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	<title>Certamente! &#187; media</title>
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	<description>Paulo Querido escreve.</description>
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		<title>Ainda o #SOPA: não controlar os autores é intolerável para quem fez disso uma indústria</title>
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		<pubDate>Sat, 21 Jan 2012 14:50:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Querido</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Direitos de autor]]></category>
		<category><![CDATA[PIPA]]></category>
		<category><![CDATA[propriedade intelectual]]></category>
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		<description><![CDATA[<a href="http://pauloquerido.pt/media/ainda-o-sopa-nao-controlar-os-autores-e-intoleravel-para-quem-fez-disso-uma-industria/"><img align="right" hspace="5" width="200" src="http://farm2.staticflickr.com/1131/555768644_7ff8f3d439.jpg" class="alignright wp-post-image tfe" alt="Censorship" title="" /></a>Uma sessão de Perguntas &#038; Repostas sobre os projetos legislativos SOPA e PIPA, entretanto adiados sine die. As leis SOPA e PIPA, [que estiveram] em análise no Congresso dos EUA, prefiguram uma forma de censura sobre a Internet? Na ótica &#8230; <a href="http://pauloquerido.pt/media/ainda-o-sopa-nao-controlar-os-autores-e-intoleravel-para-quem-fez-disso-uma-industria/">Ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Uma sessão de Perguntas &#038; Repostas sobre os projetos legislativos SOPA e PIPA, entretanto adiados <em>sine die</em>.</p>
<p><a href="http://www.flickr.com/photos/gerriet/555768644/" title="Censorship por gerriet, no Flickr"><img src="http://farm2.staticflickr.com/1131/555768644_7ff8f3d439.jpg" width="500" height="400" alt="Censorship"></a></p>
<p><em>As leis SOPA e PIPA, [que estiveram] em análise no Congresso dos EUA, prefiguram uma forma de censura sobre a Internet?</em><br />
Na ótica de uma confortável quantidade de americanos responsáveis, com os quais me sinto tentado a concordar, prefiguram de facto uma forma de censura. O SOPA preconiza que todos os conteúdos publicados por toda a gente na web fiquem sujeitos ao crivo de um pequeno grupo de titulares de alguns direitos, que passa a deter o poder de mandar fechar publicações com base em suspeitas. Basicamente, <strong>presume culpados de pirataria os autores web, a quem caberá posteriormente provar inocência</strong>.</p>
<p>O pior é que esta nova moda legislativa tem eco em Portugal. Um projeto de lei em debate na Assembleia também <strong>presume os compradores de DVD, discos rígidos e telemóveis como culpados do crime de cópia ilegal no próprio momento da aquisição.</strong> E pior: neste caso não há direito à invocação posterior de inocência.</p>
<p><em>É certo, como dizem os críticos dos projetos de lei, que &#8220;altera a estrutura básica da WWW&#8221;?</em><br />
A primeira proposta tinha essa virtude. Os proponentes pretendem, de facto,  a rotura da Internet. Alegam que esta prejudica os seus impérios. O texto inicial propunha a intervenção censória ao nível do DNS &#8212; uma estrutura que funciona como uma lista telefónica dos endereços web, como pauloquerido.pt. Essa intervenção, dizem os especialistas, colocaria em risco a sanidade da WWW.</p>
<p>Mas essa proposta já caiu do projeto de lei [entretanto adiado]. Na dúvida, pode ter-se tratado apenas de uma peça do que conhecemos como &#8220;<strong>estratégia legislativa&#8221;: propor coisas excessivas em relação ao que se pretende</strong>, capazes até de provocar o debate público, tanto maior quanto for o seu potencial de indignar as pessoas, para depois as retirar, parecendo que se negociou &#8212; e fazem-se passar na íntegra as propostas que realmente interessam.</p>
<p><em>Como se protege os direitos de autor sem pôr em causa o livre acesso e o funcionamento de sítios com conteúdo gerado pelo utilizador, como a Wikipédia?</em><br />
Ora, se o conteúdo é gerado pelo utilizador, que direitos de autor são prejudicados?</p>
<p>A arrogância de alguns dos mais poderosos cartéis de detentores dos direitos que se confundem com os de autor não é um mistério. Nem o destaque que têm nos media. Segundo se faz crer, eles detêm os direitos até dos autores que não controlam nem representam. <strong>Não controlar os autores é intolerável para quem fez disso uma indústria. É intolerável que um vasto grupo de autores surja agora, usando as ferramentas informáticas e as redes, e coloque em causa um negócio bem delimitado</strong>.</p>
<p>Recentrando a discussão: até hoje nunca vingou a estratégia de tentar obter pela via judicial o que se não consegue no mercado concorrencial. Dois exemplos. A indústria musical passou os anos 1995-2005 a perseguir &#8220;os piratas&#8221; que nunca constituíram ameaça. Na realidade, quem lhes ficou com o negócio foram a Apple, a Netflix e mais meia dúzia de empresas das indústrias de tecnologia. Os editores e livreiros andaram &#8212; ainda andam&#8230; &#8212; a investir no &#8220;combate à pirataria&#8221; enquanto a Amazon calmamente lhes ficava com o negócio [ler a este propósito <a href="http://radar.oreilly.com/2012/01/sopa-pipa-piracy.html">SOPA and PIPA are bad industrial policy</a>, de Tim O'Reilly].</p>
