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	<title>Certamente! &#187; política</title>
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	<description>Paulo Querido escreve.</description>
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		<title>A indústria da pobreza</title>
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		<pubDate>Wed, 09 May 2012 09:00:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Querido</dc:creator>
				<category><![CDATA[política]]></category>
		<category><![CDATA[desemprego]]></category>
		<category><![CDATA[pobreza]]></category>

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		<description><![CDATA[<a href="http://pauloquerido.pt/politica/pobreza-mentiras-e-desilusoes-uma-historia-com-final-infeliz/"><img align="right" hspace="5" width="200" src="http://farm4.staticflickr.com/3629/3560442366_1e00a6c602.jpg" class="alignright wp-post-image tfe" alt="Freedom? When I am up to my neck in debt?" title="" /></a>Ao Tiago os pais, irmãos, vizinhos, padres, políticos, opinion-makers e estrelas de televisão disseram: tiras o curso, arranjas um emprego e sais da pobreza. O Tiago assim fez. Obteve a licenciatura e arranjou um emprego. Comprou uma casa e comprou &#8230; <a href="http://pauloquerido.pt/politica/pobreza-mentiras-e-desilusoes-uma-historia-com-final-infeliz/">Ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ao Tiago os pais, irmãos, vizinhos, padres, políticos, opinion-makers e estrelas de televisão disseram: tiras o curso, arranjas um emprego e sais da pobreza.</p>
<p>O Tiago assim fez. Obteve a licenciatura e arranjou um emprego. Comprou uma casa e comprou um carro para ir da casa para o trabalho.</p>
<p>Passaram alguns anos e o Tiago decide voltar à Universidade para tirar o mestrado e arranjar um emprego melhor. Após o que casou e comprou uma casa maior e um carro maior para levar o casal de filhos.</p>
<p>Foi então que descobriu que estava mais pobre do que antes, afundado num mar de dívidas aos bancos. Um banco era dono do seu título universitário. O outro possuía a sua casa. E um terceiro, a carrinha.</p>
<p>Desiludido e desorientado, começou a beber, a ir à igreja e a votar no CDS: pobre por pobre, tornou-se num pobre às direitas e até já vai, honrado, ao banco alimentar. Só lhe falta perder o emprego &#8212; mas não falta muito.</p>
<p><a href="http://www.flickr.com/photos/criminalintent/3560442366/" title="Freedom? When I am up to my neck in debt? por Lars Plougmann, no Flickr"><img src="http://farm4.staticflickr.com/3629/3560442366_1e00a6c602.jpg" width="500" height="320" alt="Freedom? When I am up to my neck in debt?"></a><br />
<span style="font-size:90%"><strong>Liberdade? Quando estou enterrado até ao pescoço em dívidas?</strong></span></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Psst, o portal do Governo está em baixo, a responsabilidade é confidencial, não divulguem!</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Apr 2012 15:02:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Querido</dc:creator>
				<category><![CDATA[política]]></category>
		<category><![CDATA[governo]]></category>
		<category><![CDATA[Passos Coelho]]></category>
		<category><![CDATA[Paulo Portas]]></category>
		<category><![CDATA[transparência]]></category>

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		<description><![CDATA[<a href="http://pauloquerido.pt/politica/psst-o-portal-do-governo-esta-em-baixo-a-responsabilidade-e-confidencial-nao-divulguem/"><img align="right" hspace="5" width="200" src="http://pauloquerido.pt/wordpress/ficheiros/2012/04/govptwhois.jpg" class="alignright wp-post-image tfe" alt="" title="govptwhois" /></a>Pode uma informação pública ser um dado confidencial? Sim. Com o governo da coligação PSD/CDS eleito há menos de um ano, tudo se tornou possível no reino do atropelo das regras e leis. Pelo vistos, NADA do que era público &#8230; <a href="http://pauloquerido.pt/politica/psst-o-portal-do-governo-esta-em-baixo-a-responsabilidade-e-confidencial-nao-divulguem/">Ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pode uma informação pública ser um dado confidencial?</p>
<p>Sim. Com o governo da coligação PSD/CDS eleito há menos de um ano, tudo se tornou possível no reino do atropelo das regras e leis. Pelo vistos, NADA do que era público restará nessa condição por muito mais tempo.</p>
<p><img src="http://pauloquerido.pt/wordpress/ficheiros/2012/04/govptwhois.jpg" alt="" title="govptwhois" width="500" height="476" class="aligncenter size-full wp-image-6363" /></p>
<p>O portal do Governo está em baixo desde domingo até este instante em que escrevo, as 15:55 de quarta-feira.</p>
<p>Uma fonte de total confiança indicou-me que também os e-mails oficiais estão inacessíveis.</p>
<p>Uma investigação preliminar encontra logo uma barreira: a informação sobre a responsabilidade do portal é confidencial.</p>
<p>Leu bem: A INFORMAÇÃO SOBRE A RESPONSABILIDADE DO PORTAL DO GOVERNO PORTUGUÊS NA INTERNET É CONFIDENCIAL.</p>
<p>Deixe lá isso de se tratar de um portal com informação pública por natureza.</p>
<p>Um dos GRANDES cavalos de batalha da campanha eleitoral que levou os eleitores portugueses a eleger esta maioria fora a promessa de TRANSPARÊNCIA.</p>
<p>É, de facto, uma notável noção de transparência, esta. Novilíngua, ou inovação? Tanto faz: alvíssaras para o governo de Passos/Portas!</p>
<p>Vias seguintes para a investigação: ligar para os assessores de Imprensa do governo. Claro. No fim algum jornalista acabará a fornecer a versão de Miguel Relvas e ganha o Governo.</p>
