Emprego: discursos hilariantes (don't eat the yellow snow)

O discurso de muita direita e até de alguma esquerda sobre o emprego é tão hilariante que recupero com dificuldade dos ataques de riso que me causa a súbita preocupação com os desgraçados dos desempregados.

Realisticamente, desconfio de quem não faz mais que “análises” superficiais acerca do mercado de trabalho com fins meramente politiqueiros.

Sejamos claros. O desemprego não pode ser uma arma de arremesso política pela simples razão de que nenhum partido, associação, causa, sindicato — ou mesmo um grupo ad hoc dos 100 donos de Portugal aos quais misteriosamente acometesse a Nobre Preocupação de ajudar os trabalhadores — pode prometer acabar com ele hoje ou amanhã, ou mesmo minorá-lo.

Simplesmente, não é mais verdade que os grandes grupos económicos possam contribuir para resolver o problema do desemprego. Os grandes grupos económicos perseguem, sim, o desemprego. É genético. A maximização dos lucros tem como consequência inevitável, para não dizer desejável, cortar nos custos. Ora, o que não é politicamente educado dizer é que o trabalho humano é, cada vez mais, um custo dispensável. Na melhor das hipóteses, um mal menor, que felizmente custa cada vez menos.

De um lado, a crescente automatização de todos os processos industriais e mesmo de uma quantidade cada vez mais alargada de tarefas dos serviços.

De outro lado, os custos de produção que baixam por força das economias de escala e da informatização: a capacidade de processamento duplica a cada 18 meses mantendo-se o preço, a integração de chips no trabalho faz-se cada vez mais, e em cada vez mais sectores.

De outro lado ainda, a deslocalização para as economias asiáticas das tarefas que ainda são executadas por mãos humanas, por uma questão de preço ou de facilidade.

E finalmente as forças demográficas, imparáveis: os humanos vivem (e consomem) mais tempo, há mais humanos, ou seja, a oferta de mão de obra disparou nos dois extremos, tendo como consequência automática o embaratecimento do preço do trabalho.

Abundância de mão de obra + escassez de postos de trabalho + automatização de tarefas = cut the crap dos discursos sobre o emprego. Sejam sérios. Comecem a pensar em novos formatos de redistribuição do lucro do produto gerado e em políticas hiperactivas de fomento do empreendedorismo, da iniciativa individual e do auto-emprego, mesmo que com sacrifício da protecção dos lucros dos pobrezinhos dos grandes grupos económicos, coitadinhos. Ou em passarem à clandestinidade.

Adenda: como aspirina de curto prazo, as obras públicas são um dos poucos instrumentos que restam a um Estado para não deixar a situação do desemprego descambar.

Video: Frank Zappa – Don’t Eat The Yellow Snow, Live In Sydney 1973
(Leitores de feed e newsletter: este link para o video)

Debate

20 opiniões no artigo “Emprego: discursos hilariantes (don't eat the yellow snow)”

    1 Marco Gomes em 16 Jan 10 18:16

    Completamente em acordo com o seu texto. O Homem não deverá ser «escravo» do seu trabalho. A evolução humana terá que determinar o fim do «trabalho», tal como o conhecemos hoje.
    Penso, que já na década de 80 haveria alguns sociólogos a prever que no século XXI, devido à evolução científica e tecnológica galopante, que o Homem iria se libertar das «guilhotinas» do «trabalho», sem a perda de «qualidade de vida». Porém, como a realidade nos demonstra, esta teoria não se comprovou: a causa não seria a aclamada a evolução científica e tecnológica mas sim o desenvolvimento sociológico que faltou. Hoje trabalhamos mais, com mais horas e temos, veja só a antítese, uma «pior qualidade de vida». Culpados? Somo todos nós que, passiva ou activamente, anuimos com «statu quo» da nossa socidade.

    Para finalizar, gostaria de sugerir que a «lei de Moore» que enunciou parece estar com os dias contados. São teorias, como outras. O nível «evolução» comprovará ou a refutará. A ver vamos.

    2 jcd em 16 Jan 10 19:41

    Meu caro Paulo, o que eu acho é que este teu discurso cabe perfeitamente na categoria "Discursos Hilariantes sobre o Emprego". Os tiros saem todos ao lado. E sim, os governos podem fazer muito para combater o desemprego. Por exemplo, podem não atrapalhar quem quer investir, podem deixar de criar legislação abnóxia, podem mandar à merda muitos sindicatos e podem tentar aprender um bocadinho sobre mercados de trabalho – mas isso de estudar e compreender custa e dá poucos votos.

