Publicada a lista dos Secretários de Estado: twitters aumentam
Foi publicada em cima da hora do jantar a lista dos Secretários de Estado do novo Governo, empossado na segunda-feira. O número de twitters quase duplicou. Colmatando a saída de @AscensoSimoes, temos agora para tuitar em directo da governação os @czorrinho e @marcperestrello, que se juntam a @zmaglh.
A lista: LER CONTINUAÇÃO :.
O Magalhães de Barreto (reprint)
(Este é um post convidado, da autoria de Pedro Rolo Duarte, que amavelmente cedeu à minha pretensão de o republicar. Para que conste. Leia abaixo ou no blog do Pedro , para mim tanto faz. Desde que leia.)
Tenho por António Barreto o respeito que nos deve merecer quem se dedica a pensar Portugal – e o faz com devoção e rigor. Enquanto editor da revista K, privei com ele e publiquei algumas das excelentes matérias que produziu para a revista.
Desse tempo ficou-me a ideia de uma incompatibilidade primária entre o sociólogo e as novas tecnologias. Recusou o telemóvel durante anos, e fazia questão de tornar público esse ódio de estimação…
Não surpreende, portanto, que chegado a 2009, António Barreto proclame nas páginas da Ler: «Da maneira como o Governo aposta na informática, sem qualquer espécie de visão crítica das coisas, se gastasse um quinto do que gasta, em tempo e em recursos, com a leitura, talvez houvesse em Portugal um bocadinho mais de progresso. O Magalhães, nesse sentido, é o maior assassino da leitura em Portugal». Diz mais: o Magalhães «foi transformado numa espécie de bezerro de ouro da nova ciência e de uma nova cultura, que, em certo sentido, é a destruição da leitura».
Ora, que António Barreto mantenha essa má relação com a tecnologia parece-me divertido e compõe a personagem. Mais grave é vê-lo falar do que não sabe. Desta vez, o sábio demitiu-se.
A introdução no sistema de ensino, com maiores ou menores problemas de produção e distribuição, do computador Magalhães, é talvez a mais relevante medida social deste Governo no que à educação diz respeito. Equipara as famílias pobres às médias – aquelas onde o computador e a internet estão já ao nível do televisor ou do DVD. Ou seja: coloca potencialmente todos os alunos num patamar semelhante de acesso à informação. Misturar este facto com a cultura do livro nas escolas é mais ou menos o mesmo que relacionar a nossa atávica iliteracia com o advento da televisão ou da rádio…
Do Magalhães ao livro vai a distância da terra à lua – porque não será a ausência de computadores que aproximará os estudantes dos livros, mas também não será a sua existência que os afastará. Pelo menos, convenhamos, dará acesso à informação – logo, à possibilidade da escolha.
A Internet, as novas tecnologias, estão a mudar a forma como vivemos, como consumimos informação, como nos relacionamos uns com os outros. Podemos criticar, estranhar ou mesmo rejeitar o “processo revolucionário em curso”, mas ele é não apenas imparável como irreversível. Não ver isto é como não ver. Ponto. Neste quadro, o “processo Magalhães” só é comparável, do meu ponto de vista, à electrificação dos caminhos, das aldeias, do país. É a abertura de uma óbvia e inteligente porta para o futuro.
O resto, como desde sempre, é tarefa dos pais e dos educadores. Não lê quem tem ou não tem Magalhães – lê quem quer, quem pode, e quem foi estimulado para a leitura. Assim foi, assim será.
PS – De passagem: não foi por ter um telemóvel aos 7 anos, um computador e internet aos 8, e uma playstation aos 9, que o meu filho deixou de ser, como é, um compulsivo leitor de livros (como eu nunca fui…). E não é por ter acesso permanente à net na sua escola, aos 13 anos, que ele deixa de andar sempre com um livro debaixo do braço.
Os 5 posts mais populares de 2008

Fim de ano é uma boa altura para recapitular. Eis os 5 posts mais populares de 2008 aqui no Certamente!
- A televisão e os jornais parecem ter sido inventadas para servir as piores características de Miguel Sousa Tavares foi, sem surpresa, o post mais popular do ano. Afinal de contas, “os blogues e a Internet parecem ter sido inventados para servir as piores características dos portugueses — disse Miguel Sousa Tavares numa peça que a SIC transmitiu” Publicado a 3 de Maio, contém uma lista dos posts de reacção à boutade do popular escritor. Não foram poucos, por essa blogosfera fora.