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		<title>Passos confirmou o que todos &#8211; jornais, comentaristas, ministros, deputados &#8212; dizem: Sócrates governa</title>
		<link>http://pauloquerido.pt/politica/passos-confirmou-o-que-todos-jornais-comentaristas-ministros-deputados-dizem-socrates-governa/</link>
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		<pubDate>Wed, 28 Mar 2012 22:01:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Querido</dc:creator>
				<category><![CDATA[política]]></category>
		<category><![CDATA[Passos Coelho]]></category>
		<category><![CDATA[PSD]]></category>

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		<description><![CDATA[Segui com inusitado interesse a entrevista de Passos Coelho na TVI. Foi muito informativa: ele confirmou, muito assertivo para que não restem dúvidas, o que a maioria dos deputados da sua maioria, uma parte dos ministros da coligação que dirige, &#8230; <a href="http://pauloquerido.pt/politica/passos-confirmou-o-que-todos-jornais-comentaristas-ministros-deputados-dizem-socrates-governa/">Ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Segui com inusitado interesse a entrevista de Passos Coelho na TVI. Foi muito informativa: ele confirmou, muito assertivo para que não restem dúvidas, o que a maioria dos deputados da sua maioria, uma parte dos ministros da coligação que dirige, as notícias nos jornais e a grande parte dos comentaristas nos vem repetindo numa base diária ao longo dos últimos 9 meses. <strong>Ou seja, nove meses depois da eleição da maioria PSD/CDS, quem continua a governar o país é o primeiro-ministro José Sócrates</strong>.</p>
<p>É isto.</p>
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		<title>Balanço do dia da segunda greve geral de 2012: desta vez não cairá o governo</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Mar 2012 22:29:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Querido</dc:creator>
				<category><![CDATA[política]]></category>
		<category><![CDATA[buzinão]]></category>
		<category><![CDATA[Cavaco Silva]]></category>
		<category><![CDATA[governo]]></category>
		<category><![CDATA[Greve geral]]></category>
		<category><![CDATA[PSD]]></category>

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		<description><![CDATA[<a href="http://pauloquerido.pt/politica/balanco-do-dia-da-segunda-greve-geral-de-2012-desta-vez-nao-caira-o-governo/"><img align="right" hspace="5" width="200" src="http://pauloquerido.pt/wordpress/ficheiros/2012/03/10628031_ETu9V.jpeg" class="alignright wp-post-image tfe" alt="" title="10628031_ETu9V" /></a>Não há comparação possível com o buzinão da ponte. Não por causa das diferenças &#8220;neles&#8221;: Cavaco continua a mandar, o PSD é desgoverno, a polícia tem ordem para bater nos manifestantes, há sangue nos rostos e no chão, o primeiro &#8230; <a href="http://pauloquerido.pt/politica/balanco-do-dia-da-segunda-greve-geral-de-2012-desta-vez-nao-caira-o-governo/">Ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://pauloquerido.pt/wordpress/ficheiros/2012/03/10628031_ETu9V.jpeg" alt="" title="10628031_ETu9V" width="500" height="392" class="aligncenter size-full wp-image-6345" /></p>
<p>Não há comparação possível com o buzinão da ponte.</p>
<p>Não por causa das diferenças &#8220;neles&#8221;: Cavaco continua a mandar, o PSD é desgoverno, a polícia tem ordem para bater nos manifestantes, há sangue nos rostos e no chão, o primeiro ministro desvaloriza os trabalhadores e finge que não se passa nada, os ministros ignoram a voz da sociedade civil ou pedem emprestado a Harry Potter o Manto da Invisibilidade.</p>
<p>Mas por causa de &#8220;nós&#8221;: o que vai nas redes sociais e nos órgãos de informação europeus é um cenário muito diferente das centenas de pessoas que protestaram naquele dia na ponte 25 de Abril. Em vez da televisão, então independente há pouco tempo e cheia de vontade, são dezenas de milhar de pessoas a partilhar no Facebook, no Twitter, no Scoop.it, na blogosfera, as imagens e a indignação.</p>
<p>Não há comparação possível. Desta vez não cairá o governo. Não porque preste &#8212; mas porque ainda não cheira mal.</p>
<p>Ainda.</p>
<p>(Curadoria <a href="http://www.scoop.it/t/adamastor">aqui</a>)</p>
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		<title>Uma música (e letra) para o dia da greve geral, dedicada ao governo</title>
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		<pubDate>Wed, 21 Mar 2012 22:38:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Querido</dc:creator>
				<category><![CDATA[política]]></category>
		<category><![CDATA[Arbeit Mach Frei]]></category>
		<category><![CDATA[Greve geral]]></category>
		<category><![CDATA[Passos/Portas]]></category>

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		<description><![CDATA[(Com uma piscadela de olho ao Nuno Ramos de Almeida) Em dia de greve geral, quero dedicar esta música ao governo Passos/Portas e a todos os seus apoiantes. Obrigado pelo esforço, ides no bom caminho. Arbeit Mach Frei, Area. Nelle &#8230; <a href="http://pauloquerido.pt/politica/uma-musica-e-letra-para-o-dia-da-greve-geral-dedicada-ao-governo/">Ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>(Com uma piscadela de olho ao Nuno Ramos de Almeida)</em></p>
<p>Em dia de greve geral, quero dedicar esta música ao governo Passos/Portas e a todos os seus apoiantes. Obrigado pelo esforço, ides no bom caminho.</p>
<p><iframe width="560" height="315" src="http://www.youtube.com/embed/GExII0ddGRs" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
