Ttttttentações (e porque lhes resistir)
Eu gostava de ser o CEO da Twiter, Evan Williams, em dois momentos recentes. Quando disse “não” a propostas de aquisição por valores daqueles que levam as massas ao delírio. O primeiro momento-não aconteceu há semanas, resistindo à tentação de encaixar, já, 500 milhões de dólares, pagos sobretudo em acções pela Facebook. O segundo momento-não sucedeu mais recentemente, recusando a oferta da Google ela própria: 250 milhões em cash.
É mais fácil do que parece, resistir a este tipo de tentações. Mas deve dar um gozo do caraças dizer que não assim. Duas vezes.
Consta que Williams — sigam @ev no Twitter — pestanejou. Eu teria pestanejado, admito. E aguentado firme. Dinheiro é coisa que não falta para esta fase da empresa. E se precisar de, digamos, outros 30 milhões de dólares para mais maquinaria, engenheiros, testes, é só abrir a boca e uma dezenas de dedos se erguerão no ar, ansiosos por serem escolhidos para passar o cheque.
Assim, para quê correr atrás de foguetes? Se a Google acha que o Twitter vale 250 milhões de dólares é porque o Twitter vale eventualmente 2.500 milhões para ela. E se o Twitter vale eventualmente 2.500 milhões de dólares para a Google, Inc, então é porque vale três ou quatro vezes mais.
Os rumores seguintes falavam já de uma oferta de 1.000 milhões, o bilião dos americanos.
Muito dinheiro por uma start-up que tem menos de 20 milhões de utilizadores e cujo produto é grátis?
Depende da perspectiva. Na perspectiva da imensa maioria das pessoas, é demasiado dinheiro. Pois é, a imensa maioria das pessoas não possui dotes de imaginação capazes de ter uma ideia com poder de mudar uma indústria.
Para outros, contudo, é barato. Recue o leitor a 2002, quando a Google, Inc. era uma empresa privada que oferecia, a troco de nada, os melhores resultados da pesquisa na web e não tinha uma ideia concreta sobre que modelo de negócio abraçar (na verdade a Google nem sabia ainda onde se posicionar, se como empresa de media, de pesquisa, ou de publicidade, e tinha facturado 86 milhões de dólares no ano anterior a vender, além da publicidade no site… a sua tecnologia de pesquisa dentro de uma caixa amarela). Terry Semel, então CEO da Yahoo! (que era a empresa mais forte ao cimo da Internet), ofereceu 3.000 milhões para comprar a Google — estava mais ou menos convencido, ou consciente, do facto de a Google valer então, na verdade, 5.000 milhões.
O que teria o leitor pensado então? Que era uma pipa de massa, como diria Belmiro de Azevedo?
Por muito entusiasmado que o leitor fosse, o mais certo era, ainda assim, ter vistas curtas. Como a história confirmou, valia dez vezes isso. Nas calmas. As receitas no ano passado foram de 21.700 milhões (margem de 30% de lucro) e duplicam a cada dois anos, números oficiais.
Se recordo estes pornográficos números nesta altura, é para vincar que a oferta faz todo o sentido — e a recusa de Ev Williams faz ainda mais sentido. Tal como Brin, Page e Schmidt teriam perdido o seu sonho se tivessem aceite o conforto dos dólares do então incumbente Yahoo!, Jack Dorsey e Biz Stone perderão a hipótese de ver até onde pode ir o seu Twitter caso o vendam nesta altura. Nenhum empreendedor da web 2.0 cometeria semelhante disparate. Equivale a trocar uma viagem transatlântica num excitante caça experimental por uma cabina de luxo num cargueiro.
Existe uma verdadeira paranóia com os modelos de negócio na Internet. A precaução na hora de investir e as avaliações fizeram parte integrante, e essencial, da gestão de negócios no mundo físico mas não estou certo que sejam tão importantes no mundo digital em rede, para o qual aflui cada vez mais a criatividade humana. As maiores marcas web — todas as que me consigo lembrar, pelo menos — obedeceram ao mesmo um padrão evolutivo: arrancar e crescer, só decidindo qual o modelo de lucro mais tarde no percurso.
Anos mais tarde.