- Eleições americanas nos meios online, um artigo de lançamento das campanhas especiais montadas pelos principais meios portugueses para cobrir a eleição presidencial dos Estados Unidos, foi o segundo artigo mais popular, apesar de publicado já tarde no ano, a 29 de Outubro
- Que aos bancos, como o Barclays, só importam os lucros e não as pessoas, já sabemos, mas esta história é edificante foi o terceiro artigo mais lido. Foi um dos assuntos do ano, a saga de Pedro Rebelo com o Barclays por causa de um cartão de crédito. Publicada em 25 de Julho, antes da crise financeira rebentar em todo o seu esplendor, a história acabaria por ser estranhamente adequada para descrever os seis meses seguintes. Escrevia então: “A mim só me surpreende que alguns dos comentadores deste assunto [...] ousem pensar que os bancos existem para servir clientes. É uma falsa ideia. Os bancos existem para servir os interesses dos seus accionistas, interesses estes que consistem, basicamente, em rentabilizar, da melhor forma possível, os seus activos e gerir da forma mais adequada ao máximo lucro as suas especulações sobre a economia real. Dito de outro ângulo: para um banco, qualquer banco, um cliente é um meio para atingir um fim, não o fim ele próprio”
Não só os clientes. O próprio sistema político é visto como um mero instrumento da actividade. Next. - Viva o Magalhães! (ou: qual é o futuro para um país moitaflorado?) foi o quarto mais lido. Outro dos temas do ano, o net-pc Magalhães, vendido por uma empresa portuguesa e pelo governo, um sucesso que incomodou os adversários políticos viscerais ou ocasionais do Primeiro Ministro.
- Jogos para Mac, publicado a 16 de Janeiro, ainda na versão anterior de Certamente,e no qual bendizia a minha condição de switcher (da treta do Windows para o mais satisfatório Mac) e desfazia um dos mitos urbanos acerca da bem propagandeada supremacia dos computadores com o sistema operativo da Microsoft: o facto de ser uma melhor plataforma de jogos. É irrelevante.
A corte do sucesso
Sobre o computador Magalhães, a maior hiperstar info e blogoesférica do ano de 2008 com milhões de caracteres impressos e processados, escrevi tudo o que tinha para escrever terminando com um artigo sobre o seu indubitável sucesso.
Talvez porque não me movo por uma agenda partidária ou de poder pessoal, pude dar-me ao luxo de olhar para o negócio como um cidadão comum, atento e interessado. Dái ter concluído pelo sucesso da operação — o que não significa, de todo, não ter visto os defeitos e problemas. E sucessos deste país, dada a raridade… é preciso de facto não ser capaz de sair das vistas do próprio umbigo para gastar tanta energia a diminui-los.
Como a qualquer outro cidadão comum, atento e interessado, fez-me azia ver um Primeiro Ministro armado em comercial da JP Sá Couto em plena cimeira Ibero-Americana.
Há pouco, via Tecnopólis, meteram-me um alka-seltzer pelas goelas abaixo. Talvez sejam os tempos modernos e neles um PM tenha de representar ainda mais papéis popularuchos e risíveis. Não sei.
Nem interessa.
Tomem vocês também estes alka-seltzers:
http://www.flickr.com/photos/campuspartyiberoamerica/2985143882/in/set-72157608461276235/
http://www.flickr.com/photos/yamilsalinas/2988635230/
http://www.flickr.com/photos/campuspartyiberoamerica/2985143774/in/set-72157608461276235/
http://www.flickr.com/photos/campuspartyiberoamerica/2985137368/in/set-72157608461276235/
PS: já há uma prateleira de netpc na FNAC do meu burgo e a prateleira de netpc da FNAC do meu burgo apresentava esta tarde mais de um dezena de modelos de todas as marcas. A corte do sucesso.
Os filtros, os miúdos e os conteúdos inseguros
O fundador do Projecto MiudosSegurosNa.Net classificou como ligeiras e irresponsáveis as declarações veiculadas na comunicação social de que “os filtros da Internet para protecção de menores da pornografia e violência são inúteis“.
As declarações, atribuídas a Valenti Gómez i Oliver, presidente do Observatório Europeu de Televisão Infantil (OETI), foram alegadamente proferidas durante as Jornadas Luso-Espanholas de Literacia dos Media e Pedagogia da Comunicação “Onde está o Adamastor digital?”, uma iniciativa conjunta do OETI e do Gabinete para os Meios de Comunicação Social (GMCS) que teve lugar em Lisboa de 20 a 22 de Outubro.
Segundo Tito de Morais, “de facto, quando estamos a falar de adolescentes, estes geralmente têm já conhecimentos suficientes para desabilitar ou ultrapassar um programa de filtragem de conteúdos”. No entanto, segundo o fundador do Projecto MiudosSegurosNa.Net, “isso não faz com que sejam inúteis”, acrescentando que “os semáforos vermelhos também podem ser ultrapassados e não é por isso que são inúteis”. LER CONTINUAÇÃO :.
Já nem nos amigos se pode confiar
Há pouco entrou, agendada, a republicação do meu artigo sobre o sucesso internacional do portátil Magalhães. É um mau timing, dirá qualquer pessoa. Tendo em conta as notícias recentes da questão judicial da J.P. Sá Couto — a empresa que produz o netpc português. Talvez seja. Talvez não.
Na verdade, uma coisa não invalida a outra. O assunto J.P. Sá Couto é desagradável. É caso para o Governo dizer, já nem nos amigos se pode confiar. Mas em nada influi a minha opinião sobre o sucesso da operação, tanto dentro como fora de fronteiras.
