Quanto custa o kilo de pageviews, Fernando?
Publiquei no blog do Correio da Manhã, o Ondas na Rede, um artigo intitulado Contas feitas, ó jornalista, sabes quanto vales, sabes, sabes, sabes? 14% que teve bastante leitura, o que me surprendeu.
Uma das reacções veio do Fernando Soares, que conheço vai para cima de 25 anos, que foi jornalista sem mim e comigo em vários sítios, e que é, desde há algum tempo, responsável técnico do IOL. no seu Facebook o Fernando dá os seus cinco cêntimos sobre o assunto. Gosto de 4 dos cêntimos, mas no 5º diz o Fernando que é mentira uma coisa que eu escrevi. Pelo que decidi responder-lhe com umas perguntas para saber onde estou errado:
Fernando, não sou ninguém para te contradizer. Por isso aproveito para te fazer umas perguntas: a informática não escala custos? Como fazem então negócio os operadores (como o teu)?
É que essa é a única resposta lógica que encontro para harmonizar o que tu afirmas — que é mentira que a informática seja estupidamente barata para quem possua mais do que um blog com meia dúzia de pageviews.
Digo isto para tentar adivinhar quando é que vou ser chamado para ajudar a resolver o próximo problema de crescimento numa publicação que debita desprezíveis 3,5 milhões de pageviews por mês — entrava para o top 30 do clube Netscope se estivesse disposto a desembolsar uma jóia de 700 euro por domínio para poder medir o tamanho com os outros, mas penso que o editor prefere medir o seu (in)sucesso com o Analytics, que fica mais em conta (é grátis) e faz o mesmo ou mais.
Essa publicação tem custos com informática e tráfego abaixo dos 2.000 euro anuais. Um pouco abaixo dos 200 dólares mensais. Eu sei porque fui eu quem lhe recomendou o alojamento. Que, aliás, é partilhado com mais uns 10 sites, um dos quais tem uns picos giros sempre que o dono espicaça os membros registados, que são alguns 30.000.
Ah, espera… Conheço outra publicação que também entrava para o top 30 e que tem números muito parecidos — apesar de ser radicalmente diferente quer nos conteúdos, quer no software utilizado.
Ups… Recebi ali um mail com mais uns exemplos semelhantes.
O que digo a estes intrépidos e entusiasmados editores, Fernando? Digo-lhes que em informática, quanto mais pageviews, mais estes custam à unidade? Que o melhor é não passarem dos 3.5 milhões mensais que as actuais infraestruturas de 200 dólares aguentam? Que quando passarem para os 35 milhões (um milhão por dia) não vão pagar 2 ou 3 vezes mais, como eles esperam de um negócio que ouviram dizer que escala, nem sequer 10 vezes mais, o que significaria um preço ao kilo não alterado, mas umas 50 vezes mais?
Quantas vezes mais, Fernando?
E qual é a fasquia seguinte? A como fica o kilo de pageviews quando entramos na Liga do top 10 do Netscope?
Digo-lhes que o que faturam em publicidade online não dá para o negócio? É um bocado risível… Os 2 que conheço ganham mais por mês com a publicidade, e depois de cobertos os custos com a informática, a infraestrutura e o tráfego, do que eu alguma vez tirei nos jornais de papel para os quais trabalhei e trabalho e que, como sabes, são a nata, meças pelo prestígio ou pela rentabilidade.
E eu trabalhava a tempo inteiro e aquilo para eles é um hóbi — 3 a 4 horas por dia, se tanto.
Sabes o que eu adorava? Adorava fazer uma folha de cálculo no Docs do Google, partilhada contigo, com 4 colunas: uma com o custo da infraestrutura (tráfego incluído para simplificar), outra com o custo editorial, a terceira com o número de gente a editar e a quarta com a receita de publicidade. Dava uns cálculos engraçados sobre isso dos “investimentos” e o custo de cada pageview, por publicação. Isto para os 50 mais cá da terrinha, fartávamo-nos de rir, tu e eu.
Acções
Guardar/partilhar:
Facebook
Twitter
delicious.com
DoMelhor
Assinar publicação:
feed RSS
e-mail diário
Debate
14 opiniões no artigo “Quanto custa o kilo de pageviews, Fernando?”
Deixe a sua opinião
Textos mais recentes
- The last laugh – If self-published writers owned the midlist #LerComCalma (mais 2 links) em 3 de Setembro de 2010
- Top 10 – Richest Men (of All Time) (mais 1 link) em 1 de Setembro de 2010
- Regras de análise económica para a oposição (segundo João Miranda) em 31 de Agosto de 2010
- As (importantes) mudanças no USA Today, segundo maior diário americano em 30 de Agosto de 2010
- We Dont Hate You – Dear America… (mais 1 link) em 30 de Agosto de 2010

Olá, o meu nome é Paulo Querido e Certamente! é o meu webzine pessoal. Sou consultor de new media, jornalista e escrevo livros e artigos (e também algum código) sobre a net e na net desde 1989. (
Siga o feed RSS
Receba a edição diária por e-mail
A resposta simples à pergunta: a informática não escala custos? Como fazem então negócio os operadores (como o teu)?