    3 PauloQuerido em 16 Jan 10 22:32

    jcd, vinda de ti essa crítica, é sinal de que acertei

    4 jcd em 16 Jan 10 23:40

    Não tenhas pena do capital, que ele não fica triste por não vir para cá. Se há quem o queira mais do que nós, que somos espertos, civilizados e cultos de mais para nos preocuparmos com ninharias, vai e não guarda ressentimentos.

    Mas a verdade é que o teu texto está cheio de falácias. A das máquinas, a dos estados, a das empresas que querem desemprego, as deslocalizações, o discurso permanente que cada vez somos mais – esse, nos últimos 3 séculos houve sempre quem o usasse, em todas as situações.

    5 PauloQuerido em 17 Jan 10 02:47

    Claro que vai — e vai independentemente dos favores que os governozinhos locaizinhos lhes façam.

    Falácias, hu? Sim sim, a mecanização e a automatização estão a diminuir, o trabalho braçal e intelectual é cada vez mais difícil de obter e por isso é melhor remunerado, um gajo com o 12º ano é logo cativado pelas empresas, desejosas de lhe pagar um salário do caraças porque não podem viver sem ele. E tu vives em Marte. É bom esse LSD.

    6 PauloQuerido em 17 Jan 10 03:01

    Marco, a teoria de Moore tem resistido mais do que os críticos. Chegará o seu dia, estou convicto. Há-de vir a computação baseada em carbono, espantilhar este mundinho informático mecânico.

    7 José Farinha em 17 Jan 10 11:16

    Essa é que é a GRANDE questão… o que fazer com os lucros gerados pelo desemprego?

    8 @leonelm em 17 Jan 10 12:30

    Paulo, completamente em desacordo. A história tem mostrado que a automatização dos últimos séculos não tem conduzido a uma explosão do desemprego nem que ele seja desejável às empresas, por um motivo simples: sem empregos não há consumidores!

    O falecido Rajiv Gahdi percebia isto muito bem quando, em resposta à mãe que não queria uma fábrica de alta tecnologia e poucos postos de trabalho, disse que era precisamente esse tipo de fábricas que convinham ao país, pois usar muita mão-de-obra significava pouca necessidade de formação, pouco valor acrescentado, logo mais miséria. Menos mão-de-obra na produção representa maior valor, logo necessidade de mais serviços (porque pessoas mais formadas têm maior exigência e maiores anseios), logo maior quantidade de empregos melhor remunerados.

    9 José Cartaxo em 17 Jan 10 13:23

    A clandestinidade, a clandestinidade é o que é o caminho. Eu já estou aí. ;)

    10 PauloQuerido em 17 Jan 10 15:34

    Leonel, não vivemos mais no mundo de Gandhi. As economias assentes na exploração do trabalho por parte dos detentores dos meios de produção conheceram um boom devido a 1) energia abundante e barata, 2) flexibilização do trabalho, com a entrada em cena das mulheres (o que permitiu ter 2 pessoas a trabalhar pelo custo de uma e meia), e 3) exiguidade dos meios de produção. Esses 3 eixos estão a esgotar-se. Talvez venhamos a ter um novo ciclo de energia barata, mas não é nem garantido, nem se vislumbra no médio prazo.

    Serviços são por ora os geradores de emprego, de acordo. Daí eu falar em hiperactividade do Estado no estímulo da iniciativa individual. Não um, mas 5 Planos Tecnológicos. Mais Novas Oportunidades. Formação da força de trabalho. Melhorar o ensino (vamos perceber que foram 4 anos perdidos a discutir privilégios de uma classe, tanta energia desbaratada). Garantias de distribuição dos fundos disponíveis, em vez da sua reserva para grupos instituídos e concentração nos projectos decalcados.

    ;)

    11 PauloQuerido em 17 Jan 10 22:51

    Nota, ainda, que usei a própria lei da oferta e da procura. Espero que não consideres essa como mais uma falácia. Havendo excesso de oferta de trabalho, o que acontece? O seu valor diminui.

    Consegues dizer-me que no mundo ocidental democrático e capitalista (CE e EUA, se preferires reduzir a algo mais concreto) a procura de trabalho é maior do que a oferta?

