
O exercício da cibercidadania está aberto a todos — incluindo candidatos políticos em campanha. O brasileiro Fernando Gabeira, deputado federal que é candidato à prefeitura do Rio de Janeiro pela Frente Carioca, decidiu fazer o que estava por fazer.
Pegou em informação pública e em ferramentas gratuitas disponíveis na Internet — no caso, o Google Maps — e produziu o mapeamento preliminar das comunidades ocupadas territorialmente (ou anteriormente ocupadas) por milícias no Rio. Está disponível no blog de campanha (link) e também no endereço do Google Maps, aqui.
Uma acção de campanha eleitoral?
Admissivelmente sim, porque o Brasil está em campanha para as eleições regionais.
Mas a acção merece relevo para além disso. Como explica o jornalista Pedro Dória no seu weblog, “poucas informações são mais difíceis de conseguir na Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro do que o mapa das favelas dominadas pelas milícias. Seus nomes vêm saindo na imprensa faz tempo, então a informação é pública. Mas o serviço de reunir tudo não estava à disposição” (o mapa das milícias no Rio).
Pois passou a estar. A equipa de Gabeira reuniu a informação e construiu o mapa usando as técnicas acessíveis a qualquer pessoa. Próximo passo para quem se dispuser, pede Dória: mapear as favelas do Rio e as facções do tráfico que as dominam.
Embora os portugueses continuem avessos a trabalhar em cima da rede, dando preferência à facilidade da crítica destrutiva, a cibercidadania não se limita a escrever blogues e despejar ódios partidários nas caixas de comentários dos jornais. No próximo artigo aqui farei eco de um exemplo português de bom uso da rede por parte de um cidadão queixoso do tratamento que uma reputada entidade bancária lhe dispensou, enquanto cliente com um problema.

Mas certamente que sim! é uma publicação de Paulo Querido, jornalista e consultor de comunicação. Também autor de livros, artigos e algum código. Na net desde 1989. (
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