Destaque atrasado da semana
O destaque atrasado da semana vai para um post de 23 de Fevereiro: em que ficamos? de Eduardo Pitta no Da Literatura.
Marcas e blogues: também há bons exemplos
Nem todas as empresas reagem irracionalmente ao que “vem no blogues”, nem todas as marcas são sobranceiras aos seus clientes, nem todos os directores de marketing gostam de exibir a sua desajeitada ignorância. Também há bons exemplos no relacionamento com “a blogosfera”.
O Daniel Marques apresenta hoje um caso que nos vem contar uma história felizmente diferente daquela que alguns meios têm vindo a contar. A história passou-se com ele, no blogue dele — e não estamos a falar de um blogue que venha nos jornais, o que mais aumenta a consideração que a empresa envolvida merece por este episódio. Saiba como é que o Montepio Geral deu um bom exemplo
Links indesejáveis e como retaliar
Por indesejáveis que sejam, e desagradáveis os seus autores, não podemos evitar que façam links para os nossos posts e blogues. Mas há formas de destruir grande parte do efeito de um link, frustrar as intenções de quem os faz e evitar a maior parte do tráfego induzido por pessoas cujas “recomendações” dispensamos.
Não se trata de fórmulas mágicas. A arquitectura da Internet — uma rede de redes — e a filosofia do hipertexto blindam por completo qualquer tentativa de manter quintas isoladas. Nem mesmo os mestres chineses conseguem bloquear por completo o acesso a servidores: na Internet há sempre formas alternativas de chegar a um dado ponto a partir de outro, não importa o que se faça para o evitar. Só há uma forma comprovada de o fazer: desligar a corrente.
Mas isto não impede que alguns filtros e técnicas tenham graus de eficácia aceitáveis. Sobretudo tendo em conta a relação custo (uns minutos gastos) / benefício (a maior parte das pessoas que viriam dali, já não vêm; o link é inutilizado).
Há mais de um ano que bloqueio o tráfego oriundo de três blogues (e ao fazer a pesquisa de rotina para este post tive, até, o grato prazer de verificar que um deles tirou o link para o Certamente!, o que considero uma vitória pessoal.)
E como faço tal coisa? Uso algumas linhas de código muito fáceis de empregar, tão fáceis que qualquer pessoa pode repetir no seu blogue ou página, como comprovei esta semana ao ceder o código a um amigo que por e-mail me perguntou: como é que eu consigo despistar o link que o meu troll de estimação fez no blog dele para o meu? LER CONTINUAÇÃO :.
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DoMelhor
Há coisas fantásticas, não há?
Um estudo da Anacom divulgado esta semana transforma em letra de forma, oficial, o que a experiência de praticamente todos os clientes há muito nos dizia: as velocidades de acesso à net são muito abaixo dos serviços contratados.
A conclusão genérica do estudo, de acordo com a notícia do Jornal de Negócios, é que a qualidade do serviço melhorou nos últimos dois anos, mas a velocidade contratada está ainda longe da conseguida.
Sublinho o “ainda”. Denota que a autora da notícia quis mostrar uma confiança no mercado e um optimismo no futuro inusitados tendo em conta o registos histórico das empresas envolvidas. A minha intuição diz-me que uma investigação aos estudos do passado revelaria que o ainda é provavelmente abusivo pois verificaríamos que o fosso entre o prometido (e contratado) e o conseguido tem vindo a aumentar. E podem medir tanto em fosso real como em fosso proporcional.
O problema deste mercado é que os operadores afiançam sempre que cumprem os contratos (e estou a falar estritamente da velocidade de acesso, deixando outros detalhes de fora) e puxam de estudos, que reportam de “independentes”, e fazem “medições” com resultados espantosos, calando a voz aos recalcitrantes. A incipiente ou inexistente Imprensa da especialidade não tem meios para contrapor à publicidade em press-release dos operadores.
A Anacom, enquanto regulador, tem conseguido mais sucessos na divulgação da realidade do mercado do que… os jornalistas.