A Amazon deu prejuízo, enervando os accionistas durante anos e levando a Imprensa a fustigar o seu CEO, Jeff Bezos, sempre com a mesma questão sobre quando vinham as receitas.
A Google, Inc operou quase metade da sua curta vida de uma década sem ter modelo de negócio. Se o utilizadores só a conhecem nos últimos cinco ou seis anos, é natural que não o recordem. Mas esta amnésia colectiva dos media é preocupante.
Podia passar o resto do dia a dar exemplos redundantes. Não vamos perder o nosso tempo. O mundo mudou, em especial o mundo empresarial. Fica abaixo, isso sim, um apanhado das respostas dos leitores que me seguem no Twitter (@PauloQuerido). Coloquei a pergunta: o que acham que aconteceria se a Google, Inc comprasse o Twitter?
- paulooliv Acho que a questão da lentidão desapareceria
- missquiz API expansion; live tweets with YouTube video; those little ads on the Twitter home page would quickly become Google ads…
- crisfbc Passava a beneficiar de uma estrutura com fôlego, talvez deixasse de ter problemas de agora, como panne diária a meio da tarde
- vitormendes77 Acho que teria ainda mais visibilidade, e se calhar mais funcionalidade interactiva… mas poderia perder alguma originalidade
- jcaetanodias Faziam mais alguns milionários. O Google Tweet teria um sofisticado motor de busca. Poderíamos mandar tweets do Gmail.
- Mentooriginal passariamos a ter menos caracteres disponíveis por mensagem (metade). O resto seriam links para publicidade do google
- frohiky o mesmo que aconteceu ao youtube….
- cmoreira + integração c os serviços (ex:fburner,gmail, gtalk, calendar) Opção d adwords do próprio user.ads nos resultados das search
- adrijobecq Apesar da ameaça de monopólio, o twitter ficaria mais eficiente, e permitiria uma maior interligação com outros widgets
- davidl07 O que é que aconteceu quando comprou o YouTube? Nada…
- pafmax Em perpétua versão beta, claro! (o Gmail está em beta desde 2004… o que é que são 5 anos pa desenvolver software?!)
- Under Passava a usar o login do google
- marcodinissanto se o Google comprasse o Twitter teríamos buscas integradas. E provavelmente os bots a ver o que twitamos para o adsense.
- pafmax Google a comprar o Twitter?! AdTwits!!
- igotshot Primeira mudança: ia ter publicidade.
- cantodojo teria ad-sense.
- paulozoom o mesmo q aconteceu ao youtube. fica “independente”, mas com ads. e os resultados da pesquisa integrados na do google.
- jorge_orge ao twitter aconteceria o mesmo que aconteceu ao youtube
- JoaoPe Caixa search ficava maior com Ads ao lado dos results. De resto ficava td + ou – na mesma. Mudava o search na internet
- PauloFurtado contras: publicidade…? perda de alguma identidade própria? questões de privacidade? e todos os add-ons em volta do Twitter?
- PauloFurtado prós: integração de serviços = gmail+twitter? pesquisa melhorada? etc
- PauloFurtado os prós: injecção de dinheiro e recursos = menos “failwhale”, mais certeza de que permanece gratuito, melhor interface web
- davidbranco A Baleia deixava de aparecer e haveria AdSense por todo o lado bem ao género do que aconteceu com o youtube
- fernandomateus teríamos text ads na barra lateral ou enfiados nos twits tal como se vê nos blogs.
- retorta anúncios contextuais na home e no perfil, eventualmente um serviço pro com funcionalidades extra (arquivo e triagem de fontes)
- wOwtaku Desejava que corrigisse alguns bugs, mas de resto, espero que não alterasse grande coisa (para já). http://twurl.nl/7ekkqx
- esgravatar se forem inteligentes não mexem muito e impedem o crash de crescimento
- dissidencias Seriamos transformados em gootwittles
- VascoCardoso 2º O Evan Williams e o Biz Stone ficariam livres para criar mais uma fantastica ferramenta web 2.0
- duartenn melhoravam a performance de uma vez por todas
- jptiago No mínimo, começamos a ter tweets de publicidade relacionada com as palavras usadas nos nossos próprios teets
- fabios O sistema de busca ficaria muito melhor com tradução imediata de “short URLs” e links para imagens.
