Arquivo de Fevereiro de 2006

Vitória

VITÓRIA. Cumprir promessas é sempre bom. Mais saboroso, ainda, quando são promessas a nós próprios e têm tantos anos que quase desistimos de as cumprir (dedicado à Ana).

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FELICIDADE VERSÃO 2.0

FELICIDADE VERSÃO 2.0. Partilhar a entrada de Gyoza e pedir dose dupla de Gomoku râmen no Sapporo, nº 276 da Rue St Honoré, a 150 metros do Louvre. Experimentem. (Post por telemóvel.)

Nuclear? sim, obrigado!

NUCLEAR? SIM, OBRIGADO. Interrompo o post abaixo para dar um primeiro pontapé de saída para o debate. Por um conjunto de razões similares às que me fizeram andar com o crachá Nuclear? Não, obrigado! ao peito nos anos 80 (há um quarto de século…) hoje tenho um pin que diz Nuclear? Sim, por favor!. Mal tenha tempo, e se ninguém o fizer antes, abrirei um site de campanha para trazer a discussão do nuclear para a ordem do dia. Até lá, está aqui a abertura.

O programa segue dentro de momentos

O PROGRAMA SEGUE DENTRO DE MOMENTOS. Este blog vai estar em pousio durante alguns dias devido a uma temporária deslocação do autor para parte certa e definitivamente offline. É favor não relacionar com os parolos festejos que se aproximam. Vou (vamos) simplesmente passear pela Luz.

QUAL BLOGOSFERA QUAL ORGÃO SEXUAL MASCULINO. Discussões entre egos? Inflamações de umbigos acerca do nada? Bah. O que está a dar mesmo é mashar. Hoje é o último dia do MashupCamp — a conferência mais interessante dos últimos anos, para os próximos anos.

Whoever comes are the right people. Whatever happens is the only thing that could have. Whenever it starts is the right time. When it’s over, it’s over.

«The amazing thing about these camps, using open space methodology, is they shouldn’t work. Like a wiki, it turns out that some very simple and open rules have shockingly positive results–because people, on the whole, are good. Open events like these have become almost commonplace in the valley. In fact, I’d say they are a key driver for the current wave of innovation. One part wiki, one part space and two parts people, add water, and voila!», ( Ross Mayfield, CEO da SocialText, à news.com, link)

Areia nos olhos

AREIA NOS OLHOS. Depois de indivíduos conhecidos pelo seu desdém (para usar um termo benévolo) para com o jornalismo e suas regras terem vindo defender, indignadíssimos, a “liberdade de expressão” num caso secundário, ajudando o PGR a desviar as atenções do prato principal, tiro o chapéu à clarividência do Miguel Gaspar (aquele rapaz nunca me enganou). «Consequência desta mudança complexa é que o exercício do poder político e económico tornou-se menos público, ou quase clandestino. É por isso que as fronteiras entre tablóide e referência permanecem válidas. Mas continuam confusas.» (in Tablóide ou de referência? DN de dia 20, link exclusivo para clientes da Portugal Telecom, assim vai a “indústria de conteúdos” portuguesa.)

Ainda (e sempre) José Afonso

AINDA (E SEMPRE) JOSÉ AFONSO. O Troll Urbano convida a blogosfera para Um dia com o Zeca. Uma lembrança do poeta cantor que morreu no dia 23 de Fevereiro de 1987 (19 anos atrás). Associo-me desde já à iniciativa. Recordo uma outra, que lançámos em 2004: O Dia Z. A página andou perdida (o endereço onde está mudou de máquina três vezes, ao longo das vicissitudes do crescimento do weblog.com.pt), mas recuperei-a do pó dos arquivos. Os comentários já não funcionam, nem o trackback, apenas os referers. Mas estão lá ligadas várias dezenas de textos sobre José Afonso que merecem também ser reavivados por um dia. Um dia com o Zeca.

Palermices

PALERMICES. A cena foi caricata, digna de um filme de cóbóis série C. Mãos ao ar, gritaram os polícias quando irromperam pelo 24 Horas. O pobre do Van Krieken, que andava há anos à procura de dar uma notícia, quando deu finalmente uma foi notificado arguido. É preciso azar, Jorge. Desde então a gritaria vem subindo de tom. Nunca vi tantos defensores dos direitos dos jornalistas. De onde sairam? Porque sairam agora? O que os move verdadeiramente? Estão mesmo preocupados? Ou é tudo uma palhaçada que esconde inconfessáveis desígnios? Como podemos acreditar em saloios que ontem atacavam os jornalistas e a sua pretensa excessiva liberdade e impunidade e hoje defendem o direito à liberdade e impunidade?

Da mesma forma que desvalorizo a palermice da PGR (é preciso ser palerma para achar que se tapa o sol da evidente “fuga” de informação do MP com a peneira da “investigação” jornalística), tendo a devalorizar a gritaria geral. Ao contrário de António Barreto, não acho este caso grave. O problema está na PGR e no Ministério Público, onde algo vai mudar em breve, não está no relacionamento do aparelho judiciário com os jornalistas nem nestes. Nem na falta de “opinião” dos dirigentes políticos (admitindo que os dirigentes políticos são capazes de emitir uma válida, como Barreto gosta de admitir, com algum pretensiosismo).

