Spamado por uma associação de defesa do consumidor? Sim: pela Deco

Hoje recebi em n mails que uso diversas versões da mesma mensagem comercial não solicitadas, enviadas por uma conhecida empresa do ramo, em contrato com o que eu supunha ser uma associação de defesa do consumidor, a Deco, e que como tal se apresenta.
Digo supunha porque em tempo até fui sócio. Há muito tempo, sim, mas apesar de achar que já não me servia, continuei a supor que era uma associação de defesa do comsumidor.
Supus até hoje. Tudo tem um limite. Como é evidente, a Deco fará questão de ignorar a minha opinião e faz muito bem, porque ela não é nada favorável. E continuará a usar os inestimáveis serviços da fabulastico, que adivinho dispor da maior e mais fabulosa base de dados de cândidos alvos do marketing sem permissão, para enviar as suas ofertas comerciais de canetas, agendas e calculadoras a pilhas. Mas no meu correio só entra uma vez. E com protesto público e agravamento da má reputação cá em casa e notificação de spammer em tudo o que eu tiver à mão.
Disclaimer: a prática do spam é legítima e o recurso sem limites de nenhuma espécie a endereços de e-mail obtidos à força, sem o consentimento nem conhecimento dos seus utilizadores, é garantido pela lei em vigor no país e na União Europeia. Faço notar que, como tal, as consequências para a reputação das empresas e entidades que do spam fazem uso estão igualmente legitimadas.
Infelizmente não se pode ter tudo
Este artigo servirá os intentos da fabulastico e pode, inclusivé, ser apresentado ao seu cliente, no caso a Deco, como prova dos bons serviços prestados.
Esqueçam o facto de eu ser um consumidor a protestar: isso é para a fotografia. A verdade é outra. Sou apenas um tik num formulário, na secção “objectivo cumprido”.
Mas como não forneço os endereços que foram atingidos, tendo falado propositadamente num número vago e irreal, o tik do meu resultado vale menos.
Pode a fabulastico apresentar pesarosamente desculpas à Deco. Infelizmente, não se pode ter tudo porque há meia dúzia de consumidores resilientes como eu. Felizmente, o número de consumidores do meu género é estatisticamente desprezível.
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Olá, o meu nome é Paulo Querido e Certamente! é o meu webzine pessoal. Sou consultor de new media, jornalista e escrevo livros e artigos (e também algum código) sobre a net e na net desde 1989. (
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SPAM da DECO: quem nos defende dos nossos defensores?…
…
Paulo,
curiosamente, nos google adwords debaixo do artigo aparece a promoção a um crédito DECO/Caixa Galicia.
Miguel
E agora aparece publicidade “art-déco”
Miguel, há uns tempos eu tinha bloqueado no AdSense os anúncios financeiros. Depois tirei o bloqueio. Agora aceito anúncios financeiros. Continuo a excluir pornografia, toques de telemóveis (os anúncios são irritantes e afastam os leitores) e igrejas.
Um anúncio representa uma mais valia possível para os 3 envolvidos: anunciante, publisher e público. É um negócio aceite e consensual. Ninguém é forçado a ler o meu blogue e os anúncios que ele possa conter.
O marketing pessoal sem permissão é uma prática perigosa para quem o faz, em qualquer caso. Mas para organizações que cuidem da sua reputação, o marketing à força é proibido. digo eu e dirá qualquer pessoa ligada aos media e dotada de bom senso.
Bom senso, eis algo que — na minha humilde opinião — falta à Deco. Uma entidade que se pretende de associação de defesa do consumidor não pode simplesmente usar técnicas que são contra o consumidor, nem sequer sob o pretexto da legalidade.
Não me queixo de todos os spams que recebo, a grande maioria é ignorável: são “empresas” sem rosto, voláteis e socialmente irrelevantes. Mas considero que devo resistir quando estou em presença de uma organização para quem a reputação e a marca são fundamentais.
Além de um ultraje, considero um escândalo (de pequenas proporções embora) que uma “associação de defesa do consumidor” dispare à queima roupa milhões de e-mails sobre os consumidores desprotegidos, vítimas de quem diz que existe para os defender.
[ Quem tem telhados de vidro... ]
Vou calar-me.
Rui
Também recebi esse email e se verificar no rodapé tem um link para a remoção. Se não quiser voltar a receber é só remover, foi o que eu fiz
Caro Luis, desaconselho vivamente clicar em links desses. A única coisa com que pode contar é com multiplicar por muito o número de spam que vai passar a receber. Ao clicar aí, está apenas e só a confirmar à empresa, a fabulastico, que o seu endereço é real, tem mesmo alguém por detrás. Ou seja, o seu mail vai passar a valer mais na economia subterrânea do spam.
Não tem nada que saber: aguarde umas semanas e verá.
Estes emails nem sempre vêm de quem dizem que vêm, o mais certo é virem de uma pessoa qualquer com um link de afiliado, apesar de no nome do emissor vir “Deco Proteste” é muito provável que venho de outra pessoa qualquer. Também recebo mails destes aos potes.
