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	<title>Certamente! &#187; Economia</title>
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	<description>Paulo Querido escreve.</description>
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		<title>Tecnológicas como o Facebook produzem riqueza concentrada, não criam empregos</title>
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		<pubDate>Mon, 06 Feb 2012 09:08:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Querido</dc:creator>
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		<category><![CDATA[tecnologia]]></category>
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		<description><![CDATA[<a href="http://pauloquerido.pt/economia/tecnologicas-como-o-facebook-produzem-riqueza-concentrada-nao-criam-empregos/"><img align="right" hspace="5" width="200" src="http://www.mondaynote.com/wp-content/uploads/2012/02/facebook-one-graph.jpg" class="alignright wp-post-image tfe" alt="" title="" /></a>Reparem bem no gráfico. Moral da história: as tecnológicas criam riqueza em formato concentrado, não a distribuem. Nem sequer pelos empregados. Não criam emprego. Ou por outra: destroem muito mais emprego do que criam e não criam, sequer, na mesma &#8230; <a href="http://pauloquerido.pt/economia/tecnologicas-como-o-facebook-produzem-riqueza-concentrada-nao-criam-empregos/">Ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Reparem bem no gráfico. Moral da história: as tecnológicas criam riqueza em formato concentrado, não a distribuem. Nem sequer pelos empregados. Não criam emprego. Ou por outra: destroem muito mais emprego do que criam e não criam, sequer, na mesma quantidade das suas congéneres dos anteriores estádios do capitalismo.</p>
<p>Quando os ultra-liberais vos forem enfiar as patranhas das empresas serem as Grandes Criadoras de Emprego, desconfiem. O código genético das empresas determina precisamente o contrário. Só recorrem ao mínimo necessário e quanto mais puderem poupar nesse custo, melhor. São tanto mais aplaudidas pelos accionistas quanto forem capazes de extrair riqueza já concentrada, não partilhada. É a sua natureza. E a tecnologia e as redes são suas belíssimas aliadas.</p>
<p><img alt="" src="http://www.mondaynote.com/wp-content/uploads/2012/02/facebook-one-graph.jpg" class="alignnone" width="595" height="500" /></p>
<p>(imagem sugerida por Jean-Louis Gassée em <a href="http://www.mondaynote.com/2012/02/05/facebook-the-revenge-of-the-nerds/">&#8220;Facebook: The Revenge of the Nerds&#8221;</a>)</p>
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		<title>Os governos não mandam no mundo, a Goldman Sachs manda</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Sep 2011 12:11:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Querido</dc:creator>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[apocalipse financeiro]]></category>
		<category><![CDATA[crise financeira]]></category>
		<category><![CDATA[zona Euro]]></category>

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		<description><![CDATA[Os governos não mandam no mundo, a Goldman Sachs manda. Escolhi esta frase emblemática (ouçam aos 2:37&#8242;) para título, mas toda a entrevista é de registar. O entrevistado é o market trader Alessio Rastani, na City londrina. Rastani diz que &#8230; <a href="http://pauloquerido.pt/economia/os-governos-nao-mandam-no-mundo-a-goldman-sachs-manda/">Ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Os governos não mandam no mundo, a Goldman Sachs manda</strong>. Escolhi esta frase emblemática (ouçam aos 2:37&#8242;) para título, mas toda a entrevista é de registar. O entrevistado é o market trader Alessio Rastani, na City londrina. Rastani diz que os governos estão de mãos atadas. Vem aí o apocalipse e uma pequena, minúscula fração da humanidade vai lucrar IMENSO com ele. O costume.</p>
<p><iframe width="500" height="284" src="http://www.youtube.com/embed/aC19fEqR5bA" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
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		<title>Três dos melhores negócios da atualidade (e geradores de emprego também)</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Sep 2011 18:18:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Querido</dc:creator>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[emprego]]></category>
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		<category><![CDATA[trabalho]]></category>

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		<description><![CDATA[Os três melhores negócios da atualidade — e geradores de emprego também — são os seguintes:
 <a href="http://pauloquerido.pt/economia/tres-dos-melhores-negocios-da-atualidade-e-geradores-de-emprego-tambem/">Ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Os três melhores negócios da atualidade &#8212; e geradores de emprego também &#8212; são os seguintes:</p>
<p>- lançar plataformas online para os desempregados atuais e os empregados em vias de perderem o empregos se inscreverem e colocarem os seus currículos;</p>
