A “culpa” não é do Twitter

trabalhos
Recebi — como mensagem directa no Twitter — o seguinte: “Tens estado ausente do teu blog. Uma pena o que o Twitter faz até aos melhores :)
Não foi a primeira, aliás. Várias pessoas se têm queixado — até nos comentários aqui — da menor actividade aqui no Certamente!. E com tanta atenção concentrada no Twitter, que é de facto um “ladrão” dela (da atenção), é normal somar 2 + 2.
Só que no meu caso o Twitter não é o principal culpado. O que aconteceu, como já disse aqui, há dias, tenho mais projectos em curso e foi o esforço aplicado neles que me tirou o tempo para escrever no meu espaço.
Lista dos projectos em que estou activamente envolvido, sem nenhuma ordem especial:

  • TwitterPortugal — é um agregador dos twitters portugueses, contém uma espécie de lista telefónica com muitas centenas de entradas (em wiki, qualquer pessoa se pode adicionar facilmente) e, o ponto central nesta altura, um blog, que é blog convidado do Público e que vai iniciar uma fase de colaboração com outras publicações, a começar pelo Expresso (já o posso divulgar).
  • Eleições 2009 – é um projecto especial, inovador, nunca antes tentado em Portugal, que nos dará uma forma diferente, mais completa, de apurar o que de mais relevante se publica sobre as três eleições que decorrem este ano. Para já é visível no blog colectivo montado para o efeito; nos próximos dias veremos um pouco mais, no site do Público. Este projecto resulta de uma proposta que fiz ao Público e foi aceite; como se calcula, estou fortemente empenhado nele.
  • Criar 2009 — Este é o Ano Europeu da Criatividade e Inovação e Portugal contribui com uma presença nas redes sociais até aqui nunca imaginada, e que é, ela própria, um exemplo de criatividade e inovação. Este website concentra informação sobre as iniciativas que decorrem em todo o país ao longo do ano, bem como artigos de opinião (ainda não me estreei mas está para breve). Mas é apenas uma das pontas do projecto. Na verdade, as pessoas a ele ligadas (a começar pelo coordenador nacional da Estratégia de Lisboa e do Plano Tecnológico, Carlos Zorrinho) colocaram o governo (e, espero eu, a administração) no trilho do open government. O meu papel é sobretudo técnico e editorial, ao nível do site, e de “conselheiro” em matéria de redes e de posicionamento nelas.
  • Blog *** no Expresso — Estou a preparar um novo espaço, em jeito de blog, para o Expresso, onde se fará a cobertura do principal que acontece nas redes sociais e tecnologias emergentes com enfoque nos meios de comunicação. Atentos ao Facebook, mas também ao “novo” jornalismo ou ao iPhone, para dar uma ideia. Arranca muito em breve. Guardo as novidades para o lançamento.

Estes são os projectos em curso, anunciáveis. Há sempre os outros, os side-projects, os hóbis, entre os quais 2 bem promissores :) Mas desses não irei falar tão cedo.

Jornais portugueses online: a década perdida

iphoners

Oontem tive mais uma confirmação, tão prática quanto acidental, de algo que venho observando e defendendo há muito tempo. Quem me conhece e ouve arengar, sabe o que penso da portalite — um fenómeno tipicamente português, que praticamente não tem expressão fora do universo de língua portuguesa (também no Brasil decorreu algo parecido, ainda que com protagonistas de origens diferentes). CONTINUAÇÃO

i num instante nada mudou

ionline

N a falta de um estatuto editorial, um desrepeito pela Lei de Imprensa, busco no editorial do director, Martim Avillez Figueiredo, algo que me diga o que esperar do novo jornal diário saído ontem.
Fiquei a saber que não quero “pesadas” secções de política, economia ou cultura. Não. Quero o Radar: tudo o que de importante se passa, sei lá, por aí.
Por suposto, quero também o Zoom. Depois do Radar, vem a explicação. Mas — ah! — não fará o i zoom a tudo o que acontece: tal está reservado “ao que merece descodificação e profundidade”. CONTINUAÇÃO

