Ângelo Granja: novamente, o Twitter enquanto agência noticiosa

Já me tinha sucedido antes, com a morte de Arthur Clarke, voltou a ocorrer esta tarde ter o Twitter enquanto agência noticiosa, ou rádio planetária.
Desta vez, soube do falecimento de Ângelo Granja mesmo um pouco antes de a Lusa emitir o boletim completo, o que aconteceu às 17:36 — não sei se emitiu algum flash antes, tendo em conta a importância da pessoa não é provável.
A publicação de dois posts sobre o assunto assim em jeito de telegramas da Lusa, como acontecia quando o serviço ainda era em telex, com um flash a dar o essencial da notícia e este artigo mais desenvolvido abaixo na sequência, é uma dupla homenagem: ao homem que morreu hoje, e que foi um dos chefes de Redacção emblemáticos dos anos 80, e ao jornalista que me deu a notícia da sua morte pelo Twitter, o António Martins Neves, que entrou para o Diário Popular do Granja na altura em que eu estava a sair.
É uma homenagem a homens dos telexes, da pirâmide invertida e do paradigma da escassez informativa.

Ângelo Granja tinha quase dois metros, um vozeirão ainda pior do que o Acácio Barradas (embora gritasse menos que este) e juntos faziam uma dupla dos diabos, a que se juntavam ainda o Paulo de Carvalho (hoje reformado na Escandinávia, espero) e o António Colaço (não sei dele). Mas aquela dupla mantinha mais ou menos em sentido, para o bem e para o mal, uma Redacção de vedetas, candidatos a vedetas, penduras partidários, grandes jornalistas em formação ou formados, e meia dúzia de jovens promessas como eu, que davam o corpo ao manifesto das 8:00 às 20:00 (com a figura da isenção de horário, foi a primeira vez que tive um salário decente — mas fazíamos horários pornográficos, eu e o Fernando Soares.)

Além de jornalista foi autor de teatro, radialista e e colaborou na escrita para teatro e para marchas populares. Com Francisco Nicholson, foi co-autor da telenovela “Cinzas”, exibida na RTP nos anos 1990. Faleceu hoje em Viana do Castelo. Tinha 67 anos.

Debate

Ainda sem opiniões no artigo “Ângelo Granja: novamente, o Twitter enquanto agência noticiosa”

    1 nuno em 12 Abr 08 19:13

    Era uma pessoa excepcional! Vai fazer muita falta aos seus familiares e amigos, com quem convivia diariamente. Esteja onde estiver, um abraço!

    2 André e Sofia em 13 Abr 08 15:46

    Querido Ângelo,
    Ângelo, grande em tamanho e enorme em presença! Lavraste em nós um terreno que se tornou fértil e que anseia pela água e pelo sol que nos dedicas.
    A tua garra, a tua revolta, as tuas convicções vivem em nós, nos nossos pensamentos nas nossas atitudes.
    Dois anos de convivência que nos marcaram para a vida.
    Queremos uma massada de peixe, a tua dedicação num arroz de pato, uma conversa sobre o mundo ao sábado à tarde, e no domingo, o prazer de estarmos sentados à mesa, todos juntos, filhos, pais , amigos, irmãos, amores, o nosso campo de flores silvestres!
    Queremos tomar um chá de erva do príncipe, na tua cozinha, com o calor da tua lareira fustigada por um discurso intenso, vivido e emocionado, na tua voz forte e vibrante, impregnada de experiências o soar de histórias doces e amargas que nos revela o teu íntimo que passou a fazer parte de nós e nos enriqueceu.
    Afinal qual é a tua arte?
    O teatro – as tuas verdades, o teu jogo de palavras, os teus sonhos.
    A escrita – as tuas descobertas, as tuas novelas, as tuas músicas, as tuas reportagens.
    A gastronomia – os teus pratos, os teus petiscos, as tuas combinações.
    A cultura – as tuas conversas, as tuas viagens, os teus interesses, os teus livros, a tua sede de saber, os teus encontros secretos nas novas tecnologias.
    A arquitectura da quinta – o lago, a relva, as plantas, a granja.
    As colecções – as tuas janelas, os teus quadros, os teus santos, Santo António, Santo Antoninho…

    Ângelo, obrigado pelo carinho com que partilhaste connosco essas tuas visões e com o fervor das tuas palavras nos alargaste os horizontes.
    Obrigado por partilhares a paz que idealizaste nesse lugar tão bonito e tão teu e tão nosso!