<p>- fazer sites para colocação de anúncios de oferta de trabalho;</p>
<p>- organizar grupos de recrutamento de desempregados.</p>
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		<title>O fim do emprego como o conhecemos e o seu efeito na economia de mercado</title>
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		<pubDate>Sun, 11 Sep 2011 00:17:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Querido</dc:creator>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[automação]]></category>
		<category><![CDATA[emprego]]></category>
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		<description><![CDATA[<a href="http://pauloquerido.pt/economia/o-fim-do-emprego-como-o-conhecemos-e-do-seu-efeito-na-economia-de-mercado/"><img align="right" hspace="5" width="200" src="http://farm6.static.flickr.com/5090/5279194721_5374e5088a.jpg" class="alignright wp-post-image tfe" alt="" title="" /></a>Tenho mantido um ping pong mais ou menos permanente no Twitter com várias pessoas acerca da economia de mercado e suas perspectivas tendo em conta os problemas que a afetam. Umas vezes a conversa é mais focada na prática, noutras &#8230; <a href="http://pauloquerido.pt/economia/o-fim-do-emprego-como-o-conhecemos-e-do-seu-efeito-na-economia-de-mercado/">Ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tenho mantido um ping pong mais ou menos permanente no Twitter com várias pessoas acerca da economia de mercado e suas perspectivas tendo em conta os problemas que a afetam. Umas vezes a conversa é mais focada na prática, noutras alturas os argumentos passeiam pela teoria, como é natural uma vez que uma boa parte do exercício consiste em adivinhar &#8212; antecipar, vá &#8212; o rumo.</p>
<p><img alt="" src="http://farm6.static.flickr.com/5090/5279194721_5374e5088a.jpg" class="alignnone" width="500" height="367" /></p>
<p>Ainda que a maior parte das vezes de forma contida, está sempre subjacente a ideologia. Há uma nítida clivagem &#8211; fratura, mesmo &#8212; entre direita e esquerda, com a curiosidade de ser agora a esquerda a defender a economia de mercado enquanto à direita não repugnam os modelos concentracionários dos poderes político e económico. Bem pelo contrário, são &#8220;naturais&#8221;, são um &#8220;direito&#8221; dos que têm &#8212; destes que têm agora.</p>
<p>Numa síntese breve: preservar a democracia passa por defender o modelo económico que lhe é garantístico. A direita nunca se interessou particularmente nem por uma nem por outro &#8212; ainda que aceite &#8212; e, vá lá, conviva com contida repugnância &#8212; a primeira e aproveite o segundo para aumentar diferenças e consolidar riquezas.<br />
<span id="more-6051"></span><br />
O mais antigo interlocutor é o João Caetano Dias (@<a href="http://twitter.com/jcaetanodias">jcaetanodias</a>). Com ele o ping pong vem de há meses. Mais recentemente têm participado outras pessoas: Carlos Novais (@<a href="http://twitter.com/CN_">CN_</a>) mais amiudadamente, Cauê Nascimento (@<a href="http://twitter.com/caue_tuga">caue_tuga</a>) e José Manuel Fernandes (@<a href="http://twitter.com/JMF1957">JMF1957</a>) mais esporadica e recentemente.</p>
<p>Ora, é por causa deles que alinho este pequeno artigo. Há um equívoco comum, herdado dos economistas ao que vou lendo, acerca dos efeitos da mecanização do trabalho. Os economistas gostam de projetar da economia a imagem de uma ciência exata. Sem dúvida que uma ou outra parte dela o são &#8212; e outras o pareceram ao longo dos tempos, mas no geral a economia é tão exata quanto a história e outras disciplinas cujo objeto se resume à atividade humana.</p>
<p>Todos os meus interlocutores acreditam no postulado de que a mecanização sempre origina mais postos de trabalho do que os que inutiliza. Como a maioria dos economistas, não aceitam sequer a benefício da formulação de hipóteses que mudanças suficientemente densas no quadro em que ocorre a mecanização possam conduzir (conduzam forçosamente) a um resultado diferente, apenas e só baseados no facto de ainda o não termos observado antes.</p>
<p><img alt="" src="http://farm6.static.flickr.com/5085/5279800312_cd0c4e0a18.jpg" class="alignnone" width="500" height="375" /></p>
<p>O meu ponto é, de há muito, este. O surto de mecanização que enfrentamos não tem paralelo na história. Começa por nada ter a ver com a mecanização fabril, industrial ou agrícola, assentes na transformação da matéria por meios mecânicos. Agora lidamos com informática. Sistemas inteligentes de capacidade muito além da humana &#8212; embora focada. A fábrica já lá vai, estamos a mecanizar os serviços. O hospital. O banco. O supermercado. Os robots estão a começar a aspirar as nossas casas. Dentro de um par de anos começam a tomar conta dos nossos idosos. A prestar cuidados básicos nos hospitais. Os infobots escreverão os artigos e a atomização dos processos de informação e conhecimento dispensará do trabalho milhões de atuais esforçados colarinhos brancos.</p>
