iSheep
Steve Jobs é que sabe. É o verdadeiro hacker. Com base apenas em engenharia social, coloca a imprensa mundial a promover as vendas de um telemóvel caríssimo sem lhe pagar um cêntimo em publicidade e convence um rebanho incrivelmente dócil a 1) espalhar a messiânica mensagem e 2) a comprar um aparelho para o qual não tem dinheiro, nem agora nem para as mensalidades, julgando que é uma pechincha.
Steve Jobs é o mágico do século XXI e vale mais, sozinho, que a trindade que tornou a web numa máquina registadora chamada Google, para desespero dos berlusconis e balsemões deste mundo.
Há um ano, o iPhone era visto como um aparelho caríssimo e inacessível ao português médio, talvez até ao alto. 499 ou 599 euro por um telemóvel, mesmo um telemóvel que faz o pino e canta, é uma pipa de massa, para roubar a expressão a Belmiro de Azevedo.
Um ano depois, a corrente lusitana dos iSheep não só corre para as lojas para se sentir feliz a adquirir, pelo mesmo preço que 365 dias antes achava inalcançável e impossível, como o faz exactamente da forma que Steve Jobs (que é a Apple sozinho, simultaneamente o board, o staff de PR, o evangelista, o porta-voz, o engenheiro-chefe e o hacker) imaginou que o ia por a fazer: primeiro de gatas, depois a disparar por um corredor fora, como se a loja fosse uma pista de atletismo e o primeiro a chegar à meta ganhasse a glória.
Ilusão pura, proporcionada pelo mágico Steve Jobs, que não apenas diverte a feira inteira como ainda manipula as televisões servindo-lhes um espectáculo mediaticamente irrecusável: pessoas a correr para serem as primeiras a comprar um produto que daqui por três meses estará a metade do preço — e a mediática maçã da Apple como pano de fundo.
Não há corrida nem primeiro, há apenas aparelhos para todos os tansos capazes de pagar um ordenado mínimo para fazer esta triste figura para as câmaras e ficarem com um aparelho que muitos vão colocar no prego antes do fim do leonino contrato com o operador.
Como qualquer outra ovelha ordinária, os iSheep não querem saber se do outro lado do caminho o pasto é mais tranquilo e a erva mais acessível. Foram condicionados, preparados ao longo de meses, para no dia D estarem na loja L a arfar, de língua de forma prontos o que der e vier. A campaínha toca e eles saltam.
Os editores não podem resistir: o apelo da maçã é demasiado forte. Mesmo os que instintivamente sabem que estão a ser levados numa encenação, não podem deixar de ir. A encenação é boa demais para ser mentira. É até notícia, Jobs é uma pessoa muito compreensiva para com as necessidades editoriais!
É simples. Primeiro, diz-se que é estupidamente caro. Se é estupidamente caro, deve ser estupidamente bom. Elite. Não é pra nós. Quem? Eu, 500 euro por um telemóvel? 100 contos? Tás a mangar, ou quê?
Depois anuncia-se que afinal, na Europa e tal, o preço deve ser a tradução do dólar — ui, isso dá, faz as contas, uns 300 euro. Hum…
Depois, um site geralmente muito bem informado diz que tem uma pista de dentro e que lhe disseram que o iPhone deve ir custar uns 249 euro, mas ainda não está confirmado. Há sempre um idiota útil por perto que especula e leva o número aos 199 euro. A produção de saliva dispara: ena, afinal se calhar posso comprar o brinquedo!
Três semanas antes do Dia D a euforia começa a tomar conta dos iSheep e da assistência também. A poucos dias, já com toda a gente histérica e as primeiras notícias de Imprensa a prever longas filas, noitadas com saco cama à porta das lojas, circo montado, sabe-se o preço! 499 euro o mais barato, 599 o mais potente, duma data de gigas, aquilo leva música toda do mundo dentro, méne! E em regime de exclusividade, topas? Dos três operadores nacionais, só o meu é que tem! (Seja o teu qual for pois todos têm, começam 2 e a TMN entra na dança quando for altura da primeira baixa de preços, que não tem data marcada no calendário mas se sabe quando é: é precisamente 2 semanas depois da Imprensa noticiar que o ritmo de vendas a 499/599 começou a abrandar).