<p>Arbeit Mach Frei, <a href="http://www.area-internationalpopulargroup.com/">Area</a>.</p>
<p>Nelle tue miserie<br />
riconoscerai<br />
il significato<br />
di un arbeit macht frei.</p>
<p>Tetra economia<br />
quotidiana umiltà<br />
ti spingono sempre<br />
verso arbeit macht frei.</p>
<p>Consapevolezza<br />
ogni volta di più<br />
ti farà vedere<br />
cos&#8217;è arbeit macht frei.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>A Grande Inovação Política do atual Governo para a resolução dos problemas</title>
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		<pubDate>Thu, 01 Mar 2012 12:16:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Querido</dc:creator>
				<category><![CDATA[política]]></category>

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		<description><![CDATA[A Ministra da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território resolveu galhardamente os problemas da sua primeira responsabilidade, a agricultura, com duas letrinhas apenas: fé. A verdade é que vem aí chuva &#8212; mesmo que pouca. Um milagre que ficamos &#8230; <a href="http://pauloquerido.pt/politica/a-grande-inovacao-politica-do-atual-governo-para-a-resolucao-dos-problemas/">Ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A Ministra da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território resolveu galhardamente os problemas da sua primeira responsabilidade, a agricultura, com duas letrinhas apenas: fé. A verdade é que vem aí chuva &#8212; mesmo que pouca. Um milagre que ficamos a dever à Inovação e Empreendedorismo deste governo misto.</p>
<p>Seguindo o exemplo de Assunção Cristas, Certamente! apurou que o Ministro de Estado e das Finanças, Vítor Gaspar, planeia fazer o trajeto Lisboa-Fátima de joelhos, pela EN-1, para resolver as contas públicas.</p>
<p>Já Álvaro Santos Pereira, Ministro da Economia e do Emprego, pretende colocar os ensinamentos colhidos em solo americano ao serviço dos desempregados e vai realizar uma dança da chuva todas as sextas, ali ao Camões &#8212; para não gastar combustível ao contribuinte, vai a pé do Ministério. Está a negociar o patrocínio da Optimus, que em contrapartida se compromete a empregar 10 pessoas, desde que escolhidas por uma das empresas subsidiadas para cumprir a função antes assegurada pelo Estado.</p>
<p>As sinergias são essenciais: Miguel Relvas, Ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, escolheu os candomblés para se assegurar que de São Bento não vem mau vento. Os seus amigos angolanos, reconhecidos pela lembrança, agradecem-lhe mais tarde.</p>
<p>O Ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato, valoriza o crowdsourcing e optou pelo exercício da macumba, que lhe garante a resolução dos problemas do setor da educação sem as malditas reformas.</p>
<p>Passos Coelho e Paulo Portas, esses, sabe-se que há muito preferem o vudu &#8212; até porque com um único boneco, o do líder da oposição, conseguem desmobilizar toda a qualquer vontade dos eleitores de lhes estenderem a caminha.</p>
<p>Grande dificuldade em inovar, neste particular, tem Paula Teixeira da Cruz. À Ministra da Justiça não assistem divindades, sejam incumbentes, históricas ou alternativas. Resta-lhe o anjo da palavra.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>#SOPA, ACTA e #PL118: indústrias culturais e legisladores escolhem o lado errado da História</title>
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		<pubDate>Sat, 28 Jan 2012 21:59:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Querido</dc:creator>
				<category><![CDATA[política]]></category>
		<category><![CDATA[ACTA]]></category>
		<category><![CDATA[cópia pessoal]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos de autor]]></category>
		<category><![CDATA[PL118]]></category>
		<category><![CDATA[SOPA]]></category>

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		<description><![CDATA[<a href="http://pauloquerido.pt/politica/sopa-acta-e-pl118-industrias-culturais-e-legisladores-escolhem-o-lado-errado-da-historia/"><img align="right" hspace="5" width="200" src="http://pauloquerido.pt/wordpress/ficheiros/2012/01/oldpeoplesign.jpg" class="alignright wp-post-image tfe" alt="" title="oldpeoplesign" /></a>Forçadas pelos lóbis das indústrias culturais e mediáticas &#8212; estas de resto jogam em casa e tiram disso amplo partido &#8211;, as ofensivas legislativas que vieram à tona na Europa, em Portugal e nos EUA estão condenadas a não passarem &#8230; <a href="http://pauloquerido.pt/politica/sopa-acta-e-pl118-industrias-culturais-e-legisladores-escolhem-o-lado-errado-da-historia/">Ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://pauloquerido.pt/wordpress/ficheiros/2012/01/oldpeoplesign.jpg" alt="" title="oldpeoplesign" width="500" height="334" class="aligncenter size-full wp-image-6285" /></p>
<p>Forçadas pelos lóbis das indústrias culturais e mediáticas &#8212; estas de resto jogam em casa e <strong>tiram disso amplo partido</strong> &#8211;, as ofensivas legislativas que vieram à tona na Europa, em Portugal e nos EUA estão condenadas a não passarem de maus serviços prestados pelos respetivos legisladores.</p>
<p>Isto na melhor das hipóteses.</p>
<p>Na pior, estão a permitir a manipulação do interesse público e a legitimar um quadro legal extorsionário que protegerá meia dúzia de organizações vetustas e condenadas ao desaparecimento, prejudicando a evolução das respetivas indústrias, a sanidade económica dela resultante, os interesses dos consumidores e sobrecarregando sem justificação o pagador de impostos.</p>