Quanto ao estudo, refere que o melhor desempenho é o da Cabovisão, que oferece 1,794 Mbps de um máximo previsto de 2 Mbps. 87,6% da velocidade contratada é conseguida. Outro operador de cabo também apresenta bons indicadores. A TV Cabo garante 81,2% da velocidade contratada de 4 Mbps. Já na Telepac, para a mesma velocidade (4Mbps), a velocidade é em média 66,2% da contratada.
O Clix é estranho. Tem a pior percentagem dos ISP estudados, mas é o operador que fornece maiores velocidades — tanto no download como no upload, sendo que a velocidade de upload passa ao lado da maior parte do mercado mas é essencial para os autores, artistas, programadores, em regra, os utilizadores profissionais da Internet.
O estudo tem tanto sucesso que a Anacom o quer tornar anual — o que não é nada mau. Uma vez por trimestre é um sonho em Portugal — o país onde em matéria de tecnologias e comunicações se investe, gere e vende às escuras. No próximo, a Anacom quer incluir as placas de acesso móvel. Vai ser bonito.
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DoMelhor
Mau começo (repetição)
Segundo a Meios & Publicidade, as marcas têm de se defender dos blogues — e ninguém melhor que a revista, pois claro, para as ensinar:
“As marcas estão agora mais expostas a ataques provenientes de blogues. Explicamos, num tema destacado na capa desta semana do M&P, que através de uma boa gestão, as marcas poderão tirar dividendos”
As marcas têm de se defender dos seus clientes. O valor das duas frases é rigorosamente o mesmo, porque “os blogues” são compostos, escritos e lidos por cidadãos consumidores.
Ou é a repetição do mau começo por parte da revista (repetição porque as empresas de meios e publicidade, no seu global, já tinham entrado desastradamente na relação com os consumidores desde que estes foram dotados de voz activa que se faz ouvir acima dos media unidireccionais) ou algo está profundamente errado quando as empresas se acham ameaçadas pelos seus clientes.
Profundamente errado.
Ou as duas coisas.
Sugiro que comecem por rever, marcas e revista, o conceito de negócio.
Notícias? Onde?
Estava num blogue e cliquei num link para ler uma notícia que me interessava. Um notícia IMPORTANTE, de economia, sobre um tema da actualidade.
O que vi foi o que reproduzo abaixo. Como se calcula, não li a notícia e mentalmente tomei nota para me afastar do site em questão — dá demasiado trabalho a um impaciente como eu, que mais depressa googla o assunto do que descobre o caminho marítimo para os botões que desarmadilham aquilo.
Felizmente sou uma minoria.

Nunca é demais lembrar
“Sócrates pode dar-se ao luxo de falar deste modo porque não tem oposição de jeito (e já agora não peçam aos jornalistas que sejam eles a oposição)”
(Henrique Monteiro em O país irreal e o ‘Pentium’ de Sócrates, no Expresso online, negritos meus)
Blogosfera portuguesa faz cinco anos
O quinto aniversário do blogue Os Marretas marca a temporada: nos próximos meses, até ao Verão, vamos assistir aos cumprimentos e felicitações entre o núcleo fundador da blogosfera portuguesa as we know it.
Os Marretas foram um dos primeiros títulos desta vaga. Antes deles já existiam blogs portugueses, mas de alguma forma podemos situar no mês de Fevereiro de 2003 o início do movimento de auto-edição que hoje conhecemos como “a blogosfera”.
No próximo mês mais um grande número dos históricos fará cinco anos, entre eles alguns dos históricos já finados, como o País relativo.
O antepassado de Certamente! neste mesmo endereço começou também em Março de 2003.
Entre Abril e Agosto a aceleração do movimento de criação de blogues foi tal que depois das férias já era impossível contá-los à mão, como até aí o Pedro Fonseca fizera (o Contra-factos é um dos anteriores a 2003, sendo o primeiro post das vésperas do Natal).