Os poucos que ainda são capazes de colocar os neurónios a bulir pensam, afinal custa caro, mas que se dane, EU TENHO DE TER uma coisa destas.
Está tudo justificado. Jobs tratou disso.
Para garantir o ponto de rebuçado para as câmaras no Dia D, 24 horas antes um operador “fura os acordos” e “anuncia” a primeira “redução de tarifário”, ainda antes do lançamento. Adoram os consumidores, são uns seus escravos, que simpáticos. Ficamos assim a saber que pagamos várias vezes mais pela mesma quantidade de tráfego que um italiano, mas como os tarifários são muito mais complicados de entender do que um iPhone de usar, ninguém sabe realmente quanto lhe vai custar o brinquedo.
Por exemplo, há um desconto para quem comprar o aparelho ao preço de custo, em vez de o comprar na modalidade “subsidiada” — sendo o “subsídio” a mui honrosa possibilidade de pagar tanto o aparelho como o seu uso a preços acima do normal durante 24 meses! Se preferir não recorrer à gentil oferta, então pagará o preço de custo do aparelho e está sujeito ao tarifário normal.
Não entendeu? Se pagar os 499 de uma vez tem desconto num dos tarifários e um bónus nos SMS. Se não pagar os 499 de uma vez, paga-os com juros em 24 meses durante os quais tem um tarifário alto e fixo, se tudo baixar você continuará agarrado ao tarifário alto, pelo que vai pagar menos.
Não entendeu ainda? Vá ao médico, você é uma ovelha esquizofrénica e eu não tenho tempo para isto.
No dia 15 de Outubro, o mais tardar, o preço do iPhone cai 40% a 50% e 1 operador, ou talvez 2 ou 3, anunciam mais um tarifário mais barato e as câmaras voltam às lojas para uma nova corrida, desta vez às vendas de Natal.
Minhas senhoras e meus senhores, apresento-vos o iPhone. Que terá em 2009 uma versão de 120 GB — Hollywood na palma da mão.
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Olá, o meu nome é Paulo Querido e Certamente! é o meu webzine pessoal. Sou jornalista free lance, escrevo livros e artigos (e também algum código) sobre a net e na net desde 1989. (
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Teoricamente, todos somos livres, ou seja, cada um compra o que quer.
Na prática, há quem permita que influências exteriores ponham em causa a sua liberdade.
[...] A não perder, um pouco de água nesta (fátua?) fervura de iPhones aqui: iSheep no Certamente!] Publicado em Anúncios, Plugins, Temas | por José Fontainhas deixar uma [...]
Quem iPode, iPode! ;)
“a comprar um aparelho para o qual não tem dinheiro, nem agora nem para as mensalidades”
Isto vindo de um gajo que anda à rasca dele, até tem a sua piada.
ps: dica, a seguir critique quem compra porsches e mercedes, só pq não o tem para os pagar.
Não é único telemóvel que custa 500 euros. O nokia N95 8GB custa o mesmo.
Rui Pego, obrigado pela justeza do seu comentário. Fiquei elucidadíssimo sobre o que pensa do iPhone e dos acontecimentos do dia. Ficámos todos.
Francisco, onde foi que leu que era o único telemóvel que custa 500 euro? Quem foi que disse isso? Eu? Enganou-se na caixa de comentários?
Vi, nem mais.
O Jobs é tão bom q quase me convenceu, mas depois tresmalhei e em vez do iPhone comprei um Asus EeePC. Levo-o para todo o lado, tem o browser q um gajo quiser melhor q qq Safari, dá para editar blogs e - pasmem! - até consigo telefonar muito bem e fazer VIDEO(!)-conferências! É um pouco mais pesado e não tem GPS, é certo, mas, aparte disso, faz muito mais q um iPhone!