<p>Sim: os empregos anteriormente considerados a salvo dos robots na realidade não estão. Pelo menos a sua grande maioria não está.</p>
<p>Sim: alguns de nós seremos necessários para &#8220;operar as máquinas&#8221;. Cada vez menos seremos necessários, à medida que os sistemas caminham para a auto-suficiência e para a interligação.</p>
<p>Sim: os setores promissores, das energias alternativas às tecnologias de informação, na saúde e derivados, vão gerar emprego e bons salários &#8212; mas em número muitíssimo reduzido, incapaz de absorver sequer a mais bem treinada da mão de obra sobrante nos setores em automação/deslocalização. E parte do emprego gerado será de curta duração, demonstra a paradigmática montagem de painéis solares (a função que mais emprego gerou nos EUA nos últimos meses): uma vez montados a função desaparece e a subsequente manutenção empregará uma fração ínfima dos envolvidos na montagem.</p>
<p>Um número arrasador serve de ilustração: desde 2000 para cá a população americana aumentou em 30 milhões de pessoas; contudo, a quantidade de empregos é praticamente igual à desse ano. Calculado o rácio, a economia americana tem hoje menos 18 milhões de empregos do que devia. <em>Isto em dez anos</em>.</p>
<p>A mecanização não foi aqui a principal culpada. Vai sê-lo mais tarde. Esta década os empregos nos Estados Unidos, como na quase totalidade das economias capitalistas maduras, foram sobretudo engolidos pela deslocalização do trabalho para os países onde ele é mais barato.</p>
<p>Tenho sustentado que a automação de hoje, somada à demografia e à globalização vai erodir irreversivelmente a capacidade das economias gerarem os níveis de emprego que fizeram o grande avanço da humanidade nos últimos 100 anos.</p>
<p>Ora, sem emprego não há salário e sem salário não há consumo &#8212; o que afetará a economia de mercado, tendo mesmo o potencial de a terminar.</p>
<p>Recorrentemente o João Caetano Dias acha que eu não leio os livros certos. Entendendo por &#8220;certos&#8221;  os livros que ele gosta de ler, admito. Mas as minhas leituras não são propriamente de tresloucados libertários, perigosos anarquistas ou socialistas delirantes.</p>
<p>Já em 2007, pouco antes da irresponsabilidade impante e impune das empresas líderes da alta finança ter provocado a crise financeira que sobremaneira agravou a situação das finanças públicas de quase todas as economias avançadas, Paul Krugman teorizava alguns destes argumentos em <a href="http://www.krugmanonline.com/books/the-conscience-of-a-liberal.php">The Conscience of a Liberal</a>.</p>
<p>Mas a mais substancial leitura é a de The Lights in the Tunnel: Automation, Accelerating Technology and the Economy of the Future, de Martin Ford (<a href="http://www.amazon.com/Lights-Tunnel-Automation-Accelerating-Technology/dp/1448659817">Amazon</a>, <a href="http://www.thelightsinthetunnel.com/">site</a>). Cheguei ao livro não pela vertente económica mas em pesquisas sobre tecnologias de automação. Contudo, o alcance da obra impressiona. É quase antecipação científica. Até agora (3 anos passados sobre a publicação) é praticamente profética. É leitura obrigatória, e que recomendo em especial a dois interlocutores, o João Caetano Dias e o José Manuel Fernandes.</p>
<p>Graças ao plano de estímulo ao emprego apresentado esta semana pelo presidente dos Estados Unidos da América, também The Economist tem um oportuno dossiê sobre estes temas, desmontando de vez os frágeis (e, sobretudo, balofos) argumentos assentes no axioma de a mecanização gerar sempre novos empregos em número suficiente para não só cobrir como ultrapassar os anteriores, dando resposta à maior procura decorrente da expansão demográfica. A não perder <a href="http://www.economist.com/node/21528433">The great mismatch</a> &#8212; In the new world of work, unemployment is high yet skilled and talented people are in short supply. Tenham atenção aos demais artigos que fazem parte do dossiê.</p>
<p>Para uma vista geral rápida, <a href="http://www.nytimes.com/imagepages/2011/09/04/opinion/04reich-graphic.html?ref=sunday">este excelente gráfico do New York Times</a> que mostra como os melhores períodos da geração de riqueza estão associados a &#8220;bom emprego&#8221; e como a acumulação da riqueza na ultra-minoria super-rica da população está ligada aos maus tempos (e faz perigar a economia assente na massificação, mas isso não está no gráfico).</p>
<p>Ainda no Times nova-iorquino, <a href="http://www.nytimes.com/2011/09/04/opinion/sunday/jobs-will-follow-a-strengthening-of-the-middle-class.html">The Limping Middle Class</a>, um artigo de opinião de Robert B. Reich a que está apenso o gráfico anterior.</p>
<p>[ Adenda em 11/09, 23:21. Um leitor indicou-me via Google Plus este artigo de Douglas Rushkoff na CNN, no dia 7 de Setembro, <a href="http://articles.cnn.com/2011-09-07/opinion/rushkoff.jobs.obsolete_1_toll-collectors-robots-jobs?_s=PM:OPINION">Are jobs obsolete?</a>. Pequeno excerto: "<em>What we lack is not employment, but a way of fairly distributing the bounty we have generated through our technologies, and a way of creating meaning in a world that has already produced far too much stuff</em>". ]</p>
