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	<title>Certamente! &#187; blogosfera</title>
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	<description>Paulo Querido escreve.</description>
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		<title>Twitter, Tumblr e Posterous: veremos em 2012 o ressurgimento do blogging?</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Jan 2012 17:06:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Querido</dc:creator>
				<category><![CDATA[blogosfera]]></category>
		<category><![CDATA[blogging]]></category>
		<category><![CDATA[microblogging]]></category>
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		<description><![CDATA[<a href="http://pauloquerido.pt/blogosfera/twitter-tumblr-e-posterous-veremos-em-2012-o-ressurgimento-do-blogging/"><img align="right" hspace="5" width="200" src="http://pauloquerido.pt/wordpress/ficheiros/2012/01/tts.jpg" class="alignright wp-post-image tfe" alt="" title="tts" /></a>Penso que a blogosfera caminha para a profissionalização e a especialização, ao mesmo tempo que se notam os sinais da competitividade entre blogs &#8212; uma prova da maturidade antecipada pelos mesmos, eu incluído, que usaram o título do fim da &#8230; <a href="http://pauloquerido.pt/blogosfera/twitter-tumblr-e-posterous-veremos-em-2012-o-ressurgimento-do-blogging/">Ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://pauloquerido.pt/wordpress/ficheiros/2012/01/tts.jpg" alt="" title="tts" width="520" height="531" class="aligncenter size-full wp-image-6205" /></p>
<p>Penso que a blogosfera caminha para a profissionalização e a especialização, ao mesmo tempo que se notam os sinais da competitividade entre blogs &#8212; uma <a href="http://pauloquerido.pt/tecnologia/sobre-o-fim-da-blogosfera/">prova da maturidade</a> antecipada pelos mesmos, eu incluído, que usaram o título do <a href="http://pauloquerido.pt/tecnologia/sobre-o-fim-da-blogosfera/">fim da blogosfera</a> em Novembro de 2008, já lá vão mais de três anos, para chamar a atenção para as mudanças.</p>
<p>Três anos e pico depois: fascinante será ver até que ponto se poderá dar em 2012 um regresso ao <em>blogging</em> enquanto espaço de comunicação pessoal &#8212; o que eles vieram perdendo para as rede sociais de 2008 para cá. A força do <em>microblogging</em> (Twitter, mas sobretudo Tumblr e Posterous) tem alguma coisa a ver com esse movimento de refluxo.</p>
<p>Chegará este refluxo a ganhar peso crítico?</p>
<p>A resposta dependerá, sobretudo, da extensão que atingir um fenómeno novo, ainda que previsível: a saturação do Facebook. Aliada à desilusão sobre aquele espaço onde damos mais do que recebemos &#8212; o contrário do que se passava na blogosfera romântica, ou inicial.</p>
<p>A saturação é nítida já nas camadas mais rápidas &#8212; os jovens. Muitos terão, por isso, relutância em admiti-la, como já vimos suceder com o MySpace, para não recuar mais na história da web.</p>
<p>Sobretudo os mais irrequietos e, se quisermos, criativos estão a precisar de espaços menos espartilhados e onde possam construir modelos de futuro &#8212; no Facebook o único futuro para o qual uma pessoa criativa pode contribuir é o futuro dos acionistas do Facebook.</p>
<p>A parte tecnológica está resolvida e à espera. As ferramentas como o Tumblr, o Posterous e mesmo o WordPress &#8212; que conseguiu modernizar-se e está firmemente estabelecido para fazer parte do futuro do <em>publishing</em> &#8212; estão muito mais avançadas e adaptadas à publicação <em>pervasiva</em> e em rede.</p>
<p>Talvez assistamos, por outro lado, a uma transferência semelhante, mas do lado dos partilhadores, ou curadores &#8212; aquelas pessoas que lêem imenso e que &#8220;curam&#8221; o gigantesco caudal de notícias, artigos, temas, conferências, e até de bens e serviços comerciais. São elas que moldam em grande parte o nosso meio ambiente no Facebook. Com a maturidade, em 2012, das ferramentas de curadoria e partilha &#8212; como o <a href="http://storify.com">Storify</a>, que lançou esta semana um plugin WP que promete, como o <a href="http://Scoop.it">Scoop.it</a> &#8212; é provável que muitas delas acabem por preferir usar as ferramentas profissionais, concebidas para facilitar e melhorar o <em>sharing</em>.</p>
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		<title>Blogosfera caminha para a profissionalização, competitividade e especialização</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Jan 2012 15:38:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Querido</dc:creator>
				<category><![CDATA[blogosfera]]></category>
		<category><![CDATA[fim da blogosfera]]></category>

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		<description><![CDATA[<a href="http://pauloquerido.pt/blogosfera/blogosfera-caminha-para-a-profissionalizacao-competitividade-e-especializacao/"><img align="right" hspace="5" width="200" src="http://pauloquerido.pt/ficheiros/o-fim.png" class="alignright wp-post-image tfe" alt="" title="" /></a>O Público publicou esta segunda-feira, 8, um artigo sobre os blogs. Intitula-se Uma década depois do boom, o que é feito dos blogues? e contém algumas declarações minhas. Naturalmente, não couberam todas as minhas respostas às questões do repórter Mauro &#8230; <a href="http://pauloquerido.pt/blogosfera/blogosfera-caminha-para-a-profissionalizacao-competitividade-e-especializacao/">Ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img alt="" src="http://pauloquerido.pt/ficheiros/o-fim.png" class="alignnone" width="490" height="120" /></p>
<p>O Público publicou esta segunda-feira, 8, um artigo sobre os blogs. Intitula-se <a href="http://www.publico.pt/Tecnologia/uma-decada-depois-do-boom-o-que-e-feito-dos-blogues-1528128">Uma década depois do boom, o que é feito dos blogues?</a> e contém algumas declarações minhas.</p>
<p>Naturalmente, não couberam todas as minhas respostas às questões do repórter Mauro Gonçalves. Como é hábito aqui as publico um dia depois, para efeitos de memória e de arquivo.</p>