Recordo que em Junho 10 lancei o weblog.com.pt — a primeira e durante muito tempo única plataforma portuguesa de alojamento de blogues, que esteve para ser comprada pelo Sapo aquando do lançamento dos blogues deste ISP, mas demoras na elaboração do contrato (quatro meses!) deixaram que as condições mudassem (quatro meses!!!) e a aquisição gorou-se por uma diferença de verbas hoje vergonhosa (e que por isso omito…). O Sapo teria poupado quatro anos de suor para nada e assim como assim o weblog.com.pt já não risca (se a aquisição se tivesse concluído, a marca weblog.com.pt era gradualmente substituída pelo Sapo).
Enfim, revelações em primeira mão que, dada a distância histórica, já se podem fazer pois não interessam senão aos estudiosos do fenómeno e não beliscam as actuais posições de ninguém.
(Curiosamente, o weblog nasceu no mesmo dia, o dia 10, em que acabou um dos blogues fundadores, a Coluna Infame, começada em Outubro de 2002, uma vida curta que prenunciava já uma das características mais omitidas da blogosfera, que é efemeridade da maioria dos blogues.)
Parabéns aos Marretas — e por extensão cumprimento já todos os históricos que resistiram. Cinco anos é verdadeiramente uma eternidade em tempo-internet.
Este endereço vale 20.000 a 50.000 dólares
Com a morte antecipada do PageRank como medida de avaliação dos domínios, dada a guerra comercial em curso da Google contra o mundo, as alternativas vão surgindo. De acordo com o Genuine Site Rank, o domínio com o meu nome vale entre 20.000 e 50.000 dólares, o que é obra ![]()
Ainda segundo os cálculos, estou a 60% do pontencial que um site pode almejar. Não é mau — mas não liguem muito: um domínio com duas semanas, três posts e quatro links a apontar para ele “vale” logo 30% do potencial.
“Great job; your site is producing extraordinary results. Breaking the 60th SiteRank percentile is a worthy and distinguishable achievement. With SiteRank over the 60th percentile, your site has excellent traffic and income potential. If your monetization strategy is on target, your site may be earning five digits per month, giving it a five digit valuation”
Quem me dera que assim fosse. Quatro dígitos já me deixavam satisfeito.
Dadus: sensibilizar jovens para as questões de identidade online
Leva quase um mês de vida o Dadus, projecto da Comissão Nacional de Protecção de Dados que pretende sensibilizar os alunos das escolas dos 2º e 3º ciclos do ensino básico para as questões de protecção de dados e da privacidade. Um blogue foi o instrumento escolhido para chegar mais perto do alvo. Para um primeiro balanço coloquei quatro questões à secretária geral da CNPD, Isabel Cruz.
Falando do blogue, pensam envolver a blogosfera nisto? Se sim, como?
Isabel Cruz: A criação do blogue, no Sapo, permitiu logo a entrada no vasto mundo da blogosfera. No entanto, apesar de haver já livremente muitos links para o Blog do Dadus a partir de diferentes comunidades bloguísticas, o Blog do Dadus não vai, por si só, integrar-se em nenhuma blogosfera específica. O Blog do Dadus funciona como um dos pilares do projecto, concebido e destinado para os alunos reforçarem os seus conhecimentos e consolidarem as aprendizagens de forma lúdica, mas onde professores e pais são incentivados a ir, a participar e a acompanhar o que por lá se vai passando. O Blog do Dadus, embora se pretenda que atinja um universo mais alargado de jovens curiosos e interessados além dos alunos que estão directamente envolvidos no projecto, é um complemento essencial das actividades que os alunos venham a desenvolver no âmbito da escola. No Blog do Dadus, serão publicados trabalhos individuais ou colectivos que os alunos venham a desenvolver no projecto.