Para muitas pessoas isto pode n ter nada a ver mas, lá está, foi apenas a minha escolha…
O que é que o Paulo faz num Mac, que em última análise não consiga fazer com o Windows? Nada ou quase nada…a diferença está na forma e facilidade com que o faz…
Marketing? Muito é certo, mas indubitavelmente o iphone tem o seu quê, de interessante…e nem sou eu, ou todos os portugueses que acorreram a adquirir o telemóvel, que o dizem, mas sim alguns dos melhores editores de tecnologia do mundo nas suas reviews.
Neste momento o site da Optimus, mostra uma mensagem que indica estarem a refazer os planos tarifários dos Pós Pagos…
E isto ainda não acabou de certeza…nisto o Paulo tem toda a razão…
«e nem sou eu, ou todos os portugueses que acorreram a adquirir o telemóvel, que o dizem, mas sim alguns dos melhores editores de tecnologia do mundo nas suas reviews.»
A Apple até podia vender estrume, que eles acorriam na mesma… É exactamente como o Paulo diz: iSheep. Puro fanboyzismo. Carneirização total. Mas kudos para o Steve por o conseguir.
Mas isto é um verde nem sou eu, ou todos os portugueses que acorreram a adquirir o telemóvel, que o dizem, mas sim alguns dos melhores editores de tecnologia do mundo nas suas reviews.
Mas quantos aos preços, só digo isto:
«Na Holanda (T-Mobile), o iPhone de 8GB custa 80€ e cobram mensalidades de 30€, com 150 minutos de chamadas, 150 sms e plano de dados *ilimitado*.
E pode-se, em alternativa, pagar apenas 1€(!) pelo iPhone (20€(!) pelo de 16Gb(!)) e por 64€ por mês,ter direito a 500 minutos, 500 sms e tráfego *ilimitado*.»
(em Portugal são aqueles 250mb da praxe).
Esqueci-me do link para aquela informação: http://www.appleinsider.com/articles/08/07/02/iphone_3g_plans_start_at_48_in_the_netherlands_128_in_denmark.html
Eu sou do tempo… em que o telefone estava “colado” à parede e tinha portabilidade igual à soma do comprimento dos fios: o que o ligava à tomada na parede, e o que o ligava ao auscultador. Décadas antes, tinha sido o cúmulo da modernidade para a minha avó, perdida numa aldeia no meio da serra. As ligações interurbanas eram manuais - tinham que ser pedidas à telefonista, e por vezes demoravam horas.
Hoje, um telefone continua a servir basicamente para fazer/receber chamadas; se é verdade que é prático levá-lo num bolso para todo o lado, não é menos verdade que a maioria dos “bells and whistles” são uma embalagem de luxo do serviço básico, luxuosamente paga.
Como já dizia um deputado espanhol do Séc XIX “La mona, aunque se vista de seda, mona se queda”.
(apesar de já ter alguma idade, uso diariamente o meu portátil em casa e no trabalho, e edito regularmente o meu blog - não sou uma velhota info-excluída e avessa às novas tecnologias. Quando adquiri o meu primeiro computador, alguns dos senhores, provavelmente, andariam na Primária - era um Sinclair 200.)
Mas qual é a novidade? tive a oportunidade de começar a trabalhar com Macintosh nos finais dos anos 80, pouco depois de mexer no primeiros PC (ainda com um EuroPC, sem disco rigido). Na altura a grande diferença era o OS da Mac, mais fácil de utilizar por quem não estava com paciência de aprender os comandos do Ms-Dos, reconheço a superioridade dos Mac’s nessa altura, mas que pouco souberam manter neste tempo que passou.
Pouca coisa mudou nestes anos. Desde que Jobs voltou à Mac e lançou o I-Mac, foi uma troca da qualidade pelo marketing. Os Mac dão status, pouco mais adiantam que qualquer outro computador e certamente não justificam a diferença de preço. O mesmo pode ser dito do resto dos produtos da Apple. Mas não posso deixar de admirar o Steve, estivesse ele noutra empresa e neste momento haviam filas para comprar um MSphone
«Hoje, um telefone continua a servir basicamente para fazer/receber chamadas; se é verdade que é prático levá-lo num bolso para todo o lado,»
Esse é precisamente o erro de muitas pessoas.
