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	<title>Comentários em: A censura velada, a ditadura silenciosa e o plano inclinado</title>
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	<description>Paulo Querido escreve.</description>
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		<title>Por: JPC</title>
		<link>http://pauloquerido.pt/media/a-censura-velada-a-ditadura-silenciosa-e-o-plano-inclinado/comment-page-1/#comment-4112</link>
		<dc:creator>JPC</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 Mar 2010 19:03:16 +0000</pubDate>
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		<description>Post pertinente e cabe certamente &#224;s novas gera&#231;&#245;es mudar os ares. Mas levanta-me algumas interroga&#231;&#245;es. Desde logo n&#227;o tenho tanta certeza que esta histeria (politicamente motivada) em torno da comunica&#231;&#227;o social e da sua independ&#234;ncia (e at&#233; liberdade), seja reflexo da fruta da &#233;poca, ou mesmo que o panorama seja t&#227;o negro como muitos querem pintar. O que vejo &#233; ao lado de um jornal eventualmente dependente, aparecem logo dois ou tr&#234;s a reafirmar a sua independ&#234;ncia descobrindo mais carecas e levantando mais broncas.

H&#225; tamb&#233;m a quest&#227;o, que o Paulo Querido bem conhece, da realidade dos m&#233;dia (pelo menos no ponto de vista dos leitores/consumidores) &#233; radicalmente diferente do que era at&#233;, nem &#233; preciso ir muito longe, h&#225; dez anos atr&#225;s. Altura em que eu pr&#243;prio ainda era jornalista e dava cabo dos neur&#243;nios e dos nervos em redac&#231;&#245;es. E, na altura (comecei na profiss&#227;o h&#225; cerca de vinte anos), j&#225; se verificavam os problemas que o Paulo aqui identifica. E tamb&#233;m havia muita malta, nova e velha, mais idealista e com vontade de mudar o sistema e mudar os ares. Depois vinha a vida real, que tem o p&#233;ssimo h&#225;bito de cilindrar ilus&#245;es. Mas alguns idealistas at&#233; vingavam e conseguiam a mudan&#231;a. Olhe, o caso do Independente &#233; exemplar nesse contexto, tendo sido uma experi&#234;ncia que abriu novas fronteiras &#224; profiss&#227;o e aos leitores em Portugal. Mas h&#225; mais exemplos, a saudosa Grande Reportagem, o P&#250;blico, a TSF, etc. Mas hoje, como dizia, vivemos numa outra dimens&#227;o medi&#225;tica, a da world wide web, onde a informa&#231;&#227;o flui com muito mais liberdade e ubiquidade.

&#201; evidente que os m&#233;dia tradicionais enfrentam ainda quest&#245;es deontol&#243;gicas e profissionais s&#233;rias (que o Paulo refere) e espec&#237;ficas do jornalismo, n&#227;o s&#243; do campo da informa&#231;&#227;o em geral. Mas n&#227;o vejo que o jornalismo esteja em risco. Ser&#225; sempre necess&#225;rio e fundamental numa sociedade democr&#225;tica. As incertezas que vejo s&#227;o eventualmente de outra ordem, mais da ordem da adapta&#231;&#227;o t&#233;cnica e te&#243;rica. Mas n&#227;o em rela&#231;&#227;o ao pr&#243;prio futuro do of&#237;cio. N&#227;o pretendo questionar nada em especial, pe&#231;o desculpa, s&#227;o s&#243; reflex&#245;es um pouco livres que me ocorrem.