Diário i: a capa do primeiro número

Sai hoje, daqui a pouco, está a viajar para a gráfica, um novo jornal. Chama-se i. Esta é a capa do primeiro número, que Certamente! reproduz em estreia na blogosfera e mediaesfera, via @itwitting. No site, ionline.pt, continuava uma inconcebível protecção de password às 01:33. Nem uma pagineca só a dizer, abrimos a tantos de tal? Não.

iJORNAL 07 MAI 09

Fases pandémicas: o que significa passar de 3 para 4

Nota: este post tem um objectivo informativo sobre o significado dos níveis não reflecte necessariamente o estado actual, tendo sido escrito a 29 de Abril. Para conhecer o nível actual, a melhor fonte é a Organização Mundial de Saúde, veja o microsite para a gripe A.

A Direcção-Geral de Saúde tem um micro-site algures lá no seu website que, embora útil, padece de uma doença frequente em sites da AP: acessibilidade dificultada. Por isso, republico aqui um quadro com uma informação que foi muito solicitada nas últimas 48 horas e que permite perceber o que significa, verdadeiramente, a WHO ter passado de 3 para 4 o nível de alerta.

Período

Fases

Objectivos fundamentais

de saúde pública

Interpandémico

Fase 1

Não foram detectados novos subtipos do vírus da gripe(1) em humanos. Um subtipo de vírus da gripe que já causou infecção em humanos pode estar em circulação entre animais, mas o risco(2) de infecção ou doença humana é baixo

Reforçar a preparação/os planos de contingência para a gripe pandémica, ao nível global, regional, nacional e subnacional

Fase 2

Não foram detectados novos subtipos do vírus da gripe em humanos. No entanto, existe um subtipo do vírus da gripe em circulação em animais que apresenta um elevado risco(2) de infecção humana

Minimizar o risco de transmissão aos humanos através da rápida detecção e declaração de situações de transmissão se ocorrerem

Alerta

pandémico

Fase 3

Existe infecção humana com um novo subtipo do vírus, mas não foi detectada transmissão pessoa-a-pessoa ou, no máximo, houve situações de transmissão para contactos próximos(3)

Assegurar a rápida caracterização do novo subtipo do vírus e a detecção atempada, declaração e resposta a casos adicionais

Fase 4

Existem um ou mais pequenos clusters/surtos(4) com transmissão pessoa-a-pessoa limitada, no entanto a disseminação do vírus é completamente localizada, indicando que o vírus ainda não está bem adaptado ao hospedeiro humano

Manter/Conter o novo vírus em focos limitados ou retardar a sua disseminação de forma a ganhar tempo para implementar medidas de preparação/prevenção, incluindo o desenvolvimento de vacinas

Fase 5

Existem clusters/surtos de maiores dimensões(5), mas a transmissão pessoa-a-pessoa ainda é localizada, indicando que o vírus está a adaptar-se gradualmente melhor ao hospedeiro humano, mas ainda não atingiu um nível de transmissão considerado eficaz (substancial risco pandémico)

Reforçar as acções de contenção ou

retardamento da disseminação do vírus, de forma a evitar (possivelmente) a pandemia e ganhar tempo para implementar medidas de resposta à pandemia

Pandémico

Fase 6

A pandemia está instalada: existe um risco aumentado e substancial de transmissão na população em geral

Minimizar o impacto da pandemia

(1) Um novo subtipo de vírus é um vírus que ainda não circulou em humanos durante, pelo menos, várias décadas e para o qual a maioria da população humana não tem imunidade.

(2) A distinção entre as fases 1 e 2 baseia-se no risco de infecção ou doença humana, resultante de estirpes que circulam em animais. Esta distinção é baseada em vários factores e a sua importância relativa, de acordo com os conhecimentos científicos actuais. Estes factores podem incluir a patogenicidade em animais e humanos; a ocorrência em animais domésticos e gado ou em animais selvagens; a ocorrência em enzootia ou epizootia; a ocorrência em áreas geográficas localizadas ou dispersas e/ou outros parâmetros científicos.

