A carruagem a cavalo do século XXI

Há muito quem participe, com variados graus empenho, em grupos que ambicionam a salvação dos jornais. Embora nutra pela ideia um romântico olhar, não posso deixar de manter algum realismo: querer salvar os jornais da “ameaça” da Internet equivale a querer defender da “ameaça” do automóvel as carruagens puxadas por cavalos.
Responderam-me no Facebook que querem verdadeiramente salvar é o dinheiro, não o objecto jornal. Pior um pouco, nesse caso. É que o jornal enquanto objecto sobreviverá ao jornal enquanto gerador de receita. Em determinadas circunstâncias continuamos a andar em elegantes (embora mal cheirosas) carruagens puxadas por cavalos. Como leremos jornais e papéis e livros em determinadas circunstâncias, um dia qualquer no futuro. Ninguém viaja mais em carruagens. Muito em breve, ninguém se informará pelos jornais (e já há gerações que nunca compraram um jornal).
O jornalismo com suporte informático está na fase pré-Ford T. Sabemos que a mudança de paradigma já se deu, mas ainda não temos um modelo que possa pagar qualquer salário, desde que seja razoável. Quando surgirem as novas formas de comercializar o produto de uma função, o jornalismo, adaptadas às tecnologias dominantes, a indústria da distribuição de notícias em papel terá terminado de vez. É uma questão de tempo e resta pouco.
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Olá, o meu nome é Paulo Querido e Certamente! é o meu webzine pessoal. Sou consultor de new media, jornalista e escrevo livros e artigos (e também algum código) sobre a net e na net desde 1989. (
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Provavelmente já surgiram: iPhone e iPod Touch
O problema é que ainda não se generalizaram. Agora imagina que o New York Times lançava uma aplicação ao preço de 2/3 dólares que oferecia um interface mais adaptado para dispositivos móveis e uma leitura mais fácil que a versão básica da Web. É claro que isso seria uma fonte de receitas temporária mas o caminho a trilhar é por aí.
O problema dos jornais é o mesmo do que as editoras discográficas, produtoras de software e estúdios de cinema, com a agravante do seu produto final ser mais efémero e descartável. Todas as empresas estão cada uma à sua maneira a tentar recriar a escassez pré-era digital no digital. Mas quem não percebe nada de ecologia dos media e de história dos media não consegue vislumbrar mais nada do que o curto prazo. Talvez as pessoas não estejam dispostas a pagar pela informação jornalística se ela lhes chegar através de um ecrã de um computador convencional. Mas é muito provável que elas estejam dispostas a pagar para receber uma versão móvel do NY Times ou do Público para telemóveis ou uma versão adaptada para o Kindle da Amazon. Ou talvez para uma versão falada em formato podcast para ouvir no carro ou quando estão no ginásio. Porque é mais conveniente e mais prático.
Com a Internet atingir a fase em que deixa de ser algo de geeks e gente interessada pela tecnologia, passando a ser mais um bem de consumo é inevitável que este seja o futuro.
Olá boas tarde caro Paulo Querido, então já há resultados dos vencedores do concurso Google Mymaps? Era para hoje a divulgação dos vencedores certo?
Parabéns pela sua participação trabalho e divulgação da blogosfera portuguesa.
oi