Fases pandémicas: o que significa passar de 3 para 4
Nota: este post tem um objectivo informativo sobre o significado dos níveis não reflecte necessariamente o estado actual, tendo sido escrito a 29 de Abril. Para conhecer o nível actual, a melhor fonte é a Organização Mundial de Saúde, veja o microsite para a gripe A.
A Direcção-Geral de Saúde tem um micro-site algures lá no seu website que, embora útil, padece de uma doença frequente em sites da AP: acessibilidade dificultada. Por isso, republico aqui um quadro com uma informação que foi muito solicitada nas últimas 48 horas e que permite perceber o que significa, verdadeiramente, a WHO ter passado de 3 para 4 o nível de alerta.
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Fases |
Objectivos fundamentais de saúde pública |
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Interpandémico |
Fase 1 Não foram detectados novos subtipos do vírus da gripe(1) em humanos. Um subtipo de vírus da gripe que já causou infecção em humanos pode estar em circulação entre animais, mas o risco(2) de infecção ou doença humana é baixo |
Reforçar a preparação/os planos de contingência para a gripe pandémica, ao nível global, regional, nacional e subnacional |
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Fase 2 Não foram detectados novos subtipos do vírus da gripe em humanos. No entanto, existe um subtipo do vírus da gripe em circulação em animais que apresenta um elevado risco(2) de infecção humana |
Minimizar o risco de transmissão aos humanos através da rápida detecção e declaração de situações de transmissão se ocorrerem |
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Alerta pandémico |
Fase 3 Existe infecção humana com um novo subtipo do vírus, mas não foi detectada transmissão pessoa-a-pessoa ou, no máximo, houve situações de transmissão para contactos próximos(3) |
Assegurar a rápida caracterização do novo subtipo do vírus e a detecção atempada, declaração e resposta a casos adicionais |
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Fase 4 Existem um ou mais pequenos clusters/surtos(4) com transmissão pessoa-a-pessoa limitada, no entanto a disseminação do vírus é completamente localizada, indicando que o vírus ainda não está bem adaptado ao hospedeiro humano |
Manter/Conter o novo vírus em focos limitados ou retardar a sua disseminação de forma a ganhar tempo para implementar medidas de preparação/prevenção, incluindo o desenvolvimento de vacinas |
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Fase 5 Existem clusters/surtos de maiores dimensões(5), mas a transmissão pessoa-a-pessoa ainda é localizada, indicando que o vírus está a adaptar-se gradualmente melhor ao hospedeiro humano, mas ainda não atingiu um nível de transmissão considerado eficaz (substancial risco pandémico) |
Reforçar as acções de contenção ou retardamento da disseminação do vírus, de forma a evitar (possivelmente) a pandemia e ganhar tempo para implementar medidas de resposta à pandemia |
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Pandémico |
Fase 6 A pandemia está instalada: existe um risco aumentado e substancial de transmissão na população em geral |
Minimizar o impacto da pandemia |
(1) Um novo subtipo de vírus é um vírus que ainda não circulou em humanos durante, pelo menos, várias décadas e para o qual a maioria da população humana não tem imunidade.
(2) A distinção entre as fases 1 e 2 baseia-se no risco de infecção ou doença humana, resultante de estirpes que circulam em animais. Esta distinção é baseada em vários factores e a sua importância relativa, de acordo com os conhecimentos científicos actuais. Estes factores podem incluir a patogenicidade em animais e humanos; a ocorrência em animais domésticos e gado ou em animais selvagens; a ocorrência em enzootia ou epizootia; a ocorrência em áreas geográficas localizadas ou dispersas e/ou outros parâmetros científicos.
(3) A distinção entre as fases 3, 4 e 5 é baseada na avaliação do risco de ocorrência de uma pandemia. Podem ser considerados vários factores e a sua importância relativa, de acordo com os conhecimentos científicos actuais. Estes factores podem incluir a velocidade de transmissão, a localização e disseminação geográfica, a gravidade da doença, a presença de genes de estirpes humanas (se derivados de uma estirpe animal) e/ou outros parâmetros científicos.
(4) Surtos com poucos casos humanos (ex. 25 casos, com duração de menos de 2 semanas). Nas fases iniciais de um surto não será possível calcular Ro (taxa/número básico de reprodução = média de novas infecções geradas por um caso), mas, com base em estudos de modelação, calcula-se que estes surtos terão 0 < Ro ≤ 0,5.
(5) Surtos com maior número de casos humanos (ex. 25 a 50 casos, com duração de 2 a 4 semanas). Nas fases iniciais de um surto não será possível calcular Ro (taxa/número básico de reprodução = média de novas infecções geradas por um caso), mas, com base em estudos de modelação, calcula-se que estes surtos terão 0,5 < Ro ≤ 1.