<p>Este é o traço comum de ofensivas distintas entre si como o Anti-Counterfeiting Trade Agreement (ACTA), o Stop Online Piracy Act (SOPA), o Protect Intelectual Property Act (PIPA) e o Projeto de Lei 118/XII.</p>
<p>Diz-nos o passado que as revoluções tecnológicas desta magnitude &#8212; as revoluções digital e reticular valem, isoladas ou somadas, vários <em>gutenbergs</em> &#8212; não são  controláveis, moralmente etiquetáveis e paráveis.</p>
<p>Para calcular os efeitos de tais leis, basta projetá-las noutras épocas de clivagem em qualquer indústria ou atividade económica. A proteção sem limites de &#8220;propriedade intelectual&#8221; e de &#8220;direitos&#8221; de &#8220;autor&#8221; teria como consequência um travão de aço à inovação e mudança.</p>
<p>Um disparate.</p>
<p>Num paralelismo histórico, as empresas por detrás dos SOPA e PIPA estão para as indústrias culturais como a Igreja Católica Apostólica Romana esteve para a prensa de Gutenberg (o que não deixa de ser uma daquelas ironias em que a História é fértil). Na perspetiva de perder a exclusividade da intermediação do acesso das massas às escrituras,  a ICAR começou por diabolizar a tipografia. O futuro não deu razão alguma aos resistentes, pelo contrário, desmentiu-os: a imprensa acabou por se tornar no instrumento por excelência da posterior difusão do catolicismo que sem ela nunca teria atingido a dimensão mundial de que gozou até ao século XX.</p>
<p>Já para o papel de associações como a Sociedade Portuguesa de Autores, única instigadora e beneficiária do Projeto de Lei 118/XII, recorro à ficção: é o equivalente a uma associação de ferreiros das caleches de 4 rodas (os das 2 rodas ficaram de fora) conseguir por via oficial aplicar um imposto à emergente indústria automóvel, sendo que o facto de os automobilistas não andarem de carroça não foi tomado em consideração pelo legislador que legitimou o direito a um tal imposto, destinado a garantir não a recompensa pelos serviços prestados pelos ferreiros, entretanto vencidos pela idade, mas a continuidade da associação depois de desaparecidas as caleches (de 4 e de 2 rodas).</p>
<p>Dependendo do que esperamos do legislador, tanto podemos achar que estas ofensivas obedecem à lógica da representatividade democrática (leis para defender interesses de grupos da sociedade são comuns) como entender que prejudicam a causa pública.</p>
<p>Em qualquer caso tais leis fracassarão nos seus objetivos, se tudo correr bem. Mas se correr mal, infligirão danos eventualmente irreparáveis nas empresas inovadoras e emergentes que estão a começar a criar a riqueza do futuro.</p>
<p>É natural que as empresas e associações incumbentes, uma vez desafiadas pelas emergentes &#8212; e, no caso vertente, pela extrema mutação ambiental &#8211;, usem o seu poder financeiro para influenciar a seu favor o poder político.</p>
<p>Já mais difícil de perceber é a atitude passiva dos seus acionistas ou associados. Um organismo que opta por lutar contra a evolução em vez de se adaptar é um organismo condenado ao fracasso no médio prazo &#8212; ou até no curto prazo, tendo em conta a velocidade das mutações na indústria e nos consumidores.</p>
<p>As empresas que controlam as indústrias culturais e os legisladores escolhem o lado errado da História. </p>
<p>Porque têm base de apoio tais empresas e associações, é para mim o grande mistério dos nossos tempos.</p>
<p>&#8230;</p>
<p>Uma nota sobre Portugal. Inebriados pelo seu poder individual reforçado pela tecnologia e pelas redes, os cidadãos descuram a importância do associativismo. As imensas doses de esforço dos ativistas da hashtag #pl118 no Twitter são tão louváveis quanto representam um desperdício energético. Qualquer causa, botão de gosto, página, petição ou hashtag que não se enquadre nalgum formato associativo reconhecido, ou reconhecível, pelas instituições vigentes representa um desperdício de esforço proporcional à euforia que desperta nos indivíduos no momento do clique ou do RT &#8212; ou do herói do mo(vi)mento ter os seus 2 minutos de fama televisiva.</p>
<p>Enquanto a geração clique não chegar ao topo das instituições como o Parlamento e às cátedras do determinismo mediático, o que levará o seu tempo, muito dificilmente se vencerão batalhas sem usar o mesmo tipo de armas do oponente. A SPA não ganha em entusiasmo e razão, mas em tudo o mais leva vantagem sobre os ativistas do teclado. Vantagem organizativa, vantagem estratégica, vantagem mediática, vantagem representativa, vantagem jurídica. Nos EUA a situação é diferente: há grupos, como a Electronic Frontier Foundation, com organização e capacidade jurídica e acesso (por limitado que seja) aos canais deterministas. Cá, ainda é o vazio.</p>
<p><span style="font-size:85%">(Crédito da imagem: <a href="http://www.flickr.com/photos/schnaars/3608630869/">schnaars via Flick</a>)</span></p>
<hr />
<h3>E mais isto</h2>
<p><a href="http://pauloquerido.pt/media/ainda-o-sopa-nao-controlar-os-autores-e-intoleravel-para-quem-fez-disso-uma-industria/">Ainda o #SOPA: não controlar os autores é intolerável para quem fez disso uma indústria</a><br />
<a href="http://pauloquerido.pt/media/sopa-e-pipa-pirataria-nao-passa-de-um-pretexto-para-travar-a-concorrencia-emergente/">#SOPA e #PIPA: pirataria não passa de um pretexto para travar a concorrência emergente</a><br />
<a href="http://pauloquerido.pt/politica/copia-direitos-de-autor-e-lagrimas-de-crocodilo-das-industrias-culturais-a-cancao-do-bandido/">Cópia, direitos de &#8220;autor&#8221; e lágrimas de crocodilo das indústrias culturais: a canção do bandido</a>.</p>