<p>As respostas dão, lá está, resposta a algumas dúvidas que já vi circularem agora, a propósito do artigo, dúvidas colocadas pelas mesmas mentes capazes de declararem veredictos, e professarem assassinatos de carácter, baseados em títulos de artigos e peças que nunca leram ou até num comentário de terceiro emitido por razões de ego &#8212; uma prática que ganha cada vez mais adeptos também nas redes sociais, onde começam a escassear os critérios para partilhar os assuntos, mas esses é um tema para outra altura. Como já escrevi antes, porque a ignorância militante é recorrente, <a href="http://pauloquerido.pt/tecnologia/sobre-o-fim-da-blogosfera/">as pessoas lêem o que cérebro as deixa ler</a>.</p>
<p>Em Novembro de 2008 tinha introduzido o tema do fim da blogosfera, que de resto levei ao IV (e último, pelos vistos) Encontro Nacional de Blogs. No artigo <a href="http://pauloquerido.pt/tecnologia/sobre-o-fim-da-blogosfera/">sobre o fim da blogosfera</a> publiquei a apresentação visual que serviu de base à comunicação apresentada no Encontro, bem como as explicações que quase ninguém leu mas cujo título ainda hoje é comentado, de tal forma o assunto impactou.</p>
<p>Seguem as respostas às perguntas do jornalista Mauro Gonçalves, autor da peça de ontem no Público.</p>
<p><em>P. Quais os principais &#8220;sintomas&#8221; que identificou que o levaram a falar no &#8220;fim da blogosfera&#8221;, há três anos atrás? A migração (por questões práticas) dos bloggers para outras plataformas, a perda do sentimento de &#8220;militância&#8221; partilhada pela comunidade de bloggers ou o natural esmorecimento de um entusiasmo inicial?</em><br />
R. Uma mistura de duas coisas. Por um lado, a multiplicação de alternativas de comunicação de segunda e terceira geração. Nomeadamente o que hoje conhecemos por redes sociais. A componente de socialização é fundacional na blogosfera; à medida que as plataformas de socialização, como o Facebook, e de recomendação e partilha, como o Twitter, foram ganhando qualidade e volume, esvaziaram os blogs enquanto instrumentos de socialização, partilha e debate.</p>
<p>Por outro lado, o esmorecimento é um facto. Comprovado por dezenas de milhar de blogs abandonados. O surgimento de blogs coletivos nos últimos 3 anos é também sinal de cansaço, na medida em que é um reforço do estímulo: é mais fácil continuar a escrever num blog com mais autores, onde um dia &#8212; ou uma semana &#8212; sem um post de um dos autores não tem impacto no fluxo de posts que mantém a animação no blog.</p>
<p>Admito que o fim da ideia militante da construção de um &#8220;espaço novo&#8221;, de uma &#8220;alternativa ao jornalismo&#8221;, também contribua de forma afluente. Até porque os jornais começaram, muito oportunamente, a absorver alguns dos autores mais populares e, até, de qualidade. Mas as razões principais são: o surgimento de alternativas de comunicação e partilha mais apuradas e eficazes, em ambientes social e tecnicamente menos agrestes que a blogosfera, e o esmorecimento da maioria das pessoas, sobretudo das que publicavam histórias mais pessoais e intimistas, que eram o grosso quantitativo da blogosfera.</p>
<p><em>P. O abandono de muitos blogs que ainda hoje vemos é uma consequência dessa &#8220;morte&#8221;?<br />
</em>R. Não vejo outra explicação além das que já citei: novas plataformas mais eficazes para a conversa, o endosso e a partilha, e cansaço da &#8220;novidade&#8221;.</p>
<p><em>P. Em que sentido tem evoluído o blogging desde então, em Portugal?</em><br />
R. No sentido da profissionalização, da competitividade e da especialização. O número de bloggers profissionais, que tiram um rendimento direto, em espécie, do seu blogging, aumentou, como previ. Se incluirmos os bloggers part-time, que tiram rendimento não desprezível do blogging mesmo que essa não seja a sua principal fonte de receita &#8212; e devemos fazê-lo, quanto mais não seja porque em avaliações semelhantes noutros países eles são incluídos entre os profissionais &#8211;, o número subirá para a casa das centenas.</p>
<p>Há, também, o blogging profissional sem remuneração direta: a motivação não decorre do sucesso comercial do blog, mas do que o blog apoie indiretamente. Um projeto, uma empresa, um setor de atividade, um lóbi &#8212; há diversos blogs com atividade séria e profissional, mantidos por razões deste tipo. Cada vez mais, diria. E tenderão a empregar bloggers, profissionalizando-os.</p>
<p>Há ainda um grupo de bloggers que compete pela atenção geral, procurando obter uma vantagem que permita o acesso aos postos de opinion-makers disponíveis nos meios convencionais &#8212; função que tem vindo a aumentar na razão inversa da descapitalização das Redações.</p>
<p><em>P. Numa primeira impressão pode perceber-se que, hoje, blogs temáticos como os de cinema, moda e gastronomia são os que mais persistem. É uma impressão com fundamento? Porquê?</em><br />
R. Sim. A observação fundamenta-se em dois pilares interligados: o da capacidade criativa e o do potencial de retorno. Os autores com um gosto especial, uma conceito, um tema &#8212; uma especialização, se quisermos acabam a prazo por ser mais relevantes no que publicam do que os autores que comentam o dia a dia, a política, o desporto, a sociedade. E, porque têm um objetivo para o seu blog, têm ainda ganhos de persistência.</p>
<p>A Internet, com a sua já bem relevada característica &#8220;long tail&#8221;, recompensa os nichos e permite micro-operações de media impossíveis de reproduzir noutros meios. Uma publicação especializada, de foco estreito, como um blog de cinema, obtém um rendimento em publicidade contextual superior a uma publicação de espectro largo.</p>
<p>Os blogs de nicho permitem: a) fidelizar audiências de qualidade, pois são as interessadas naquela temática; e b)  obter, para os assuntos relevantes no seu nicho, posicionamentos mais elevados nos resultados dos motores de pesquisa do que os blogs generalistas, recebendo leitores novos em maior quantidade, garantindo a renovação da audiência.</p>
<p><em>P. Actualmente existe ainda uma blogosfera ou apenas blogs?</em><br />
R. Não tenho a certeza que possamos falar de uma blogosfera como falávamos em 2004 ou 2005. Mas seguramente temos várias blogosferas. A de esquerda, a de direita, a dos blogs de economia, a das agências de comunicação e relações públicas &#8212; microcosmos com núcleos fragmentados que mantém (ou aparentam) o nível de intercomunicação mínimo para que possam ser vistas como coletivos sociais e não apenas autores individuais.</p>
