Aqueles adolescentes atrasados mentais da ABC News…
Não lêem os “clássicos”. Pobres adolescentes retardados. O jornalista George Stephanopoulos, da ABC News, vai entrevistar o candidato presidencial americano derrotado John McCain. No Twitter. Perguntas e respostas em 140 caracteres. São adolescentes. Idiotas. Não pensam.
Data: 16 Mar 09 00:56 Editor: Paulo Querido Arquivo: blogosfera Tags: Pacheco Pereira
Acções
Guardar/partilhar:
Facebook
Twitter
delicious.com
DoMelhor
Assinar publicação:
feed RSS
e-mail diário
Debate
8 opiniões no artigo “Aqueles adolescentes atrasados mentais da ABC News…”
Deixe a sua opinião
Textos mais recentes
- The last laugh – If self-published writers owned the midlist #LerComCalma (mais 2 links) em 3 de Setembro de 2010
- Top 10 – Richest Men (of All Time) (mais 1 link) em 1 de Setembro de 2010
- Regras de análise económica para a oposição (segundo João Miranda) em 31 de Agosto de 2010
- As (importantes) mudanças no USA Today, segundo maior diário americano em 30 de Agosto de 2010
- We Dont Hate You – Dear America… (mais 1 link) em 30 de Agosto de 2010

Olá, o meu nome é Paulo Querido e Certamente! é o meu webzine pessoal. Sou consultor de new media, jornalista e escrevo livros e artigos (e também algum código) sobre a net e na net desde 1989. (
Siga o feed RSS
Receba a edição diária por e-mail
tive acesso a alguns twitters. tenho uma conta no facebook onde tenho ligações a gente que o usa para colocar os seus twitters (o que me parece uma aberração) – e me enchem a página com um frenesim que me parece insano
mas o que me parece interessante é o reconhecimento implícito da insuficiência dos 140 caracteres – o frenesim dos twitters implica o constante remeter para outras leituras
como defender a entrevista política em 140 caracteres – se já irrita, por obtusa e imbecil (e mais do que tudo alienante) a desonesta onda da entrevista televisiva onde o jornalista constantemente corta o pio ao locutor, que se pode esperar de um discurso substantivo constantemente entrecortado?
francamente, ó pq, por mais entusiasmo twitteresco que possa ter, este seu post é absolutamente impensado. Ou melhor, e digo-o sem ironia nem provocação: é completamente fascista. Ao defender este tipo de comunicação política V. defende a bruma. Engrçada, gadget, absolutamente brumosa
Não tem nada a ver com a adolescência. Antes fosse. Tem a ver, apenas, com a vontade do nada. O fascismo.
Repugnante.
jpt, com todo o respeito que tenho por si: nesta matéria, a sua opinião é para mim irrelevante. É a opinião de quem está de fora, tem um nítido preconceito e prefere mantê-lo, usando argumentário imbecil, como esse do fascismo e do vazio. Seja.
Se não consegue ver nada ali — olhe, azar, temos pena. A mim repugnam-me os controlos e as manipulações HUMANAS da informação, não as limitações da tecnologia.
Usando a sua linha de raciocínio, olhe o telefone, essa tecnologia de merda, que me obriga a comunicar aos soluços com uma pessoa de cada vez, uma porcaria ineficiente. A televisão? Quer meio mais fascista do que a televisão? Acesso reservado aos muito poderosos e a quem eles decidirem convidar. Emissão num só sentido, sem hipóteses de contraditório. Um poder discricionário tremendo, um meio narcotizante de propaganda nas mãos de minorias sem controlo democrático.
Como vê, é fácil.
Sabe, há aqui padrões. Há seis anos li parecido, quando me “entusiasmei” (dizem) pelos blogs. Como calcula, estou habituado..
É normal que seja irrelevante. É normal que tenha preconceito.
“Sobre os blogs” – o arguemnto é interessante, a recorrência do ataque. MAs deixe-me dizer-lhe, há alguns anos aí alguns dos grande bloguistas (os célebres, que antes tinham sido divulgadores do meio) encetaram uma opinião mais ou menos geral sobre o que “devia ser” o post: pedro mexia e vital moreira foram alguns, não os únicos. “Curto”, incisivo, etc e tal. Na altura lá no meu recanto (e outros também) resmunguei/aram ao facto normativo (ainda que fosse lassamente normativo)
Agora não é uma questão de opinião de alguns, é um constrangimento formal: é fisicamente impossível ter um pensamento estruturado e profundo em 140 caracteres (por vezes, um rasgo, tudo bem). Será uma possibilidade de remetência, é um patois, não é discursivo – não há volta a dar-lhe (McCain pode dizer que prefere manga a abacaxi mas não dissertará sobre a política de cultivo e importação frutícola americana. Não pode … Que me interessa, que interesse tem, o paladar de McCain. Na aparência o twitter será fantástico, na prática é a radical superficialização do discurso, frantic. Entendido como mais do que notícias (feeds, dizem) de remetência é apenas o véu do obscuro
Imbecil a minha posição? imbecil eu-próprio? com toda a certeza que há essa hipótese. Mas em 1400 caracteres, pelo menos
Preconceito: tenho uma conta Facebook com ene ligações de twitteristas que ma enchem com os seus twitters (é demencial, twitam em dois sítios). Tive uma conta twitter para ver o que era. é uma caganeira de slogans (tipo “eu acho que …” – mas achas o quê e porquê, dá sempre vontade de dizer) e de reenvios [seria interessante quanta da informação assim reenviada (o twitter é uma máquina de FWs) é realmente digerida, seria o melhor dos tops].