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		<title>Rescaldo da flash mob &#8220;traz uma moeda para o Cavaco&#8221; (Do que mais gostei? Das secretas)</title>
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		<pubDate>Wed, 25 Jan 2012 17:51:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Querido</dc:creator>
				<category><![CDATA[política]]></category>
		<category><![CDATA[Cavaco Silva]]></category>
		<category><![CDATA[cidadania ativa]]></category>
		<category><![CDATA[flash mob]]></category>

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		<description><![CDATA[O rescaldo do evento propriamente dito será feito noutro contexto. Segue-se um rescaldo rigorosamente pessoal da flash mob &#8220;traz uma moeda para o Cavaco&#8221;, de que fui um dos promotores, juntamente com o Arrastão e a jugular. 1. Do que &#8230; <a href="http://pauloquerido.pt/politica/rescaldo-da-flash-mob-traz-uma-moeda-para-o-cavaco-do-que-mais-gostei-das-secretas/">Ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O rescaldo do evento propriamente dito será feito noutro contexto. Segue-se um rescaldo rigorosamente pessoal da <em>flash mob</em> &#8220;traz uma moeda para o Cavaco&#8221;, de que fui <a href="http://pauloquerido.pt/politica/vamos-auxiliar-cavaco-flash-mob-solid-dia-24-em-frente-ao-palacio-de-belem/">um dos promotores</a>, juntamente com o <a href="http://arrastao.org">Arrastão</a> e a <a href="http://jugular.blogs.sapo.pt">jugular</a>.</p>
<p><span style="font-size:64px">1</span>. Do que mais gostei? Das secretas. Alguns agentes andaram sempre coladinhos a mim. Único reparo: dois deles foram pouco discretos.</p>
<p>A sério e sem ironia. É reconfortante saber que as polícias cumprem o seu dever. E há o dever de proteger a Presidência de República. Claro que o evento era de grau 9 na escala de Gandhi, pacifismo absoluto, mas ninguém pode controlar as cenas.</p>
<p><span style="font-size:64px">2</span>. Não me incomodou a identificação pessoal feita pela polícia no final, depois do último projetor de imprensa se ter apagado, e quando me dirigia ao estacionamento para vir embora. Achei até alguma piada. E não cometi a rudeza de dizer ao agente que tinha menos trabalho se googlasse o meu nome. E ainda mais fácil, para a intelligence, <a href="http://www.google.pt/?q=Paulo%20Querido%20Cavaco%20Silva">googlar o meu nome acompanhado do nome do Presidente</a>.</p>
<p>Como referiu José Vitor Malheiros, que passou por ali nesse preciso momento, é bom que se habituem a gente nova nestas coisas. Este ano vamos ter muito evento, muita manifestação pública, muito ajuntamento popular, organizados <em>ad hoc</em>, a partir do nada, ou do tudo que comunica e se auto-organiza usando as redes da Internet &#8212; o que se traduzirá em muito rosto novo, muito cidadão como eu, sem compromissos partidários nem sindicais.</p>
<p>Retifico: não é só &#8220;este ano&#8221;, é daqui em diante, como disse JVM.</p>
<p><span style="font-size:64px">3</span>. Muitos jornalistas me perguntaram se a participação não estava abaixo das expetativas. Percebo-os. Mas se existia uma expetativa, foi criada pelos media, pelo que só eles saberiam a resposta. Não minha, nem dos outros promotores com quem falei sobre isso. Eu não tinha expetativa. Os mais de 500 que clicaram no botão &#8220;Vou&#8221; na página do Facebook, clicaram no botão &#8220;Vou&#8221; na página do Facebook (já trato desse assunto mais abaixo).</p>
<p>Por isso, foi genuína a minha resposta. Acho que a participação foi excelente e acima de tudo surpreendeu-me. Estiveram, talvez, 2/3 de pessoas já para cima dos 55/60, muitos reformados, e 1/3 de gente nova. Ou seja: arrisco deduzir que a maioria dos presentes não apareceu lá motivada pela página do Facebook ou por algum SMS dos promotores. Pelo que ouvi, muitos souberam pelos jornais da manhã.</p>
<p><span style="font-size:64px">4</span>. Tenho acompanhado, de há anos, as apreciações e análises a este tipo de eventos <em>ad hoc</em>. Ontem ouvi um jornalista dizer, em direto, que era uma inovação. Não percebi exatamente qual era a inovação &#8212; admito que ainda não se tivesse organizado uma <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Flash_mob"><em>flash mob</em></a> para uma ação tão específica como entregar no Palácio de Belém uma esmola simbolizando o descontentamento popular com mais uma aleivosia de Cavaco Silva &#8212; <a href="http://aspirinab.com/isabel-moreira/vamos-la-descascar-cavaco/">sempre Cavaco, o pior político do Regime</a>, como escreveu Isabel Moreira &#8212; e os tratos de polé de duvidosa necessidade a que o Governo que apadrinhou tem sujeitado as pessoas. Mas não foi a primeira <em>flash mob</em> da política ou da sociedade portuguesa, longe disso.</p>
<p>As organizações de massas através das redes sociais obedecem a diferentes processos e requisitos, conduzindo a diferentes resultados consoante o palco. Há a tentação de generalizar, mas comparar a Primavera Árabe com protestos pontuais em regimes repressivos com <em>flash mobs</em> em democracias maduras não conduzirá a mais do que umas atoardas insignificantes sobre um ambiente tão complexo &#8212; e tão novo, tão em formação &#8212; como a sociedade reticular.</p>
<p><span style="font-size:64px">5</span>. O que se me afigura concluir sobre isto é que a existência da sociedade reticular é um facto mensurável, no contexto, pelo seu efeito duplo na esfera mediática e na esfera social, que estão interligadas entre si, e cujo somatório influi na esfera política. </p>
<p>Dito mais simplesmente: o panorama mediático mudou com o surgimento das redes e a mudança está em curso, sendo de esperar o inesperado e de não tirar conclusões precipitadas.</p>
