Mau começo (repetição)
Segundo a Meios & Publicidade, as marcas têm de se defender dos blogues — e ninguém melhor que a revista, pois claro, para as ensinar:
“As marcas estão agora mais expostas a ataques provenientes de blogues. Explicamos, num tema destacado na capa desta semana do M&P, que através de uma boa gestão, as marcas poderão tirar dividendos”
As marcas têm de se defender dos seus clientes. O valor das duas frases é rigorosamente o mesmo, porque “os blogues” são compostos, escritos e lidos por cidadãos consumidores.
Ou é a repetição do mau começo por parte da revista (repetição porque as empresas de meios e publicidade, no seu global, já tinham entrado desastradamente na relação com os consumidores desde que estes foram dotados de voz activa que se faz ouvir acima dos media unidireccionais) ou algo está profundamente errado quando as empresas se acham ameaçadas pelos seus clientes.
Profundamente errado.
Ou as duas coisas.
Sugiro que comecem por rever, marcas e revista, o conceito de negócio.
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10 opiniões no artigo “Mau começo (repetição)”
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Olá, o meu nome é Paulo Querido e Certamente! é o meu webzine pessoal. Sou consultor de new media, jornalista e escrevo livros e artigos (e também algum código) sobre a net e na net desde 1989. (
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Isto é tudo uma questão de perspectiva, para quem já sabe o que é um blog é uma coisa, para quem não sabe, não custa nada em tentar passar a imagem que os blogs são algo maquiavélico e completamente automatizados que atacam indescriminadamente as marcas e as empresas, irão os blogs destronar os virus como calamidade informática ?
Só estou à espera que os senhores publicitários me entrem pela janela um dia destes – assim de balão ou teleférico – e me berrem aos ouvidos que eu TENHO que ter aquele produto senão… alguma coisa vais desandar na minha vida – como nas cadeias de postais de há vinte ou trinta anos.
Não contentes em criar publicidade para débeis mentais, com conceitos e mensagens de uma indigência confrangedora, ainda vêm agora com o “papão” dos blogs.
Se repararmos bem, mais não fazem que seguir a estratégia “brilhantemente” introduzida por Sócrates, que “responde” sempre às críticas ou simples discordâncias atacando o discurso do interlocutor, e não demonstrando por A+B que a crítica não tem razão de ser. Rapidamente está a ser imitado por outros, e a estratégia já extravasou da política…
Assim também a (frequente) má qualidade da mensagem publicitária – pela pobreza do conteúdo ou pelo excesso de agressividade ou ainda pela repetição até à náusea – passará a ser “culpa” daqueles que, tendo capacidade de análise e sentido crítico, a desmontam no espaço público dos blogs, – e não de quem cria produtos publicitários de mau gosto com mensagens de qualidade duvidosa.
Parece-me um sintoma da “Síndrome do Calimero” que eu julgava ser um exclusivo do Dr. Santana Lopes (“Olhem pra mim, pobre vítima, que todos me tratam mal… e eu sou tão bonzinho!”)
(e o que se pode esperar de um jornal tããããoooo especializadooooo… tãããõoo capaz de aconselhar os outros – e que não tem sequer a capacidade de ter um revisor de texto competente…
Leia-se, do artigo citado, a “pérola gramatical”
«os quatro realizadores “que juntaram-se” para criar um colectivo»
Para os mais distraídos, esta é uma construção do verbo que estaria totalmente correcta se estivéssemos no Brasil – em Portugal diz-se e escreve-se «que se juntaram» ( Se a frase fosse “Os realizadores juntaram-se” estaria correcta, mas aquele “que” antes do verbo obriga à inversão do sujeito.)
[...] diz Paulo Querido o facto de alguém ter concebido um tema com este enfoque pensando, naturalmente, que [...]
Marcos Galinari
Argumentista
Caro Marcos Galinari, o nosso departamento de publicidade terá todo o gosto em fazer-lhe uma proposta para anunciar aqui o seu produto. Leia e contacte-nos
[...] PAULO Querido já deu a sua opinião sobre o tema de destaque da Meios & Publicidade – Como defender as marcas dos blogues. O Luís [...]
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[...] é o mesmo que dizer que as marcas têm de se defender dos seus clientes, como escreve o Paulo. É não perceber que a marca surge agora como “marca” como manifestação das experiências [...]
Paulo,
Ainda não consegui ler o artigo na sua totalidade mas claro que logo à partida como marketeer que sou tenho de concordar consigo. O titulo vai ao arrepio de tudo o que se tem ensinado e praticado em termos de bom marketing e não só nos meios interactivos desde pelo menos Kottler … em relação ao resto do artigo ainda não sei mas é verdade que o titulo deixa antever o pior.