    Ou vais dizer que a culpa é dos governos não terem leis capazes de devolver o índice de escravatura ao operariado, o que obriga à deslocalização para os países onde o trabalho está ao custo do escravo?

    12 jcd em 17 Jan 10 22:18

    Paulo, a mecanização começou há mais de 100 anos. Por onde andaram as hordas de desempregados nos países industrializados? Onde é que os salários cresceram mais, nos países que se industrializaram e mecanizaram ou nos outros? É mau obtermos produtos mais baratos feitos na China? recomendo-te a carta de Bastiat dos fabricantes de lâmpadas.

    São mesmo muitas falácias, caríssimo Paulo…

    13 PauloQuerido em 17 Jan 10 22:41

    João, as coisas demoram o seu tempo. A Internet também começou há 40 anos, o que não ajuda nada às indústrias que se queixam que ela veio acabar com os seus negócios. O file sharing anda aí desde s anos 90, mas só provocou mossa quando atingiu a massificação. Não palmes essa carta.

    As hordas de desempregados andam aí. Não se vêem, aí de Marte? Nem os salários a encolher?

    Não tenho a certeza que seja mau obtermos produtos mais baratos. Ou que seja bom, já agora. Se estou a falar num determinado nível de observação do real não posso usar argumentos que só têm cabimento noutro nível. Ou posso, mas com ressalva.

    Essa conversa do "mais barato" para justificar simplisticamente o "mercado" ignora, entre outras coisas, a importância da massificação da produção e a diversificação da oferta, colocando subrepticiamente todo o valor do preço na concorrência.

    Portanto, resumindo, tu achas que patrões sem lei vão criar mais postos de trabalho e distribuir melhor o produto. Eu não compro essa ideia.

    14 jcd em 18 Jan 10 10:06

    Caro Paulo

    Ao contrário dos outros bens, cujo preço se ajusta ao equilíbrio entre procura e oferta, o mercado de trabalho tem uma diferença – a total rigidez dos preços. Assim, em períodos de expansão económica, a pressão da procura faz subir os preços – os salários. Em períodos de crise, o ajustamento nos preços não se dá – e daí aparecer o desemprego. Os salários reduzem-se pelas novas contratações, que se adaptam à nova situação de crise. Se os preços flutuassem, todos veriam os seus salários reduzidos em alturas de crise e aumentados em alturas expansionistas. A rigidez dos salários é um dos principais factores que contribuem para o prolongar das crises, por causar um grande aumento de falências e por manter pessoas capazes em piores empregos e de maior risco.

    Agora não atribuas à globalização, à China ou aos computadores a culpa do desemprego. Não é por isso. E não, isto também não tem nada a ver com escravatura. (O argumento da escravatura é como o do Hitler, aparece sempre no meio das discussões sem qualquer sentido). 90% dos portugueses ganham acima do salário mínimo e não foi preciso nenhuma lei para o conseguir – nem sequer um milagre.

    15 PauloQuerido em 18 Jan 10 13:14

    João, não há procura de trabalho que faça subir os salários. Não há hoje nem se vislumbra tão cedo. Isto, como deixei bem claro, nas economias desenvolvidas. No registo histórico de que falas, como disse acima, as economias assentes na exploração do trabalho por parte dos detentores dos meios de produção conheceram um boom devido a 1) energia abundante e barata, 2) flexibilização do trabalho, com a entrada em cena das mulheres (o que permitiu ter 2 pessoas a trabalhar pelo custo de uma e meia), e 3) exiguidade dos meios de produção. Esses 3 eixos estão a esgotar-se. Talvez venhamos a ter um novo ciclo de energia barata, mas não é nem garantido, nem se vislumbra no médio prazo.

    Esta crise de trabalho não resulta de um desiquilíbrio de mercado: é uma crise sistémica.

    Posso concordar que a situação se adapta: a maioria dos trabalhadores de hoje, sobretudo os que chegam agora ao mercado de trabalho, adaptam-se a situações que há 10 anos seriam inaceitáveis para toda a gente — excluindo as associações patronais e tu próprio, bem entendido. Não têm perspectivas de contrato a termo, vão passar anos no precariato. Mas a sociedade ajusta-se a isso, graças aos mecanismos de solidariedade social (o Estado tem aí uma parte leonina, não sendo embora o único).