<p>Isto para concluir que o combate à pirataria não é na realidade o objetivo das leis a que temos assistido até hoje, emanadas das indústrias moribundas. A fazer-se, esse combate será travado, e eventualmente ganho, pelas empresas emergentes.</p>
<p><em>Que consequências poderá [vir a] ter a aprovação destas leis [depois de refeitas]?</em><br />
Nos Estados Unidos há duas preocupações fundamentais: o desastre que representaria <strong>o fim da autonomia empreendedora das empresas que lideram a renovação da economia americana</strong>, que são as tecnológicas, e o marasmo intelectual e criativo que se seguiria, com o país subitamente mergulhado numa <strong>redoma em que só as vozes certificadas pela indústria dos direitos de autor teriam acesso à publicação</strong>. Tal como estão, é impensável que as leis passem. E já há alternativas sensatas e emanadas desse setor que é encarado, bem ou mal, como a salvação da economia americana.</p>
<p>Em terceiro lugar, a lei destruiria a Internet e as redes sociais como o Facebook. Isto antes de falarmos das consequências ao nível da liberdade de expressão e da colisão com a Constituição americana.</p>
<p><em>Afetarão o utilizador da Internet em Portugal?</em><br />
Esse é outro aspecto desta <strong>peculiar iniciativa legislativa americana: não beliscaria, sequer, os infratores mas teria o poder de prejudicar milhões de pessoas em todo o mundo</strong>, Portugal incluído. Já nem falo da falta de acesso a sites americanos como o Google e o Facebook. No texto inicial da lei ora proposta, bastaria um leitor de um jornal online apontar, nos comentários, um site que os &#8220;polícias&#8221; indigitados pela lei considerassem ser ilegal para o endereço desse jornal ser retirado das listas mundiais.</p>
<p><strong>Posfácio explicativo</strong><br />
A meio da semana o Pedro Cordeiro, do Expresso, colocou-me algumas questões sobre os projetos legislativos americanos SOPA e o PIPA &#8212; já adiados sine die pelos seus proponentes. As respostas foram dadas para um artigo a publicar este sábado. Uma fração delas, melhor dizendo, pois o espaço dos jornais é finito e o jornalista faz a escolha do que acha mais importante salientar.</p>
<p>Publico-as aqui para efeitos de arquivo pessoal.</p>
<p><span style="font-size:85%">(Crédito da imagem: <a href="http://www.flickr.com/photos/gerriet/555768644/" title="">Censorship por gerriet, no Flickr</a>)</span></p>
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		<title>#SOPA e #PIPA: pirataria não passa de um pretexto para travar a concorrência emergente</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Jan 2012 18:42:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Querido</dc:creator>
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		<category><![CDATA[PIPA]]></category>
		<category><![CDATA[pirataria]]></category>
		<category><![CDATA[SOPA]]></category>

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		<description><![CDATA[Não é a primeira vez que assistimos na web a um black-out contra projetos de lei (houve um na década de 90 por causa de uma lei sobre pornografia online), mas é a primeira vez que à cabeça do protesto &#8230; <a href="http://pauloquerido.pt/media/sopa-e-pipa-pirataria-nao-passa-de-um-pretexto-para-travar-a-concorrencia-emergente/">Ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não é a primeira vez que assistimos na web a um black-out contra projetos de lei (houve um na década de 90 por causa de uma lei sobre pornografia online), mas é a primeira vez que à cabeça do protesto estão empresas como a Google, sites como a Wikipedia, revistas como a Wired e ícones como Mark Zuckerberg. Isto para mencionar apenas quatro dos mais significativos entre os mais de 10.000 sites envolvidos no protesto de dia 18 de Janeiro de 2012, sendo esta grande dimensão outra novidade.</p>
<p>As leis em causa, o Stop Online Piracy Act e o Protect Intelectual Property Act, não perseguiriam quem nomeiam &#8212; a pirataria nem em sonhos seria afetada por elas &#8212; mas atingiriam com violência as indústrias que os americanos vêem como fundamentais para a economia agora e no futuro.</p>
<p>É um confronto &#8212; talvez o último &#8212; entre impérios moribundos, aos quais já só resta a força clientelar, e os emergentes que os vão substituir.</p>
<p>A pirataria é uma falsa questão, um pretexto.</p>
<p>Não foram os piratas que ficaram com os lucros que eram das cinco majors da música, mas a Apple.</p>
<p>E não foram os piratas quem lucrou com as hesitações das indústrias editoriais, mas sim a Amazon.</p>
<p><span style="font-size:85%">(Versão original, mais comprida, do <a href="http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&#038;id=532563" title="Google, Wikipedia e Zuckerberg contra SOPA ">artigo publicado no Jornal de Negócios</a>. Título modificado.)</span></p>
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		<title>Detalhes que definem o jornalismo e o que de melhor se faz nos jornais. De papel ou online</title>