Gripe suína: Afinal só há 7 mortes confirmadas
Nota: este post foi escrito a 29 de Abril e os números que contém referem-se a essa data. Os números, que evoluem em cada minuto, não serão actualizados nesta página. Para números actualizados, a melhor fonte é a Organização Mundial de Saúde, veja o microsite para a gripe A.
Pelos vistos, para já tudo não parece ter passado de um alerta histérico com origem na impreparação (to say the least) das autoridades sanitárias ou políticas do México. Breve resenha da imprensa de hoje:
“Stricter swine flu tests have cut the number of confirmed deaths in Mexico from 20 to seven, authorities say” (BBC) http://is.gd/vj3y
“Las muertes decaen y las dudas crecen. Lo primero calma, pero lo segundo, inquieta” (El Pais) http://is.gd/vjoI
“México rebaja a siete las muertes confirmadas por gripe porcina” (ABC.es + EFE) http://is.gd/vjo9
É um pequeno exemplo. Ao longo do dia de hoje assistiremos a mais notícias do género, bem como ao levantamento de dúvidas tanto na Imprensa como nos blogs. As autoridades do México vão ser particularmente visadas, quando não mesmo alvo da ira popular.
Claro que os alertas se mantém, até porque o número de infecções parece estar a crescer e a alastrar geograficamente. Contudo, há que ser racional e manter a calma. A gripe “normal” mata mais que a “especial”, até ver.
Adenda: notícias de há minutos dão conta de uma oitava morte causada pelo vírus H1N1. A confirmar-se pela WHO, será a primeira fora do México. Trata-se de uma criança de 23 meses, no estado americano do Texas, fronteiriço ao México.
O efeito Domino
(Este é um guest-post da autoria de Sérgio Bastos)
A 14 de Abril as acções (ir)reflectidas de dois funcionários da Domino’s Pizza puseram em cheque a reputação da empresa que conta com 125 mil colaboradores em 60 países. Michael Setzer e Kristy Hammonds gravaram e publicaram um vídeo onde faziam “habilidades” com a comida que cairia, minutos depois, no “prato” de um consumidor. Como a repugnância também pode ser viral, o vídeo de Kristy Hammonds foi um êxito no twitter, em blogues e redes sociais. Este efeito dominó gerou uma crise séria, das que ficam nos anais da história e nos servidores.
Vídeo (não permite embed) em: http://www.methodshop.com/2009/04/disgusting-dominos.shtml
Porque é que uma crise pode ser mais perigosa online do que em meios tradicionais de comunicação? LER CONTINUAÇÃO :.
Os números da gripe suína
Nota: este post foi escrito a 28 de Abril e os números que contém referem-se a essa data. Os números, que evoluem em cada minuto, não serão actualizados nesta página. Para números actualizados, a melhor fonte é a Organização Mundial de Saúde, veja o microsite para a gripe A.
Segundo a fonte mais credível que detectei — a Organização Mundial de Saúde, WHO –, os números da gripe suína ao final do dia de ontem eram estes, regulados ainda pelo Emergency Committee, que reuniu precisamente ontem:
EUA – 40 (quarenta) casos confirmados em laboratório, nenhuma morte;
México – 26 (vinte e seis) casos confirmados de infecção em humanos, que incluem 7 (sete) mortes;
Canadá – 6 (seis) casos, nenhuma morte;
Espanha – 1 (um) caso, nenhuma morte.
(fonte: WHO)
Ritmo de menções a “swine flu” ou apenas “flu” no Twitter, ontem: 10.000 por hora. Na mesma rede os portugueses fizeram 25 citações por hora de “gripe” e “flu” (fonte: TwitterPortugal)
O Emergency Comittee da World Health Organization subiu de 3 para 4 o nível de alerta para uma pandemia do vírus H1N1. Esta mudança indica que a probabilidade de uma pandemia aumentou mas não é certa ou inevitável.
Enquanto isto, ontem e apenas ontem morreram em todo o mundo, apenas de diarreia, perto de 50.000 crianças (fonte: Nações Unidas)
Apenas esta semana morreram somente em Portugal e unicamente de cancro na laringe tantas pessoas — 7 (sete) — como as vitimadas em todo o mundo pelo corrente surto de gripe suina.
Talvez este seja um bom momento para respirar.
(Obrigado ao Bikoka Frita pela inspiração numérica)
Newsmap sobre a gripe suína (também no seu blog)
Para uma visão diferente do noticiário sobre a gripe dos suínos, decidi fazer um newsmap específico. Está na minha homepage, onde ficará por mais algum tempo, enquanto entender que o carácter de excepcionalidade do tema o justifique.
Fi-lo de forma tal que pode ser incluído em qualquer blog ou página web. Basta, com efeito, copiar o seguinte código HTML e inseri-lo na sua página, post ou template:
<iframe src="http://pauloquerido.pt/jornalismo-multimedia/newsmap/gripe-suina-widget.php" height="650px" width="500px" frameborder="0" scrolling="no" name="gripe suina"></iframe>
A versão com mais notícias e maior amplitude gráfica fica no seguinte endereço curto, para simplificar a sua difusão: http://cli.gs/suina. Passe palavra, ligando este post ou directamente o newsmap de gripe suína nesse endereço.
Còmhla
Juntos. Juntos. Together. Ensemble. Xuntos. Együtt. Samen. Sammen. Juntes. Insieme. Juntos. Junts. Insieme. Together, again. Juntos, de nuevo. Zusammen. Còmhla.