    Pensar em ti é um sorriso, um suspiro bom, uma saudade…

    Acreditamos que estás a olhar para nós, ainda temos tanto para te contar.

    3 Andre e sofia em 13 Abr 08 15:52

    O velório do Ângelo está a ser realizado na igreja de Campanhã na Rua do Falcão. O funeral irá ser realizado no cemitério do Prado na segunda feira às 10h.

    4 ana e marina em 14 Abr 08 14:40

    :( querido angelo Granja…

    eras um homem fantástico, querido, muito antencioso e verdadeiro amigo dos teus amigos… tinhas um coraçao muito grande…tipo ajudaste-nos sempre que te pedimos ajuda para algum trabalho… estaras para sempre nos nossos corações e seras para sempre lembrado nos dias 12/4/…. e 14/4/….||| FOR EVER…nosso amigo… um abraço <3

    5 Vanessa Granja em 15 Abr 08 19:51

    Depois das palavras que ouvi e li de todos, e por mais que quisesse dar-lhes reforço, continuidade ou posteridade…falta-me a força e a inspiração. Porque depoimento nenhum será suficiente para fazer justiça ao vazio que ficou, no coração dos que tocou e na recordação dos que o conheceram.
    Certo é que jamais morrerá, Ângelo Granja: Pai, transformador de valores, impulsionador de mudança, revolucionário de ideias, lutador de crenças, arremassador de vidas, rico de convicções, pobre de dias…
    Foi e será, sempre, protagonista na minha vida.
    Agradeço a todos os que também reconhecem o seu papel, e que tão bem o atestaram: Obrigada.
    VG

    6 Fernando Martins em 15 Abr 08 21:20

    Morreu o jornalista Ângelo Granja

    O antigo jornalista Ângelo Granja faleceu este sábado, em Viana do Castelo, aos 67 anos, na sequência de complicações surgidas após uma operação cirúrgica aos intestinos. Natural do Porto, Ângelo Granja foi chefe de redacção do ‘Diário Popular’, em Lisboa.
    :
    NOTA: Porquê esta referência no meu blogue? Pela simples razão de que Ângelo Granja foi o primeiro jornalista a fazer uma grande reportagem, para o “Diário Popular”, que foi publicada em 21 de Dezembro de 1966, defendendo a elevação da freguesia da Gafanha da Nazaré a vila.
    Veio a minha casa, com o jornalista Daniel Rodrigues, então correspondente daquele diário em Aveiro, para que o acompanhasse nas entrevistas que era necessário fazer. Dei-lhe as dicas necessárias, sugeri-lhe as pessoas com quem devia falar e mostrei-lhe a freguesia, viajando de carro por algumas ruas e passando por pontos estratégicos. No final, minha esposa preparou um lanche. A reportagem tinha por título “Do deserto nasceu um oásis… A Gafanha da Nazaré luta pela sua elevação à categoria de vila”. Dias depois, e tendo em conta que o “Diário Popular” era um jornal de grande expansão, Portugal ficou a saber que a Gafanha da Nazaré desejava ser vila. O presidente da Junta de Freguesia era o conceituado comerciante Albino Miranda e o presidente da Câmara Municipal de Ílhavo era o Dr. Amadeu Cachim, ao tempo, também, director da EICA (Escola Industrial e Comercial de Aveiro.
    FM

    7 Paulo Querido em 15 Abr 08 23:17

    Cara Vanessa, lamento a sua perda.
    Conheci Ângelo Granja profissionalmente. Foi sempre um homem correcto e um chefe de Redacção dedicado ao jornal e defensor da Redacção. Um homem firme.

    8 Certamente! Acácio Barradas em 29 Out 08 10:54

    [...] do Diário Popular. Mas com a sua equipa de vices — António Colaço, Paulo de Carvalho e Ângelo Granja, julgo que jó resta o meu amigo Paulo, conservado no frio do Norte europeu — lá fazia do [...]

Deixe a sua opinião




Textos mais recentes


ACERCA
mini fotografia paulo querido Olá, o meu nome é Paulo Querido e Certamente! é o meu webzine pessoal. Sou consultor de new media, jornalista e escrevo livros e artigos (e também algum código) sobre a net e na net desde 1989. (Mais)

Como ler

Certamente! é distribuído em vários canais.
edição diária por e-mail
Pelo Twitter
Por RSS
Google
Bloglines
no Yahoo!
no seu leitor


http://www.wikio.fr