O que os bloggers podem aprender com os jornalistas

Anita Bruzzese escreveu um guest-post para Chris Brogan que é simplesmente recomendável para todos os bloggers portugueses que eu conheço — and I mean todos. O que os bloggers podem aprender com os jornalistas (Guest Post – What Bloggers Can Learn From Journalists).
Vão lá ler, pois claro. Destaco algumas ideias fortes:

(Dica de cjt)

Debate

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Ainda sem opiniões no artigo “O que os bloggers podem aprender com os jornalistas”

    1 Atento em 23 Dez 08 11:16

    :) Aproveito este post para lhe desejar um novo ano com boas leituras.

    2 Mas porquê com os jornalistas? at Aspirina B em 23 Dez 08 16:20

    [...] Querido destacou 4 conselhos de Anita Bruzzese, convidada de Crish Borgan. Vale bem a pena ler o artigo todo para [...]

    3 pedro oliveira em 23 Dez 08 23:29

    «Só opinar e tergiversar não vos trará mais leitores, muito menos bons leitores.»

    Tergiversar no sentido de virar as costas?
    Um «blogger» opina e tergiversera (raio de palavra). Como os jornalistas, aliás. Cada vez existem menos factos e mais opinião sobre os factos.
    Na «blogosfera» o importante não é a coisa mas a arte com que se aborda a coisa.
    A escrita de maradona resulta bem no «blog» mas era péssima na Atlântico.
    Fenómenos como Rititi cansam.
    Já uma vez trocamos algumas ideias sobre este assunto, acredito numa «blogosfera» descomprometida e flexível… desconfio duma «blogosfera» orientada para objectivos comerciais.

    4 Paulo Querido em 23 Dez 08 23:52

    pedro oliveira, tb penso que existem cada vez menos factos e cada vez mais opinião (ainda se fossem interpretações dos factos…).

    É o mundo mediático que estamos a construir — logo, devemos gostar.

    Eu acredito numa blogosfera plural (e numa sociedade igualmente plural, tolerante e que busque a justiça, já agora). Não desconfio de objectivos comerciais por princípio. O melhor jornalismo do século XX saiu de projectos comerciais.

    Agora… blogosfera descomprometida? Onde?

    5 pedro oliveira em 24 Dez 08 00:15

    «penso que existem cada vez menos factos e cada vez mais opinião (ainda se fossem interpretações dos factos…)»

    Cada vez temos mais opiniões e menos convicções. Opiniões são conversas de café, convicções é algo mais profundo, mais estruturado.
    Procuro escrever misturando um pouco das duas. Não embarcar em opiniões maioritárias.
    O caso Esperalda, por exemplo, dei-me ao trabalho de ler todos os acordãos, quantos jornalistas terão feito o mesmo? Ter-se-ia evitado o folclore mediático, as Marias Barroso e «os pais afectivos». A justiça que efectuasse o seu (dela) trabalho e pronto.

    «Não desconfio de objectivos comerciais por princípio. O melhor jornalismo do século XX saiu de projectos comerciais.»

    Em Portugal?
    Limitando-me ao último quartel do séc.XX no jornalismo português todos os projectos jornalísticos tinham, também, objectivos políticos.
    Desde O Jornal, até ao Público (de Vicente Jorge Silva) passando pelo Independente não estou a ver nenhum projecto jornalístico, exclusivamente, comercial.
    Algumas revistas que foram projectos interessantes (K Capa)por exemplo foram descontinuados (outra palvra bonita) quando a Valentim de Carvalho se apercebeu que aquilo era muito bonito e tal mas era um sorvedouro de dinheiro insuportável.

    «blogosfera descomprometida»

    Entendo por blogosfera descomprometida aquela que pode apregoar os malefícios do capitalismo sem ter ao lado anúncios da Cofidis ou do BES (sabe, certamente, ao que me estou a referir).
    Entendo por blogosfera descomprometida aquela que não é efectuada por assessores governamentais.
    Entendo por blogosfera descomprometida aquela que não é «encomendada» por marcas comerciais para enaltecer este ou aquele produto.

    6 O aprendiz de ignorante em 24 Dez 08 08:24

    Longe de querelas, basta-me saber que a blogoesfera acaba por reflectir o mundo real; é um espelho deste, mais dado a pantominas, um facto, mas esse é o resultado da globalização; i.e. mais informação, mais opinião, mais especulação. A crise mundial é reflexo disto, economias interligadas por uma confiança assente no que os elementos da rede (da economia real)dizem de si mesmos.
    Quanto ao facto de ganhares a tua vida com o jornalismo, aproveitares este canal para que outros aqui anunciem… não vejo nada de mal nisso, mesmo nada; os teus interesses estão transparentemente declarados e a mim, confesso, não me cria embaraço. No final, o que interessa são “facta non verba”!