Entrevista de José Sócrates à RTP: nuvem de reacções
O Twitter veio dar uma nova dimensão aos grandes directos televisivos. A entrevista do Primeiro Ministro José Sócrates à RTP, na terça-feira à noite, registou uma nuvem de reacções sem precedentes.
Contabilizámos 1.659 comentários por 244 autores usando a hashtag combinada para o debate público, que foi #entPM.
Arquivei os comentários contabilizados aqui: http://cli.gs/entPM.
Ficam abaixo as nuvens das reacções. A primeira diz respeito às palavras usadas nos comentários. A segunda contém os autores, sendo que o tamanho das palavras corresponde à frequência da repetição, isto é, quanto maior a palavra, mais vezes usada.


As últimas
Ainda a propósito do Pedro Dória, que citei num texto de ontem por causa da Wikipedia, cabe aqui mencionar um dos seus projectos: As últimas é um agregador das publicações que fazem o dia a dia no Brasil, juntando em secções temáticas os melhores blogs, autores, media e jornalistas, segundo a escolha do Pedro.
E já devia ter falado disto porque, na sequência de uma sugestão minha para a inclusão do blog sobre as eleições portuguesas que o Público patrocina, tendo em conta a pertinência do tema eleitoral na política portuguesa ao longo de todo o ano, o Pedro optou antes por “dar” a Portugal uma secção inteira, e não um mero destaque.
E desafiou-me para o ajudar a elaborar uma lista dos mais representativos blogs portugueses. O que fiz com grande preocupação: eleger um grupo é sempre mal recebido pelos que ficam de fora e resolvem que é seu dever questionar os critérios.
Mas lá fiz a lista de sugestões. O Pedro incluiu a maioria delas e fez as suas próprias opções, naturalmente. Uma delas foi incluir o meu próprio blog — uma malandrice ![]()
Assim, lá ficou o agregador As últimas com uma secção portuguesa.
Cabe adiantar que As últimas usa o mesmo sistema que eu apliquei no Neste Momento. E que o blog do Público para as eleições é uma produção minha, sendo a parte já visível de um dossiê eleitoral ainda em desenvolvimento. Assim os leitores regulares do Certamente! ficam a conhecer uma das razões pelas quais tenho escrito tão pouco por aqui. Pois: não é só o Twitter, não.
Oracle e Sun: nasce um colosso do open source

Com as atenções todas concentradas nos mediáticos nomes Google, Microsoft, Yahoo!, Facebook e Twitter, não admira que a notícia do trimestre, e vamos ver se não é a do ano, tenha surpreendido o jornalismo dos dois lados do Atlântico.
Isto, bem entendido, o jornalismo capaz de desenvolver o que está em jogo quando a Oracle compra a Sun.
O negócio foi anunciado discretamente num press-release emitido esta segunda-feira: vale 7.400 milhões de dólares, a principal fatia dos quais (5.600 milhões) em papel (aqui, a breve publicada no Expresso Multimedia).
Mas o dinheiro é o menos importante. O que conta é o posicionamento no tabuleiro do jogo. A “fusão” deixará Larry Ellison, CEO da Oracle, a comandar o maior potentado de open source do mundo. Um “porta-aviões” capaz de impor respeito até à Google, Inc, mas sobretudo à Microsoft. LER CONTINUAÇÃO :.
Censores na Wikipedia de língua portuguesa

Como sempre tenho escrito, as grandes questões suscitadas pela Wikipedia nunca se prendem com o conhecimento mas sim com o poder. Geralmente, o poder de decretar o que é A Verdade ou, pelo menos, o que deve e não deve fazer parte Dela.
Mais um episódio, agora relativo à Wikipedia de língua portuguesa, ocorre do outro lado do Atlântico. O Pedro Dória alude a ele em Os censores da Wikipedia brasileira, onde comenta o caso ocorrido com Juliano Spyer. Respigo:
No que se refere a assuntos brasileiros, a Wikipedia em português é extremamente pobre de informação. O motivo é evidente. Assim como ele experimentou frustração ao tentar colaborar, e eu experimentei, assim como meu amigo, quantos não devem ter enfrentado as mesmas barreiras? Temos, pois, a Wikipedia que seus editores permitem. Não é colaborativa. Tem dono.
Ler: Os censores da Wikipedia brasileira

del.icio.us
DoMelhor
Olá, o meu nome é Paulo Querido e Certamente! é o meu webzine pessoal. Sou consultor de new media, jornalista e escrevo livros e artigos (e também algum código) sobre a net e na net desde 1989. (
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