Marco, do Bitaites, é uma imagem de marca. O Marco é um dos melhores bloggers portugueses. Não espanta nada que, enquanto as blogovedetas insufladas cumprem o inescapável percurso descendente, as audiências vão começando a fixar-se no que é bom. O Marco é bom (e não digo isto por ele ouvir Frank Zappa e saber quem é Lena Lovich, até porque já tivemos as nossas pegas).
Três passagens de três artigos imprescindíveis sobre a nossa actualidade (até parece que o Marco Santos vive no hemisfério Sul e não percebe que estamos em Agosto e só pode ser mentira ele estar de férias, não pode, ninguém em férias escreve assim) — sugestões de soundbytes a negrito:
“Fazer de mau nestes filmes é mais complicado, por isso há sempre o cuidado de ir buscar bons actores. No filme mais recente do Super-Homem – um pastelão que parecia ser todo ele feito de kryptonite – era o Kevin Spacey a fazer de Lex Luther. Nos filmes mais antigos, um bocadinho melhores, era o Gene Hackman.
Até em filmes mais merdosos que nada têm a ver com super-heróis a regra se aplica: lembro-me de um filme qualquer com o Steven Seagal onde o mau era interpretado por outro excelente actor, Tommy Lee Jones. Sempre que virem um filme de merda na televisão que viva à base deste conflito herói/vilão, bom/mau, prestem atenção ao tipo que faz de mau: se ele falhar, o filme falha também”
(em Sim, tens razão, porquê tão sério?, sobre The Dark Knight, lê-se muitíssimo bem mesmo que se discorde um bocadinho — o artigo não deixa discordar muito — da análise)
“Imaginem o que é ser praticamente ignorado nos jornais e televisões durante quatro anos e depois levar com os holofotes todos de uma só vez – não em nome do Desporto, mas do dinheiro, das audiências e dos contratos publicitários. Mais perturbante que estes falhanços dos atletas é o desmesurado despudor das televisões”
(em Marco Fortes, és o maior, sobre a prestação dos atletas portugueses nas Olimpíadas de Pequim)
“Também me parece que os portugueses que comentam as notícias revelam ser grandes conhecedores em áreas sobre as quais nada conheciam há dois dias: agora todos se tornaram especialistas em tácticas policiais e psicologia criminal, revelando que em cada um de nós existe sempre um Moita Flores à espreita da oportunidade de se revelar: os defensores da actuação do GOE dizem que os polícias foram perfeitos, o segundo tiro do sniper foi de génio; a minoria que não gostou da intervenção policial garante que os raptores, mais tarde ou mais cedo, iriam entregar-se às autoridades. A sério? Uau. As coisas que nós sabemos e nunca suspeitámos”
(em A vida não é assim tão simples, sobre o assalto ao BES, uma prosa bastante discutida, 70 comentários, o que é tanto mais notável quanto sabemos que não se trata de hate comments).

Mas certamente que sim! é uma publicação de Paulo Querido, jornalista e consultor de comunicação. Também autor de livros, artigos e algum código. Na net desde 1989. (
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