Candidatos do PSD menosprezam web social
Candidatos do PSD menosprezam web social — é o título da capa do P2 de hoje, com chamada à primeira página do Público (link). Lá dentro, 3 páginas, das quais uma ocupada pelo coração desta reportagem assistida por computador: a infografia que mostra a relação de cada um dos candidatos com a Internet e a web social, com outros políticos portugueses e internacionais para comparação.
A recolha de dados para a infografia foi mais trabalhosa do que propriamente a escrita da peça, que tem 15.000 caracteres (2.500 palavras).
É claro que recomendo a leitura deste artigo — o meu primeiro artigo fora do Expresso em muitos anos, não sou capaz de recordar qual foi a última vez, antes desta, que publiquei noutro jornal. Isto torna-me publicamente o que eu já era oficialmente: um jornalista free-lancer.
Mas há algo a acrescentar.
Este tipo de reportagens tem o problema do tempo. Para terem uma ideia, desde que a peça foi aprovada pelos editores do Público até à sua edição final os dados para a infografia mudaram por 3 vezes. A questão passa pelo tempo de execução, normal numa publicação como o Público: este artigo foi começado há quatro semanas, o primeiro draft para a infografia tem esse tempo (publicarei aqui em breve), a aprovação foi rápida, mas a oportunidade de publicação não tanto, devido ao calendário do P2.
Mas passa também, e sobretudo, pela rapidez com que tudo muda na web.
Quando comecei a recolha de dados, nenhum candidato tinha site próprio. Nessa semana foram registados quatro. (Santana Lopes registou o seu já a peça estava aprovada no Público.)
Pedro Passos Coelho foi quem mais mudanças obrigou — o que é bom sinal para ele. Até ao dia 4 de Maio, não tinha ficha na Wikipedia — só descobri esta numa das rondas de verificação de dados, já nos últimos dias antes da publicação (no fim de semana).
Pedro Santana Lopes não tinha Flickr e passou a ter.
O meu drama, que passei à Isabel Salema, era a inevitável data de fecho da infografia. Se ocorresse demasiado cedo em relação à data de publicação, os riscos de desactualização aumentavam.
Eu não conhecia a capacidade de resposta do Público e por outro lado há décadas que não seguia o ritmo dos diários (passei 20 anos em ritmo de semanário e no online, mas no online não há sujeições deste tipo). Fiquei tranquilo. Pudemos mudar o último dado (ficha de Passos Coelho na Wikipedia, mais 10 pontos) na véspera. Ontem às seis da tarde ainda se fez uma verificação final, com a infografia aberta.
Vou publicar mais tarde o quadro completo, actualizável e actualizado que originou a infografia, estou a pensar em que formato e até que grau de interactividade.
Até lá, um obrigado à equipa do Público e em particular ao António Granado e à Isabel Salema.
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Olá, o meu nome é Paulo Querido e Certamente! é o meu webzine pessoal. Sou consultor de new media, jornalista e escrevo livros e artigos (e também algum código) sobre a net e na net desde 1989. (
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Parabéns pelo excelente artigo!
Abraço.
Thanks, Leonel
[...] jantam, fingem que ouvem os pais e teclam). Quando estava a preparar o artigo para o Público sobre a relação dos candidatos do PSD em particular, e dos políticos portugueses em geral, com a web 2…., fui publicando aqui e no Expresso alguns posts com temas paralelos e mantendo algumas conversas. A [...]
Magnífico artigo, Paulo (de qualidade infinitamente superior àquela movediça análise pseudo-semântico dos discursos do PM). Na minha opinião, o Público só teria a ganhar se entrasses para os seus quadros. Parabéns.
Excelente mesmo Paulo.
Joões, obrigado!
João Pedro, a análise semântica é um ponto de partida, um draft. Se houver como, faço evoluir aquilo (está muito imperfeito, parte de código e exemplos em inglês, tive de martelar imenso para poder meter umas 200 ou 300 palavras portuguesas e nem te conto como retorci o programa para ele tragar os nosso acentos e cedilhas, é feio à brava).
Se houver como, faço evoluir
Já que me dás trela, algumas considerações.
Aquilo, em primeiro lugar, não uma análise semântica, mas lexical. Essa parte é óptima, mas não é um fim em si, na medida em que pouca informação relevante poderá trazer ao leitor e (pior) poderá induzi-lo em erro. Para afinares essa parte, seria necessário introduzir um algoritmo que tivesse em conta a frequência que uma determinada palavra tem no vocabulário da língua portuguesa, em particular no discurso político. Um exemplo: a recorrência de uma palavra dos discursos do PM como «área(s)» deveria ser penalizada com um coeficiente inferior a 1, na medida em que é um vocábulo muito utilizado no discurso político. A ocorrência de um vocábulo como «hospitalar», por exemplo, deveria ter um coeficiente superior a 1, na medida em que denota uma preocupação particular de uma área (aqui está) da governação.