Em Portugal muito mal. Já não somos operadores há muito tempo. Desde a altura que a PT matou os operadores independentes e pela qual foi condenada a um balúrdio, o qual obviamente não vai pagar. Seremos é o maior cliente independente de alojamento e acesso como qualquer Blog, mas com uma dimensão e requesitos que nos obrigam a custos que nada têm a ver com aqueles que apontas.
Dou-te só um exemplo: experimenta negociar largura de banda garantida. Ou seja, eu quero que os meus utilizadores não fiquem à porta, se por acaso o Moutinho resolve ir para o FC Porto e só o Maisfutebol debite quase 3 milhões de páginas, o que juntando a tudo o resto deu-nos um dia útil das 9 às 19 a debitar 300, 330 Mb constantes…
Vais ver que os custos disparam em flecha. Isto obviamente se fores concorrência. É porque a promiscuidade em Portugal faz com quem te possa fornececer este tipo de infraestruturas seja simultaneamente teu concorrente directo no negócio do conteúdo e da publicidade.
Se não fores uma "ameaça", até te podem oferecer a largura de banda e tudo o resto…
Esta a resposta curta. A outra… Como não me pagam para escrever, fica para mais tarde.
PS – Acho piada à ideia do excel. Aliás ainda a propósito do recorde do Maisfutebol estava a ver os números no Analytics e a pensar quanto é que teríamos ganho se a publicidade no site custasse aproximadamente o mesmo do que em papel em relação a tiragens e audiềncias. Já estava nas Caraíbas, claro. Assim, foi basicamente para perder dinheiro, porque ultrapassámos o nosso limite de largura de banda garantida e vamos ter de pagar o excedente à parte. Estás a ver porque é isto não escala assim tão bem?
Gostei do titulo
Dá que pensar, uma medida que pode ter futuro na net
Porque ficas em Portugal? A banda é universal. Tens CDNs por aí a ar com um pau. Não és obrigado a ser cliente da PT. E mesmo em Portugal, há datacenters que não dependem das ligações da PT.
Ah… a publicidade no site. Pois se os comerciais trabalhassem…. Isto a vida não está complicada só para os jornalistas. Comecem por tirar o AdSense. Aguentem 6 meses. E, claro, não deixem o Sapo engolir tudo, as usual.
Um excelente exemplo para fazer compreender uma vez mais a toda a gente que a net não é equivalente de gratuito nem tão barato como parece…claro ..:-)
Afinal a como fica o kILO???!!
O título foi retirado daquela velha canção dos Abba. 1º albúm
Can you hear the drums fernando?…….
Porque fico em Portugal? Estou a tratar disso, mas até recentemente não era fácil. O housing normal não fornece coisas sem as quais não sobrevivemos como appliances de aceleração web, multiplexadores de ligações, balanceadores de carga de alto nível, teras de storage…. Temos de ter acesso físico e podermos
Pois há. Nós não estamos na PT. Estamos na Sonae. Mas de cada vez que lançamos concurso público eles acabam por ganhar…
Temos o único pessoal que vende publicidade especificamente para a Net há dez anos. Acredita não há melhor. E à conta disso conseguimos nos últimos dois anos sustentar 100 pessoas, dos quais cerca de 70 jornalistas que não se limitam a ficar frente ao computador a recozinhar coisas publicadas nos outros locais da Net e fazem cobertura in loco na África do Sul, por exemplo. Actualmente, só vivemos do negócio Media, ou seja publicidade. Mas é certo que o que nos aguentou até aqui, durante os primeiros seis anos, foi o acesso através do ISP. E se Portugal tivesse o mesmo share de publicidade para o online, como tem por exemplo a Espanha (em Ingalterra então é brutal), estavamos muito bem obrigado.
Assim não perdemos dinheiro como todas as restantes operações dos Media.
além de housing há CDN, redes de distribuição de conteúdos. Era disso que falava.
Bem, agora podem ganhar dinheiro a vender esse know-how ao grupo Impresa
Bom… aí já estás a querer saber demais. Mas posso adiantar que este ano só temos estado a trabalhar nesse sentido: tornar todas as nossas aplicações elastic cloud computing friendly.
Já temos algumas a funcionar assim. Por exemplo, só conseguimos aguentar (financeiramente e em termos de escabilidade) o streaming live das emissões da TVI e TVI24 porque estão na cloud da Amazon.
LOL. São um caso perdido. Desde que no ano do nosso arranque (2000) quiseram fazer "a mãe de todos os sites televisivos" e foram case study nacional de tudo o que não se deve fazer num projecto Internet, que não acertam uma, apesar de gastarem rios de dinheiro.
Não quer dizer que a TVI seja muito melhor. Não é por acaso que os nossos grandes sucesso vêm dos títulos que lançámos exclusivamente on line e não dos que têm suporte tradicional. Se recuares ao post inicial a razão anda por lá: os Media não querem perder valor. E as televisões portuguesas, estas ainda não estão apertadas. A RTP porque nos chula a todos; a TVI porque factura e bem no negócio analógico; a SIC porque pertence a um grupo que sempre andou à deriva na Net.
Claro que a RTP tem um grande site: têm o ordenado garantido ao final do mês e podem dar uma de "serviço público" na net.
Mas como escrevi isto não está fácil para ninguém…
Sou péssimo a fazer contas… Só mesmo com o Excell à frente e alguns dos dados importantes não são públicos, como, por exemplo, o meu ordenado. sorry. Mas como sabes o meu Mercedes não foi barato