A televisão e os jornais parecem ter sido inventadas para servir as piores características de Miguel Sousa Tavares 

Os blogues e a Internet parecem ter sido inventados para servir as piores características dos portugueses — disse Miguel Sousa Tavares numa peça que a SIC transmitiu esta noite.
Este tipo de afirmações gratuitas é um completo disparate, uma perda de tempo e um exercício de arrogância — mas dá bons títulos e vende papel. Eu, por exemplo, vou afirmar e sustentar o seguinte. A televisão e os jornais parecem ter sido inventadas para servir as piores características de Miguel Sousa Tavares: dizer o que lhe apetece sem cuidar de saber se é verdade o que diz ou informar-se sobre a realidade que acha que critica.
Como isto: “Eu acho que o acesso à Internet deveria estar dependente de uma pré-identificação perante o servidor de quem é o utilizador. Como o que se passa por exemplo em relação a esse cobarde que meteu na Internet uma acusação de plágio contra mim é que desapareceu de seguida, apagou o blogue onde estava, para não ser localizado“.
Não quero comentar a atitude policial de um liberal com provas dadas porque a todos nós pode escorregar o pé para o chinelo, fico apenas pela treta da conversa fiada que Miguel Sousa Tavares acha que, talvez por ser dito por ele na televisão, se torna verdade. A verdade é esta, ou melhor, as verdades são estas:

  1. o acesso à Internet ESTÁ DEPENDENTE DE UMA PRÉ-IDENTIFICAÇÃO. Não porque Miguel Sousa Tavares o ache adequado, mas porque é assim mesmo que funciona.
  2. O cobarde não “desapareceu” de seguida. O blogue podia ter sido recuperado (talvez ainda possa) para meio de prova e os registos estiveram acessíveis ao aparelho judicial, para o caso de uma investigação.

Miguel Sousa Tavares preferiu ficar a carpir mágoas e indignações, o que terá alguma utilidade na hora de projectar a sua imagem, como tem repetidamente comprovado no seu “conflito pessoal” com “a Internet”, esse monstro sem rosto.
MST falta à verdade quando diz que não pode levar a tribunal os anónimos que o vilipendiaram.
Pode. Pode levar a tribunal quantos John Does caluniadores quiser. Se não o fez, tem as suas razões. Conte-as num dos seus “blogues” (a forma pessoal como tem escrito e comentado na última década está na realidade mais perto do registo dos blogues que do registo dos jornalistas, sabia?).
E pode mais. Pode levar a tribunal pessoas devidamente identificadas que nas caixas de comentários de jornais como o Público e o Expresso (neste, na própria página da sua crónica) repetem as mesmíssimas acusações, e até outras do mesmo calibre, que copiaram do anónimo ou inventaram — fazendo-o com grande garbo e metendo o nome e a fotografia à frente, se os deixarem (eu sei porque li, consegui até apagar alguns dos javardolas, nos tempos em que tinha a “borracha”, e fui duramente criticado por isso — sim, já fui chamado de censor por apagar insultos à sua pessoa, Miguel.)
Porque não o faz em vez de continuar a responder com frases feitas a perguntas “inocentes” de propósito para lhe sacar o bélico — eis a Questão Essencial.

O chorrilho de disparates saído da boca de Moita Flores é de tal ordem que me recuso descer ao seu nível para tecer uma palavra que seja sobre a sua distância do real. Coloca-se a pertinente questão dos painéis de comentadores, chamados a opinar sobre os mais variados assuntos, mesmo aqueles que não dominam. Ou — como é o caso — pelos quais nutrem um antagonismo que expressam de forma primária. Coloca-se a questão do respeito. Eu respeito Moita Flores enquanto comentador de casos policiais (entre os melhores no affaire McCann), pelo que ele me obriga a um esforço para separar as coisas.
Neste tipo de painéis fixos, acabamos a seguir personalidades e opiniões, não seguimos assuntos.
Não é isto, é o que fulano pensa disto.
É o defeito deles — e está, sem dúvida, na origem de um programa injustamente falhado. Ao apostar nas já estafadas virgens histéricas da Internet para “analisar”, a SIC perdeu a oportunidade para um programa interessante. Exceptuando as questões dos enganos, a merda do costume onde só vão mudando as moscas, as reportagens de apoio estavam boas em geral e havia ali matéria para levar a sério. Claro, com gente que saiba disto. Se não confiam nos nacionais habilitados, importem. De Espanha. Dos EUA.

Caro Rogério Alves: não se restaura a noção de vida privada. Essa noção muda através dos tempos e já foi pior. O século XX foi um luxo sob vários aspectos e sob esse também.

Rodrigo: Uma vez na rede, para sempre na rede. Uma vez no mundo, para sempre no mundo. Uma vez na televisão, para sempre na televisão. Uma vez motard, para semre motard. É a vida, camarada. A rede é um imenso café onde conversamos uns com os outros. The world is my oyster.

Safou-se José Gameiro, que se manteve realista e dentro deste mundo.

A exposição e a vaidade também são facilitadas pela tecnologia, vamos portanto proibir a tecnologia. “Agora está uma trista palhaça morena, a qual não lhe apanhei o nome, que não tem problemas de ir de biquini para a praia e ser vista por milhares de desconhecidos. Mas se alguém lhe apanhar uma fotografia já fica toda lixada”, escreve com propriedade o anónimo Rui Seabra, um cadastrado de alto gabarito que usa o seu blogue para despejar antrax sobre Portugal e arredores.

Eu sou um profundo narciso solitário. Incapaz de fugir da solidão.
A blogosfera? 150 milhões de psicopatas. Chamem Moita Flores para os prender a todos.

Vejam a gravação neste maléfico blogue: Bloggers! Aqui e Agora! na SIC

Consultem algumas reacções ao programa de psicóticos, perigosos marginais, pedófilos escondidos, violadores, caluniadores, bombistas e penso que vi por aí um carteirista de metro disfarçado:
guronsan – O Cyberterror
Tenho algo a dizer sobre… – Internet, blogs e afins
Ainda pior blog – Difamação na Blogoesfera
lisbonlab – Aqui e agora: os perigos da Internet
Fu-Bar – Artigo Vergonhoso na SIC contra blogs
Sylbiah – Internet
Afectado – Ensaio Sobre a Blogoesfera
Charquinho – Os perigos da Internet e os da Ignorância de Moita Flores
domelhor.net: Como a SIC mostra a Internet… No programa Aqui e Agora na SIC foi discutido o tema da Internet. Vejam o vdeo e as barbaridades que foram ditas no programa…
SIC PATROCINA A CENSURA. « DISSIDENTE-X: […] blog ponto sapo, um perigoso terrorista não só fez um post sobre o assunto, como insere o vídeo onde só se…
Aqui e Agora | (It’s) Not About You: […] É um assunto que não parece ter relevância jornalística. Daí que a SIC, no seu programa Aqui e Agora, se dedicar à Internet é sempre uma […]…

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