O segundo passo, seria passar de uma análise lexical para uma análise morfológica, conjugando o rastreio da ocorrência não de vocábulos, mas de radicais morfológicos. Dessa forma, duas palavras como «hospital» ou «hospitalar» apenas seriam contabilizadas uma vez. Poder-se-ia depois criar uma sub-tag-clouds para cada um desses radicais, onde se registasse a ocorrência do radical nas diversas categorias morfológicas: substantivo, adjectivo, advérbio, verbo, etc. Só aqui é que terias um primeiro vislumbre semântico na análise do discurso, na medida em que optar por determinada categoria morfológica tem importância ao nível da significação (semantismo). Um discurso que utiliza o substantivo «pornografia» faz, em potência, um uso do radical composto «pornograf-» bem diferente ao nível da significação do que outro que utiliza o adjectivo «pronográfico(a)».
Nessa parte morfológica da análise do discurso a mordebe (http://www.iltec.pt/mordebe/?action=search&base=form&sel=exact&query=hospitalar) é uma ferramenta bem útil.
Agora, uma análise do discurso semântica é infinitamente mais complexa e passa pelo rastreio de sememas e semantemas de cada palavra, tipo «Homem» = + ser animado; + humano; + racional; etc… e depois da sua contabilização e comparação qualitativa ao nível dos morfemas e dos radicais. Novamente, tal obrigaria o acesso a uma base de dados semântica da língua portuguesa (aí, a malta brasileira do Aurélio é imbatível). Mas há ainda outras coisas com a classificação de palavras vazias de significação, categorias como + concreto e + abstracto (particularmente relevante no caso dos discursos políticos).
Enfim, há muito a ter em conta e imenso terreno a desbravar. Agora, se fosse a ti, retirava o adjectivo «semântico» que, sinceramente, não corresponde à análise que fazes dos discursos. Substitui, para já, por «lexical».
Abraço
JP
Não gostei do artigo e achei a infografia desorganizada e sem sentido. O facto de a pontuação a cada item (e o número dos items) ser alterada de acordo com pontuações faz com que tenha valor nulo.
Não me alongo muito mais no comentário porque se um comentário de parabéns pode ser tão simples como “Parabéns pelo excelente artigo!”, um comentário de discordância também deve poder ser tão simples como “Não gostei do artigo!”. Só quis dizer alguma coisa porque creio que uma opinião desfavorável vale tanto como uma opinião favorável. Aqui ficou a minha.
Cumprimentos.
Caro Tiago Pinto, uma opinião é uma opinião, desfavorável ou favorável.
Lamento que não tenha gostado.
No entanto, não é verdade o que diz: a pontuação a cada item é igual para todos os candidatos, o que faz com que tenha valor diferente de nulo. A legenda ao quadro tem tudo explicado.
João Pedro,
a dúvida sobre se se trata de semântica surgiu-me antes de lançar o serviço. Daí procurei a melhor palavra. Tendo em conta a definição de dicionário, acabei por ficar com análise semântica. O objectivo é estabelecer relações entre as palavras usadas em cada discurso, bem como as suas relações através dos tempos (fluxo dos discursos).
Ora, apesar de se tratar, ainda, de um produto de demonstração — que carece de afinação e, até, de rumo e objectivo antes desta –, a ferramenta já estabelece relações entre termos e permite avaliar, de uma forma rudimentar, as suas evoluções através dos tempos (e mesmo prever, de alguma forma, a evolução a partir dos dados disponíveis).
Não tenho problema algum em mudar para “lexical” — ou mesmo em ficar apenas por “análise”. É um ponto a ver asap.
Sim, o software permite afinação para as palavras muito usadas — já o usei de forma rudimentar, na eliminação de algunas dezenas. Tive de fazer tudo à mão, pois que o meu modelo é inglês (está nos créditos) e não há nada em português (quem trabalha em Portugal nesta, como noutras áreas, continua a acreditar que o secretismo traz algum tipo de benefício à sua investigação, o que é um sinal de grande ignorância)
Sim, está prevista a análise morfológica.
Sim, queimei algumas horas no mordebe, tanto desta vez como da primeira (há ano e tal) que quis fazer uma ferramenta (outra, diferente) de análise de palavras. É um bom trabalho e deverá ser aproveitado SE a ferramenta evoluir.
Sim, a análise semântica é muito mais complexa. Se leres o Acerca da versão beta, verás que desde o primeiro minuto que apresento o serviço como uma ferramenta de ajuda à análise, e não como uma análise pronta.
Procuro apoio para evoluir a ferramenta. Se tiveres ideias, avisa!
[...] Querido fez um sugestivo levantamento do estado da literacia digital dos candidatos ao PSD. Para lá de outros pontos de grande interesse que constituem a reportagem, [...]
[...] Candidatos do PSD menosprezam web social, 21 de Maio, post onde lanço o artigo meu que saiu no Público nesse mesmo dia. 3 páginas, das quais uma ocupada pelo coração desta reportagem assistida por computador: a infografia que mostra a relação de cada um dos candidatos com a Internet e a web social, com outros políticos portugueses e internacionais para comparação. Outro trabalho único. [...]