Aquilo é um computador, com iTunes, GPS e por alguém se lembrou de permitir usar aquilo como telefone . Aquilo sem um plano de dados decente é um autêntico tijolo. Não justifica o preço (há tantos pdas por aí..) e muito boa gente não se apercebe disso… É bonito e é da Apple. Como disse, dão status.
500€ não é nada.
O meu HTC TyTN II custou-me 700€ desbloqueado há 5 meses.
Concordo a 100% contigo Paulo, lá para Outubro isso vai aos 300€ e aí se pensa em comprar.
Já agora, qual é o teu telemóvel? :-P
Rui
JlS - Lembra-se por ventura de qual a opinião geral, aquando do lançamento do safari para windows? Talvez se tenham tresmalhado, não?
Carlos Sousa, já nem me lembro, felizmente!, do pesadelo de ter um Windows. Contas feitas, não uso disso há ano e meio. Não é só forma e facilidade, embora passe muito por aí. O software desenhado para Mac é em geral superior ao software desenhado para Windows.
Este artigo não coloca em causa o iPhone, um bom aparelho, que eu, que aprecio boa tecnologia, gostaria de ter. E teria, se me pudesse dar ao luxo de não dar valor ao dinheiro. Dei o dobro do que custa um iPhone por um Sony Ericsson P800 no início (comprei um aparelho da primeira leva que foi distribuída a Portugal) e isso serviu-me de lição. Tive grande prazer, fiz coisas espantosas, como posts directos do P800 — mas a grande verdade é, como disse a Vi, esta: um telefone é um telefone é um telefone. 99 % do tempo que tive o P800 (e 100 % do tempo que o meu enteado leva com ele, que ainda aí anda como segundo telemóvel, com uma banda de fita-cola para a tampa da bateria não cair) usei-o como um telefone.
Este artigo é sobre a extraordinária eficácia dos processos utilizados por Steve Jobs para vender o iPhone (e outros aparelhos Apple). Esses processos são de grande habilidade na forma como usam a psicologia de massas para condicionar as suas respostas aos “estímulos” certos. Os resultados estão à vista: quais carneiros, as pessoas dirigem-se às lojas onde exibem comportamentos iRracionais na aquisição de um aparelho que meses antes diziam não ir comprar por ser demasiado caro.
Se quer saber a minha opinião, os iSheep portugueses são particularmente mansos: pobres como são, pagam ainda mais caro do que os europeus por um aparelho de luxo e aceitam a fatalidade sem um balido.
Rui, 700 euro por um HTC TyTN? Mas havia na FNAC mais barato, se bem me lembro. Isso, ias a Londres e desbloqueavas em qualquer boteco de rua. Eu tenho um Nokia N qq cena, que custou 249 e já tem 2 anos (e vai bater mais 2, depois compro um mais básico; desde que sincronize a agenda com o portátil e faça chamadas, serve para o que eu pretendo de um telemóvel. Ler blogs na casa de banho é engraçado — mas posso levar o MacBook para lá também).
“Os Mac dão status, pouco mais adiantam que qualquer outro computador e certamente não justificam a diferença de preço.”
Hum… Sem querer agora discutir a frase: aqui a questão vai um pouco mais longe (ou mais perto), vai ao condicionamento do comportamento das pessoas.
50.000 portugueses vão comprar um iPhone — que é mais ou menos 4 vezes mais do que o número de portugueses que usa Mac como computador, cálculos apressados (nem sei se há números publicados).
ups: 50.000 vão comprar AGORA. Fora os outros que comprarão fora da manada, quando ele estiver a um preço mais equilibrado com o mercado português. Ou algum de vós duvida que pelo Natal se vão vender iPhones à fartazana e abaixo dos 300?