Pode ser o futuro. Ok. Mas é um futuro flinstoniano. Ou, noutro registo, do fascismo impensante.
Alguns imbecis resmungam. Outros riem.
(faça um exercício. tranque o twitterismo durante um dia e veja o exercício twitteresco dos outros – vomitam coisas inanes e ligações apanhadas no ar. Respire fundo. E veja se não se ri. Ou se não os lamenta.)
Simples. Na sua conta FB desamigue-se dos barulhentos. Melhor: faça alguma coisa de valor acrescentado com a tecnologia, para lá do espelho, e crie a rede de filtros que lhe permitam extrair valor e não perder tempo com o ruído. A tecnologia é um pincel, os quadros não aparecem de geração espontânea a partir do cruzamento dos pincéis com os baldes de tinta. Algum macaco deu uso ao pincel.
Eu podia discorrer longamente sobre a procura da síntese e o valor das frases curtas, cmo 140 caracteres, para a cultura e, numa medida diferente, o eruditismo. Os aforismos populares. Os livros de citações de Grande Personalidades Da História, Filosofia & Ciência.
Eu podia dizer-lhe que o Twitter, como os blogs, é um meio CONVERSACIONAL, simplesmente. Uma rede de troca curta de informações. Uns trocam receitas, outros disparates, outros valor — não é a rede que define o homem, isso é que era doce.
Mas valerá a pena?
Escrever no Twitter, 140 car de cada vez, é apenas e só isso, escrever no Twitter 140 car de cada vez. Pretender que é mais que isso é errado. Pretender que é menos que isso é errado.
Leia um tratado sobre o valor dos 140 caracteres: http://cli.gs/140car. Só llhe peço que conclua em que medida é que o Twitter limitou de alguma forma o meu pensamento, o meu conhecimento, a minha escrita, nem precisa atentar no conteúdo.
As minhas desculpas, Paulo, pelo testamento. Teve de ser.
No Twitter não se entrevista, promove-se uma presença. Alguém deverá ter dito isso a McCain e não tenho dúvidas de que é essa a motivação principal.
Eu tenho com o Twitter uma dupla relação: por um lado, vejo-o como uma excelente ferramenta de monitorização de informação, e interacção entre diversas pessoas, serviços ou entidades, que tanto entusiasma o Paulo. Também existem meios de controlar o fluxo de informação, mostrar o que interessa e apagar o que não interessa.
Mas, por outro, vejo-o como ferramenta de autopromoção que muitas vezes conduz de facto ao vazio absoluto.
A limitação de 140 caracteres não deixa espaço à estruturação de um pensamento profundo ou à defesa das ideias, mas funciona muito bem como instrumento de promoção. É esse para mim o segredo do sucesso do Twitter: a sua utilização inteligente resulta numa autopromoção muito rápida, fácil e eficaz.
Exige-se portanto ao «twitador» de sucesso o poder de síntese de um jornalista e a sedução em poucas palavras de um copywriter. Se calhar é por isso que os primeiros não-geeks a aderir em massa tenham sido jornalistas e humoristas, refiro-me aos humoristas que largam uma piada por parágrafo e que são geralmente pouco cultos e nada literários, usando o humor apenas para fazer rir (às vezes pouco). E pelo mesmo motivo (autopromoção) vieram os políticos. Não digo que seja o único motivo, mas é o mais importante.
O Twitter também começou agora a ser usado como uma espécie de mIRC às mijinhas, o que significa que as pessoas o usam de forma caótica, da mesma maneira que usariam qualquer outra ferramenta. Portanto a possibilidade de o Twitter mudar seja o que for na relação que se tem com a informação, que é para mim a questão mais importante, é nula.
A relação com a informação, seja ela qual for, continua insípida e com pouca capacidade crítica. Ou seja, as pessoas procuram sempre «novidades» não na informação em si mas na forma como esta é comunicada. E o Twitter é simplesmente a forma que está na moda.
É preciso inserir o Twitter num contexto muito específico, o da sociedade em que vivemos e a forma como lidamos com a informação. Somos compelidos a reagir no imediato à torrente de informação que nos chega de todos os lados mas que não traz necessariamente conhecimento. Por isso é que se lêem tantas barbaridades – mais nas zonas de comentários dos jornais do que no Twitter, já agora. E o Twitter responde muito bem a essa necessidade de rapidez.
Para mim o erro de base é confundir informação com conhecimento; e depois avaliar o Twitter não como fonte de informação, mas como fonte de conhecimento.
Acho que estamos todos condicionados a pensar que informação é conhecimento e que «filtrar» é o mesmo que «processar». E depois há outra coisa: estamos condicionados a pensar que a forma como escolhemos uma informação e rejeitamos outra significa que formámos uma opinião quando, na maior parte das vezes, essa escolha só revela o nosso preconceito.
O Twitter é exímio em lançar-nos esse tipo de armadilhas, portanto é preciso alguma cabecinha para o usar como deve ser e não ficar deslumbrado como se fosse o suprasumo da costeleta. O Twitter nada me dá que eu não possa consegui-lo por outros meios: simplesmente é mais rápido e directo.
Por mim, prefiro pensar na impossibilidade de viver sem livros. Nos livros é que posso dizer que temos tudo: ideias, pensamentos, contradições, verdadeiras conversas e até rasgos de 140 caracteres.
Marco, autorizas-me a editar-te o comentário para o tornar post para o TwitterPortugal.com/blog ?
Com certeza, Paulo.
Deste debate, gostei muito dos dois, não obstante terem atribuído a vitória ao terceiro… (76 carac.)