<p><img alt="" src="http://farm6.static.flickr.com/5049/5279943888_fb37757fcc.jpg" class="alignnone" width="500" height="390" /></p>
<p>Contudo, o fim do emprego como o conhecemos &#8212; e, por arrasto, da economia de mercado &#8212; é simplesmente previsível pela lei da oferta. As extremas abundância e elevada eficácia, ambas exponenciadas pela robotização e automação, tornam o trabalho num bem de baixíssimo valor. A vantagem &#8212; produtos e serviços mais baratos &#8212; ofusca o perigo iminente da derrocada social e económica graças a duas outras verdades igualmente simples e muito para além do fenómeno pontual do desaparecimento das classes médias.</p>
<p>Por um lado a transferência de quase toda a riqueza para as ultra-minorias conduz a uma efetiva perda do poder aquisitivo da maioria que até agora fez funcionar a economia de mercado. A maior acessibilidade dos produtos e serviços de nada servirá se não existir um número suficiente de pessoas com poder para os comprar.</p>
<p>Por outro, as massas de humanos sem salário, ocupação e papel na sociedade tornar-se-ão em inutilidades excedentárias nada fáceis &#8212; complicadas, vá &#8212; de lidar.</p>
<p>José Manuel Fernandes perguntou se eu falava de programas eugénicos. Bem sei que alguns neoliberais e selvagens individualistas aprovariam em delirante aplauso, mas a relação custo-benefício da eugenia eliminativa é muito elevada quando comparada com a da guerra, pelo que não me parece que se enverede por aí. E &#8212; atrativo suplementar &#8212; os custos financeiros das guerras são contabilizados do lado da despesa pública, tanto melhor se forem guerras civis. Mas podeis deixar de salivar: há outras alternativas.</p>
<p>Se tudo correr maravilhosamente bem quando sairmos desta crise induzida pelo parasitismo do sistema, talvez os processos sérios de regulação &#8212; incluindo a auto-regulação &#8212; sejam suficientes para, com governância competente, re-equilibrar a balança, redistribuindo os ganhos em proporções menos injustas &#8212; logo mais sustentáveis a prazo &#8212; e dividindo as horas do trabalho marginal ainda necessário.</p>
<p>Se não for o caso, o livro de Martin Ford equaciona algumas mais atrevidas, talvez num tom um tanto ingénuo, mas na essência corretas. A noite já vai longa, peço misericórdia e leiam o Ford.</p>
<p><span style="font-size:85%">(Fotos: <a href="http://www.flickr.com/photos/kheelcenter/">Kheel Center, Cornell University</a>)</span></p>
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		<title>A desigualdade de rendimentos é inimiga da economia de mercado e da sociedade de consumo</title>
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		<pubDate>Sun, 28 Aug 2011 15:56:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Querido</dc:creator>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[capitalismo]]></category>
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		<description><![CDATA[<a href="http://pauloquerido.pt/economia/a-desigualdade-de-rendimentos-e-inimiga-da-economia-de-mercado-e-da-sociedade-de-consumo/"><img align="right" hspace="5" width="200" src="http://cloud.querido.pt/wordpress/ficheiros/2011/08/river.jpg" class="alignright wp-post-image tfe" alt="" title="river" /></a>O João Caetano Dias acha que eu leio os livros errados. Acusa-me de ser um perigoso socialista &#8212; no sentido profundo, económico, do termo, não está apenas a apontar-me uma filiação partidária (que seria errada, embora tal facto fosse, para &#8230; <a href="http://pauloquerido.pt/economia/a-desigualdade-de-rendimentos-e-inimiga-da-economia-de-mercado-e-da-sociedade-de-consumo/">Ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://cloud.querido.pt/wordpress/ficheiros/2011/08/river.jpg" alt="" title="river" width="500" height="371" class="aligncenter size-full wp-image-6036" /></p>
<p>O João Caetano Dias <a href="http://twitter.com/#!/jcaetanodias/status/107793721604587520">acha</a> que eu leio os livros errados. Acusa-me de ser um perigoso socialista &#8212; no sentido profundo, económico, do termo, não está apenas a apontar-me uma filiação partidária (que seria errada, embora tal facto fosse, para ele, rigorosamente irrelevante) ou uma inclinação ideológica (seria outro equívoco deliberado).</p>
<p>Não tenho ilusões. Os neoliberais só na aparência &#8212; ou de passagem, e na medida em que der jeito &#8212; defendem a economia de mercado. O que eles defendem é a abolição da civilização ocidental e a instituição de uma sociedade desigual e que consagraria o <em>status quo</em> atual como um &#8220;vencedor&#8221; natural da &#8220;corrida&#8221;.</p>
<p>Chegámos a uma encruzilhada da história em que, ironicamente, são os críticos da economia de mercado os únicos capazes de a salvar. Capazes e interessados. A única solução para a sobrevivência da economia de mercado passa por renovar os seus métodos de redistribuição do produto gerado. Nova legislação fiscal que corresponda às necessidades da economia moderna, cada vez mais <em>capital intensive</em> e onde o trabalho perde valor por força da combinação da tecnologia com a deslocalização.</p>