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		<pubDate>Wed, 18 Jan 2012 16:55:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Querido</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<a href="http://pauloquerido.pt/media/detalhes-que-definem-o-jornalismo-e-o-que-de-melhor-se-faz-nos-jornais-de-papel-ou-online/"><img align="right" hspace="5" width="200" src="http://cloud.querido.pt/wordpress/ficheiros/2012/01/omelhorjornalismo.jpg" class="alignright wp-post-image tfe" alt="" title="omelhorjornalismo" /></a>Há detalhes que definem o jornalismo. E o separam de outras atividades informativas e comunicacionais. Detalhes que mostram o que de melhor e de mais criativo se faz nas Redações que produzem jornais e revistas &#8212; tanto de papel como &#8230; <a href="http://pauloquerido.pt/media/detalhes-que-definem-o-jornalismo-e-o-que-de-melhor-se-faz-nos-jornais-de-papel-ou-online/">Ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://cloud.querido.pt/wordpress/ficheiros/2012/01/omelhorjornalismo.jpg" alt="" title="omelhorjornalismo" width="600" height="389" class="aligncenter size-full wp-image-6239" /></p>
<p>Há detalhes que definem o jornalismo. E o separam de outras atividades informativas e comunicacionais. Detalhes que mostram o que de melhor e de mais criativo se faz nas Redações que produzem jornais e revistas &#8212; tanto de papel como online.</p>
<p>Reparem, gozem, estes dois detalhes. A capa do jornal francês <a href="http://journal.liberation.fr/publication/liberation/823/#!/0_0">Libération publicada no último dia 14</a>, dia seguinte à perda de um &#8220;A&#8221; pela França, segundo uma agência de notação financeira. E a homepage da revista <a href="http://www.wired.com">Wired ao longo deste dia 18 de Janeiro de 2012</a>, marcado pela manifestação coletiva na web contra a censura que representa uma lei em aprovação no Senado americano (a SOPA).</p>
<p>São detalhes como estes que me alimentam o orgulho no jornalismo e me fazem continuar nisto &#8212; mesmo em tempos em que a profissão, e o seu exercício, são tão pressionados por baixo, pelos lados e sobretudo por cima.</p>
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		<title>Jornalistas no desemprego: do excesso de mão de obra ao perigo dos independentes à solta</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Jan 2012 22:45:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Querido</dc:creator>
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		<category><![CDATA[desemprego]]></category>
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		<description><![CDATA[A resposta das empresas e grupos de media às dificuldades tem sido reduzir quadros. As reduções em norma obedecem a um critério simples: despedem-se os mais antigos, porque estarão mais perto da reforma, são mais bem pagos e não apresentam &#8230; <a href="http://pauloquerido.pt/media/jornalistas-no-desemprego-do-excesso-de-mao-de-obra-ao-perigo-dos-independentes-a-solta/">Ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A resposta das empresas e grupos de media às dificuldades tem sido reduzir quadros. As reduções em norma obedecem a um critério simples: despedem-se os mais antigos, porque estarão mais perto da reforma, são mais bem pagos e não apresentam já a genica tida por indispensável ao &#8220;aumento de produtividade&#8221; &#8212; um cálculo quantitativo cuja aplicabilidade pode ser discutida, mas noutro contexto.</p>
<p>O motivo dos despedimentos é este: não há dinheiro.</p>
<p>Não há dinheiro por causa do desaparecimento cada vez menos lento do papel e da diminuição do investimento publicitário.</p>
<p>E não há dinheiro mercê da inadaptação do modelo de negócio tradicional à Internet, onde a indústria da publicidade goza de muito maior poder fiscalizador sobre o retorno do investimento, pelo que não paga mais o tipo de somas a que não podia fugir nos meios sobre os quais o controlo é deficiente.</p>
<p>Mas a resposta &#8220;não há dinheiro&#8221; apresenta perigos. Entre outros, descapitaliza as Redações. Desguarnece-as de inteligência, experiência e cultura mediática. Tenho vindo a defender que numa altura de incerteza as empresas de media precisam de gente com grande experiência, gente que já passou baixos e altos, gente que sabe pensar &#8212; e tem maior disponibilidade para pensar.</p>
<p>Poderemos relacionar essa descapitalização com o aumento das queixas sobre a falta de qualidade do jornalismo?</p>
<p>Quando vão as empresas questionar-se sobre os resultados negativos das migrações do papel para a web, como o aumento da quantidade de lixo redundante, o nivelamento por baixo do preço da publicidade nas suas páginas, os danos para a imagem e o insatisfatório cumprimento da necessidade de separar e filtrar a informação?</p>
<p>A sua resposta tem outras consequências. Uma delas tornou-se particularmente visível nos últimos tempos mercê de um grupo do Facebook que inclui jornalistas e pessoas interessadas no jornalismo. O grupo foi o primeiro, entre as tentativas que despontaram nos diversos formatos online desde o tempo dos newsgroups, que vi adquirir massa crítica suficiente para se manter e renovar sem cair no marasmo a que círculos pequenos sempre conduzem.</p>