Não há que dar o benefício da dúvida à DECO. No início deste ano a minha mulher andou pelo site deles, começou a preencher o formulário para se fazer sócia mas a meio-caminho desistiu: não clicou, não enviou dados (de forma voluntária) não pagou nada… mas até hoje continuo a receber as ditas revistas em casa – uma versão em papel do SPAM? Ou a certeza de um negócio sob o manto da defesa do consumidor?
Por fim, só meis uma nota: sugiro a leitura atenta aos testes sobre HW e SW na Proteste: faço-o há mais de 10 anos e, muitas vezes, os senhores espetam-se ao comprido; como sei se os testes aos iogurtes estão correctos?
“Uma versão em papel do SPAM? Ou a certeza de um negócio sob o manto da defesa do consumidor?”
Eu diria muito prosaicamente que a defesa do consumidor é um negócio (talvez não) como outro qualquer…
“Eu diria muito prosaicamente que a defesa do consumidor é um negócio (talvez não) como outro qualquer…”
É… estranho modo de vida! Bem sei que os senhores têm que manter a sua estrutura e, de preferência, mantendo a independência de subsídios ou apoios empresariais. Mas se a fronteira entre a defesa do consumidor e o negócio já é ténue, estas práticas deixam adivinhar o pior.
Já lá vão alguns anos, lembro-me de alguém ligar (ou mencionar, lol) um tipo belga (?) que contava como ele e a mulher recebiam a Proteste de borla lá do sítio durante meio ano com base nas ofertas deles. Durante o resto do tempo compravam quando havia artigos de interesse
Eu acho que a revista funciona de forma independente e quem vende esta vende-a da mesma forma que vendeu (ou também vende) outras. Um caso clássico de uma mão que não vê o que a outra faz.
“Também recebi esse email e se verificar no rodapé tem um link para a remoção.”
“Também assaltei a casa deste senhor e se verificar está tudo aqui para remoção.Sou inocente.”
Caros participantes,
venho lembrar que somos muitas vezes maldizentes escusadamente. A Deco é das poucas instituições que mantém uma postura de isenção e sendo financiada pelos seus sócios (pessoas anónimas como eu) não obedece a lobbys ou interesses profissionais ou pessoais.
Claro que comete os seus erros e o envio de mail não solicitado pode ser visto como um, mas não vamos enveredar pela crítica gratuita que leva à destruição. Seria talvez o que grandes interesses economicos queriam para poderem vender à vontade produtos sem qualidade. Não façamos esse papel.
Caro Alberto Martins, sendo verdade que a maledicência gratuita e fácil é frequente na web, não vi ainda aqui disso. A Deco foi aqui criticada objectivamente em erros que comete e que surjem aos olhos do cidadão como inaceitáveis numa associação de defesa do consumidor.
A saber:
1. enviar correio comercial não solicitado usando as listas e os métodos dos spammers;
2. o envio da revista papel sem que esta tena sido pedida;
Foi também colocada em questão, de forma superficial é certo, a qualidade dos testes de hardware e software.
Nenhuma destas críticas é gratuita.
O paleio dos “grandes interesses económicos” é propaganda que me escapa: estes andam em função das forças do mercado e a Deco é uma das mais minúsculas forças.
Não comento a dos lobbies. As minhas suspeitas apontam noutra direcção, mas não pretendo partilhá-las.
Caro Alberto Martins,
Da minha parte julgo imprescindível uma entidade como a Deco. O problema é que a gratuiticidade das críticas, de que fala, perde terreno quando juntamos vários acontecimentos e m u”modus operandi” estranhos a uma lógica de defesa do condumidor.
Deixo apenas duas questões que coloco a mim próprio com frequência:
1 – qual a verdadeira relação entre a DECO e a revista Proteste e porque essa relação não surge bem explícita?
2- Porque são utilizadas práticas de marketing tão agressivas, normalmente associadas a outro tipo de empresas e negócios (as próprias práticas de renovação de assinaturas, pelo menos há uns anos, era avassaladora…)?
É essencial que uma entidade como a DECO tenha força, a bem de todos; mas não podemos deixar de a questionar – e, eventualmente, contribuir para a sua melhoria – apenas porque se trata da única associação do género “independente”.
Cumprimentos
A deco não é uma associação de defesa do consumidor mas sim de informação ao consumidor, depois este que se desenrasque… Também já fui sócio e saí porque quando precisei, reencaminharam-me para outro lado (incapaz de resolver o meu problema) com o argumento que só informam e estão limitados na actuação.
Pelo que parece estão mesmo empenhados em informar (já que pouco mais fazem) e há sempre alguém que lê o spam.
[...] um cidadão sente-se efectivamente torpedeado. Já tinha denunciado em Julho último a situação: Spamado por uma associação de defesa do consumidor? Sim: pela Deco. Na altura, a Deco usava o spam provider fabulastico.com. Agora, recorre à comsualicenca.com [...]