Jornalista Manolo Bello despede jornalista por causa de um post
O jornalista (C.P. 791) Manolo Bello, actual director-geral da produtora Comunicasom e tido por uma pessoa com princípios, despediu uma jornalista por esta ter escrito um post.
Liliana Fernandes começou por contar no seu blogue Gosto e contragosto (um blogue TubarãoEsquilo) uma situação que lhe desagadava e criticou, sem nomear a empresa, alguns comportamentos. Como o de espiar as conversas dos funcionários e de, segundo a Liliana, fazerem julgamentos precipitados baseados em preconceitos e ignorância.
O problema da Liliana não foi ter escrito inocentemente uma verdade que se aplica a centenas de empresas e directores sem conhecimento das tecnologias de comunicação e da realidade social e funcional que a Internet levou aos locais de trabalho.
O problema da Liliana não foi ter preferido escamotear o nome da empresa — Comunicasom.
O erro da Liliana não foi, como se diz já na blogosfera, ter acreditado no que lhe pediram, retirado o post e emitido desculpas perante a tremenda pressão sobre ela exercida, depois de um enfurecido Manolo a ter insultado aos gritos no meio das instalações, segundo me contou.
O problema da Liliana não foram os maus colegas que se apressaram a tirar partido da situação, enterrando-a para ficarem bem vistos perante o patrão — a Liliana, como os colegas, vai aprendendo na pele as leis da selvajaria a que chamamos pomposamente de “mercado de trabalho”.
O problema de Liliana não é o Sindicato dos Jornalistas ter para oferecer solidariedade, compreensão, apoio jurídico e pouco mais.
O problema da Liliana é ser nova e descartável.
O problema de Manolo Bello é o coração dele. Se ia tendo uma apoplexia quando, como calculo, emprenhou pelos ouvidos o post da Liliana, vai ficar mais piurso ainda se ler gajos antigos como eu — e sobretudo o Luís Rainha, mais lapidar que eu, no 5 Dias: Causa de despedimento: um post.
É que foi disso que se tratou. Despediu uma trabalhadora — que antes lhe merecera rasgados elogios pelas suas capacidades — por causa de um artigo de opinião que ela escreveu.
Jornalista despede jornalista por causa de um artigo de opinião — eis um título que eu não queria ter no meu currículo, nem que, sendo verdade, aparecesse numa pesquisa no Google com o meu nome (as mentiras que surjam no Google incomodam pouco ou nada).
Não aguentou uma crítica? Se não foi assim, Manolo, venha de lá o seu lado da história. Somos todos ouvidos.
O problema de Manolo é um problema de gestão de imagem. A sua empresa vive dependente de um grupo de media e fora desse guarda-chuva protector não goza de grande prestígio, conforme uma pesquisa no Google elucida. Não é o primeiro nem será o último empresário a confrontar-se com a web social e a meter os pés pelas mãos.
A Liliana também não é a primeira blogger a ser despedida por causa da sua opinião. Mais se lhe seguirão.
A vantagem da Liliana é que o mundo não é todo composto por Manolos: depressa encontrará um patrão que a trate bem, ou melhor ainda, fará o seu próprio emprego (a web vai abrir muitas oportunidades para jovens jornalistas que arrisquem um pouco). A vantagem do Manolo é a abundância de Lilianas.
Eu apenas lamento tanto desperdício de energia e tempo.
E dou um conselho à Liliana. Que não peça desculpa a um patrão por uma falta que não cometeu: é despedida na mesma, mas sai com muito mais energia.
PS: vou ver se consigo acesso à nota de culpa. Estou com grande curiosidade. Enquanto não vem, o Luis Rainha descobriu na cache do Google o post que a Liliana se sentiu pressionada a tirar antes de ser despedida (sujeitá-la a humilhação pública?), é este:Ditadura em pleno século XXI.