<p>A consequência para que chamo a atenção é esta: temos hoje fora das Redações uma quantidade impressionante de bons jornalistas, ex-editores de grande valia, repórteres de comprovada mestria. Se ainda não se passou o ponto em que há mais grandes jornalistas no desemprego do que em funções, estaremos a caminhar muito rapidamente para esse marco.</p>
<p>&#8220;<strong><em>Que poder não poderão ter umas boas centenas de jornalistas verdadeiramente livres e independentes, em todo o país, se souberem ser solidários e agir através da perigosíssima arma que manejam melhor do que ninguém – a Informação livre?</em></strong>&#8221; &#8211; pergunta Carlos Robalo numa nota publicada na sua página do Facebook, nota essa que vale bem a pena ler na íntegra: <a href="https://www.facebook.com/notes/carlos-robalo/jornalistas-libertados-o-perigo-da-verdade-%C3%A0-solta/219140684836532">JORNALISTAS LIBERTADOS &#8211; O perigo da verdade à solta</a>.</p>
<p>Matéria para reflexão &#8212; já que ação não é de esperar.</p>
<p>(Nota: sei que esta não é a única profissão a passar pelo problema do excesso de trabalhadores qualificados, longe disso. Mas sendo a minha, é dela que falo.)</p>
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		<title>Impala fecha revista Focus. Que jornal se seguirá? Quantos jornalistas foram já despedidos?</title>
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		<pubDate>Thu, 12 Jan 2012 18:55:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Querido</dc:creator>
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		<category><![CDATA[desemprego]]></category>
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		<category><![CDATA[paper cuts]]></category>

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		<description><![CDATA[<a href="http://pauloquerido.pt/media/impala-fecha-revista-focus-que-jornal-se-seguira-quantos-jornalistas-foram-ja-despedidos/"><img align="right" hspace="5" width="200" src="http://cloud.querido.pt/wordpress/ficheiros/2012/01/revistafocus.jpg" class="alignright wp-post-image tfe" alt="" title="revistafocus" /></a>ATUALIZAÇÃO: O Alex Gamela fez o mapa. Pelo que passa a estar aqui em destaque. Boa, Alex! Para os registos: o ano de 2012 começa com o desaparecimento anunciado de uma revista. A Impala disse hoje aos trabalhadores que vai &#8230; <a href="http://pauloquerido.pt/media/impala-fecha-revista-focus-que-jornal-se-seguira-quantos-jornalistas-foram-ja-despedidos/">Ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>ATUALIZAÇÃO: O <a href="http://alexgamela.com/">Alex Gamela</a> fez o mapa. Pelo que passa a estar aqui em destaque. Boa, Alex!</p>
<p><iframe width="500px" height="300px" scrolling="no"  src="http://www.google.com/fusiontables/embedviz?viz=MAP&#038;q=select+col2+from+2633844+&#038;h=false&#038;lat=38.985496784898935&#038;lng=-10.616714843750056&#038;z=7&#038;t=1&#038;l=col2"></iframe></p>
<p><img src="http://cloud.querido.pt/wordpress/ficheiros/2012/01/revistafocus.jpg" alt="" title="revistafocus" width="250" height="311" class="alignright size-full wp-image-6210" />Para os registos: o ano de 2012 começa com o desaparecimento anunciado de uma revista. A Impala disse hoje aos trabalhadores que vai fechar a Focus (<a href="http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&#038;id=531265">notícia no Jornal de Negócios</a>).</p>
<p>Tanto num almoço como num encontro numa redação de Lisboa, com pessoas diferentes, disse hoje &#8212; antes deste anúncio &#8212; que esperava pelo fecho de algumas publicações em papel este ano. Penso que um dos diários nacionais, ou com pretensão ao estatuto, não chegará ao fim do ano. E uma das publicações semanais também. Bem, essa já está, infelizmente não tive de esperar muito para ver a previsão confirmada.</p>
<p>Como quase sempre acontece, o que sucede à imprensa americana acaba por acontecer na Europa. A vaga de desemprego nos jornalistas (e profissões associadas aos jornais e televisões) acompanha a falta de receitas e o fim do papel. Na Europa apenas com um pequeno atraso.</p>
<p>Em Espanha o desemprego dos jornalistas já tem medida. &#8220;<em>El Observatorio de la Asociación de la Prensa de Madrid (APM) para el seguimiento de la crisis lleva contabilizados 2.918 afectados en el sector periodístico madrileño desde mediados de 2008 hasta finales de 2011. En concreto, 2.663 despidos, 107 prejubilaciones y 148 reubicaciones en otros puestos. En la segunda mitad de 2011, se han eliminado 212 empleos periodísticos en Madrid. Y las expectativas para el primer trimestre de 2012 son muy negativas: tan solo entre las divisiones de radio y de televisión del Grupo Prisa se perderán cerca de 1.000 puestos de trabajo más.</em>&#8221; (<a href="http://www.apmadrid.es/noticias/generales/cerca-de-3000-afectados-por-la-crisis-del-sector-periodistico-en-madrid-segun-el-observatorio-de-la-apm?Itemid=209">notícia na Asociación de la Prensa de Madrid</a> com mais elementos).</p>