<p><em>P. Como caracteriza a actual actividade de blogging em Portugal?</em><br />
R. Como oportuna e de qualidade. É curioso que estejam pela segunda vez a mostrar o caminho aos meios incumbentes e a colmatar algumas das suas falhas mais gritantes.</p>
<p><em>P. Considera que o universo das redes sociais substitui a &#8220;blogosfera&#8221;?</em><br />
R. Penso tratar-se de uma evidência. A quantidade de conversas entre blogs diminuiu &#8212; hoje vemos posts seguidos sem um link, um contraponto, uma discussão. E a quantidade de comentários por post diminuiu na esmagadora maioria dos blogs &#8212; as pessoas que persistem tendem a concentrar as controvérsias nos posts dos blogs mais emblemáticos. A atividade social, uma marca distintiva da blogosfera na sua génese e período expansionista, passou para as plataformas que a facilitam, privilegiam a exploram.</p>
<p><em>P. Depois de “morta e enterrada” acha que ainda é possível revitalizar a &#8220;blogosfera&#8221;? Porquê e/ou como?</em><br />
R. Não creio que ela esteja morta. A blogosfera simplesmente mudou. Deixou de ser notícia &#8212; o que, no nosso mediatizado mundo, é considerado como &#8220;morte&#8221;. Perdeu alguma importância social, mais que política, e viu-se esvaziada de algum poder mediático &#8212; que passou em parte para as redes sociais. Mas se isso desagrada a alguns egos inflados, representa uma normalização bem vista pelos que desejam usá-la, ou estar nela, com objetivos profissionais &#8212; ou meramente lúdicos.</p>
<p>Também não creio que a blogosfera da vaidade e do pretenciosismo possa ser revitalizada. Com tanta estrela na net, ninguém vai frequentar planetas e cometas.</p>
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		<title>Não se iludam: tudo o que colocamos nas redes sociais é público ou vai sê-lo de uma maneira ou de outra</title>
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		<pubDate>Thu, 01 Dec 2011 17:12:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Querido</dc:creator>
				<category><![CDATA[blogosfera]]></category>
		<category><![CDATA[media]]></category>

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		<description><![CDATA[A Katia Delimbeuf colocou-me uma série de perguntas quando preparava um artigo para a revista do Expresso. Como o artigo já foi publicado, naturalmente com a seleção editorial das minhas respostas, deixo aqui a versão integral. Pergunta: A figura do &#8230; <a href="http://pauloquerido.pt/blogosfera/nao-se-iludam-tudo-o-que-colocamos-nas-redes-sociais-e-publico-ou-vai-se-lo-de-uma-maneira-ou-de-outra/">Ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A Katia Delimbeuf colocou-me uma série de perguntas quando preparava um artigo para a revista do Expresso. Como o artigo já foi publicado, naturalmente com a seleção editorial das minhas respostas, deixo aqui a versão integral.</p>
<p>Pergunta: A figura do gestor de redes sociais (&#8220;community manager&#8221;) já é comum em Portugal?<br />
Resposta: Não diria que é comum. Penso que ainda há poucos exemplos.</p>
<p>P. Entre figuras públicas e políticos, quem os usa? Compensa ter alguém que pensa uma estratégia de comunicação? Achas que é uma figura que veio para ficar?<br />
R. Conheço alguns casos de músicos, sobretudo, cujas contas são geridas por profissionais. Nos políticos, sei que as contas de Presidência da República, de Passos Coelho e de António José Seguro são, ou foram, geridas por terceiros. O primeiro, julgo tratar-se de alguém da Casa Civil. O segundo, não faço ideia quem seja. No terceiro, durante algum tempo foi gerido por uma pessoa que não atua como profissional nem assume esse estatuto.</p>
<p>A verdade é que a grande maioria dos políticos com os quais me relaciono nas redes sociais dispensa esses gestores. Quanto aos que não sigo, que são muito mais, não sei se usam ou não os gestores profissionais.</p>
<p>Compensará nos casos em que a pessoa tenha pouca propensão, ou falta de tempo. Admito que figuras dos espetáculos prefiram gestores profissionais. Já no caso de políticos, é mais complicado decidir se vale a pena recorrer a esses intermediários, dados os contras da decisão e a escassez de prós.</p>
<p>Sim &#8212; julgo tratar-se se mais uma função que veio para ficar. Já nasceram algumas empresas novas, especializadas, mas no geral as agências de relações públicas e/ou de comunicação incluem a função na sua oferta e recrutam as pessoas indicadas.</p>
<p>P. Quantos utilizadores de Twitter e de Facebook há em Portugal?<br />
R. Essa é uma pergunta sem resposta, ou com demasiadas respostas. Calculo que o número absoluto de contas criadas andará respetivamente pelos 600.000 a 700.000 no Twitter e 3.500.000 a 4.000.000 no Facebook. Mas esse número é completamente irrelevante. O número de contas ativas numa base mensal é menos irrelevante e andará, segundo as minhas estimativas, pelos 260.000 no Twitter e pelos 2.400.000 no Facebook. Repito, é apenas a minha estimativa.</p>
<p>P. Até que ponto esta estratégia de aproximação directamente com o público é conseguida?<br />
R. Depende de muitos fatores &#8212; a começar pelos objetivos da presença e pelos recursos dedicados. Há pessoas, e lembro-me do Nuno Markl e, mais recentemente, da eurodeputada Edite Estrela, que tiram muito partido das redes sociais, tanto no campo profissional como pessoal. Mas calculo que para a maioria das pessoas a presença nas redes sociais seja pouco ou nada importante em termos de projeção pública e que para algumas seja uma desilusão.</p>
<p>P. Como se controla a diferença entre esfera privada da esfera íntima (cf: atores que publicam fotos ousadas, anúncios de paternidade&#8230;)?<br />
R. Não se controla: tudo o que se coloca nas redes sociais é público ou vai ser de uma maneira ou de outra, hoje ou para a semana, ponto final parágrafo. Quem disser o  contrário mente &#8212; por alguma razão que só à pessoa dirá respeito.</p>
<p>P. Que polémicas mais conhecidas te lembras, em Portugal e no estrangeiro, relacionadas com o Facebook e o Twitter?<br />
R. Diariamente há polémicas. Quer com pessoas públicas do mundo real &#8212; o jet set e as personalidades reconhecidas pelos media &#8211;, que com pessoas públicas do mundo digital &#8212; as personalidades ignoradas pelos media. Não as acompanho. Quanto às polémicas com as plataformas, nada de novo do lado do Facebook, que continua a demolir o significado da palavra privacidade, e novidades recentes sobre a (absoluta falta de) eficácia das ferramentas que anunciam medir a relevância e a influência das pessoas nas redes sociais, do Twitter ao Facebook aos LinkedIn ao Google Plus.</p>