Acções
Guardar/partilhar:
Facebook
Twitter
delicious.com
DoMelhor
Assinar publicação:
feed RSS
e-mail diário
Debate
Ainda sem opiniões no artigo “Jornalista Manolo Bello despede jornalista por causa de um post”
Deixe a sua opinião
Textos mais recentes
- The last laugh – If self-published writers owned the midlist #LerComCalma (mais 2 links) em 3 de Setembro de 2010
- Top 10 – Richest Men (of All Time) (mais 1 link) em 1 de Setembro de 2010
- Regras de análise económica para a oposição (segundo João Miranda) em 31 de Agosto de 2010
- As (importantes) mudanças no USA Today, segundo maior diário americano em 30 de Agosto de 2010
- We Dont Hate You – Dear America… (mais 1 link) em 30 de Agosto de 2010

Olá, o meu nome é Paulo Querido e Certamente! é o meu webzine pessoal. Sou consultor de new media, jornalista e escrevo livros e artigos (e também algum código) sobre a net e na net desde 1989. (
Siga o feed RSS
Receba a edição diária por e-mail
Infelizmente o mundo é assim, eu no meu trabalho vejo tantos graxistas que até me faz impressao! é preciso subir com graxa ? muitos superiores eu reparo que gostam da graxa, mas é uma forma ridicula de subir, eu se subir é por mérito!
A jornalista não tem nada que pedir desculpa, e se não gostam das verdades não deviam ser jornalistas! ou neste caso era um ex jornalista agora director.
E sendo uma nova jornalista, acredito que irá singrar
infelizmente isto é mato rúben…bufos, intrigas, puxa-sacos e maus gestores há demais por aí.
engraçado, eu no sítio onde trabalhava usava, como ainda uso, o msn para trabalhar. aliás, foram os colegas bifes que o sugeriram. transformou-se numa ferramenta simples e indispensável. é tão melhor do que o telefone para aquelas pequenas questões e deixar recados.
a falta de inteligência e de auto-confiança dos quadros nacionais é confrangedora e já não é o primeiro nem o segundo amigo meu q me refere a proibição dos instant messengers nos locais onde trabalham.
espero que a Liliana arranje outro poiso rapidamente.
Mr. Steed, o atraso por cá começa a ser… gritante. O analfabetismo mediático é tanto mais grave quando estamos a falar de um jornalista e de uma empresa que vende produtos de comunicação. Algo está errado ali, isso é óbvio visto de fora para qualquer leigo com olhos. Mas não me compete avaliar o quê, nem tenho instrumentos para tal.
Eu apaguei o meu videocast a falar mal da TMN (ok, mas isso *era a falar mal*) porque criou problemas com um superior meu na PT.
Thats life.
Tenho muita pena do que aconteceu, e já vou escrever um artigo picante amanhã que hoje acho que não vai dar.
Rui
O quê? A rapariga foi despedida por aquilo? Por se queixar do que acontece realmente e pela falta de compreensão de uns gajos que ainda acham o fax o supra sumo da tecnologia de comunicação? Mas isto anda tudo entregue ao alfinete de peito? Será que a Fátima vai dar uma despedida calorosa à Liliana no seu programa, que é o que costuma fazer à “família” que lhe rodeia o programa? Eu estou perplexo, para mais porque há situações bem mais graves em algumas empresas e se alguém as blogar o que é que acontece , batem às pessoas? No espírito olímpico da época, medalha de ouro em 3 modalidades: injustiça, estupidez e ridículo.
E tudo porque o nosso clima empresarial promove a estupidez, a mesquinhice, a intriga, a incompetência e a cegueira. Não entendo como é que se despede alguém assim. Mas o 25 de Abril não foi há 34 anos? Alguém agarra numa câmara de vídeo e vai entrevistar o Manolo Bello a perguntar-lhe na cara porquê?
A inspiração não deve esperar. Post publicado.
Á Liliana só posso oferecer solidariedade.
Rui
Apontamento do ridículo:
este é o site da empresa- Comunicasom
15 anos em multimédia e nem uma página na web têm.
[...] o Paulo Querido escreve também acerca do assunto, esclarecendo mais um pouco a situação num post,…. Oferece-nos ainda mais alguns dados sobre o [...]
Lá está a tal falta de saber ser e como alcançar uma cidadania digital.