<p>Está na altura de em Portugal se fazer a contabilidade. Nos últimos 3 anos foram despedidos centenas de trabalhadores e fecharam algumas publicações. Talvez o Sindicato dos Jornalistas, em jeito de folga das lições doutrinárias e dos repúdios, pudesse aqui comprovar a sua utilidade? A menos que eu não tenha visto bem, a última informação numérica sobre desemprego publicada pelo Sindicato, acessível num recôndito PDF com a &#8220;informação sindical de 2011&#8243; publicado há um ano, reporta ao ano de 2010, com 209 dependentes (28 dos quais da Impala) da Caixa dos Jornalistas e 28 despedidos por empresas que despediram pelo menos 5 jornalistas.</p>
<p>Ou, na ausência de um serviço de informação decente sobre este tema quente, escaldante, a ferver, super-interessante, os históricos proponentes da Ordem dos Jornalistas podiam aproveitar para mostrar o que pode uma Ordem dar à classe que o Sindicato não dê e fazer o <em>tracking</em> do desemprego no setor. Nos EUA uma jornalista consegue fazer um bom <em>tracking</em>, talvez o exemplo estimule algum camarada: <a href="http://newspaperlayoffs.com/">Paper Cuts</a>.</p>
<p><img src="http://cloud.querido.pt/wordpress/ficheiros/2012/01/papercuts.jpg" alt="" title="papercuts" width="550" height="348" class="aligncenter size-full wp-image-6211" /></p>
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		<title>O suicídio do jornal diário</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Jan 2012 09:30:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Querido</dc:creator>
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		<category><![CDATA[jornais diários]]></category>
		<category><![CDATA[jornalismo]]></category>

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		<description><![CDATA[David Jiménez, correspondente do El Mundo na Ásia, tem um artigo excelente no seu blog pessoal. Intitulado El suicídio del periódico, lista alguns dos erros crassos em que os jornalistas continuam a laborar. É um artigo a dar nas escolas &#8230; <a href="http://pauloquerido.pt/media/o-suicidio-do-jornal-diario/">Ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>David Jiménez, correspondente do El Mundo na Ásia, tem um artigo excelente no seu blog pessoal. Intitulado <a href="http://davidjimenezblog.com/2012/01/04/el-suicidio-del-periodico/">El suicídio del periódico</a>, lista alguns dos erros crassos em que os jornalistas continuam a laborar. É um artigo a dar nas escolas de jornalismo. Por favor.</p>
<p>Mas não só. Alguns editores teriam imenso a ganhar lendo e refletindo. A lógica que preside às escolhas dos destaques é sobretudo uma lógica concorrencial e circular &#8212; uma armadilha em que se cai facilmente por causa da rotina. Tais escolhas parecem lógicas à primeira vista, mas não o são mal aprofundamos. Jiménez dá exemplos.</p>
<p>Alguns excertos:</p>
<blockquote><p><strong>Dejar de dar las noticias de ayer.</strong></p></blockquote>
<blockquote><p>La culpa es de la crisis. De los anunciantes. De internet. Del lector, que se resiste a pagar. La culpa es de cualquiera menos nuestra o del producto que hacemos. Si un restaurante deja de tener clientes, se entiende que la comida o el servicio han dejado de ser buenos. Si los periódicos perdemos lectores, el problema es que nuestros clientes son unos tacaños. ¿Es posible que no les estemos dando un producto por el que crean que merece la pena rascarse el bolsillo? ¿Que mientras nos dedicábamos a analizar, valorar y criticar el trabajo de los demás (políticos, deportistas, actores…), descuidáramos hacer lo mismo con quienes teníamos más cerca, nosotros mismos?</p></blockquote>
<blockquote><p>Un corresponsal, en Pinto o Kabul, sabe que es probable que la noticia del día ocupe la portada a la mañana siguiente, aunque haya sido repetida mil veces por las agencias y recogida por la web de su medio. Si por el contrario envía un reportaje intemporal y no atado a la actualidad, no importa lo bueno o exclusivo que sea, sus posibilidades de ser destacado se reducen. A cero, si los mismos políticos de siempre se dijeron algo más zafio que de costumbre el día anterior.</p></blockquote>
<blockquote><p>El resultado lo pueden comprobar tomándose un café frente a un quiosco. Es difícil ver a un menor de 45 acercarse siquiera. Los periódicos han sido arrinconados por los productos promocionales que los acompañan.</p></blockquote>
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		<title>Aos 80 anos, Umberto Eco ainda constrói pilares como este: &#8220;conhecer é filtrar&#8221;</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Jan 2012 16:20:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Querido</dc:creator>
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		<category><![CDATA[internet]]></category>
		<category><![CDATA[jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Umberto Eco]]></category>