- IdeiaDoCamandro Eu julgo que a baleia Guilherma ficaria em perigo de extinção. Um pequeno passo para nós, um grande passo para o twitter.
- VascoCardoso 1º A necessidade d twitter possuir 1 modelo d negocio tornar-se-ia redundante pois o seu search seria integrado no google
- BordadoIngles Teríamos anúncios a poluir o design do nosso perfil, bordado com tanto carinho
- filipe_murteiraNão achava nada de estranho
- fernandobatista Sinceramente? Começaríamos a ter o Twitter com Google Ads. That’s it on a first moment
- MonaLisagasosaAlguém ficaria podre de rico?!
- francismata Ora vamos lá a pensar… mtos geeks, pelo menos, ficavam zangados!
- Nocas_Mota Deixava de ser o nosso cantinho e passava a ser mais um…
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Olá, o meu nome é Paulo Querido e Certamente! é o meu webzine pessoal. Sou consultor de new media, jornalista e escrevo livros e artigos (e também algum código) sobre a net e na net desde 1989. (
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very useful information.thanx a lot..
Se fosse por mim fechava o twitter.
O Paulo passou de vários posts por dia para um de vez em quando. Vinha aqui várias vezes por dia e lia e aprendia (excepto os de política que definitivamente não é o seu forte) agora, imagino que ande a twitar. E a “injectar” informação como disse num post qualquer.
Para aqueles que como eu não seguem a informação de forma obsessiva, o twiter é algo dificil de utilizar.
Enfim, fico à espera que se cansem e voltem aos artigos com menos informação e mais informados.
Eu sei, eu sei, é de graça não tenho que me queixar, mas pronto, aqui fica. E que anda a acontecer um pouco por todo o lado. Mas acho que vai passar…
Nuno Pedrosa
Nuno, uma parte do que dizia aqui nesses posts todos por dia, desenvolvo melhor na actividade no Twitter, com ganho pessoal.
Sei que descuro um pouco os meus leitores do blog. Devo contudo dizer que não é o Twitter, ou não é só o Twitter, se quiser, a tirar-me o tempo de escrita: são os projectos em que me envolvi. Nomeadamente, estes 3: o Criar 2009 (www.criar2009.gov.pt), a cobertura das eleições para o Público cuja primeira face, o blog eleições 2009, já está visível em http://blogs.publico.pt/eleicoes2009, e o http://TwitterPortugal.com/blog — uma publicação sobre redes sociais.
Tenciono, mal disponha de algum tempinho, renovar um pouco o Certamente. Não ao nível da forma, que se manterá, mas do conteúdo e da regularidade.
Como em tudo, e para tudo, há vantagens e desvantagens.
A verdade é que, uma eventual aquisição do Twitter por parte da Google, não é mais do que uma passagem de uma paltaforma “artesanal” para uma de produção em série.
Haverá certamente mais ferramentas, mais facilidade, mais connectividade… mas se cahar, perde-se, como aqui já foi dito, aquele sentimento de “nosso cantinho”.
Hum… Nuno, artesanal, com 30 milhões de dólares para gastar? Mesmo com as aspas… enfim!
Paulo,
O “artesanal” do outro Nuno parece-me mais no sentido cosy. Mais no sentido que falou sobre a morte da blogoesfera.
Mas é um sentimento que os que gostam de andar na frente vão ter sempre: fartam-se de falar das vantagens de uma ferramente até ela se tornar mainstream. Depois passam para a outra porque o “spot tá com bué de croud” e deixam de ser capazes de colocar uma esferográfica na mão do pivot dos mainstream. É uma busca sem fim.
Ainda bem para mim e para os que como eu, mais que descobrir querem utilizar.
Fico a aguardar a renovação, embora o que me interessa sejam mesmo os conteudos.
Os 140 caracteres lembram-me o textos a passar nos canais de televisão. Sabe a pouco e para isso já temos. Mas confesso que nunca me habituei ao twitter. Utilizo-o como interface para o facebook. Pouco mais. Tenho a certeza que dá para mais, mas pronto.