A empresa em causa podia ter arranjado formas tão boas de transformar aquilo num ponto a seu favor e ficar com bom nome na praça…
Um dia destes ainda me dedico à formação…
Eh eh, o sr PQ pelos vistos agora é trabalhador em nome individual e já ao abrigo destas coisas do “mercado de trabalho”. Confesso que aprecio o tom crítico, já não me convence a parte meio provocatória em que supostamente o sr manolo fica piurso ou a tentativa de montar uma tribuna na caixa de comentários em que o dito manolo se vem justificar perante a turba. O sr PQ está a crescer na opinião blogosférica e até jornalística, para já pela via mais radical. Como é bom e tem capacidade de trabalho não tardará o dia em que venha de lá o convite je$toso e tornar-se-á institucional e nessa altura poderá ter que enfiar no saco tudo aquilo que anda a escrever agora. Bem, não interessa não sou director de imagem e a vida está é no presente. Siga…
joao henriques,
Faça o seu trabalhinho de casa sobre os seus alvos antes de abrir a boca: sempre evita papéis ridículos. Leia-me um pouco, leia um pouco sobre mim — e verá até que pontos este seu comentário é um perfeito disparate.
Releia-se e diga-me se isto é de um blogger com altura? Isto parece-me é de um caceteiro… “O problema de Manolo Bello é o coração dele. Se ia tendo uma apoplexia quando, como calculo, emprenhou pelos ouvidos o post da Liliana, vai ficar mais piurso ainda se ler gajos antigos como eu”. Não aguentou uma crítica? Gajos antigos como você? Leia-me um pouco e leia sobre mim? Não é por haver mais ikea’s em Portugal que os espelhos melhor reflectem. Dado que se armou em cardiologista com o problema de coração do outro, armo-me eu agora em psicólogo, pois vai ficar piurso quando me ler, para o seu problema, arranje um alfinete e espete-o no balão insuflado do ego.
caro joao henriques, armar-se em diva da blogosfera é uma actividade muito engraçada, calculo.
Continue. Já que não tem palco próprio para brilhar, experimente o espaço neste webzine. Se o que pretende é picar-me — traga antes uma bazuca, porque com esses carinhos não vai lá.
Uuuuiii… Vai começar…
A sério. Cada vez mais me convenço de que arranjava Clientes.
Não, Pedro, não vai. Isso posso garantir. Este post é sobre um despedimento. Muito ou nada, valerá por isso e não por mais uma guerra de egos. Não passa daqui.
Paulo, estava a referir-me a Clientes para a minha dedicação à formação e não, não espero que se comece aqui nenhuma guerra. A sério. Já nem tenho tempo para essas coisas.
E também não contava ter-te como formando. Se tanto a dar um ou dois módulos do curso. Guerras à parte, há muito que aprendi a reconhecer valores quando merecidos (ainda que nem sempre seja fácil)…
Adiante, o patrão não teve a atitude correcta fossem lá as suas justificações quais fossem…
Pedro, ok, percebi mal
A “guerra” aqui não era (não é) contigo.
Alguém vai dar esses cursos, não tenho dúvidas. Aliás, já os estão a dar.
Já por ai ouvi umas coisitas… Aliás, ainda há uns dias um grande amigo me falava da tua presença numa coisa dessas. Mas isso serão outros temas, outras “guerras”…
Voltando ao assunto em epigrafe, estranho porém não haver mais comentários, mais reacção… Enfim, cada qual à sua maneira…
Ridículo!!! Infelizmente ainda passamos por coisas como essas, não?!
Lembro-me que certa vez recebi uma proposta de trabalho em uma agência de marketing direccionada para o Público Jovem, porém a mesma bloqueava-nos o acesso à redes sociais, msn e youtube…Não preciso contar o final da história, basta saber que a agência ainda existe, mas está de mal à pior!
Sim, sim… formação é precisa mas notem que não vai ser a formação a substituir a “falta de chá” e a eliminar a estupidez…
Ó CJT estás mesmo carregadinho de razão. Ainda por cima porque os grandes chefes das tribos empresariais costumam achar-se acima dessas coisas da formação e mandam apenas os subordin…ah desculpem…os colaboradores.