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		<description><![CDATA[<a href="http://pauloquerido.pt/media/aos-80-anos-umberto-eco-ainda-constroi-pilares-como-este-conhecer-e-filtrar/"><img align="right" hspace="5" width="200" src="http://cloud.querido.pt/wordpress/ficheiros/2012/01/eco.jpg" class="alignright wp-post-image tfe" alt="" title="eco" /></a>A revista Época entrevistou Umberto Eco em Milão. Notável, o estado do cérebro do escritor. Quem me dera chegar aos 80 anos naquela forma. Farei por isso! Um excerto a que acho particular interesse: ÉPOCA &#8211; Mas o conhecimento está &#8230; <a href="http://pauloquerido.pt/media/aos-80-anos-umberto-eco-ainda-constroi-pilares-como-este-conhecer-e-filtrar/">Ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A revista <a href="http://revistaepoca.globo.com/ideias/noticia/2011/12/umberto-eco-o-excesso-de-informacao-provoca-amnesia.html">Época entrevistou Umberto Eco</a> em Milão. Notável, o estado do cérebro do escritor. Quem me dera chegar aos 80 anos naquela forma. Farei por isso! Um excerto a que acho particular interesse: <img src="http://cloud.querido.pt/wordpress/ficheiros/2012/01/eco.jpg" alt="" title="eco" width="300" height="278" class="alignright size-full wp-image-6181" align="right" /></p>
<blockquote><p>ÉPOCA &#8211; Mas o conhecimento está se tornando cada vez mais acessível via computadores e internet. O senhor não acha que o acesso a bancos de dados de universidades e instituições confiáveis estão alterando nossa noção de cultura?<br />
Eco &#8211; Sim, é verdade. Se você sabe quais os sites e bancos de dados são confiáveis, você tem acesso ao conhecimento. Mas veja bem: você e eu somos ricos de conhecimento. Podemos aproveitar melhor a internet do que aquele pobre senhor que está comprando salame na feira aí em frente. Nesse sentido, a televisão era útil para o ignorante, porque selecionava a informação de que ele poderia precisar, ainda que informação idiota. A internet é perigosa para o ignorante porque não filtra nada para ele. Ela só é boa para quem já conhece – e sabe onde está o conhecimento. A longo prazo, o resultado pedagógico será dramático. Veremos multidões de ignorantes usando a internet para as mais variadas bobagens: jogos, bate-papos e busca de notícias irrelevantes.<br />
ÉPOCA &#8211; Há uma solução para o problema do excesso de informação?<br />
Eco &#8211; Seria preciso criar uma teoria da filtragem. Uma disciplina prática, baseada na experimentação cotidiana com a internet. Fica aí uma sugestão para as universidades: elaborar uma teoria e uma ferramenta de filtragem que funcionem para o bem do conhecimento. Conhecer é filtrar. </p></blockquote>
<p>Ler original: <a href="http://revistaepoca.globo.com/ideias/noticia/2011/12/umberto-eco-o-excesso-de-informacao-provoca-amnesia.html">Umberto Eco: &#8220;O excesso de informação provoca amnésia&#8221;</a></p>
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		<title>Ponto de viragem digital: social media, trabalho, jornais, privacidade e democracia</title>
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		<pubDate>Sun, 18 Dec 2011 10:35:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Querido</dc:creator>
				<category><![CDATA[media]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>
		<category><![CDATA[tecnologia]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;A decade of studies by the USC Annenberg Center for the Digital Future creates a portrait of the American user of the Internet reaping the benefits of online activity, while at the same time paying a tremendous price in the &#8230; <a href="http://pauloquerido.pt/politica/ponto-de-viragem-digital-social-media-trabalho-jornais-privacidade-e-democracia/">Ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;A decade of studies by the USC Annenberg Center for the Digital Future creates a portrait of the American user of the Internet reaping the benefits of online activity, while at the same time paying a tremendous price in the form of time, privacy, and well-being&#8221; (citação de <a href="http://annenberg.usc.edu/News%20and%20Events/News/111214CDF.aspx">USC Annenberg | Is America at a digital turning point?</a>).</p>
<p>O artigo identifica nove pontos-chave. A maioria aplica-se não apenas aos EUA, mas também na Europa e no resto do mundo com alto nível de penetração da Internet e das tecnologias de informação. Destaco estes seis:</p>
<ul>
<li>&#8220;Explosão&#8221; do uso de social media &#8212; mas a maioria do conteúdo não é credível.</li>
<li>O PC de secretária morreu; viva o tablet.</li>
<li>O trabalho é cada vez mais uma experiência 24/7.</li>
<li>A maioria dos jornais terá desaparecido dentro de cinco anos.</li>
<li>A nossa privacidade perdeu-se.</li>
<li>O papel da Internet no processo político é uma questão em aberto.</li>
</ul>
<p><span style="font-size:90%">(em <a href="http://pauloquerido.com/bits/the-digital-turning-point/">cross-post</a>)</p>
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		<title>Estamos perante o desprestígio e decadentismo do jornalismo?</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Dec 2011 09:05:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Querido</dc:creator>
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		<category><![CDATA[jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[salário]]></category>