So what? (Vendedor de iPhones)
Aqueles que passam a vida a defender a teoria “O mercado deve funcionar” quando não estão incluídos no grupo de compradores passam a designar os que o estão por “carneiros em manada”. É isto que me diverte…
Temos um novo fenómeno humano para compreender e estudar; o que está por detrás da personalidade de Steve Jobs?
E temos também uma nova máquina que veio para ficar e ser um sucesso mundial; uma pequena-grande máquina que vai alterar profundamente a relação do ser humano com o computador. Um novo tempo com implicações psico-sociológicas vem aí!…
Rui Moio
Pedro, so cada um que reflicta. Eu limitei-me a reflectir e a expressar a minha opinião. Não me vais dizer que por eu ter um Mac e lter lido umas coisas sobre Steve Jobs, que acompanho há 3 décadas, fico obrigado a abandonar o meu espírito analítico em relação à Apple e ao seu CEO, não?
Se a minha prosa te divertiu, óptimo. Um dos objectivos está conquistado. Mas estás a incorrer num erro se pensas que eu a escrevi por “não estar incluído no grupo”. Escrevi-a como reacção às imagens que vi e aos artigos que tenho lido desde Março de 2007. É muito engaçado ver a forma hábil como o marketing da Apple foi fazendo os media (incluindo eu aqui os bloggers, que são no mínimo tão ingénuos como os jornalistas, embora o mais certo seja acharem o contrário) colocarem o mercado em ponto de rebuçado — o ponto para aceitar pagar o valor mais alto possível. É legítimo fazê-lo, tanto como é legítimo descrevê-lo.
Tens alguma coisa a dizer sobre os anúncios de que o iPhone seria comercializado a 249 e até a 199 euro (googla isso antes de me perguntares onde é que eu li)? Especulações às quais a Aple é totalmente alheia, não é? É o mercado a funcionar. Claro que é. Eu nunca afirmei o contrário ;) Apenas expus uma teoria sobre esse funcionamento depois do que observei e li. E espero que vendas muitos iPhones e ganhes dinheiro com isso.
Pedro, so cada um que reflicta. Eu limitei-me a reflectir e a expressar a minha opinião. Não me vais dizer que por eu ter um Mac e lter lido umas coisas sobre Steve Jobs, que acompanho há 3 décadas, fico obrigado a abandonar o meu espírito analítico em relação à Apple e ao seu CEO, não?
Eu nem toquei nesse assunto (seres o que quer que sejas)…
Rui, sim, isso é um passo em frente. Jobs é uma personalidade complexa e controversa. Por um lado., Por outro, a globalização tem efeitos interessantes para estudar, no que concerne por exemplo à massas e aos comportamentos de multidão. O que antes era possível fazer a uma multidão de, digamos, um país, é hoje transportável com grande facilidade (a integração na aldeia global) para uma multidão n vezes maior. O desaparecimento da importância das fronteiras terrestres (no que concerne ao que aqui está em discussão, as fronteiras continuam para outras coisas) pode ser estudado na sua relação com o marketing de escala planetária.
A Apple está entre as primeiríssimas empresas do século XXI a explorar, e a ganhar, as novas fronteiras do consumismo, abertas pela globalização mediática.
“Eu nem toquei nesse assunto (seres o que quer que sejas)…”
OK.
«JlS - Lembra-se por ventura de qual a opinião geral, aquando do lançamento do safari para windows? Talvez se tenham tresmalhado, não?»
Sim, por acaso experimentei-o na altura. Jeitosinho, mas para mim sofria do mesmo problema do Opera. Para quem está tão habituado às maravilhosas extensões do Firefox… não há rival.
«50.000 portugueses vão comprar um iPhone — que é mais ou menos 4 vezes mais do que o número de portugueses que usa Mac como computador, cálculos apressados (nem sei se há números publicados).»
