Que um banco cobre por emprestar dinheiro, não se discute. Que se faça pagar caríssimo por me conceder o informático privilégio de ser eu o meu próprio caixa, é uma perversidade com a qual convivo, ainda que mal.
Mas alguém me explica porque é aceitamos bovinamente que um banco nos faça pagar por lhe emprestarmos dinheiro? Fiz na passada quinta-feira, ANTES DAS 15:00, uma transferência de um banco para outro. O dinheiro saiu imediatamente da conta de origem. O dinheiro ainda não chegou à conta de destino às 19:12 de segunda-feira seguinte.
Telefono. Pela voz da amável assistente, fico a conhecer a extraordinária versão do que é um “dia útil” para os bancos. Para comandar uma transferência, o dia útil começa às 15:01 e vai até às 15:00 do dia útil seguinte. Mas para receber uma transferência, o mesmo “dia útil” estende-se das 00:00 às 23:59.
A operação de transferência electrónica de fundos é sustentada integralmente por mim, com uma comissão de lucro. O dinheiro em trânsito não me beneficia — pelo contrário: prejudica-me, e muito. Não posso dispor do meu dinheiro durante um período de tempo considerável (no caso vertente, já vai em 5 dias, entre úteis, inúteis e “úteis segundo a banca”),
E o banco, beneficia do dinheiro em trânsito? Se o dinheiro em trânsito o prejudicasse, o banco não teria já arranjado forma de acelerar o processo? Porque o retarda?
A minha conclusão é a de que estou a financiar às escondidas o banco em causa. Sou forçado a financiar às escondidas o banco em causa. Odeio financiar às escondidas o banco em causa.
Talvez um dia eu adquira respeito pela banca. Mas é pouco provável. Ela vive maravilhosamente com o meu desprezo. Eu vivo pessimamente com as “práticas comerciais” dela. Resta-me — pobre consolo, ou consolo de pobre — a liberdade de expressão.
- O amor é uma vida dentro da vida
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