<p>P. Quais os perigos? Clones, &#8216;hackers&#8217;&#8230;?<br />
R. Os principais perigos são a auto-cretinice e a ignorância, responsáveis tanto pela publicação indevida de informação privada, como pelas quebras de segurança que facilitam os outros dois grandes perigos: a usurpação de identidade e o roubo do perfil. Tudo o mais está, digamos, um tanto romanceado.</p>
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		<title>E o post do dia é: &#8220;Só desisto se for eleito&#8221;</title>
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		<pubDate>Wed, 13 Apr 2011 17:28:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Querido</dc:creator>
				<category><![CDATA[blogosfera]]></category>
		<category><![CDATA[Fernando Nobre]]></category>
		<category><![CDATA[post do dia]]></category>

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		<description><![CDATA[E o post do dia é: &#8220;Só desisto se for eleito&#8221; (João Pinto e Castro no jugular)]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>E o post do dia é: <a href="http://jugular.blogs.sapo.pt/2586152.html">&#8220;Só desisto se for eleito&#8221;</a> (João Pinto e Castro no <a href="http://jugular.blogs.sapo.pt/">jugular</a>)</p>
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		<title>Regras de análise económica para a oposição (segundo João Miranda)</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Aug 2010 23:45:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Querido</dc:creator>
				<category><![CDATA[blogosfera]]></category>

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		<description><![CDATA[Eis um quadro de regras de análise económica para a oposição. (Na realidade servem para analisar qualquer coisa. Ou até nada.) 1. De entre os indicadores disponíveis, escolher os mais favoráveis. 2. Entre a variação homóloga e a trimestral escolher &#8230; <a href="http://pauloquerido.pt/blogosfera/regras-de-analise-economica-para-a-oposicao-segundo-joao-miranda/">Ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eis um quadro de regras de análise económica para a oposição. (Na realidade servem para analisar qualquer coisa. Ou até nada.)</p>
<p>1. De entre os indicadores disponíveis, escolher os mais favoráveis.</p>
<p>2. Entre a variação homóloga e a trimestral escolher a mais favorável.</p>
<p>3. Se todos os indicadores pioram, escolher os que pioram mais que os dos restantes países europeus.</p>
<p>4. Se um dado indicador é melhor que os dos restantes países europeus, ignorar as previsões do governo/FMI/Bando de Portugal.</p>
<p>5. De entre várias previsões (União europeia/FMI/Bando de Portugal), escolher a mais desfavorável ao governo.</p>
<p>6. Se desemprego diminuir, atribuir fenómeno à sazonalidade/outra coisa qualquer.</p>
<p>7. Se desemprego aumentar, referir políticas do governo.</p>
<p>8. Se os dados estatísticos são favoráveis alegar que estão desactualizados e que os dados mais recentes vão provar que o governo está no mau caminho.</p>
<p>9. Se um indicador for favorável atacar a credibilidade da fonte.</p>
<p>10. Justificar os bons indicadores com factores que não dependem do governo (retoma internacional, preço do petróleo, desvalorização do euro, valorização do euro).</p>
<p>11. Se um indicador piora ligeiramente alegar que é o início do apocalipse. Se melhora ligeiramente falar em retoma pontual, num período demasiado longínquo ou demasiado próximo, conforme der mais jeito à argumentação, e repetir 3 vezes (no mínimo) que está carente de confirmação no período seguinte.</p>
<p>12. Evitar gráficos que dêem uma visão gobal dos indicadores, excepto quando os gráficos são desfavoráveis.</p>
<p>13. Se os resultados de curto e médio prazo são favoráveis, citar a tendência de longo prazo.</p>
<p>(Palmas e demais encómios para o <a href="http://blasfemias.net/2010/08/30/regras-de-analise-economica-para-abrantes/">brilhante original</a>)</p>
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		<item>
		<title>Sinto que mergulhei na pré-história da blogosfera (já vim à tona)</title>
		<link>http://pauloquerido.pt/blogosfera/sinto-que-mergulhei-na-pre-historia-da-blogosfera-ja-vim-a-tona/</link>
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		<pubDate>Fri, 20 Aug 2010 14:10:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Querido</dc:creator>
				<category><![CDATA[blogosfera]]></category>

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		<description><![CDATA[Descubro, espantado, que há bloggers como o maradona que ficaram enredados na teia de 2003-2004, metendo audiências e visitas e Google e Facebook tudo no mesmo Sitemeter e discriminando os seus leitores em função da origem do tráfego. É a &#8230; <a href="http://pauloquerido.pt/blogosfera/sinto-que-mergulhei-na-pre-historia-da-blogosfera-ja-vim-a-tona/">Ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Descubro, espantado, que há bloggers como o <a href="http://acausafoimodificada.blogs.sapo.pt/428091.html">maradona</a> que ficaram enredados na teia de 2003-2004, metendo audiências e visitas e Google e Facebook tudo no mesmo Sitemeter e discriminando os seus leitores em função da origem do tráfego.</p>
<p>É a atitude &#8220;ah, vens do Google, ó palerma? Vai lá ler porno para outro lado porque vieste ao engano&#8221;.  Cheguei àquele post precisamente através do Google e agradeço ao Google a acertada indicação.</p>
<p>Só reparei, e disso faço nota, por se tratar de um dos bloggers portugueses com verdadeiro talento &#8212; ainda que intermitente e servido numa ego-embalagem de tamanho familiar; passa o espanto e volto ao estatuto de indiferente.</p>
<p>(Nota: <a href="http://acausafoimodificada.blogs.sapo.pt/428091.html">o resto do post</a> vale a pena, em especial a parte sobre os incêndios.)</p>
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		<title>Parabéns, Valupi. A Resistência saúda-te</title>
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		<pubDate>Mon, 05 Jul 2010 22:36:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Querido</dc:creator>
