À pergunta do título, devem bloggers criar uma associação?, já eu dei resposta afirmativa, tal como outros autores portugueses cansados de serem metidos no mesmo saco — a blogosfera — em que estão enfiados contributos duvidosos, quando não indesejáveis e ilegais, e que são os principais responsáveis pela imagem negativa que “alguma comunicação social” (nunca imaginei escrever esta frase…) passa do meio.
Foi por isso que criámos o movimento ptblogs — uma tentativa de ver até que ponto há gente para criar algum tipo de organização que possa representar os seus aderentes (sublinho, faço notar e chamo a atenção: que possa representar os seus aderentes).
Não somos os únicos, claro. Há mais por esse mundo fora quem sinta a necessidade de separar águas. Lá porque usamos a mesma caneta, não a usamos todos da mesma forma nem com os mesmos objectivos, e alguns usos da ferramenta blog são deveras embaraçantes.
Daniel Scocco escreveu no Daily blog tips um post sobre isto, intitulado The Bloggers Union (or Association): “Now while this could be a good idea, I think that we need something more practical on the Web. That is, a union focused on helping and protecting bloggers with several problems, including:
1. Copyright infringement and content scraping
2. Online scams
3. Legal threats from companies and third parties”
Há mais pontos. No ptblogs já avançámos com outras linhas de pensamento. Mas é preciso mais acção. Sei que esta é uma má altura para acção em Portugal, o país em que durante 2 meses, todos os Verões, as cadeias de comando deixam de funcionar porque quem toma decisões vai a banhos e quem fica aproveita para ir ao cinema, pelo que fica o convite, assim tipo exortação, para que vão pensando nisso. Os que se importam, evidentemente.
O caso da semana passada, com o fecho do blogue povoaonline, comprova a inaptidão de diversos agentes para lidar com a blogosfera e a Internet, constituindo um sinal da utilidade de uma associação, grupo, sindicato, you name it, com finalidades pedagógicas e de auto-defesa.
Actualização
“Como é óbvio esta medida – se vier a concretizar-se – terá tantos defensores como detractores, e também é certo que haverá muita gente que lhe será indiferente” escreve o Bruno Ribeiro em Bloggers Unidos?, no Dissonância cognitiva.
Precisamente. Mais: terá menos defensores que detractores e a grande maioria ficará indiferente. Nada disto é razão para não se fazer a associação; convém lembrar que há pessoas que querem fazer as coisas e costumam fazê-las apesar dos detractores e indiferença. A ideia central aqui é: não reconheço à maioria indiferente nenhum poder de veto.
“Mesmo sendo pró uma iniciativa do género, mantendo claro que não se trata de algo impositivo ou de “atestar a qualidade” dos blogs, a questão que coloco é a seguinte: estará Portugal pronto para isto? E por Portugal refiro-me tanto à comunicação social e à opinião pública, como aos próprios bloggers portugueses” (idem).
Boa pergunta, Bruno!
Vem ajudar a encontrarmos a resposta.
Os meus 2 cents: há uma quantidade apreciável de bloggers com vontade para “isto”. A minha dúvida não está, portanto, em saber se “estamos” prontos. Estamos prontos. A sociedade está mais que pronta, está mortinha por ser elucidada sobre o que se está a pasar na auto-edição electrónica em rede (ok, blogosfera, para simplificar).
A minha dúvida está em: essa quantidade será em número suficiente para levar por diante a construção de uma associação/entidade que agrupe bloggers em torno das ideias-chave de melhoria, evolução, melhores práticas, auto-defesa?

Mas certamente que sim! é uma publicação de Paulo Querido, jornalista e consultor de comunicação. Também autor de livros, artigos e algum código. Na net desde 1989. (
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