<p>Não se trata tanto de mais regulação &#8212; um anátema para os neoliberais, com a capacidade de os levar ao paroxismo e à execução do equivalente às danças rituais ancestrais para afastar os espíritos &#8212; mas de melhor regulação, seja muita ou pouca. O problema dos Estados não é o seu tamanho mas sim, graças em parte às suas ineficácias, terem deixado de dar resposta à complexidade crescente da economia. E sobretudo à conjugação das Três Grandes Forças num alinhamento sem precedentes na História: demografia, globalização e tecnologia.</p>
<p>Para o João Caetano Dias, um excerto elucidativo de um livro que talvez lhe fizesse bem ler (tradução rápida e amadora):</p>
<blockquote><p>&#8220;O extremar da desigualdade de rendimentos é geralmente apresentado como um problema social ou uma questão de justiça básica. Apesar de poder ser essas duas coisas, é também &#8212; e criticamente &#8212; um problema <b>matemático</b> em termos da viabilidade do mercado de massas. Quando o poder de compra é retirado a milhares de consumidores médios para se concentrar num indivíduo rico, esse poder de compra é efetivamente esterilizado: deixa de desempenhar o vibrante papel de gerar procura de produtos e serviços. Como temos visto, em última análise isto fará secar o &#8220;rio&#8221; de poder de compra em que se baseia o mercado&#8221;.</p></blockquote>
<p>Martin Ford em <a href="http://www.amazon.com/Lights-Tunnel-Automation-Accelerating-Technology/dp/1448659817/" title="The Lights in the Tunnel: Automation, Accelerating Technology and the Economy of the Future">The Lights in the Tunnel: Automation, Accelerating Technology and the Economy of the Future</a>.</p>
<p>E ainda um &#8220;piqueno&#8221; brinde a bem das virtualidades do debate sem preconceitos, João. <a href="http://singularityhub.com/2009/12/15/martin-ford-asks-will-automation-lead-to-economic-collapse/">Aqui</a>.</p>
<p><span style="font-size:85%;">(Foto: Upper Provo River before sundown, Colorado, EUA. Autor:<a href="http://www.flickr.com/photos/owenxu/5986758980/">owenxu</a>)</span></p>
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		<item>
		<title>Ao lado disto a crise financeira, a globalização, a dívida pública são irrelevantes</title>
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		<pubDate>Thu, 07 Jul 2011 17:15:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Querido</dc:creator>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[capitalismo]]></category>
		<category><![CDATA[desigualdade]]></category>

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		<description><![CDATA[<a href="http://pauloquerido.pt/economia/ao-lado-disto-a-crise-financeira-a-globalizacao-a-divida-publica-sao-irrelevantes/"><img align="right" hspace="5" width="100" height="100" src="http://cloud.querido.pt/wordpress/ficheiros/2011/07/Infographic-1-011-150x150.jpg" class="alignright tfe wp-post-image" alt="Infographic-1-011" title="Infographic-1-011" /></a>Crise financeira? Demografia? Globalização? Mau desempenho económico? Corrupção? Dívida pública? Nada, mas mesmo nada disso é importante quando olhamos para o que realmente envenenou o modo de produção capitalista ao ponto da sua possível morte próxima: a acumulação do produto &#8230; <a href="http://pauloquerido.pt/economia/ao-lado-disto-a-crise-financeira-a-globalizacao-a-divida-publica-sao-irrelevantes/">Ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Crise financeira? Demografia? Globalização? Mau desempenho económico? Corrupção? Dívida pública? Nada, mas mesmo nada disso é importante quando olhamos para o que realmente envenenou o modo de produção capitalista ao ponto da sua possível morte próxima: a acumulação do produto gerado, da riqueza, no topo da cadeia alimentar e a consequente erosão das classes médias, iludidas e enganadas no período adolescente do sistema com o acenar da &#8220;mobilidade social&#8221;.</p>
<p>Os dados dizem respeito ao crescimento do rendimento pelos vários extratos da população americana mas não temam extrapolações para os países onde o sistema capitalista chegou, como nos EUA, à maturação. Os números foram verificados pelo <a href="http://www.politifact.com/truth-o-meter/statements/2011/jul/05/united-fair-economy/liberal-group-says-family-incomes-grew-equally-pri/">insuspeito PolitiFact</a>, que classifica o argumento (e o gráfico abaixo) como <a href="http://www.politifact.com/truth-o-meter/statements/2011/jul/05/united-fair-economy/liberal-group-says-family-incomes-grew-equally-pri/">Mostly True</a>.</p>
<p><a href="http://cloud.querido.pt/wordpress/ficheiros/2011/07/Infographic-1-011.jpg"> <img src="http://cloud.querido.pt/wordpress/ficheiros/2011/07/Infographic-1-011-515x1024.jpg" alt="" title="Infographic-1-011" width="515" height="1024" class="aligncenter size-large wp-image-5987" /></a><br />