				<category><![CDATA[blogosfera]]></category>

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		<description><![CDATA[<a href="http://pauloquerido.pt/blogosfera/parabens-valupi-a-resistencia-sauda-te/"><img align="right" hspace="5" width="200" src="http://pauloquerido.pt/wordpress/ficheiros/2010/07/anonimato.jpg" class="alignright wp-post-image tfe" alt="" title="anonimato" /></a>É complicado uma pessoa meter-se nas Grandes Questões Que Preocupam O Blogosférico País. Tudo o que eu queria com o artigo Anonimato, Valupi, blogosfera, pseudónimo, maldade e outras keywords do género era dizer que 1) pessoalmente prefiro assinar e faço-o, &#8230; <a href="http://pauloquerido.pt/blogosfera/parabens-valupi-a-resistencia-sauda-te/">Ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>É complicado uma pessoa meter-se nas Grandes Questões Que Preocupam O Blogosférico País. Tudo o que eu queria com o artigo <a href="http://pauloquerido.pt/pessoal/anonimato-valupi-blogosfera-pseudonimo-maldade-e-outras-keywords-do-genero/">Anonimato, Valupi, blogosfera, pseudónimo, maldade e outras keywords do género</a> era dizer que 1) pessoalmente prefiro assinar e faço-o, 2) defendo o direito ao anonimato sem me importar com o &#8220;tipo&#8221; de anonimato, é daquelas coisas, como a liberdade, defende-se toda apesar de algumas partes &#8212; ou não se defende.</p>
<div align="center"><img src="http://pauloquerido.pt/wordpress/ficheiros/2010/07/anonimato.jpg" alt="" title="anonimato" width="500" height="375" class="aligncenter size-full wp-image-5398" /><br/>Legenda: Valupi fotografado na sua mansão ao Chiado.<br/><span style="font-size:85%">Crédito da foto: <a href="http://www.flickr.com/photos/kitakitts/44495619/">kitakitts</a></span></div>
<p>A questão que ora atravessa a blogosfera não é na realidade o anonimato ou pseudónimo ou o raio, de Valupi e de outros, bem ou mal apontados como tal. A questão está exposta cruamente por comentadeiros por aí (nem tudo merece link, é a minha política). A questão é uma questão de combate político.</p>
<p>Qualquer dos grupos em confronto defende o direito dos SEUS ao anonimato e justifica, com uma choraminguice qualquer sobre &#8220;ataques e perseguições&#8221;, o recurso a tal. O &#8220;outro&#8221;, o &#8220;deles&#8221;, é que é um marau, que se refugia no anonimato por razões naturalmente obscuras e quiçá duvidosas. O do nosso lado, não: é um mártir em cruzada pelo Bem.</p>
<p>Despachada a burrocracia, vamos ao que interessa. O <a href="http://aspirinab.com">AspirinaB</a> ganhou, finalmente, o direito a ter uma matilha de trolls apostada em destruir a salutar conversa nas caixas de comentários EM DESTRAS MAIÚSCULAS com assinatura do Partido Comunista Português (Marxista-Leninista). Parabéns, Valupi. O CROADT, Comité de Resistência Organizada Armada De Teclado, saúda-te.</p>
<p><img src="http://pauloquerido.pt/wordpress/ficheiros/2010/07/aspirinab-500.jpg" alt="" title="aspirinab-500" width="500" height="84" class="aligncenter size-full wp-image-5397" /></p>
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		<title>Os bloggers dependem bastante mais do trabalho dos jornalistas do que o inverso</title>
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		<pubDate>Mon, 05 Jul 2010 08:30:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Querido</dc:creator>
				<category><![CDATA[blogosfera]]></category>
		<category><![CDATA[media]]></category>
		<category><![CDATA[pessoal]]></category>

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		<description><![CDATA[<a href="http://pauloquerido.pt/blogosfera/os-bloggers-dependem-bastante-mais-do-trabalho-dos-jornalistas-do-que-o-inverso/"><img align="right" hspace="5" width="200" src="http://pauloquerido.pt/wordpress/ficheiros/2010/06/blogues-jornalismo.jpg" class="alignright wp-post-image tfe" alt="" title="blogues-jornalismo" /></a>A revista Jornalismo &#38; Jornalistas aborda exaustivamente o tema Os Media e a Blogosfera e na sua edição de Abril/Junho, já disponível, publica a segunda parte do dossiê, da autoria de Helena de Sousa Freitas. Uma das peças é uma &#8230; <a href="http://pauloquerido.pt/blogosfera/os-bloggers-dependem-bastante-mais-do-trabalho-dos-jornalistas-do-que-o-inverso/">Ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-5373" title="blogues-jornalismo" src="http://pauloquerido.pt/wordpress/ficheiros/2010/06/blogues-jornalismo.jpg" alt="" width="500" height="277" /></p>
<p>A revista Jornalismo &amp; Jornalistas aborda exaustivamente o tema Os Media e a Blogosfera e na sua edição de Abril/Junho, já disponível, publica a segunda parte do dossiê, da autoria de Helena de Sousa Freitas.</p>
<p>Uma das peças é uma entrevista em que sou o sujeito. Reproduza-a abaixo, com a nota: a revista tem um natural tempo longo de recolha, preparação e feitura e as minhas respostas foram escritas em Dezembro de 2009.</p>
<p>Antes disso, a apresentação do dossiê:<span id="more-5372"></span><br />
<!-- more --></p>
<p><strong>Simbiose ou parasitismo? Blogues e agenda mediática</strong><br />
O tema é regular em debates e encontros mas o consenso parece difícil, mesmo entre os profissionais com presença nos dois terrenos. Afinal, os jornalistas “picam” os blogues e fazem-se donos da notícia? Ou o procedimento é inverso? E, em termos de agenda, quem dita e quem segue? Admitir que se consulta a blogosfera causa embaraço nas redacções?</p>
<hr />
<h3>Entrevista: Os bloggers dependem bastante mais do trabalho dos jornalistas do que o inverso</h3>
<p><strong>Pergunta: Acompanha a blogosfera desde os seus primórdios. Como percepciona, actualmente, a relação entre jornalistas e bloogers? Estão do mesmo lado da barricada ou em trincheiras opostas? Há uma relação de interdependência?</strong></p>
<p>Resposta: Há que separar as realidades. A relação jornalistas-bloggers é diferente em diferentes regiões do planeta e nos EUA não é, sequer,  como a portuguesa: do outro lado do Atlântico há muito mais informação publicada em primeira mão por bloggers.</p>
<p>Assim, direi que já passaram os tempos das barricadas: em 2003-2005, no início da explosão da auto-edição, existia essa dicotomia, mas foi desaparecendo.</p>