    Nota: eu não etou aqui a atribuir culpas ou sequer responsabilidades. Estou a alertar para o que me parece ser um discurso sem um mínimo de realismo, que é o de esta ou aquela força política — Governo incluído — prometer emprego. O emprego como o conhecemos nos Maravilhosos Anos De Expansão da segunda metade do século XX está desaparecido em combate. Talvez volte, mas não enquanto nã se cumprirem pressupostos parecidos com os que ocorreram nessa época — e muito menos voltarão pelas mãos de ex-ministros e ex-responsáveis que, fazendo parte significativa do problema que hoje apontam a Portugal, querem retomar as antigas posições afirmando que têm a solução no bolso.

    Finalmente: claro que foi preciso uma lei para conseguir o que apontas. A lei que regula o mercado do trabalho, e que é negociada numa base anual. Se fosse outra lei, que definisse como salário mínimo os 900 euro (exemplo aleatório), essa percentagem seria outra, muito inferior. Claro que, aprovando um salário mínimo de 100 euro, conseguias dizer que 99% dos portugueses viviam bem graças ao belíssimos ofícios do capital. E mais: tinhas razão (embora não por onde pensas).

    16 jcd em 18 Jan 10 13:45

    Paulo, estás absolutamente errado. Começas logo pela tua primeira frase: "não há procura de trabalho que faça subir os salários." Pois não há rigorosamente mais nada que os faça subir excepto a procura. Não tem nada a ver com as considerações circunstancias que fazes, nem com o ponto 1, nem com o 2, nem com o 3.

    Em todas as alturas da história, muita gente à esquerda usou esse tipo de argumentos, de acordo com as modas da época. Era sempre sitémico. Se leres os escritos de Ramonet dos anos 90, até te ris com a ignorância do animal – nem as agências de rating ficaram tão ao lado.

    Mas a economia não se faz de sectores. Em cada momento, faz-se do que existe e é sempre diferente. Já não temos aguadeiros, despachantes na fronteira, amola-facas, barqueiros, cocheiros e estamos cá na mesma, vivemos melhor que os nossos antepassados e vivemos tanto melhor quanto a tecnologia nos permitiu eliminar essas profissões e criar outras mais ricas.

    Estamos agora numa crise como estivemos noutras (esta pior, porque os estados engordaram para lá do razoável e agora não têm margem de manobra) e as consequências são sempre algum desemprego – que é eliminado assim que a economia se ajusta às novas realidades. Vais ser assim outra vez, embora os governos façam tudo para impedir esses ajustes.

    Pensa lá melhor nessa história dos 100 euros. Porque é que não tentas encontrar uma empregada doméstica, por exemplo, e pagar-lhe o salário mínimo? Onde é que está essa lei do governo que diz que uma empregada doméstico custa 650 ou 700 euros por mês?

    Um abraço

    17 PauloQuerido em 18 Jan 10 16:09

    João: prepara-te para assistir à engorda dos estados. Vamos passar um periodo em que eles vão aumentar de tamanho — aliás é isso que vai permitir manter o status quo do sistema.

    A economia passou a ser global: havendo trabalho pouco qualificado numa região, as actividades de outras regiões tenderão a procurá-lo, na medida em que possam. Os trabalhadores das regiões de onde o investimento deserte têm 2 opções: baixam o custo para os níveis das regiões remotas, ajustando a qualidade de vida a padrão delas, ou procuram a sustentabilidade de outra forma.

    Digo passou a ser porque não era. As barreiras de circulação, fosse naturais ou artificiais, foram essenciais para que algumas economias se sobrepusessem a outras, conquistando posições mercê dos fortes dispositivos legais proteccionistas. Sem estes, a actividade tende a ir para onde é mais rentável, destapando e expondo as pessoas que não se deslocalizam com a mesma facilidade.

    O sistema cria desperdícios engraçadíssimos, como a sociedade investir dezenas de milhar de euro e duas dezenas de anos de ocupação do sub-sistema de ensino para formar um repositor de supermercado ou um operador de call center e toda a gente achar isso boa economia, mas não entremos agora por aí.

    Aprecio a forma como fugiste à questão do salário mínimo e ainda bem que fugiste, não é argumento que valha a pena.