(Clicar no quadro para aumentar. Ver <a href="http://faireconomy.org/node/1713">original no Fair Economy</a>)</p>
<h3>O FMI, esse perigoso antro socialistóide</h3>
<p>O downgrade de Portugal pela Moody&#8217;s teve pelo menos um efeito positivo: levou o realismo a algumas pessoas que andavam, digamos, intelectualmente distraídas, e permitiu que quem critica a financeirização e os seus mecanismos não seja imediatamente apodado de louco, &#8220;socialista&#8221;, mal-intencionado, ignorante e a demais adjetivação tão colorida quanto fútil com que as mentes mais &#8220;brilhantes&#8221; dos neo-cons em fase de instalação no poder executivo e no Estado gostam de escavacar todos os que não obedecem aos seus ensinamentos e não viram a liberal luzinha.</p>
<p>Note-se por exemplo neste parágrafo:</p>
<blockquote><p>The crisis is the ultimate result, after a period of decades, of a shock to the relative bargaining powers over income of two groups of households, investors who account for 5% of the population, and whose bargaining power increases, and workers who account for 95% of the population.</p></blockquote>
<p>E neste:</p>
<blockquote><p>&#8220;The key mechanism is that investors use part of their increased income to purchase additional financial assets backed by loans to workers. By doing so, they allow workers to limit their drop in consumption following their loss of income, but the large and highly persistent rise of workers’ debt-to-income ratios generates financial fragility which eventually can lead to a financial crisis.&#8221;
</p></blockquote>
<p>Não, não é uma tradução de um artigo de Francisco Louçã. É um <a href="http://www.imf.org/external/pubs/ft/wp/2010/wp10268.pdf">paper de 2010</a> em que se aponta a crise financeira como uma feroz acentuadora das desigualdades, publicado por esse perigoso antro socialistóide que é o Fundo Monetário Internacional.</p>
<p>Todos quantos se sentem, como eu, violentamente atacados pelo nosso Presidente da República podem usar estes dados para resistir à subversiva e perigosa ideia de que os sacrifícios devem ser igualmente repartidos. Porque repartir igualmente os sacrifícios é o último degrau da escada que leva ao fim do sistema.</p>
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		<title>Qual é o problema da economia? Toda a verdade sobre a economia</title>
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		<pubDate>Thu, 07 Jul 2011 10:44:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Querido</dc:creator>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[problema]]></category>
		<category><![CDATA[riqueza]]></category>
		<category><![CDATA[super-ricos]]></category>

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		<description><![CDATA[<a href="http://pauloquerido.pt/economia/qual-e-o-problema-da-economia-toda-a-verdade-sobre-a-economia/"><img align="right" hspace="5" width="100" height="100" src="http://cloud.querido.pt/wordpress/ficheiros/2011/07/problemaeconomia-150x150.jpg" class="alignright tfe wp-post-image" alt="problemaeconomia" title="problemaeconomia" /></a>Esclarecedor, este sucinto video onde Robert Reich explica qual é o problema com a economia. A saber (nos EUA): a economia duplica desde 1980, mas os salários permanecem no mesmo nível os ganhos da economia concentram-se nos super-ricos o dinheiro &#8230; <a href="http://pauloquerido.pt/economia/qual-e-o-problema-da-economia-toda-a-verdade-sobre-a-economia/">Ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Esclarecedor, este sucinto video onde Robert Reich explica qual é o problema com a economia.</p>
<p>A saber (nos EUA):</p>
<ol>
<li>a economia duplica desde 1980, mas os salários permanecem no mesmo nível</li>
<li>os ganhos da economia concentram-se nos super-ricos</li>
<li>o dinheiro traz poder político</li>
<li>défices enormes</li>
<li>classes médias divididas</li>
<li>recuperação anémica</li>
</ol>
<p><object width="560" height="349"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/JTzMqm2TwgE?version=3&amp;hl=pt_PT&amp;rel=0"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/JTzMqm2TwgE?version=3&amp;hl=pt_PT&amp;rel=0" type="application/x-shockwave-flash" width="560" height="349" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
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		<title>O problema do assalto à democracia para salvar o capitalismo</title>
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		<pubDate>Sat, 19 Feb 2011 17:45:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Querido</dc:creator>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[especulação]]></category>