O projecto funcionará somente no registo de emissor, ou estão previstas participações ao nível das redes sociais e de partilha? (Hi5, Orkut, YouTube, Twitter, MySpace, Flickr)
Isabel Cruz: O Projecto Dadus foi pensado para promover o mais possível a interactividade, seja entre o professor e a CNPD (através do site e de uma caixa de correio electrónico dedicada), seja entre os alunos e o projecto (através do Blog, que é por excelência um espaço de participação interactiva). Tanto os alunos (no blog) como os professores (no site e nas reuniões com as escolas para apresentação do projecto) têm sido convidados a contribuir com ideias, histórias, sugestões, actividades, partilha com a restante comunidade escolar de experiências bem sucedidas que se venham a realizar durante a aplicação do projecto nas escolas. Além disso, está prevista ainda este mês a entrada do Dadus nas redes sociais, através da criação de um perfil do Dadus – uma forma de chegar mais perto dos miúdos. Mas a ideia principal é reencaminhá-los para o Blog, que reunirá o conjunto de informação a transmitir e a trocar.
Estão previstos alguns, e quais, mecanismos de monitorização do curso do projecto e de avaliação do retorno?
Isabel Cruz: É indispensável proceder à avaliação do Projecto Dadus, quanto mais não seja para o melhorar. Tal será feito em várias vertentes e naturalmente em várias etapas: por um lado, uma avaliação estatística evolutiva da sua aplicação real nas escolas (nº de escolas, professores, turmas, níveis de escolaridade, áreas curriculares e alunos envolvidos, tipo de ensino, área geográfica) e uma caracterização mais aprofundada do tipo de trabalho desenvolvido (actividades práticas, interdisciplinaridade, trabalhos realizados, nível de aceitação e participação dos alunos, sugestões dos professores, participação em concursos, etc.); por outro lado, uma análise estatística e de conteúdos da adesão e participação directa dos alunos no blog.
Gostaria ainda de salientar que o contacto directo entre a CNPD e os intervenientes no projecto (professores e alunos) permite mais facilmente acompanhar a evolução do projecto. Neste momento, é feito aos professores que desejem aderir ao projecto um questionário quanto às suas expectativas e aos motivos da sua adesão. Posteriormente, serão feitos outros questionários para verificar e analisar a evolução do projecto.

O projecto tem um prazo definido? A quanto tempo está pensado?
Isabel Cruz: O Projecto Dadus não tem qualquer prazo definido. Com efeito, o pioneirismo deste projecto está precisamente no carácter estruturante e de longo curso que ele pretende alcançar. Trata-se de introduzir, com carácter permanente e regular, no meio educativo a aprendizagem das matérias de protecção de dados e da privacidade, certos de que a aquisição de conhecimento sobre os seus direitos e o trabalho de prevenção de situações graves decorrentes de uma má utilização das TIC são fundamentais para o desenvolvimento de cidadãos livres e informados, cuja forte cultura cívica lhes permita tomar decisões conscientes.
O Projecto Dadus destina-se apenas aos alunos entre os 10-15 anos (2º e 3º ciclos do ensino básico). No entanto, a CNPD pretende vir a desenvolver no futuro outros projectos, destinados aos alunos de outros níveis de ensino.
Curtas
- O Projecto DADUS foi lançado nas escolas públicas do continente, no âmbito de um protocolo assinado com o ME em Janeiro de 2007
- No entanto, a CNPD fez contactos com as Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores e com a Associação do Ensino Particular e Cooperativo, no sentido de alargar este projecto a todas as escolas do país, públicas ou privadas
- Também no sector privado a primeira reacção foi positiva e já há escolas interessadas em aderir ao projecto
- A Secretaria Regional de Educação dos Açores já deu uma resposta afirmativa, indo ser assinado, já em Março, um protocolo entre a CNPD e a Região Autónoma dos Açores
- Neste momento, já estão registados 500 professores para aderir ao projecto
- O blogue teve nas primeiras três semanas 7639 visitas (de 30 países)
- O site contou com 6562 visitas (de 21 países de todos os continentes)

Olá, o meu nome é Paulo Querido e Certamente! é o meu webzine pessoal. Sou consultor de new media, jornalista e escrevo livros e artigos (e também algum código) sobre a net e na net desde 1989. (
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