Eu sou um ingénuo do caraças e continua a acreditar numa cultura empresarial que premeie a competência, orientada para objectivos e tal. Ou seja, sou um “ganda” palerma! E agora desculpem-me mas tenho de ir molhar os joanetes em água do mar e apanhar uns banhos de sol porque ao senhore doutor diz que faz bem à “espondilose”.
Eu bem digo que a democracia em Portugal é fachada!
Andre,
mas o que tem o despedimento de uma jornalista a ver com democracia ou falt dela?
Nada.
Uma empresa (e é de uma empresa que aqui se trata) tem leis para cumprir e cumpre-as ou não e sofre as consequências. Isto tem a ver com um estado de direito, não com a forma política que esse estado escolheu.
Quem dirige uma empresa NÃO TEM de tomar as decisões baseado num colégio eleitoral, ou por democrática consulta aos trabalhadores (já agora, para ser completo, devia ouvir ainda as famílias deles, os terceiros afectados pela decisão e os próprios clientes, não acha?)
Estamos perante um caso de prepotência se quiser, e do que muitos de nos classificam de disparate e erro — este despedimento não é apenas um erro humano, não é apenas um erro estratégico, é tudo isso e ainda um erro profissional, de gestão, na minha opinião, pois despede-se uma trabalhadora com anos de experiência (o que tem um valor, um preço se quiser) baseado num critério que nada tem a ver com a sua capacidade, competência e produtividade, mas sim com a liberdade de expressão, que não lhe foi garantida.
Numa empresa de comunicação, isto torna o cenário ridículo, claro. Mas invocar a democracia…. Coitada da democracia.
pronto, devia ter dito “direito à liberdade de expressão”… evitas de bater no ceguinho Paulo
“Pode prender-se um homem e põ-lo a pão e água. pode tirar-se-lhe o pão e não se lhe dar água. Pode-se pô-lo a morrer, pendurado no ar, ou à dentada com cães. Mas é impossível tirar-lhe seja que parte for da liberdade que ele é.
Ser-se livre é possuir-se a capacidade de lutar contra o que nos oprime. Quanto mais perseguido, mais perigoso. Quanto mais livre mais capaz.
Do cadáver dum homem que morre livre pode sair acentuado mau cheiro – nunca sairá um escravo”. Maio de 1958
Mário Cesariny
Na pessoa da Liliana, cumprimento todos os que dão sentido às palavras de Cesariny
[...] queres ler mais sobre o assunto recomendo-te o post do Paulo Querido e se queres a versão mais resumida tens o post do Rui [...]
[...] que só demonstra que o Sócrates anda a incitar a ditadura entre os empresários. Descobri pelo Certamente que a Comunicasom despediu uma funcionária por escrever um post, guardado na cache do Google, não [...]
e que tal pensar que nem tudo sao rosas, que tudo tem dois lados e que secalhar e afinal, por vezes as pessoas usam e abusam dos meios a seu dispor.
O msn se for considerado ferramenta de trabalho,entao nao o usemos para tratar de casos amorosos e particulares em tempo util de trabalho…nao!??!
[...] créditos também para Rui Cruz AQUI e para Paulo querido AQUI [...]
A Liliana é uma amiga e excelente jornalista que teve o azar de cair nas garras daquele abutre sem escrúpulos.Conheço bem aquela redacção, pois também para lá trabalhei e fui afastado, não despedido daquela maneira pois não tiveram tomates para isso, mas também me tentaram humilhar por eu ter dito na redacção que pretendia ir para Moçambique trabalhar.Os comunistas são os maiores ditadores e aquela gente que se diz de esquerda e democrata são no fundo uns fascistas frustados.Alguêm tem que parar aquele senhor e a corja de cobardes que o rodeia, como diz o Paulo e bem a Liliana vai safar-se embora eu perçeba a revolta que a consome.Força Liliana, abaixo os fascistas encapotados!
pois é, pois é, trabalhei la (comunicasson) e se eu contasse a maneira como me trataram ninguem ia acreditar… Espero que a esse senhor um dia lhe seja chamada a atenção… é uma vergonha