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		<description><![CDATA[O assalto à democracia já começou nas sociedades abastadas, as ganhadoras do PEH, o Período Excepcional da Humanidade &#8212; as décadas entre o fim da I Guerra Mundial e o advento da Internet, ou 1920-1990. No período atingiram-se os equilíbrios &#8230; <a href="http://pauloquerido.pt/economia/o-problema-do-assalto-a-democracia-para-salvar-o-capitalismo/">Ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O <a href="http://www.publico.pt/Pol%C3%ADtica/berardo-defende-mudanca-de-sistema-politico-e-admite-um-novo-genero-de-ditadura_1481117">assalto à democracia</a> já começou nas sociedades abastadas, as ganhadoras do PEH, o Período Excepcional da Humanidade &#8212; as décadas entre o fim da I Guerra Mundial e o advento da Internet, ou 1920-1990. No período atingiram-se os equilíbrios sociais necessários à paz que retira riscos à atividade económica e a energia barata e abundante acelerou a geração de riqueza.</p>
<p>E o assalto vem das pessoas que procuram salvar o que afirmam ser seu. Ou seja, vem dos interessados na preservação do sistema capitalista, medrado e aperfeiçoado ao longo do PEH.</p>
<p>Ao mesmo tempo, assistimos em parte da Cintura Islâmica, norte de África incluído, ao movimento contrário: sociedades exaustas pelas guerras e pelas tiranias que nelas se sustentam (ou as financiam extraterritorialmente) rebelam-se procurando a paz através do único caminho que apresenta resultados satisfatórios: a negociação contínua dos interesses, ou seja, a democracia.<span id="more-5793"></span></p>
<p>Mas essa é a menor das forças atuantes contra os interesses dos assaltantes da democracia. Estes &#8212; recorde-se quem são: os principais beneficiados do PEH &#8212; acreditam que as convulsões sociais que se adivinham se combatem com o fim da negociação e a imposição de regras, recuperando um tipo de organização social em que o poder resulta da força, ao qual recorremos amiúde ao longo dos séculos.</p>
<p>É natural que essa seja a sua solução do capitalismo, na medida em que representa a evolução natural do sistema. O capitalismo precisa de competição nos estádios primevos, para que se possam promover os mais capazes, e tende, naturalmente, a eliminar os riscos à medida que amadurece. Ou seja, passa a representar uma vantagem eliminar ou controlar a competição, isto é, fechando a atividade num ambiente circunscrito no qual só entram os autorizados, por herança ou casamento.</p>
<p>Uma incógnita reside em saber se é possível, e em que grau, levar a financeirização das atividades humanas até ao ponto da substituição de princípios, éticas e regras de uma sociedade ricamente plural pelo código simples e monoteísta do direito do mais forte à liberdade.</p>
<p>Outro problema é precisamente essa propensão genética do capitalismo para a industrialização dos processos vencedores. Os sinais que começam a despontar na Bolsa de Nova Yorque são estranhos e dão que pensar: <a href="http://www.nytimes.com/2011/02/14/opinion/14Salmon.html">diminui a importância de Wall Street</a> para a geração de riqueza, e a sua relação com a economia real, à medida que o comércio do dinheiro se torna no seu único objetivo e a circunscrição aos financeiramente mais aptos exclui o acesso das empresas inovadoras. (Facebook e Twitter, por exemplo, avançam com acesso a capital fora do respetivo mercado, uma tendência em crescimento.)</p>
<p>Mas essas são apenas interrogações sobre a evolução digamos filosófica. Digamos, as variáveis imprevisíveis. O problema da equação são as variáveis previsíveis.</p>
<p>A primeira das variáveis previsíveis é a demografia. A segunda é a automatização dos processos produtivos. Quando as introduzimos no modelo de predição, deixa de ser nítida a imagem da ditadura a triunfar sobre a democracia. Aumentar o valor das variáveis &#8220;abertura&#8221; e &#8220;benevolência&#8221;, do lado da ditadura, não tem efeito sobre a imagem desfocada do futuro.</p>
<p>Quando combinamos essas duas variáveis previsíveis o resultado é simples: <strong>demasiadas pessoas objetivamente sem trabalho nem necessidade dele, individual ou coletiva</strong>.</p>
<p>Num ecosistema produtivo, como uma fábrica ou uma empresa de serviços, a solução do modelo capitalista funciona: elimina-se o desperdício.</p>
<p>Ora, o custo da eliminação de um &#8220;desperdício&#8221; como o que se apresenta é demasiado pesado. Não apenas nos custos diretos (é uma atividade onerosa) como nos custos de imagem (comprar os meios de distribuição de informação, hoje com a Internet, é incrivelmente dispendioso em tempo e dinheiro).</p>
<p>Logo, essa impraticabilidade de lucro torna-a numa solução improvável.</p>
<p>A solução que tecnicamente daria mais jeito a um sistema herdeiro do atual, tal como alguns ilustres escritores de ficção social do século passado vislumbraram de forma mais ou menos cinéfila, é reduzir ao mínimo indispensável as despesas com a manutenção de vida da mole e entreter as suas curtas existências com alienação preferencialmente mais barata.</p>
<p>Esta solução garante a manutenção do status quo e o controlo firme do círculo de poder.</p>
<p>Isto, bem entendido, com um modelo de organização político-social substituto da democracia que respeite os valores dominantes das elites proprietárias dos nossos dias, e que se consubstanciam num sistema ditatorial ou impositivo, policial quanto baste.</p>