    18 jcd em 18 Jan 10 23:33

    Sobre o assistir à engorda dos estados – mas o que é que temos estado a ver nas últimas décadas? Todos os estados têm engordado muito, com raras e honrosas excepções que têm engordado pouco.

    Sobre o ponto 2 – Recomendo-te David Ricardo – a teoria das vantagens comparativas dos estados já é do início do século XIX. Explica-te que um estado não pode fazer tudo e o outro nada. Encontra-se sempre um ponto de equilíbrio. Curiosamente, um estudioso inglês anteriormente tinha usado Portugal e Inglaterra para explicar isto mesmo aos ingleses preocupados com as importações do vinho luso. Nada se inventa, os argumentos reciclam-se.

    Sobre o proteccionismo, parece-me óbvio que estás a ver tudo ao contrário. os estados menos proteccionistas têm um track record bem melhor que os que se fecharam. Basta ver que os países de maior sucesso nas última décadas são economias abertas – com mais ou menos limitações, em nenhuma delas deixa de haver Coca-Cola, McDonalds ou Swatches. As economias abertas tornaram-se mais poderosas. As fechadas empobreceram.

    No ponto 4., tirando os professores, nem todos podemos chegar ao topo de uma carreira, mas a educação não deixa de ser uma fonte de dignidade pessoal. Como pai, estaria sempre disposto a apostar na educação dos meus filhos. E não fugi à questão do salário mínimo. O salário mínimo, ou não faz falta nenhuma – como aconteceu em Portugal no fim da década de 80, por exemplo – ou causa desemprego – como acontece em Portugal, hoje. Ataca justamente as pessoas menos qualificadas da sociedade – mas isso não parece preocupar minimamente os nossos defensores do estado social – é um misto de incompreensão com wishful thinking. O socialismo faz-se da mesma mistura.

    Saudações liberais.

    19 @AntonioAlmeida em 23 Jan 10 23:49

    Portugal não deveria ter 500.000 desempregados mas sim 1.000.000, sendo esse excesso constituído por 80% de funcionários públicos incompetentes ou cuja posição é mantida graças a ineficiência do Estado e os restantes 20% provenientes de todas as empresas "públicas" que são mantidas à custa do erário público (TAP, RTP e PT são alguns exemplos) e pseudo-politicos que não fazem falta nenhuma.

    E desse milhão, apenas quem não pudesse MESMO trabalhar é que poderia receber qualquer tipo de ajuda. De facto, talvez o maior problema deste nosso rectângulo seja a subsídio dependência que coloca todos numa falsa zona de conforto e condena o "faz-te à vida" necessário a qualquer povo que queira vingar.

    Ninguém gosta de andar de cavalo para burro em termos de trabalho e remuneração, mas a típica vergonha portuguesa tem de ser eliminada do mapa. Habituamos-nos ao microondas, ao frigorifico, aos dois carros na garagem, às escapadinhas de fim de semana, etc. Meus amigos, o outro lado da moeda deste modelo de sociedade liberal e consumista é a chamada precariedade no emprego e a urgente mudança de atitude:

    "Não tenho trabalho na minha área, procuro alternativas ou aprendo para me adpatar a outra profissão."

    Fora com o desperdício e (mais) fora com o desperdício do Estado.

    Que este seja apenas um regulador e que cumpra extraordinariamente esse trabalho – é só isso que peço.

    20 LuIs em 29 Jan 10 03:23

    Caro António
    "Olhe que não!". (Não não sou comunista, na verdade sou do mais neoliberal que possa imaginar, só não sou é ingénuo).
    Sabe quem são as verdadeiras sanguessugas deste país? os FP? não me faça rir, isso é o que se vê no prós e contras que é para a "doutrinação".
    As verdadeiras sanguessugas são as que fomentam o desperdício na administração pública (e a corrupção) para lucrarem com ela e que vão controlando os políticos, os media e o país a seu belo prazer.
    Quer apostar que o próximo 1º ministro está a ser "preparado" por um "consórcio" de banqueiros (e mais não digo, vá investigando que chega lá).
    E serão os mesmos banqueiros que controlarão as empresas que vão concorrer aos concursos públicos por via accionista e que também vão financiar essas operações (é o chamado lucro a dobrar).
    E serão os mesmos que virão de quando em quando comentar que o mal deste país é a administração pública, para gáudio dos Antónios deste País.
    E já agora digo-lhe que sou empresário e que sei muito bem do que falo.

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