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		<description><![CDATA[<a href="http://pauloquerido.pt/media/estamos-perante-o-desprestigio-e-decadentismo-do-jornalismo/"><img align="right" hspace="5" width="200" src="http://cloud.querido.pt/wordpress/ficheiros/2011/12/decadencia.jpg" class="alignright wp-post-image tfe" alt="" title="decadencia" /></a>A decadência da atividade jornalística é uma das questões da atualidade e está sintetizada numa pergunta de Catarina Caldeira Baguinho, que puxei para título: Estamos perante o desprestígio e decadentismo do jornalismo? (Imagem: pormenor da capa de Superheroes decadence, de &#8230; <a href="http://pauloquerido.pt/media/estamos-perante-o-desprestigio-e-decadentismo-do-jornalismo/">Ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A decadência da atividade jornalística é uma das questões da atualidade e está sintetizada numa pergunta de Catarina Caldeira Baguinho, que puxei para título: <strong>Estamos perante o desprestígio e decadentismo do jornalismo?</strong></p>
<p><img src="http://cloud.querido.pt/wordpress/ficheiros/2011/12/decadencia.jpg" alt="" title="decadencia" width="550" height="441" class="alignright size-full wp-image-6140" /><br />
(<span style="font-size:85%">Imagem: pormenor da capa de <a href="http://www.fumetto-online.it/it/ricerca_editore.php?EDITORE=COMMA%2022&#038;COLLANA=SUPERHEROES%20DECADENCE">Superheroes decadence</a>, de <a href="http://donaldsoffritti.blogspot.com/">Donald Soffritti</a></span>)</p>
<p>A pergunta não fica sem uma resposta. Faz parte de um conjunto de questões que a jornalista me colocou para uma peça na Briefing a propósito da paga miserável com que algumas entidades estão a desconsiderar os jornalistas profissionais. A peça foi publicada com o título <a href="http://briefing.pt/media/14452-800-caracteres-por-075-nao-obrigada.html">800 caracteres por 0,75€? Não, obrigada!</a>. Dada a pertinência do assunto, reproduzo abaixo o nosso diálogo.</p>
<p><em>P: Este é um outro exemplo da força que as redes sociais, neste caso o Twitter, têm. Será que as mesmas podem vir a ser fulcrais para fazer denúncias?</em></p>
<p>R: Têm esse poder. O que não quer dizer, longe disso, que sejam redes propícias à denúncia. Há casos que se tornam virais. Mas por cada caso que ganha consistência reticular, até ao ponto de sair da rede, há um número imenso de casos semelhantes que não chegam a esse ponto de tração.</p>
<p>Os mecanismos de apuramento e seleção são completamente diferentes mas o resultado é o mesmo; como os órgãos de comunicação social, as redes são lentes que detetam, isolam e promovem certas histórias à condição de notícias, entre um leque imenso delas. Passa-se que os mecanismos reticulares estão muito menos estudados.</p>
<p><em>P: Em Portugal, também são vários os sites onde podemos encontrar ofertas de &#8220;trabalho&#8221; semelhantes. Acha que, através deste exemplo, pode vir a acontecer o mesmo no nosso país, bastando apenas dar-se o &#8220;grito do Ipiranga&#8221;? Porque é que ainda não foi feito?</em></p>
<p>R: Já houve diversas denúncias no mesmo canal, o Twitter, de casos semelhantes em Portugal. Nomeadamente, &#8220;ofertas&#8221; de trabalho com promessas falsas, colocação em estágios não-remunerados que se eternizam ou são de elevada rotatividade, etc. Alguns ecoaram um pouco dentro da rede, mas nenhum foi isolado e promovido por ela ou fora dela. É pena, mas é assim.</p>
<p>Porque não aconteceu? Não é fácil um assunto ganhar tração num ambiente reticular e sabe-se ainda pouco sobre isso. Além do promotor inicial há que ver a qualidade das suas primeira e segunda redes. O momento em que a denúncia é feita tem também muita importância &#8212; a hora do dia e o dia da semana têm importância, mas acima destes itens estão as duas disponibilidades da rede: a da atenção e a da ação. Sem um bom índice de ambas, nenhum assunto ganha visibilidade.</p>
<p><em>P: Acha que este tipo de ofertas põe em causa o prestigio da profissão de jornalista?</em></p>
<p>Acho que já pôs. Mas enquanto ameaça ao prestígio da profissão, considero secundário o desprestígio pelo salário. Há outras circunstâncias de maior impacto, a começar pelo tipo e qualidade de jornalismo que se está a tornar padrão.</p>
<p><em>P: Acha que a facilidade que hoje em dia se tem em publicar algo online é a principal causa por o jornalismo se encontrar na situação em que actualmente está, isto é, os jornalistas, sobretudo os freelancers, não vêem os seus trabalhos ser devidamente pagos?</em></p>
<p>Não creio. É minha convicção que a dificuldade de colocação pelos free-lancers resulta de dois fatores principais. O primeiro: o cada vez maior aperto dos orçamentos disponíveis para os editores comprarem materiais. O aligeiramento de alguns jornais, inclusivé de marcas justamente tidas como de referência, é mais consequência que causa desse aperto.</p>
<p>O segundo fator é a quebra de barreiras: o negócio do jornalismo foi essencialmente um negócio de embrulho e transporte. A multiplicação de canais de rádio e televisão, por um lado, e desde há alguns anos a distribuição instantânea e mundial da informação desembrulhada (e em muitos casos desintermediada), provocaram uma mutação profunda, estrutural, na economia do jornalismo.</p>
<p>Os jornalistas estão apanhados no intervalo. Foram formatados para uma economia que não tem futuro e ainda não se &#8220;desformataram&#8221; para se prepararem para a nova realidade. A facilidade de publicação é um aliado do jornalista &#8212; assim ele a compreenda, aceite e abrace.</p>
<p><em>P: Como se podem contornar estes tipos de ofertas?</em></p>