<p>A mudança opera-se em dois níveis distintos. Do nível da própria estrutura industrial dos media, economia e propósitos do jornalismo, vamos falando noutros contextos (tenho abordado ligeira e pontualmente tais assuntos no meu blog e no Twitter).</p>
<p>O enfoque aqui é no nível do relacionamento social dos media. Já McLuhan observou que as mudanças específicas nos modos de comunicação moldam a existência humana.</p>
<p>O relacionamento social dos media era simples e bem demarcado: as fontes de um lado, o público do outro, eles como intermediários. Numa sociedade reticular o relacionamento tornou-se elaborado: toda a gente emite para todo o lado e o papel principal do intermediário desaparece &#8212; ou, na melhor das hipóteses, é obrigado a uma violenta mutação.</p>
<p>Decorre da mudança que há novas forças capazes de mudar a agenda jornalística. Já não são só os <em>opinion-makers</em> na segunda linha, a blogosfera, a serem lidos nas Redações, às escondidas durante os primeiros anos e agora assumidamente. O Facebook faculta aos jornalistas acesso direto às pulsões da sociedade. A inevitável ignorância sobre a ferramenta de acesso e a escassez de utensílios para corrigir a observação e a medição de tais pulsões, bem como o desconhecimento das suas mecânicas, faz-nos a todos parecer que estamos na primeira classe a aprender as vogais. É normal, não há que ter vergonha. Nem receio.</p>
<p>Aos partidos, associações, sindicatos e algumas dezenas de entidades que cumprem a função de canais para expressar opiniões e vontades coletivas juntam-se agora vozes individuais e organismos de vida curta que congregam interessados e especialistas, profissionais e amadores, em torno de uma atividade, um projeto &#8212; uma potencial lei. São novas fontes de informação a levar em conta. Mais pressões para a indústria da comunicação.</p>
<p>Insiro, a propósito, esta frase feliz, a da Luis Paulo Rodrigues em artigo para a Briefing: &#8220;<em>Na indústria da comunicação, esta cultura da convergência, que é eminentemente democrática, está a desinstalar jornais e outros meios tradicionais, porque está a derrubar velhos métodos de trabalho e de gestão, asssim como hábitos de consumo ultrapassados</em>&#8221; (ler em <a href="http://www.briefing.pt/opiniao/14993-cultura-de-convergencia.html">Cultura de convergência</a>).</p>
<p><span style="font-size:64px">6</span>. Na comunicação tradicional trabalhamos para momentos específicos para passar as mensagens, janelas que se abrem por minutos, ou páginas finitas, no tempo e no espaço. Descontinuidades para as quais é necessário elaborar um guião necessariamente curto e que se esgota uma vez cumprida a função. Na comunicação em rede não há descontinuidades mas sim contínuos, espaços discursos em que personagens e autores podem compartilhar a narrativa.</p>
<p>A <em>flash mob</em> vertente deve ser interpretada como uma interseção entre os dois universos comunicacionais. Nasce dentro do universo reticular, tendo como ingrediente principal as reações de pessoas que se sentiram insultadas pelo Presidente da República. Materializa-se num instante geográfico e temporal com o objetivo de projetar a mensagem no outro universo comunicacional. Para tal alinhava um mensagem curta e simbólica usando a figura da ironia &#8212; as moedas para Cavaco &#8211;, de acordo com as regras desse universo.</p>
<p>Terminada a interseção, cumpre-se o destino. Está geneticamente determinado que o evento não tem sequência. Mas não estão determinados os seus efeitos, o seu alcance. Muito menos, a sua legitimação inesperada pelo próprio objeto: Cavaco Silva piorou as coisas repetindo o que dissera &#8220;<em><a href="http://jugular.blogs.sapo.pt/3113450.html">ao fim de três dias de indignação e depois da primeira vaia a um presidente da história da democracia portuguesa, por acaso no primeiro aniversário da sua eleição</a></em>&#8220;, como frisou Fernanda Câncio.</p>
<p>No universo comunicacional ponto a ponto, os media tradicionais, a repercussão mede-se em primeiro lugar pela tentativa de saber sobre próximas &#8220;ações&#8221; da &#8220;organização&#8221;. Por outras palavras: saber se estão previstos, planeados, mais discursos para imprimir em páginas para o dia seguinte, ou captar em momentos para ocupar os próximos noticiários com hora marcada.</p>
<p>Na sociedade em rede não há (esse nível de) planificação. O discurso irritante, porque hipócrita, de Cavaco Silva sobre as suas alegadas dificuldades não vai além de episódio passageiro da mais densa narrativa de desilusão com o país. Esta continua a ser elaborada em tempo real, em contínuo, sem o espartilho da hora marcada e do papel finito, acessível a todos em qualquer lugar e momento. Para ler, gostar, partilhar ou refletir &#8212; cada um decide no instante o que fazer, sabendo que a narrativa continua, não desaparece, não sai do ar. Só termina quando tiver de terminar.</p>
<p><span style="font-size:64px">7</span>. Não é nova a questão da cidadania do jornalista. Fui educado no jornalismo num tempo em que jornalista bom era jornalista sem voz, rosto ou nome. Isso acontecia para proteção mútua: do jornalista e do leitor. Era a forma encontrada para dar garantias de qualidade no produto do jornalismo.</p>
<p>Como qualquer outra, essa forma não era eterna. Dez anos depois, jornalista bom era o jornalista com nome. Vinte anos depois, jornalista bom era o jornalista com opinião. Hoje a isenção não é percepcionada como um valor garantístico de qualidade, pelo contrário. E com razão, em meu entender, pois tornou-se fácil passar propaganda embalada de acordo com regras do jornalismo como &#8220;ouvir os dois lados&#8221; e carimbada com o selo, falso, da isenção.</p>