Tamb&#233;m n&#227;o partilho muito da mesma sensibilidade em rela&#231;&#227;o aos &#171;condicionalismos ideol&#243;gicos&#187; dos m&#233;dia. Acho isso at&#233; algo natural. Os m&#233;dia n&#227;o existem numa dimens&#227;o paralela, et&#233;rea. S&#227;o a express&#227;o de uma sociedade, dela emanam e &#233; natural que reflictam diferentes sensibilidades, ainda que tendencialmente se procure a objectividade e a independ&#234;ncia. Desde logo, &#233; natural que jornalistas, editores ou directores tenham certas inclina&#231;&#245;es, como todos temos. Quem n&#227;o tem inclina&#231;&#245;es s&#227;o as amebas. Devem tentar por de parte essas inclina&#231;&#245;es no exerc&#237;cio das suas fun&#231;&#245;es, sim, devem, mas essa, como bem sabem os m&#233;dia anglo-sax&#243;nicos, n&#227;o &#233; um dever absoluto nem absolutista. At&#233; porque o panorama dos m&#233;dia acaba em certa medida por ser um micro-cosmos do todo social. E, por exemplo, no todo social a maioria dos cidad&#227;os s&#227;o democratas moderados do chamado &quot;centr&#227;o&quot; - facto que se manifesta claramente nas urnas.

Provavelmente o BE ou o PCP (gente que vejo constantemente na TV, por exemplo), ou outras correntes ideol&#243;gicas minorit&#225;rias, ter&#227;o nos m&#233;dia a mesma representa&#231;&#227;o que ter&#227;o na sociedade. Dir-me-&#227;o que as correntes minorit&#225;rias s&#243; o s&#227;o porque continuam minorit&#225;rias nos m&#233;dia. Pois eu digo que essa &#233; uma vis&#227;o paternalista das coisas. Eu localizo-me na &#225;rea do centr&#227;o e n&#227;o deixo de ter acesso e de ler e ouvir informa&#231;&#227;o ou opini&#227;o oriunda de outras sensibilidades. N&#227;o sei se as pessoas s&#227;o assim t&#227;o fechadas &#224; pluralidade e, se o forem (h&#225; fan&#225;ticos em todo o lado), se-lo-&#227;o qualquer que seja a sensibilidade. Se essa &#171;tend&#234;ncias igualmente relevantes&#187; se querem fazer ouvir, t&#234;m de come&#231;ar a ganhar o seu espa&#231;o, a fazer-se ouvir. Provavelmente n&#227;o ser&#225; a melhor estrat&#233;gia esperar que algum director os convide, ou que a ERC &quot;fa&#231;a alguma coisa&quot;. O qu&#234;?...</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Post pertinente e cabe certamente &agrave;s novas gera&ccedil;&otilde;es mudar os ares. Mas levanta-me algumas interroga&ccedil;&otilde;es. Desde logo n&atilde;o tenho tanta certeza que esta histeria (politicamente motivada) em torno da comunica&ccedil;&atilde;o social e da sua independ&ecirc;ncia (e at&eacute; liberdade), seja reflexo da fruta da &eacute;poca, ou mesmo que o panorama seja t&atilde;o negro como muitos querem pintar. O que vejo &eacute; ao lado de um jornal eventualmente dependente, aparecem logo dois ou tr&ecirc;s a reafirmar a sua independ&ecirc;ncia descobrindo mais carecas e levantando mais broncas.</p>
<p>H&aacute; tamb&eacute;m a quest&atilde;o, que o Paulo Querido bem conhece, da realidade dos m&eacute;dia (pelo menos no ponto de vista dos leitores/consumidores) &eacute; radicalmente diferente do que era at&eacute;, nem &eacute; preciso ir muito longe, h&aacute; dez anos atr&aacute;s. Altura em que eu pr&oacute;prio ainda era jornalista e dava cabo dos neur&oacute;nios e dos nervos em redac&ccedil;&otilde;es. E, na altura (comecei na profiss&atilde;o h&aacute; cerca de vinte anos), j&aacute; se verificavam os problemas que o Paulo aqui identifica. E tamb&eacute;m havia muita malta, nova e velha, mais idealista e com vontade de mudar o sistema e mudar os ares. Depois vinha a vida real, que tem o p&eacute;ssimo h&aacute;bito de cilindrar ilus&otilde;es. Mas alguns idealistas at&eacute; vingavam e conseguiam a mudan&ccedil;a. Olhe, o caso do Independente &eacute; exemplar nesse contexto, tendo sido uma experi&ecirc;ncia que abriu novas fronteiras &agrave; profiss&atilde;o e aos leitores em Portugal. Mas h&aacute; mais exemplos, a saudosa Grande Reportagem, o P&uacute;blico, a TSF, etc. Mas hoje, como dizia, vivemos numa outra dimens&atilde;o medi&aacute;tica, a da world wide web, onde a informa&ccedil;&atilde;o flui com muito mais liberdade e ubiquidade.</p>