Portátil Magalhães: a internacionalização de um sucesso
Como escrevi em crónica no Expresso multimedia publicada aqui em 27 de Setembro e mais tarde republicada no Certamente! (link), o portátil Magalhães é uma verdadeiro caso de sucesso da política e da indústria portuguesas. Um dos raros casos de sucesso, o que é mais uma razão para o contentamento generalizado que lhe tem sido dispensado. LER CONTINUAÇÃO :.
Semana do OppenOffice.org

A comunidade portuguesa do OpenOffice.org anuncia a Semana do OpenOffice. Esta suite de office de código aberto conta com cerca de 100 milhões de utilizadores a nível mundial, vai ser incorporada na edição escolar do Magalhães, e está prestes a anunciar a sua versão 3.0.
O primeiro *Encontro Intercontinental* da comunidade OpenOffice.org, que ligará por vídeo-conferência as comunidades de Portugal, Galiza, Brasil, Paraguai e Uruguai, e cobrirá em directo o III Encontro da
comunidade brasileira. O ponto de encontro em Portugal será o Auditório 2 do Fórum Picoas em Lisboa, entre as 14:00 e as 16:00 do 3 de Outubro (link). LER CONTINUAÇÃO :.
Magalhães: o sucesso público
Mais que no milhão de portáteis Magalhães comprados pela Venezuela, o sucesso público da melhor iniciativa do actual governo em matéria de sociedade da informação e respectivas tecnologias e economia está no brilho do olhar dispensado por quem passa por ele na FNAC.
Fiquei surpreso. Indiferentes às “críticas” estéreis acerca do “marketing político” e da origem geográfica dos seus componentes, o público dispensa ao portátil o olhar que merece um computador:
- barato
- leve
- potente
- agradavelmente transportável
- versátil
- pedagógico
- estimulante
- fracturante
Nota do fim de semana
O portátil Magalhães foi um sucesso que nem os sistemáticos contras conseguiram travar, do alto das suas múltiplas medias.
A oposição à direita está vazia de imaginação, o que tem pouco ou nada de surpreendente tendo em conta os seus protagonistas para a ocasião. Deixou de colar o discurso minimal repetitivo da chapa “mais um exemplo de falta de ____ (qualquer coisa que ocorra no momento, adequada ou nem por isso) sobre este governo ficou mais uma vez patente na/o ______ (última iniciativa/projecto do governo)”. A 10/12 meses das eleições legislativas, ainda haverá tempo para Manuela Ferreira Leite trocar de “fato”? É uma boa pergunta.
Pedro Santana Lopes está num ímpasse por causa da trapalhada das casas, que veio finalmente a lume. Mas o envolvimento dele naquilo é zero vírgula responsabilidade inerente. Vai ser o candidato do PSD à Câmara de Lisboa. É o melhor trunfo do partido — o que diz mais sobre o partido do que os actuais corpos gerentes gostam de admitir. Não tenham ilusões. Quem imagina um Partido Social Democrata este século sem PSL e a “corrente populista”, o melhor é mudar de partido. A reforma na vida privada é outra opção, mais recomendável.
Marques Mendes sobreviveu. Em melhores condições que o PSD, o que é notícia. E mais um problema para MFL. Uma coisa é “comprar” PSL com a maior câmara do país. Mas com Menezes do lado ácido de fora, Rio a submarino, Borges a desajudar, Passos Coelho sempre em cima, e agora Mendes a “roubar” os holofotes, a vida não está fácil para a chefe. E ainda nem falámos do PS.
Já não há Partido Popular. É uma imagem ectoplásmica. O CDS eventualmente ainda subsiste no coração de algumas pessoas distintas. Eventualmente. E porque o PSD deixa.
A esquerda exterior ao PS tem quase 25% das preferências do eleitorado, dizem as sondagens. MFL e a “ala credível” do PSD nunca conseguirão capitalizar o descontentamento de classes que simplesmente não entendem, não absorvem, ignoraram toda a vida. As classes médias e médias baixas — a intensa maioria sociológica deste país, cujo contacto com o PSD se fez sempre por via de líderes populistas/autoritários. Imaginar que essa gente dispensará o voto a Manuela Ferreira Leite e António Borges é delirar.
Mas o PS tem de trabalhar. Mais: está na hora do PS, e do governo, começarem a trabalhar. Ou isso — ou em 200 teremos o PP da esquerda, finalmente: o BE a formar governo.
Impensável? Não vejo porquê. Dêem as voltas que derem, e sem meter a ideologia nisto, Francisco Louçã é mais “conhecedor dos dossiers” e mais bem preparado político que Paulo Portas e este foi a ministro.

del.icio.us
DoMelhor
Olá, o meu nome é Paulo Querido e Certamente! é o meu webzine pessoal. Sou consultor de new media, jornalista e escrevo livros e artigos (e também algum código) sobre a net e na net desde 1989. (
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