    Bom Natal!

    P.S. Concordo com a tua observação: a idade traz a razão e afasta a vaidade, mas eu falava pela negativa! :)

    7 Paulo Querido em 24 Dez 08 12:57

    Entendo por blogosfera descomprometida aquela que pode apregoar os malefícios do capitalismo sem ter ao lado anúncios da Cofidis ou do BES (sabe, certamente, ao que me estou a referir).

    Sei, sei ao que se está a referir. Eu entendo precisamente o contrário. Por blogosfera descomprometida entendo aquela que é capaz de escrever sobre o que entender que deve escrever, tendo ao lado o que quer que seja que lhe dê, ou ajude a dar, a independência para ser descomprometido.

    Em Portugal?
    Limitando-me ao último quartel do séc.XX no jornalismo português todos os projectos jornalísticos tinham, também, objectivos políticos.

    Não me referi em concreto ao exemplo português. Mas tudo bem, vamos a isto.
    O Jornal era um projecto eminentemente comercial. Tinha um cunho político à esquerda. Na altura era tudo uma vergonha, um jornal não podia declarar abertamente que lado apoiava. Hoje, isso é possível e alguns declaram, mais ou menos abertamente, o que defendem.

    Apesar de eu achar que VJS às vezes é, digamos, demasiado ardente na defesa de convicções políticas, não beneficiando o seu jornal por isso, devo declarar que considero o Público um jornal plural, inclusivé ao nível do editorial. Recuso, portanto, a sua catalogação na prateleira dos projectos jornalísticos que perseguem objectivos políticos. O Público parece-me um jornal comercial. Se perde dinheiro, é outra coisa. Não estou em condições de julgar tal estratégia. Lucro não é só acumular de resultados positivos ao fim do ano.

    Já o Independente, nunca o chamaria a uma conversa destas, a não ser que precisasse de exemplos de jornalismo comprometido onde o lucro, ou a sobrevivência independente, não é o objectivo principal.

    Claro que isto é apenas a minha opinião.

    Reafirmo a frase inicial: o melhor jornalismo do século XX saiu de projectos comerciais. Ocorreu-me na altura adiantar algo mais, mas não o fiz para sobrevalorizar pela positiva. Mas cá vai: no reverso, os projectos jornalísicos de cariz não-comercial (dependências políticas, pessoais e de associações) não produziram o melhor jornalismo e muitas das vezes produziram o pior.

    pedro, concordo que estamos a substituir as opiniões pelas convicções e classifico isso de triste e até perigoso. Mais uma razão para um blogger tentar escrever melhor e seguir os exemplos conhecidos para uma comunicação mais eficaz.

    o aprendiz: a propósito dos anúncios, respigo um comentário que deixei no AspirinaB, num post que cita este mesmo assunto:

    À guisa de exemplo de como não aceito padronizações, nem é delas que falo, uma historieta. Recebi um mail da Google porque supostamente uma página minha, um post, continha linguagem que ofendia o ToS do AdSense, o programa de anúncios da Google. Retruquei, dizendo que a linguagem não violava nada, era como dizer que um artigo médico sobre sexo que contivesse a palavra “cú” violava os termos. Eles insistiram: ou retirava o post, ou retirava o AdSense daquele post. Eu não hesitei ou vacilei um nanosegundo: tirei o AdSense do meu blog, assunto resolvido.

    8 : fractura.net! | Blogosfera | Anita e os Blogs em 24 Dez 08 13:50

    [...] Brogan, intitulado “What Bloggers Can Learn From Journalists“. O Paulo Querido fez a resenha dos pontos que considerou mais importantes no Certamente! e o Valupi respondeu-lhe no Aspirina B - é dessa resposta que vem o título deste artigo. A [...]

    9 O aprendiz de ignorante em 24 Dez 08 17:09

    Paulo Querido, entendeste-me mal (o tetuar é virtude da virtualidade, espero que isso não ofenda). Eu não te critiquei, nem quero! Disse, e repito, “não vejo nada de mal nisso, mesmo nada; os teus interesses estão transparentemente declarados e a mim, confesso, não me cria embaraço.”
    Se tiraste o Adsense por conflito de interesses, acho muito bem, mas até isso acontecer tiveste-o, e eu não critico ninguém por tornar mais ou menos comercial um canal, qualquer que ele seja. A qualidade do público pode ser outra, o número também, mas quem sou eu para ser juiz… arre, nem do meu canto, por isso sou ignorante! :)

    Bom Natal

    10 Paulo Querido em 24 Dez 08 17:15

    Eh… aprendiz, eu não estava a reagir. Aproveitei o momento para contar, também aqui, a historieta do AdSense. Achei que fazia sentido.