<p>&Eacute; evidente que os m&eacute;dia tradicionais enfrentam ainda quest&otilde;es deontol&oacute;gicas e profissionais s&eacute;rias (que o Paulo refere) e espec&iacute;ficas do jornalismo, n&atilde;o s&oacute; do campo da informa&ccedil;&atilde;o em geral. Mas n&atilde;o vejo que o jornalismo esteja em risco. Ser&aacute; sempre necess&aacute;rio e fundamental numa sociedade democr&aacute;tica. As incertezas que vejo s&atilde;o eventualmente de outra ordem, mais da ordem da adapta&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica e te&oacute;rica. Mas n&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o ao pr&oacute;prio futuro do of&iacute;cio. N&atilde;o pretendo questionar nada em especial, pe&ccedil;o desculpa, s&atilde;o s&oacute; reflex&otilde;es um pouco livres que me ocorrem.</p>
<p>Tamb&eacute;m n&atilde;o partilho muito da mesma sensibilidade em rela&ccedil;&atilde;o aos &laquo;condicionalismos ideol&oacute;gicos&raquo; dos m&eacute;dia. Acho isso at&eacute; algo natural. Os m&eacute;dia n&atilde;o existem numa dimens&atilde;o paralela, et&eacute;rea. S&atilde;o a express&atilde;o de uma sociedade, dela emanam e &eacute; natural que reflictam diferentes sensibilidades, ainda que tendencialmente se procure a objectividade e a independ&ecirc;ncia. Desde logo, &eacute; natural que jornalistas, editores ou directores tenham certas inclina&ccedil;&otilde;es, como todos temos. Quem n&atilde;o tem inclina&ccedil;&otilde;es s&atilde;o as amebas. Devem tentar por de parte essas inclina&ccedil;&otilde;es no exerc&iacute;cio das suas fun&ccedil;&otilde;es, sim, devem, mas essa, como bem sabem os m&eacute;dia anglo-sax&oacute;nicos, n&atilde;o &eacute; um dever absoluto nem absolutista. At&eacute; porque o panorama dos m&eacute;dia acaba em certa medida por ser um micro-cosmos do todo social. E, por exemplo, no todo social a maioria dos cidad&atilde;os s&atilde;o democratas moderados do chamado &quot;centr&atilde;o&quot; &#8211; facto que se manifesta claramente nas urnas.</p>
<p>Provavelmente o BE ou o PCP (gente que vejo constantemente na TV, por exemplo), ou outras correntes ideol&oacute;gicas minorit&aacute;rias, ter&atilde;o nos m&eacute;dia a mesma representa&ccedil;&atilde;o que ter&atilde;o na sociedade. Dir-me-&atilde;o que as correntes minorit&aacute;rias s&oacute; o s&atilde;o porque continuam minorit&aacute;rias nos m&eacute;dia. Pois eu digo que essa &eacute; uma vis&atilde;o paternalista das coisas. Eu localizo-me na &aacute;rea do centr&atilde;o e n&atilde;o deixo de ter acesso e de ler e ouvir informa&ccedil;&atilde;o ou opini&atilde;o oriunda de outras sensibilidades. N&atilde;o sei se as pessoas s&atilde;o assim t&atilde;o fechadas &agrave; pluralidade e, se o forem (h&aacute; fan&aacute;ticos em todo o lado), se-lo-&atilde;o qualquer que seja a sensibilidade. Se essa &laquo;tend&ecirc;ncias igualmente relevantes&raquo; se querem fazer ouvir, t&ecirc;m de come&ccedil;ar a ganhar o seu espa&ccedil;o, a fazer-se ouvir. Provavelmente n&atilde;o ser&aacute; a melhor estrat&eacute;gia esperar que algum director os convide, ou que a ERC &quot;fa&ccedil;a alguma coisa&quot;. O qu&ecirc;?&#8230;</p>
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