apatia dos meios online portugueses
Gratuita, ao nível das melhores, é lançada oficialmente amanhã, segunda-feira, a primeira aplicação para iPhone de um Órgão de Comunicação Social português: a iphone app do Público.
Já a testei e concluí: está ao melhor nível mundial e, como a grande maioria, tem ainda muita margem de progressão. Ainda que com inexplicável fraca convicção por parte de uma direcção que parece alheada da rede, o Público sacode a apatia dos meios online portugueses.
Leia a minha apresentação e crítica da aplicação no Diário2: Público lança primeira aplicação iPhone dos media portugueses.
Momento PSD
Foi preciso esperar até às 0:35 da madrugada de domingo para termos um momento-PSD no congresso do PSD.
“Eu não preciso de água. Tragam-me mas é um copo de vinho!”
“A Vital Moreira até eu ganhava”.
Fernando Costa arrasou. Personificando o que de mais real e inesperado tem o fascinante partido, pôs o dedo na ferida e disse o que tantos pensam e ninguém tem coragem de dizer.
Não muda nada, claro. Mas fez alguma catarse e — francamente — as elites do PSD precisam MESMO de levar com as verdades básicas na cara de vez em quando.
É pelos fernandos costas que se mede a saúde do Partido Social Democrata. Gostem ou não os inteligentes da política da golpada.
Jornalismo digital, (mais um triste) ponto da situação
Mais um triste ponto da situação do jornalismo português, desta feita por António Granado: 7 notas (Pessimistas) sobre o jornalismo digital em Portugal
Granado foi, até há semanas, o editor do Público online. Sei bem das dificuldades com que ele sempre se deparou e recordo, das vezes que colaborei para o Público, a sua tenacidade. Sei que tinha um interlocutor atento no director José Manuel Fernandes, não sei mais nada nem falei com ele sobre a sua saída mais do que o telefonema de circunstância. Está agendado para um dia destes, António.
Fica abaixo o slideshow.





Olá, o meu nome é Paulo Querido e Certamente! é o meu webzine pessoal. Sou consultor de new media, jornalista e escrevo livros e artigos (e também algum código) sobre a net e na net desde 1989. (
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