(3) A distinção entre as fases 3, 4 e 5 é baseada na avaliação do risco de ocorrência de uma pandemia. Podem ser considerados vários factores e a sua importância relativa, de acordo com os conhecimentos científicos actuais. Estes factores podem incluir a velocidade de transmissão, a localização e disseminação geográfica, a gravidade da doença, a presença de genes de estirpes humanas (se derivados de uma estirpe animal) e/ou outros parâmetros científicos.

(4) Surtos com poucos casos humanos (ex. 25 casos, com duração de menos de 2 semanas). Nas fases iniciais de um surto não será possível calcular Ro (taxa/número básico de reprodução = média de novas infecções geradas por um caso), mas, com base em estudos de modelação, calcula-se que estes surtos terão 0 < Ro ≤ 0,5.

(5) Surtos com maior número de casos humanos (ex. 25 a 50 casos, com duração de 2 a 4 semanas). Nas fases iniciais de um surto não será possível calcular Ro (taxa/número básico de reprodução = média de novas infecções geradas por um caso), mas, com base em estudos de modelação, calcula-se que estes surtos terão 0,5 < Ro ≤ 1.

Gripe suína: Afinal só há 7 mortes confirmadas

Nota: este post foi escrito a 29 de Abril e os números que contém referem-se a essa data. Os números, que evoluem em cada minuto, não serão actualizados nesta página. Para números actualizados, a melhor fonte é a Organização Mundial de Saúde, veja o microsite para a gripe A.

Pelos vistos, para já tudo não parece ter passado de um alerta histérico com origem na impreparação (to say the least) das autoridades sanitárias ou políticas do México. Breve resenha da imprensa de hoje:

Stricter swine flu tests have cut the number of confirmed deaths in Mexico from 20 to seven, authorities say” (BBC) http://is.gd/vj3y

Las muertes decaen y las dudas crecen. Lo primero calma, pero lo segundo, inquieta” (El Pais) http://is.gd/vjoI

México rebaja a siete las muertes confirmadas por gripe porcina” (ABC.es + EFE) http://is.gd/vjo9

É um pequeno exemplo. Ao longo do dia de hoje assistiremos a mais notícias do género, bem como ao levantamento de dúvidas tanto na Imprensa como nos blogs. As autoridades do México vão ser particularmente visadas, quando não mesmo alvo da ira popular.

Claro que os alertas se mantém, até porque o número de infecções parece estar a crescer e a alastrar geograficamente. Contudo, há que ser racional e manter a calma. A gripe “normal” mata mais que a “especial”, até ver.

Adenda: notícias de há minutos dão conta de uma oitava morte causada pelo vírus H1N1. A confirmar-se pela WHO, será a primeira fora do México. Trata-se de uma criança de 23 meses, no estado americano do Texas, fronteiriço ao México.

O efeito Domino

(Este é um guest-post da autoria de Sérgio Bastos)

A 14 de Abril as acções (ir)reflectidas de dois funcionários da Domino’s Pizza puseram em cheque a reputação da empresa que conta com 125 mil colaboradores em 60 países. Michael Setzer e Kristy Hammonds gravaram e publicaram um vídeo onde faziam “habilidades” com a comida que cairia, minutos depois, no “prato” de um consumidor. Como a repugnância também pode ser viral, o vídeo de Kristy Hammonds foi um êxito no twitter, em blogues e redes sociais. Este efeito dominó gerou uma crise séria, das que ficam nos anais da história e nos servidores.

Vídeo (não permite embed) em: http://www.methodshop.com/2009/04/disgusting-dominos.shtml

Porque é que uma crise pode ser mais perigosa online do que em meios tradicionais de comunicação? CONTINUAÇÃO

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ACERCA
mini fotografia paulo querido Olá, o meu nome é Paulo Querido e Certamente! é o meu webzine pessoal. Sou jornalista free lance, escrevo livros e artigos (e também algum código) sobre a net e na net desde 1989. (Mais)

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