<p>Com a isenção e a equidistância em baixa, emergem outros valores. A transparência desempata com a ética no <em>photo-finish</em>. Os meus leitores pessoais &#8212; aqui como nas redes onde mais publico, o Twitter e o Facebook &#8212; conhecem as minhas convições e simpatias. A relação estabelece-se em cima desse conhecimento  a partir de informação prestada rapidamente, sem equívocos nem rodeios. Quem julga o meu trabalho remunerado &#8212; a crónica diária sobre os tópicos da atualidade económica e financeira no Jornal de Negócios &#8212; confia na minha capacidade profissional e ética.</p>
<p>Tenho defendido e continuarei a defender a transparência como a melhor garantia de qualidade (ou da falta dela) no ambiente reticular. Se outras garantias surgirem, apreciá-las-ei.</p>
<p>Isto para chegar a um ponto, que é o ponto da cidadania. As mudanças em curso libertam, mesmo que só em parte, os jornalistas para o exercício dela. Os cidadãos, conscientes do poder (real ou imaginado) do jornalista, ou pelo menos do seu acesso a algumas antecâmaras do dito através da palavra impressa e expressa, vêem nele um aliado (ou um inimigo).</p>
<p>O debate dos limites da cidadania do jornalista no ambiente reticular e na sociedade imersa em media está por fazer e não vejo forma dele acontecer em Portugal. Enquanto isso, não vejo razões que não a consciência resultante da avaliação pessoal de cada situação para um jornalista fugir à cidadania.</p>
<p>Num mundo de precários, de relações contratuais esparsas e de desnorte coletivo quanto à modernização das regras que deverão balizar a profissão, é em primeiro lugar uma decisão individual. Difícil e que exige alguma coragem.</p>
<p><span style="font-size:64px">8</span>. Para lá dos media, a sociedade reticular obriga ao repensar do exercício da política.  Nomeadamente, é posta em causa a organização clássica da pirâmide democrática &#8212; associações -> militância partidária -> estruturas partidárias -> construção de caderno de encargos -> submissão do caderno ao eleitorado -> assunção do compromisso eleitoral triunfante e governação.</p>
<p>Outros fatores contribuiram para o curto-circuito dessa organização, mas foco-me na sociedade em rede.</p>
<p>Máquinas montadas e afinadas para eleger os representantes das maiorias em sociedades verticalizadas, os partidos funcionam deficientemente em sociedades reticulares.</p>
<p>Socorro-me de uma análise de Rogério Santos <a href="http://industrias-culturais.blogspot.com/2003/12/sobre-marshall-mcluhan-partir-de-em.html">sobre Marshall McLuhan</a>: &#8220;<em>McLuhan insistiu que os media electrónicos retribalizaram a raça humana. Todos nós somos membros de uma só aldeia global. Os media electrónicos conduzem-nos a conhecer o que se passa no mundo de modo instantâneo. Os cidadãos do mundo voltam ao espaço acústico</em>&#8220;.</p>
<p>Uma tribo onde todos estão à distância da voz não pode ser dirigida da mesma forma que uma tribo onde toda a comunicação é vertical e mediada. O &#8220;conselho&#8221; tem de acolher relatos e opiniões de membros ocasionais &#8212; o que modernamente se pode traduzir na necessária inclusão de independentes nos processos de conquista de poder e, por conseguinte, no seu acesso aos órgãos dirigentes. À ação.</p>
<p>Tal como existem, os partidos deixaram de fazer sentido. Não falo das causas e da ideologia, apenas da estrutura. A desilusão das pessoas com os partidos e &#8220;os políticos&#8221; não tem a ver com as causas e as ideologias, que abundam na sociedade reticular. Tem a ver com práticas e rigidez de processos.</p>
<p>A tendência de incorporação de independentes e <em>outsiders</em> custará aos aparelhistas mas tem vindo a crescer e o atual governo reflete-o. Arrisco vaticinar que o próximo só lá chegará com a intensificação da tendência: há hoje mais vozes úteis, mais espaços de diálogo, mais instrumentos de <em>crowd listening</em>, mais causas públicas para decidir e definir.</p>
<p><span style="font-size:64px">9</span>. Não participei como promotor deste <em>flash mob</em> para testar o Facebook. Sei que as redes sociais são espaços novos, libertadores e em certa medida trazem um reforço do poder de intervenção dos cidadãos, individualmente ou em associação. Mas já não tinha qualquer ilusão sobre a &#8220;cidadania do clique&#8221;.</p>
<p>Estar à distância de um clique de manifestar desagrado a Cavaco Silva é bom, é útil, é uma novidade, é enriquecedor &#8212; mas é pouco. A cidadania ativa, de que vamos começando a ouvir falar, está muito para além da adesão, fácil, às causas no Facebook.</p>
<p>Não tenho ilusões, portanto não posso partilhá-las. A cidadania sempre deu trabalho e continuará a dar. O Facebook, o máximo que pode fazer por ela, é facilitar algum dele: ouvir, coligir, organizar, agitar. Um <em>like</em> numa causa, sendo mais do que a esmagadora maioria alguma vez dispôs, sendo um acrescento à cruzinha de quatro em quatro anos num boletim de voto, é um passo na direção da cidadania ativa, um passo com poder suficiente para mudar a política, mas não passa de um passo. Uma caminhada, que é o que a causa pública é, é feita de muitos passos.</p>
<p>As redes são um desafio à política na medida em que facilitam a cidadania ativa? São. E, na medida em que estimulam a cidadania ativa, são um desafio à sociedade. Isto é, a si, caro leitor. Mais liberdade implica mais responsabilidade.</p>