<p>Hoje há uma relação de interdependência, sendo que os bloggers dependem bastante mais do trabalho dos jornalistas do que o inverso. São os jornalistas que mandam na agenda da relação, uma vez que são eles quem produz a matéria que vai servir de alimento à actividade dos bloggers; o caminho inverso existe, claro, mas com muito menor frequência.</p>
<p>Apesar disso, nas redacções &#8212; sobretudo nas secções de política &#8212; dá-se muita atenção à opinião dos bloggers e o sentido desta é, por vezes, determinante nos ângulos de aproximação aos factos, acontecimentos e pessoas. Considero isto normal e até desejável: o jornalista está hoje menos isolado do mundo e sabe melhor como pensam, e reagem, alguns públicos &#8212; os mais esclarecidos ou, se preferirmos, os mais interessados.</p>
<p>Em Portugal há, curiosamente, alguns sectores onde a relação bloggers &#8211; jornalistas não fez faísca alguma. Dois deles: o noticiário sobre celebridades e a informação tecnológica, da Internet, redes sociais e noticiário económico ligado a elas. No primeiro caso, julgo que por o mercado estar bem dominado e circunscrito. No segundo, por causa das inexistências de parte a parte. Falo destes dois por ambos terem algum peso em vários países, incluindo o lusófono Brasil.</p>
<p><strong>P &#8211; E que diferenças fundamentais encontra entre estes dois espaços? A oposição jornalismo/blogosfera sublinha a antítese informação versus opinião?</strong></p>
<p>R &#8211; Por um lado sublinha-a, sim. Para simplificar, digamos que o custo de produzir opinião é bastante menor que o custo de produzir informação. Um blogger, mesmo que exerça jornalismo amador de alguma forma, não dispõe dos recursos necessários à produção de informação, que envolve vários processos consumidores de tempo e até de dinheiro. A recolha de informações, a procura da verificação, por vezes em muitas fontes distintas, dessas informações, a confirmação, o tratamento, a produção multimedia, quando a haja&#8230; Mesmo com os maravilhosos recursos informáticos e da própria rede, todo o processo carece de recursos que não estão ao alcance da maioria dos bloggers.</p>
<p>É claro que algumas vezes, nalgumas situações, um grupo de bloggers pode entreajudar-se e produzir uma peça de informação capaz de rivalizar com a peça de um meio para o mesmo assunto/acontecimento &#8212; mas essas são as excepções que confirmam a regra, e a regra é: a informação é cara.</p>
<p>Com isto não quero dizer, muito pelo contrário, que não haja pontos de contacto e até de cooperação no processo, com ganhos mútuos. Estou apenas a responder à questão concreta e a resposta não deixa margem a dúvidas: em geral, a blogosfera não rivaliza com o jornalismo na produção de informação, sendo sobretudo isso que separa os dois mundos.</p>
<p>Dito isto, um reparo: da blogosfera americana, sobretudo, mas também da francesa e da espanhola nasceram diversas novas marcas de media que produzem informação do melhor nível. Publicações como o Mashable e o Techcrunch nasceram como blogs, das mãos de bloggers, mantêm essa matriz mas profissionalizaram processos e tornaram-se tão boas nos seus nichos como as publicações  de matriz jornalística, quando não melhores. Aspecto comum a estas profissionalizações: a contratação de jornalistas, articulistas e outros autores e profissionais de media.</p>
<p>Em Portugal não vingou até à data nenhuma publicação alternativa, embora no campo do futebol existam projectos com perspectivas auspiciosas, caso optem por se lançar nessa aventura.</p>
<p><strong>P &#8211; A maioria dos sites de órgãos de comunicação tem espaço para o comentário dos leitores. A blogosfera trouxe algo de novo a esta interação com os jornalistas?</strong></p>
<p>P &#8211; Trouxe muito: trouxe uma verdadeira revolução. Até aos blogs a interacção entre leitores e jornalistas &#8212; ou o que estes produzem, as peças, notícias, etc &#8212; era muitíssimo reduzida e sempre filtrada. Era assaz comum um jornalista passar décadas em que as únicas interacções com leitores eram ao nível dos vizinhos do bairro que estivessem a par da sua profissão. E mesmo quando os jornais começaram a abrir, dando algum destaque às cartas, os espaços eram naturalmente subalternizados.</p>
<p>Com a blogosfera tudo mudou. O comentário do leitor não está nem sujeito aos cortes pelas razões de espaço e oportunidade, nem condenado à subalternidade. A hierarquização do comentário depende apenas da qualidade da sua mensagem. Não raro, atinje o patamar da correcção ao artigo; e se contribuir com dados novos, esquecidos, ou pertinentes, melhor.</p>
<p>É claro que a maior parte dos comentários se fica pelos patamares do posicionamento do leitor face à notícia, aos  intervenientes ou ao autor dela, mas isso é irrelevante: importa que a interacção aumenta por força da abertura e de maior transparência na relação.</p>
<p><strong>P &#8211; É jornalista e blogger. O público fará a distinção entre o cidadão e o profissional? Ou, “uma vez jornalista, sempre jornalista”?</strong></p>
<p>R &#8211; O público faz o que lhe apetece &#8212; o que é um pouco cruel. Na última campanha eleitoral emiti opiniões e posições claras de apoio a um partido; os apoiantes desse partido sublinharam-nas, acentuando a origem com o intuito de aproveitar parcelarmente o prestígio do jornalista; os apoiantes do partido rival gritaram a minha condição de jornalista, no intuito de afectar a minha credibilidade e assim diminuir o suposto impacto das minhas frases.</p>
<p>Em &#8220;público&#8221; incluo, até, directores de jornais &#8212; também são público. Um director de jornal (e meu ex-sub-diretor meu) chegou ao ponto de fazer lembrar que eu não constava da lista da Comissão da Carteira Profissional &#8212; logo, não era jornalista.</p>
<p>Continuo a achar o mesmo de há 30 anos. O jornalista tem direito à opinião e deve expressá-la devidamente identificada. O meu blog é um espaço de opinião, não de informação, que só episodicamente ali terá lugar.</p>
<p><img class="size-full wp-image-5374" title="doingmediastudies-4317536426" src="http://pauloquerido.pt/wordpress/ficheiros/2010/06/doingmediastudies-4317536426.jpg" alt="" width="500" height="326" /><span style="font-size: 85%;">Crédito da fotografia:<a href="http://www.flickr.com/photos/doingmediastudies/4317536426/"> doingmediastudies</a></span></p>