<p>Haverá uma solução para esta equação que continue a passar por uma sociedade de equilíbrios negociados, isto é, democrática?</p>
<p>A resposta é talvez óbvia demais. Basta mexer no modelo de distribuição do produto gerado para reencontrar o tipo de &#8220;equilíbrio feliz&#8221; que marcou o PEH.</p>
<p>Tal implica, contudo, alguma desfinanceirização da atividade económica e descontaminação da toxicidade do lucro enquanto objetivo.</p>
<p>Um sociedade madura é uma sociedade mais dada ao lazer e à fruição do que ao trabalho e à competição. A sociedade ocidental, desde já, e dentro de algumas décadas todo o planeta, mercê da globalização, podem dar-se ao luxo de disfrutar a vida enquanto as máquinas produzem. Partindo do princípio que consegue fazer sobrepor os valores coletivos, isto é, civilizacionais, aos valores consuetudinários da micro superelite proprietária que concentra 90% do valor gerado ao longo de todo o PEH.</p>
<p>As próximas décadas podem ser apaixonantes &#8212; ou um imenso pesadelo. Mas por enquanto os analistas continuarão a ignorar as variáveis previsíveis e a apontar árvores, como o baixo desemprego na Alemanha, como sendo a floresta. A questão da sua credibilidade, contudo, começa a entrar timidamente na comunicação. E não só: também no processo. O Bank of England tomou a dianteira com um grupo que importa métodos de análise e massa cinzenta da Biologia e fala abertamente na necessidade de ajustar os modelos de análise à realidade. A premissa daquele banco é que a realidade económica e financeira ganhou através do PEH, e com aceleração provocada pela informática e pela globalização, uma complexidade que não terá sido acompanhada pelos modelos de análise. Teoria que sai reforçada pela nulidade dos resultados desses modelos, incapazes de predizer as crises dos últimos anos e incapazes, agora, de predizer cenários credíveis de médio e longo prazo.</p>
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		<title>Globalização: a verdade que dói</title>
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		<pubDate>Sat, 27 Nov 2010 01:01:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Querido</dc:creator>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>

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		<description><![CDATA[A verdade que dói: &#8220;o desemprego no Vale do Ave é a alegria de uma família lumpenproletariat de 11 elementos no Vietname. Quando acaba a abastança somos todos patriotas&#8221; Escreve com toda a propriedade Fernando Caetano no Facebook.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A verdade que dói:</p>
<blockquote><p>&#8220;o desemprego no Vale do Ave é a alegria de uma família lumpenproletariat de 11 elementos no Vietname. Quando acaba a abastança somos todos patriotas&#8221;</p></blockquote>
<p><a href="http://www.facebook.com/permalink.php?story_fbid=1471003503097&#038;id=1473908088">Escreve com toda a propriedade Fernando Caetano</a> no Facebook.</p>
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		<title>O caso do sub-prime visto agora: o golpe duplo</title>
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		<pubDate>Sat, 20 Nov 2010 14:30:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Querido</dc:creator>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>

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		<description><![CDATA[Fulano tem um papel a dizer que é dono de 1 casa, devidamente financiado por um banco. Mas Fulano não tem dinheiro, não vai pagar o crédito. Como são milhares de fulanos tesos, os bancos chamam a isto um &#8220;produto &#8230; <a href="http://pauloquerido.pt/economia/o-caso-do-sub-prime-visto-agora-o-golpe-duplo/">Ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Fulano tem um papel a dizer que é dono de 1 casa, devidamente financiado por um banco. Mas Fulano não tem dinheiro, não vai pagar o crédito. Como são milhares de fulanos tesos, os bancos chamam a isto um &#8220;produto tóxico&#8221; e causam um reboliço todo tamanho que leva o país a despender imensas, colossais fortunas para os libertar da toxicidade e ressarcir dos prejuízos.</p>
<p>O banco, naturalmente, executa a hipoteca e fica com a casa.</p>
<p>Sim, eu repito.<strong> O banco ficou com o dinheiro e a casa.</strong> O desgraçado a quem uns irresponsáveis deram crédito ficou com nada, que era o que tinha antes, os irresponsáveis obrigaram o Estado a pagar-lhes o dinheiro que o desgraçado não tinha &#8212; e ficaram com o bem que o Estado pagou.</p>
<p>Teorias e descrições douradas à parte, foi isto que aconteceu: <strong>os bancos ficaram com o dinheiro e as casas</strong>, os desgraçados ficaram na rua e o Estado desviou o dinheiro do contribuinte, comprometendo o seu dia-a-dia.</p>
<p>Chamou-se &#8220;a crise do sub-prime&#8221;. Ainda não recuperámos dela. Continuamos a acreditar que o sistema cometeu erros. Não temos emenda.  O sistema também não.</p>
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