A expressão do director do 24 Horas nas televisões disse tudo. O jornal ia vender mais papel nos próximos dias.
O resto, essa xaropada toda acerca da liberdade de expressão, vinda dos sectores que veio, desculpem mas está na mesma prateleira da PGR. A das palermices. Mãos ao ar!

Da vaidade

DA VAIDADE.

De quem me queixarei
se vós me dais a vida deste jeito
nos males que padeço,
senão de meu sujeito,
que não cabe com bem de tanto preço?
Mas ainda isso de mim cuidar não posso,
de estar muito soberbo com ser vosso.

(rimas de Luís Vaz de Camões, canção 1, excerto)

A excelência (ou vou ali já venho)

A EXCELÊNCIA (OU VOU ALI JÁ VENHO). Li que o prémio BES Photo «nasceu de uma parceria entre o BES e o CCB com o objectivo de promover a excelência da arte fotográfica criada por portugueses». Fui ver os finalistas ao CCB. Saí com uma dúvida profunda: ou a cena é absoluto bullshit, ou o júri é composto por autistas.

Talvez haja uma terceira hipótese, admito: os dois jurís, o de selecção e o de premiação, não sendo autistas, serão ratos de exposição, daqueles que não saem das galerias do CCB há anos, não tendo portanto a mais pálida ideia do que andam por aí a fazer fotógrafos de todos os tempos, idades, modos e expressões. Ratos de exposição habituados a “artistas” e portanto desconhecedores de fotógrafos.

No CCB só estão expostos trabalhos dos quatro convidados: António Júlio Duarte, José Luís Neto, José Maçãs de Carvalho e Paulo Catrica. Vamos a eles.

O vencedor, José Luís Neto, tem uma interessante abordagem da imagem: numa inspiração impressionista capta em preto e branco pormenores do rosto humano, repetindo-os em diversos ângulos. Ao ver o primeiro set comentei: este rapaz não gosta de fotografar. Depois passei ao segundo set e passei é a palavra. Passei muito rapidamente, comentando: este rapaz não gosta de nos mostrar o seu trabalho. (Razão eventual para o juri o ter distinguido? Especulo.) Uma convicção tive: dos quatro finalistas, o vencedor é o que tem a menor relação com a fotografia — estejamos a falar de técnica, de reportagem, de manipulação do real, de provocação, de experimentalismo, até mesmo de arte em qualquer dos sentidos que possa ter a arte fotográfica.

Neto pode (vir a) ser um bom artista plástico; nunca será um grande fotógrafo. Erro de casting, sem dúvida.

Paulo Catrica? Numa palavra: vulgar. Em mais palavras: a escolha irrepreensível da objectiva e da sensibilidade são atributos comuns a algumas centenas de fotógrafos que expõem, pelo que a eleição de Catrica para a final não veio do domínio técnico. Os enquadramentos são de uma vulgaridade rectilínea impressionante: qualquer fotógrafo de casamentos fará o mesmo. No caso do edifício do Expresso, nem é preciso enquadrar: a arquitectura é tão boa que dispare-se para onde se disparar o resultado será sempre bom. Especulo: só havia quatro concorrentes a concurso? Enfim, temos mais um fotógrafo para as revistas das empresas, muito nice and clean.

José Maçãs de Carvalho é interessante. Irreverente. A projecção video (as imagens são as palavras dos analfabetos) vale a deslocação ao CCB e os € 3,5 do bilhete (preço para não-clientes do BES, algo de que desisti há anos, para grande conforto meu e das minhas contas bancárias). A ideia do projecto Democracia e Imagem é no mínimo curiosa: cada visitante da exposição é convidado a levar uma fotografia emoldurada, estão centenas dentro de caixotes de papelão. Ah, já agora (e porque é de um prémio de fotografia que supostamente se trata): as fotos dele são de qualidade honesta, ainda que variadas, parecendo que jogou a mão ao caixote e foi o que calhou.

António Júlio Duarte seria o vencedor se eu estivesse no juri. É o melhor fotógrafo dos três (desculpem-me mas não consigo ver o artista plástico Luis Neto como um fotógrafo, por muito que queira ser bem educado). Não é bem o meu gosto ou género, mas vê-se à distância que domina a máquina, sabe de onde vem a luz, experimenta ângulos mas sobretudo capta a vida e as pessoas e a força delas — ainda que nas versões violentas, pelo menos nas fotos expostas. Pressente-se um grande fotógrafo, uma carreira, vê-se uma margem de progressão muito animadora.

A segunda edição do BES Photo no Centro Cultural de Belém pretende promover a fotografia. Ninguém diria. Depois de ver a exposição fiquei absolutamente convicto do contrário: o BES Photo pretende despromover a fotografia. Porquê, escapa-me.

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ACERCA
mini fotografia paulo querido Olá, o meu nome é Paulo Querido e Certamente! é o meu webzine pessoal. Sou consultor de new media, jornalista e escrevo livros e artigos (e também algum código) sobre a net e na net desde 1989. (Mais)

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