Esquece-se da legião do iPod, Paulo. Eu, pessoalmente, já tive 5 ou 6 leitores de mp3, desde há 8 anos, talvez e o iPod é, para mim, o melhor em praticamente todos os apostos (mas confesso que nunca tive um Zune).
«Aqueles que passam a vida a defender a teoria “O mercado deve funcionar” quando não estão incluídos no grupo de compradores passam a designar os que o estão por “carneiros em manada”. É isto que me diverte…»
Para mim nem é essa a questão. Sim, o aparelho em si está caro em Portugal (tendo em conta os 80€ na Holanda), mas não tenha dúvidas de que o compraria por 500 ou 600€, se existisse um plano de dados decente. No Canadá fizeram uma barulheira desgraçada, subiram-lhes o plano 400mb para 6gb. Nós cá temos 250mb… é impensável. Isso nem uma semana dura. Por isso… não, não comprarei enquanto os planos de dados oferecidos continuarem a ser deste calibre. É um desperdício e é não ter amor ao dinheiro, como o Paulo diz.
Ganho a vida a vender Apple. É para isso que me pagam (talvez não tanto o que eu gostaria de ganhar, mas enfim…). Não “produzi” nada, não encenei nada. Investi largas horas dos meus últimos dias a tentar satisfazer o interesse genuíno de dezenas de camaradas teus de profissão, fornecendo apoio, informação e tudo o que fosse eventualmente necessário. Não “produzi” filas nem encenei o que quer que fosse. Convidei as pessoas a aparecer e elas apareceram, fossem consumidores ou profissionais de jornalismo. A minha missão, enquanto “dente” da roda do marketing é essa mesmo a de manter a roda girar. A minha opinião pessoal sobre preços é incompatível com a minha posição de “dente”. Por isso me calo enquanto parte da engrenagem (não tenho iPhone ainda vê lá tu…). Quando desde a meia noite de Quinta somei toda a visibilidade obtida fiquei satisfeito. E permanecerei satisfeito enquanto os objectivos forem sendo alcançados. Porque para mim ao final de cada dia o que conta são os números. E é assim para toda a indústria, seja a informática ou a de dentífricos…
«50.000 portugueses vão comprar um iPhone — que é mais ou menos 4 vezes mais do que o número de portugueses que usa Mac como computador, cálculos apressados (nem sei se há números publicados).»
Hombre, reveja os seus cálculos que estão profundamente errados (e ainda bem)
“A minha missão, enquanto “dente” da roda do marketing é essa mesmo a de manter a roda girar.”
Claro. A minha, enquanto dente da roda de comunicação, é dizer o que penso sobre o que vejo acontecer.
A melhor prova de que deste o teu melhor, e que as manobras de marketing da Apple são acertadadas, é a imensa minoria que constitui um artigo sobre um aspecto menos interessante dessa mecânica de vendas, que é o comportamento irracional de uma multidão convencida a comprar um produto pelo preço que há um ano descartava completamente.
Eu fico feliz por um título tão bem conseguido (iSheep). A Apple fica feliz por vender uns milhões de telemóveis que fazem o pino e cantam a um preço fabuloso. Cada um fica feliz como pode.
Pedro, eu avisei que os meus cáculos eram maus. Não vale a pena revê-los. O que vale a pena é dizeres: não são 12.500 ou 15.000 macs que existem em Portugal, são ________. Basta preencher.
Não posso.
Quanto aos 50.000 — foi o que li na Imprensa, números apresentados como oficiais. Isto é, saídos da Apple.
Se não podes, então estás a dar cobertura a todas as especulações e cálculos.
Já agora: o meu cálculo está errado por defeito ou por excesso?
Um pequeno adicional: eu não estou a desconsiderar um aparelho quando digo que ele faz o pino. É uma expressão popular, sim, mas não desconsiderante. Estou a descrever, de uma forma fácil de entender a mais pessoas, uma das funcionalidades normais em máquinas fotográficas já há alguns anos (tenho uma que custa metade do iPhone e faz aquilo) e que o iPhone também incorpora.