    Eu também não sou de criticar as opções de cada um nesta matéria. Tenho feito experiências com os diversos formatos de rentabilização das publicações web desde há anos. Isso tem-me custado alguns dissabores com leitores que querem ver nisso muito além do que a atitude representa: um experimentalismo e uma busca, cujos resultados tanto posso aplicar sob a forma de matéria noticiosa, como usar para recolher uns tostões.

    Nunca me importei muito com as críticas — se voltasse atrás, até experimentava mais afoitamente!

    Abraço

    11 O aprendiz de ignorante em 24 Dez 08 17:37

    Obrigado pela explicação. Eu, como ando num virote entre Lisboa e Londres, posso dizer-te que cada vez mais gosto da postura anglo-saxónica: solidariedade no sucesso! Assim, devemos fazer tudo afoitamente até ao limite da nossa consciência e da liberdade dos outros. Ficar parados, isso nunca!

    Abraço

    12 cjt em 26 Dez 08 13:48

    O problema que noto em todas as discussões em torno deste assunto (e de outros) é uma constante confusão entre jornalistas e bloggers.
    Estamos em altura de redefinição de ambos os papéis. Como tal, se vejo que os jornalistas estão a aprender – com sucesso, em muitos casos – a intervir de forma mais “blogosférica”, adptando os conteúdos á agregação e partilha, não vejo porque não hão-de os bloggers fazer o mesmo em relação aos jornalistas.
    Note-se, por favor, que não falo de jornais.
    Um dos medos mais insistentes que vejo reproduzidos por aqui e por aí, é o da perda de isenção. Na minha forma de ver as coisas, não existe isenção na blogosfera. Não é para isso que ela existe. Para isso estão cá os jornalistas, enquanto no exercício da sua profissão e quando a tal sejam obrigados.
    Outro medo é o da pretensa perda de liberdade. Nada mais falso.
    Na realidade, a adopção de formas não interfere com a qualidade do conteúdo, nem sequer com o seu objectivo enquanto mensagem. Interfere, isso sim, no retorno do investimento comunicacional: na sua disseminação, no feedback, na partilha.
    Adoptar simples estilos de escrita (ainda falamos na pirâmide invertida e ao tempo que a pirâmide se deitou…) que beneficiem os leitores não se trata de cedência de espécie alguma. Trata-se, isso sim, de respeito para com o leitor.
    Outros dirão que não querem audiência. Estão no seu direito, embora eu não consiga compreender isso.
    Há coisas que se estão a passar e parece-me que a blogosfera lusa se comporta um pouco como autista. Eu vejo os casos brasileiros e outros e noto que estão muito à frente em termos de estilo de comunicação. Sabem o que dizer e a quem dizer, permitindo que qualquer newbye suba rapidamente nos acessos ao seu blog.
    Por cá, continua a discussão acerca do que fazer, se temos publicidade ou não, se rentabilizamos o blog ou não, se cedemos a pressões políticas ou não, se linkamos a este ou àquele, tudo isto para as coisas não saírem do sítio.
    O que fazemos, na prática, é não ligar a conselhos básicos de escrita e reputação, para continuarmos com os blogs debaixo das saias dos “consagrados”.
    É um problema cultural, direi eu, que o consigo extrapolar para uma rápida comparação entre a nossa actividade industrial e económica, social e política, em relação aos países vizinhos.
    Trata-se, no fim de contas, da pequenez de não querer investir na técnica e de não querer assumir as responsabilidades, dizendo sempre baixinho «mas eu sou pequenino e este mundo é dois tubarões»…
    Um bom conteúdo é a principal força motriz de um blog. Mas tem que ser lido. E, para tal, tem que ter uma forma que o faça sobressair e uma credibilidade que origine fidelidade.
    Como em tudo na vida, de resto.

    Abraço,
    CJT

    13 Os bloggers existem porquê? « Denúncia Coimbrã em 31 Dez 08 04:42

    [...] o “espasmo” (guest-post) que Anita Bruzzese teve com a blogosfera, e a sua bênção de Paulo Querido. O Valupi, do Aspirina B, espeta analgésico nos 2. Também há o Chris Pirillo com as suas [...]

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