<p><iframe width="560" height="315" src="http://www.youtube.com/embed/8k05lMkElYU" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
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		<title>Vamos auxiliar Cavaco &#8211; flash mob solidária dia 24 em frente ao Palácio de Belém</title>
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		<pubDate>Mon, 23 Jan 2012 21:48:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Querido</dc:creator>
				<category><![CDATA[política]]></category>
		<category><![CDATA[Cavaco Silva]]></category>
		<category><![CDATA[pensões]]></category>
		<category><![CDATA[solidariedade]]></category>

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		<description><![CDATA[<a href="http://pauloquerido.pt/politica/vamos-auxiliar-cavaco-flash-mob-solid-dia-24-em-frente-ao-palacio-de-belem/"><img align="right" hspace="5" width="200" src="http://c7.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Baf0795ef/9919485_Zhmaf.jpeg" class="alignright wp-post-image tfe" alt="flashmob solidária com Cavaco Silva" title="" /></a>Olhado com desdém pelos seus vizinhos da Quinta da Coelha, Cavaco Silva é desprezado pelos ex-administradores do BPN. Os que foram para a EDP não o respeitam. Para cavaquista, Cavaco Silva é um pelintra. Vamos auxiliar este pobre reformado. Dia &#8230; <a href="http://pauloquerido.pt/politica/vamos-auxiliar-cavaco-flash-mob-solid-dia-24-em-frente-ao-palacio-de-belem/">Ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://c7.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Baf0795ef/9919485_Zhmaf.jpeg" alt="flashmob solidária com Cavaco Silva" /></p>
<p>Olhado com desdém pelos seus vizinhos da Quinta da Coelha, Cavaco Silva é desprezado pelos ex-administradores do BPN. Os que foram para a EDP não o respeitam. Para cavaquista, Cavaco Silva é um pelintra. Vamos auxiliar este pobre reformado. Dia 24 de Janeiro, às 17h30, em frente ao Palácio de Belém, participa numa &#8220;flash mob&#8221; solidária. Traz uma moeda para o Presidente.</p>
<p>Não perca a <a href="https://www.facebook.com/events/221365977951333/">página do evento no Facebook</a></p>
<p>(Uma iniciativa conjunta <a href="http://arrastao.org/2453861.html">Arrastão</a>, <a href="http://jugular.blogs.sapo.pt/3110790.html">jugular</a> e este vosso.<br />
Aderentes: <a href="http://derterrorist.blogs.sapo.pt/1821140.html">derterrorist</a> e <a href="http://www.precariosinflexiveis.org/">Precários inflexíveis</a>)</p>
<h3>Cobertura de Imprensa</h3>
<p>Jornal de Negócios: <a href="http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&#038;id=533359">Movimento no Facebook pede uma moeda para o Cavaco</a><br />
Público: <a href="http://www.publico.pt/Pol%C3%ADtica/flash-mob-pede-uma-moeda-para-ajudar-cavaco-silva_1530382">Flash mob pede uma moeda para ajudar Cavaco Silva</a><br />
Público P3: <a href="http://p3.publico.pt/actualidade/politica/2061/hoje-ha-flash-mob-uma-moeda-para-cavaco-silva">Hoje há Flash Mob &#8211; uma moeda para Cavaco Silva</a><br />
Jornal de Notícias: <a href="http://www.jn.pt/PaginaInicial/Politica/Interior.aspx?content_id=2259119">Moedinhas no Palácio de Belém para &#8220;ajudar&#8221; Cavaco</a><br />
TVI24: <a href="http://www.tvi24.iol.pt/politica/cavaco-silva-flash-mob-palacio-de-belem-tvi24/1319682-4072.html">«Flash mob» junta moedas para Cavaco</a><br />
Visão: <a href="http://aeiou.visao.pt/angariacao-de-moedas-para-cavaco-marcada-para-esta-tarde=f643709">Angariação de moedas para Cavaco marcada para esta tarde</a><br />
Lusa: <a href="http://noticias.sapo.pt/nacional/artigo/concentracao-para-angariar-moeda_2328.html">Concentração para angariar moedas para Cavaco Silva</a></p>
<p>(<em>Ajude a atualizar a cobertura de Imprensa: indique nos comentários os artigos de  meios online, blogs incluídos, sobre o evento.</em>)</p>
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		<item>
		<title>Álvaro, o ministro que ficará na História por devolver os trabalhadores ao lúmpen</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Jan 2012 22:36:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Querido</dc:creator>
				<category><![CDATA[política]]></category>

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		<description><![CDATA[O ministro da Economia consegue dizer que &#8220;para sair da crise temos todos de trabalhar mais e melhor&#8221; horas depois do governo assinar o fim dos direitos dos trabalhadores e, na prática, a sua devolução à condição de lúmpen, de &#8230; <a href="http://pauloquerido.pt/politica/alvaro-o-ministro-que-ficara-na-historia-por-devolver-os-trabalhadores-ao-lumpen/">Ler <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O ministro da Economia consegue dizer que &#8220;<em>para sair da crise temos todos de trabalhar mais e melhor</em>&#8221; horas depois do governo assinar o fim dos direitos dos trabalhadores e, na prática, a sua devolução à condição de lúmpen, de onde sairam, penosa e lentamente, ao longo do século XX.</p>
<p>Sou só eu que repara na impossibilidade?</p>
<p>&#8220;<em>Temos todos de trabalhar mais e melhor</em>&#8221; &#8212; e o desemprego a subir, a subir. E não vai parar de subir tão cedo. Não foi apresentada, até hoje, uma única medida capaz de inverter esse ciclo. Este Governo não está a proteger o trabalho.</p>
<p>O mercado e os mercados riem-se de Álvaro Santos Pereira (quem?).</p>
<p>Que importa. Este governo não foi eleito para governar Portugal. Foi eleito para acabar com ele. Depressa.</p>
]]></content:encoded>
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