<p><strong>P &#8211; No livro “Blogs”, que escreveu com Luís Ene, é dito que foi sobretudo com a blogosfera que os cidadãos passaram a ter um acesso directo às massas, até ao início deste século reservado aos profissionais da comunicação social. A classe jornalística tem, então, de repartir o seu poder?</strong></p>
<p>R &#8211; Sim. Isso já está a acontecer um pouco por todo o mundo, em velocidades e escalas diferentes. Um dos mais vistosos poderes, o de provocar e liderar causas sociais, foi um dos primeiros. Com as redes sociais a potenciarem a capacidade organizativa de indivíduos e colectivos, sobram poucas ou nenhumas &#8220;causas&#8221; para o jornalismo liderar. Pode, quando muito, fazer eco, juntar-se-lhes. Exemplo recente: a pressão de abertura e democracia no Irão nasceu no Twitter e foram cidadãos, usando essa rede de distribuição de informação, que lideraram o processo.</p>
<p>Outro poder que já está repartido, para não dizer perdido, é o poder de certificar a &#8220;verdade&#8221; e quais das verdades são as mais importantes (a primeira página). A Wikipedia, o Digg e os outros mecanismos de agregação de sabedoria e de crowdsourcing desmantelaram esse poder de certificação.</p>
<p>Terceiro exemplo, o do endosso. A capacidade de influência dos críticos tradicionais &#8212; do cinema aos vinhos &#8212; diminui na proporção do surgimento de mecanismos alternativos, como os sites de recomendações que também usam técnicas de crowdsourcing, e do alargamento das redes sociais; quanto mais natural é o uso destas, mais as pessoas tomam as decisões do dia a dia, como ver um filme ou escolher o restaurante ou hotel, em função da proximidade, da consulta aos pares, e não em função do crítico/jornalista.</p>
<p>Finalmente, cada vez mais fontes de informação &#8212; de empresas a governos &#8212; usam as redes para distribuir as suas versões dos factos; a quantidade de informação aumenta, bem como a quantidade de receptores capazes de a avaliar e redistribuir acrescentando valor, através de um juízo (opinião) ou de conjugação de informação para produzir uma análise independente.</p>
<p>Mas o preocupante não é a divisão de poderes. O preocupante é a reacção das empresas jornalísticas à divisão de poderes: surgem aos olhos dos seus leitores com um maior grau de comprometimento com as fontes e com os sectores. Em vez de reforçarem as suas competências para se distinguirem, parecem ter optado por desbaratar o seu prestígio, sacrificando a independência e o rigor.</p>
<p><strong>P &#8211; Não estará a blogosfera a alimentar a ideia de que qualquer pessoa pode ser jornalista?</strong></p>
<p>R &#8211; A blogosfera trouxe a democratização do acesso aos meios de produção, às ferramentas de edição e de distribuição do produto jornalístico. Antes dela, o indivíduo que queria ser jornalista tinha de ir para um jornal, único local onde dispunha das ferramentas; com ela não precisa de o fazer: vive imerso nas ferramentas e na informação.</p>
<p>Agora, é verdade que no início a vertigem do poder de publicar deu a muitos a ilusão de que podiam atingir o patamar de poder do jornalista só porque tinham um blog. O poder do jornalista conquista-se ao longo do tempo, num processo de fins nem sempre garantidos. Nesse tempo o jornalista é submetido a provas, que tem de superar. Qualquer pessoa pode ser jornalista e hoje é mais fácil chegar lá, contudo não é jornalista quem quer, mas quem consegue superar a aprendizagem e revelar-se competente na função.</p>
<p><strong>P &#8211; A prática num blog pode vir a suscitar, no seu autor, interesse pelo jornalismo enquanto profissão?</strong></p>
<p>R &#8211; Poder, pode. As semelhanças dos meios &#8212; publicação, audiência, resposta &#8212; leva alguns a pensar nisso. Mas a esmagadora maioria desiste. O jornalismo profissional demanda em permanência recursos a que um blogger individual acede episodicamente, a começar pelo tempo e a acabar no dinheiro.</p>
<p><strong>P &#8211; Criou a primeira plataforma de blogs portugueses, a weblog.com.pt, tendo depois organizado uma rede dos blogs que considerava de referência, a Tubarão Esquilo. Este trabalho de agregação, selecção e disponibilização de informações num único local é, ou poderá vir a ser, uma das funções do jornalista no meio digital?</strong></p>
<p>R &#8211; Já é. É um dos primeiros trabalhos remunerados pela rede. Não é por acaso que o Google &#8212; e, à escala portuguesa e num contexto ainda mais acentuado, o Sapo &#8212; triunfaram. O Sapo deve uma grande parte do seu valor enquanto marca à agregação do produto jornalístico, tendo começado por fazê-lo desde muito cedo, o que foi fundamental e determinante para o seu sucesso.</p>
<p>Mas a agregação de produtos jornalísticos do Sapo obedece exclusivamente a uma lógica comercial. Isto é: agrega o que compra. Não é um critério jornalístico. Funciona numa economia de escala, não persegue o objectivo de noticiar.</p>
<p>A agregação na verdade produz pouco valor &#8212; é por isso que só funciona, autonomamente, na escala aplicada pelas tecnológicas. Contudo, o jornalista deve fazê-la na medida em que esse pouco valor se possa somar a outros, num contexto em que o seu olhar, a sua capacidade, tornará as suas escolhas mais ricas que os automatismos e as rotinas.</p>
<p>De qualquer forma: a criação do <a href="http://weblog.com.pt">weblog.com.pt</a> &#8212; posteriormente comprado por um grupo de media que não soube fazer nada com ele &#8212; só remotamente tinha alguma ligação ao jornalismo. Criei-o para perceber melhor o que eram os blogs e qual o potencial das tecnologias que os sustentam; o êxito veio depois, e para minha surpresa. Já a <a href="http://tubaraoesquilo.pt">TubarãoEsquilo</a> partiu de um conceito que é parente do jornalismo: juntar personalidades e projectos com capacidade de conquistar audiências, em especial no campo da opinião, com alguns projectos eminentemente informativos de permeio. Se tivesse vingado, seria hoje uma espécie de órgão de comunicação social distribuído.</p>
<p><strong>P &#8211; A blogosfera concorre já, ou tem condições para vir a concorrer, com os órgãos de comunicação social tradicionais? Pode ser, realisticamente, vista como uma ameaça?</strong></p>