Pedro, segui o teu conselho, tenho estado aqui a fazer contas. Rectifico o meu cálculo sobre o número de Macs existentes em Portugal. Andará esse número pelos 40.000 a 50.000 e não pelos 12.500 a 15.000 que apontei inicialmente.
O teu cálculo está errado por defeito.
Já somos assim tantos??? Bolas lá se foi a ideia de que somos uma minoria e uma elite…
Excelente artigo, parabéns.
Só extenderia a noção (excelente, btw) dos iSheeps para todos os utilizadores Mac (sei que é um, não pretendo “flamar”). Aquela empresa baseia-se em 5% de produto competente e 95% de engenharia social pura.
pedro, sem flame: vivo muito bem com os 5% de produto competente, é uma percentagem bastante acima do que se pode encontrar nesta indústria, e noutras ;)
Ana Ferreira, espere por um próximo post meu sobre — precisamente — isso…
Olá Paulo, fantástico artigo, minado de ironia e e ao mesmo tempo de realidade. De facto hoje em dia ter um iPhone (ou seria um telemóvel?) é quase que banal para muito Português, que se necessário não vive e não come, para ostentar tamanho produto tecnológico, que na realidade alberga diferentes tecnologias que já existiam no mercado há muito tempo.
Eu gosto muito da Apple, mas gosto ainda mais do seu marketing e da forma como fazem pequenos produtos sem grande valor, parecerem-se com fantásticas obras de arte que todo o mundo terá de ter em casa irremediavelmente, ou terá azar durante os próximos 25 anos, ehehehe.
Grande Abraço.
Paulo Faustino
Paulo, eheheh.
Hmm, é só pra dizer que mesmo assim e apesar de concordar com o Paulo, continuo a querer um iPhone. Ah bolas! o Steve lá me apanhou outra vez, Beéeeeee!
Hmm, é só pra dizer que mesmo assim e apesar de concordar com o Paulo, continuo a querer um iPhone. Ah bolas! o Steve lá me apanhou outra vez, Beéeeeee!
Marco Dinis Santos, você nem sabe o que me fez rir…
[...] Eu até estava a preparar um artigo para a ocasião, mas o Paulo Querido, com o seu fabuloso iSheep, fez-me enviar 90% do meu rascunho directamente para o lixo. Da perspicaz visão que conferiu ao [...]
[...] “caro”, é prontamente justificado com recurso à paleta de desculpas fornecida aos iSheep ao longo dos últimos meses pelo marketing da Apple. Exemplos: Definindo-se como uma pessoa com uma [...]
Tenho 27 anos e até hoje não dei mais de 150 euros por 1 telemóvel e não pretendo ultrapassar a fasquia. Vejo aqui pessoas a discutir questões técnicas de telemóveis que eu não conheço porque nunca me interessei.
Só utilizo o tlmv para comunicar, jogar qdo estou à espera de alguma coisa e para ver as horas (o que significa que os relógios hj em dia para mim são mero adereço. Faz-me 1 pouco de impressão ver pessoas que andam habitualmente com 2 ou 3 tlmvs (se fossem 10 redes andavam com 10 tlmvs) e também conhecer alguns casos de pessoas que usam os € do rendimento minímo para ir esbanjá-lo logo num tlmv.
Sei que cada 1 faz o que quer e ng tem nada com isso mas depois passam a vida a queixar-se disto e daquilo. Enfim, está nos genes do português.
Cumprimentos e desculpa o texto ser tão longo
[...] iSheep, por Paulo Querido, no Certamente! Steve Jobs é que sabe. É o verdadeiro hacker. Com base apenas [...]
[...] iPhone vende tão bem? Se nunca pensou nisso, sugiro que leia este artigo do Paulo Querido sobre o iSheep, ou seja, o efeito rebanho em torno do iPhone. O efeito rebanho é uma das primeiras acções [...]
[...] iPhone vende tão bem? Se nunca pensou nisso, sugiro que leia este artigo do Paulo Querido sobre o iSheep, ou seja, o efeito rebanho em torno do [...]