<p>Recusando-as e procurando ofertas melhores. Há ofertas melhores, mesmo na zona dos conteúdos &#8220;ao quilo&#8221;, para encher sites e pendurar anúncios contextuais. Entre os três dólares por artigo e os 25 dólares, abundam as propostas de conteúdos de baixo teor noticioso; a faixa dos 10-15 dólares tem muita saída. Refiro-me a proposta honestas, que tratam o profissional com a cortesia adequada, não à desonestidade vexatória que se vê nalguns sítios de oferta de estágios.</p>
<p>Mais vale a um jornalista com dificuldades recorrer a trabalho deste tipo, de baixo valor mas que lhe deixa tempo e espaço pessoal para se valorizar, do que sujeitar-se às cargas de trabalho brutais e sem futuro que representam muitas vezes os estágios.</p>
<p>Há, também, que procurar ter a iniciativa. Há mais oportunidades de construção de novas publicações, há mais necessidade das aptidões jornalísticas, do que empresas de media para as aproveitar.</p>
<p><em>P: Estamos perante o desprestígio e decadentismo do jornalismo?</em></p>
<p>Diria que estamos a viver uma mudança que é estrutural tanto no lado económico da atividade como no próprio produto jornalístico &#8212; que função cumpre, o que dele esperam os outros seres (humanos e digitais) que compartilham o ecosistema informativo. Não creio que o facto de algumas marcas de jornalismo optarem por processos autofágicos e outras pelo suicídio por asfixia lenta nos deixe livres para concluir que esses são desígnios de toda a indústria do jornalismo e das profissões associadas.</p>
<p>O jornalismo é um ecosistema informativo e de entretenimento que se tem vindo a tornar cada vez mais complexo. Assistiremos, sim, à divisão. Algumas marcas vão assumir como totalmente comerciais as suas operações, usando os poderes de construir e destruir à luz de éticas  muito remotamente parentes dos atuais códigos deontológicos &#8212; há um público para esse tipo de produtos que ainda hoje classificamos de jornalísticos porque habitam o ecosistema onde os vários produtos de informação convivem. Naturalmente, usarão durante o todo o tempo que puderem a etiqueta e o legado histórico, maximizando o rendimento da reputação adquirida.</p>
<p>Mas outras marcas saberão adaptar-se e descobrir as novas linhas mestras do jornalismo. E já estão a nascer novas marcas. Algumas transportam a herança dos blogues, um género híbrido, situável entre a descrição dos factos e a emissão de opinião, que tira excelente partido das tecnologias céleres e baratas de publicação e distribuição de conteúdo desembrulhado. Outras radicalmente novas &#8212; incluindo processos de financiamento de reportagens e outros  trabalhos que os jornalistas podem propor.</p>
<p>Dispenso-me de enunciar exemplos &#8212; ainda estou no ativo.</p>
<p>Sintetizando: assistimos a um processo de divisão do que até aqui eram tidas como entidades jornalísticas, e de especialização em géneros e públicos.</p>
<p>Penso ser relativamente seguro especular que um mundo com doses gigantescas de informação necessitará de um mais elevado número de jornalistas do que o mundo anterior. O desprestígio e a decadência farão parte da transição, representando os que não quiserem, não forem capazes ou muito racionalmente preferirem negócios mais tranquilos à aventura do futuro.</p>
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		<title>Com Sócrates oficializou-se o PEO. As nossas Redações estão muito à frente</title>
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		<pubDate>Thu, 08 Dec 2011 21:45:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Querido</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Inaugurou-se uma nova prática nas Redações Portuguesas: o PEO, Popular Engine Optimization. Consiste em fazer um título usando uma frase deturpada sabendo que vai gerar tração popular nas redes sociais, que comentam não o que lêem/vêem, mas os títulos e &#8230; <a href="http://pauloquerido.pt/media/com-socrates-oficializou-se-o-peo-as-nossas-redacoes-estao-muito-a-frente/">Ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Inaugurou-se uma nova prática nas Redações Portuguesas: o PEO, Popular Engine Optimization. Consiste em fazer um título usando uma frase deturpada sabendo que vai gerar tração popular nas redes sociais, que comentam não o que lêem/vêem, mas os títulos e sínteses. Além de gerar um fluxo de pageviews, possibilita uma irrupção de notoriedade que se espalha até pelos concorrentes, que não podem deixar de aproveitar a onda.</p>
<p>A consequência é não menos interessante: os eventuais visados vêm repetir o que disseram, dessa vez palavra por palavra, soletrando devagar &#8212; e todos ficam a ganhar. </p>
<p>Vendo pela positiva, isto alimenta a indústria: vão ser precisos cursos para os políticos e intervenientes na causa pública, para proferirem frases anódinas que não possam ser extirpadas. Ou usarem eles próprios o PEO.</p>
<p>Adenda: não esquecer o notável trabalho de Paulo Portas enquanto pioneiro do PEO nos tempos, nada saudosos, em que os portugueses ainda não se tinham proporcionado via eleições o autêntico serviço público de o afastarem dos telejornais.</p>
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