<p>Se tomarmos a blogosfera isoladamente, não é grande ameaça&#8230; Concorre em áreas como a opinião política, o mexerico (excepto em Portugal, onde os órgãos incumbentes dominam), mas sem ameaçar o essencial dos OCS, que é a informação. Tem, sim, um papel afluente em termos da distribuição da informação produzida pelos OCS: os links, e os comentários, dos blogs levam diariamente milhares de leitores aos sites dos jornais. Na verdade estes deviam pagar pela deferência dos bloggers &#8212; e em muitos casos fazem-no, naturalmente nas moedas da rede: o Público retribui os links nas notícias, o Diário2 associa os tweets, e há outros mecanismos de retribuição.</p>
<p>Agora, quando juntamos à blogosfera o resto do que hoje, em traços largos, se denomina por web social &#8212; os agregadores como o <a href="http://Digg.com">Digg</a> e, em Portugal e Brasil, o <a href="http://DoMelhor.net">DoMelhor</a>, a <a href="http://pt.Wikipedia.org">Wikipedia</a>, o <a href="http://Twitter.com">Twitter</a> e o <a href="http://www.Facebook.com">Facebook</a>, para dar os exemplos clássicos &#8211;, então vemos mais poderes ameaçados: o privilégio do acesso às fontes, o poder de certificação, o poder de endosso, o poder de distribuição em massa&#8230; Sem esses poderes enclausurados numa cerca com uma caixa registadora na entrada dos consumidores (os leitores) ou da caixa registadora do acesso à audiência (a publicidade), não há negócio para os OCS.</p>
<p>P &#8211; Recentemente avançou com dois novos projectos na Internet, o diario2.com, de jornalismo colaborativo, e o jornalist.as, que reúne vários profissionais da comunicação em língua portuguesa. Como descreve estas iniciativas?</p>
<p>R &#8211; O <a href="http://jornalist.as">jornalist.as</a> é um hóbi e não tem grandes pretensões. Não sei qual será o seu futuro &#8212; gostava de o associar às organizações da classe, mas estas parecem não fazer ideia do que se passa na rede, muito menos do que a rede, e os jornalistas que cada vez mais a usam, espera que elas façam. Foi pensado para centrar as actividades ligadas aos jornalistas e ao jornalismo em língua portuguesa.</p>
<p>O <a href="http://diario2.com">Diário2</a> é diferente. Nasceu da minha necessidade de ter um laboratório para experimentar jornalismo em rede e do completo desinteresse dos OCS portugueses pelo assunto. Algumas das soluções a experimentar ali, nos próximos tempos e à medida que for possível fazê-lo, foram oferecidas a órgãos como o Expresso, a SIC, o Jornal de Negócios ou a RTP, sem falar na Lusa, e senti-me como um viajante no tempo que vá ao século XIX vender aspiradores.</p>
<p>O Diário2 não tem financiamento externo, tem uma visão realista de si próprio e um plano de negócios estabelecido: avançará passo a passo, em função das receitas que obtiver. É um projecto ímpar em Portugal, o que não significa que seja necessariamente o projecto certo. Digamos que é uma experimentação de pessoas que preferem fazer em vez de ficar paradas a assistir.</p>
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		<title>Atão, este ano não há prémios da bloga?!</title>
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		<pubDate>Sun, 13 Dec 2009 22:25:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Querido</dc:creator>
				<category><![CDATA[blogosfera]]></category>

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		<description><![CDATA[Pssst, é impressão minha ou este ano não há prémios da bloga?! Ainda não li os inefáveis &#8220;Os Melhores Blogs do Ano&#8221;. Pois&#8230; esgotado o prazo de validade dos salamaleques e do link baiting em que já ninguém cai, dá &#8230; <a href="http://pauloquerido.pt/blogosfera/atao-este-ano-nao-ha-premios-da-bloga/">Ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pssst, é impressão minha ou este ano não há prémios da bloga?! Ainda não li os inefáveis &#8220;Os Melhores Blogs do Ano&#8221;.<br />
Pois&#8230; esgotado o prazo de validade dos salamaleques e do <em>link baiting</em> em que já ninguém cai, dá uma trabalheira fazer alguma coisa que jeito tenha. Eu que o diga.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Diálogos Facebook: blogs e tal</title>
		<link>http://pauloquerido.pt/blogosfera/dialogos-fb-blogs-e-tal/</link>
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		<pubDate>Fri, 23 Oct 2009 08:20:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Querido</dc:creator>
				<category><![CDATA[blogosfera]]></category>
		<category><![CDATA[media]]></category>

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		<description><![CDATA[Paulo Querido RT @EmmanuelGonot: Fast Company: Blogging Is Dead, Long Live Journalism http://bit.ly/mITAw Pedro Rebelo E tu que achas Paulo? Eu pessoalmente ainda penso que o blogging tem muito para dar, talvez de forma diferente&#8230; Há 47 minutos Paulo Querido &#8230; <a href="http://pauloquerido.pt/blogosfera/dialogos-fb-blogs-e-tal/">Ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Paulo Querido <span>RT @EmmanuelGonot: Fast Company: Blogging Is Dead, Long Live Journalism <a href="http://bit.ly/mITAw" target="_blank">http://bit.ly/mITAw</a></span></p>
<div><a href="http://www.facebook.com/pedrorebelo">Pedro Rebelo</a> E tu que achas Paulo? Eu pessoalmente ainda penso que o blogging tem muito para dar, talvez de forma diferente&#8230;</div>
<div><abbr title="Thu, 22 Oct 2009 17:35:09 -0700">Há 47 minutos</abbr></div>
<div>Paulo Querido Eu acho que o jornalismo ainda tem muito para dar, certamente de forma diferente <img src='http://pauloquerido.pt/wordpress/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif' alt=':)' class='wp-smiley' />  O blogging mudou. Cresceu. Normal. Menos entusiasmo de principante. Quem tinha para dizer ao mundo, &#8220;ol<span>á<span> </span></span><span> mundo!&#8221;, já o disse. Repetiu. Agora calou-se e joga farmville e essas merdas. A conversa sobre gatos e flores torna-se cansativa ao fim de um tempo.</span></div>
<div>Ficam: quem tem densidade discursiva, quem escreve profissionalmente, quem tem uma missão ou função. Na escrita profissional cabem os &#8220;bons&#8221; bloggers que mantém essa coisa antes chamada blogosfera, e que procuram melhorar e rentabilizar o seu trabalho.</div>
<div id="comment_2002720264_172728894576_6277204">
<div><abbr title="Thu, 22 Oct 2009 18:13:14 -0700">Há 8 minutos</abbr></div>
</div>
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