Notícias alienígenas (para os grupos de media nacionais)
Aqui há dias falei de APIs numa Redacção de Gente Muito Avançada. Apesar disso, o resultado não foi grande coisa, como calculam.
Agora imaginem que eu falava de novo em APIs, mas não para extrair informação ao Google e sim para o jornal, um qualquer dos nossos, tanto faz, exportar as notícias e “conteúdos”.
Pois. É fácil imaginar.
Depois da Reuters ter anunciado uma, que é a primeira no género, é agora a vez de The New York Times preparar a sua API. O objectivo é tornar todo o jornal “programável”.
Isto é: eu, leitor, programo os meus infobots para irem buscar o que quero à máquina de notícias, no formato que quero, para fazer com o produto o que eu entender.
Josh Catone desenvolve melhor no RWW (negritos meus):
An API is a logical next step for newspapers. It will give developers access to their vast amounts of well-researched data, and allows the paper’s brand to be spread easily across the web. More access to Times content and the ability to mash it up in new and interesting ways can only be a win for both readers and the paper.
“The web of the near-term future isn’t about pages any more,” wrote Marshall Kirkpatrick in his massive post on APIs in March. “It’s about data, flying around, hopefully under the control of users, and offering a world of possibilities that few of us could have imagined just a few years ago.”
The New York Times seems to understand that. Says Aron Pilhofer, the paper’s interactive news editor, the goal of an API is to “make the NYT programmable. Everything we produce should be organized data.”
Tudo. O. Que. Produzimos. Deve. Ser. Informação. Organizada.
Para o sadismo ser completo:
Mathew / mathewingram.com/work: The Grey Lady gets jiggy with APIs
Kevin Marks / Epeus’ epigone: An API is a bespoke suit, a standard is a t-shirt
Ashkan Karbasfrooshan / HipMojo.com: CBS/CNET + NYT/About.com = Media Powerhouse or Bloody Mess?
Joseph Hunkins / WebGuild: New York Times Content Will Be Programmable
Shel / a shel of my former self: FIR Cut: New York Times joins the social networking fray
Tim Finin / UMBC ebiquity: New API to make the New York Times programmable
Andrew G. R. / 901am: New York Times Plans API
Matt Craven / The Blog Herald: The New York Times is launching an API
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Olá, o meu nome é Paulo Querido e Certamente! é o meu webzine pessoal. Sou consultor de new media, jornalista e escrevo livros e artigos (e também algum código) sobre a net e na net desde 1989. (
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Não esquecer que o New York Times tem andado numa sucessão de noticias tecnológicas que, se os outros jornais deixassem de ser tão agarrados ao passado, faria inveja a qualquer um.
- A aplicação NY Times Reader que permite ler o jornal sem abrir o browser num Mac ou Windows (preferido por muitos por ter menos anuncios – mas tem anuncions).
- As noticias fazem links para outras fontes online, sejam outros jornais ou mesmo blogs – o que dá muito mais valor para o leitor.
- Artigos do NY Times a aparecer no Google Earth.
- Além de ser lançado o Time Machine que permite ler o arquivo todo em pdf.
Isto tudo faz com que os leitores voltem lá várias vezes e olhem para os anuncios electrónicos como para os da versão impressa.
Assim é que tem de ser, novos modelos de negócio.
Alexandre, a diversificação de formatos de distribuição, limitada exclusivamente pela imaginação, é o caminho que os mais lestos estão a seguir.
Questão: o que vai acontecer aos meios nacionais, que estão não apenas atrasados como cegos?
Os meios nacionais vão-se tornar apenas postos de noticias locais, uma maneira de ter as noticias especificas do sitio onde vivemos, e mesmo assim é só para os menos tecnológicos porque irão sempre ser batidos pelo twitter ou pelos blogs.
Alexandre, batidos pelo Twitter e pelos blogues? Mas os blogues precisam da matéria noticiosa dos media para se alimentarem. Sem notícias sobre as negociatas da da câmara, vão ficar-se pelo upload de fotos da rua esburacada.
Não sei até que ponto os blogs precisam assim tanto da matéria noticiosa, se bem que ajuda.
Mas é a vantagem dos jornais, a pesquisa das negociatas da câmara. Um jornalismo de investigação que tem de ser aproveitado mas se não se abrirem então iremos sempre procurar as noticias noutro lado e eles não terão dinheiro para esse tipo de jornalismo.
Pois, a net é uma colmeia,quem manda são as abelhas sob os cuidados do APIcultor(eu hoje estou com um humor terrível). Vai-se buscar o pólen onde for preciso para se fazer mel, retirá-lo e embrulhá-lo bem bonito. O problema é ainda haver gente com mentalidade de urso.
[...] DEPOIS da Reuters, chegou a vez do The New York Times criar a sua própria API. Sobre o tema, é preciso ler o Paulo Querido… [...]
shameless plug(sim, outubro de 2007).
Sem notícias sobre as negociatas da da câmara, vão ficar-se pelo upload de fotos da rua esburacada.
paulo, esta’s completamente enganado. na maior parte das vezes, as noti’cias sobre a negociata da ca^mara sa~o publicadas exclusivamente nos blogs, os pasquins locais so’ publicam fotos do prusidente em inaugurac,o~es. como diz o outro, you’re men are already dead.
como e’ que sei isto? mantenho ha’ uns 4 ou 5 anos um blog local (com o fred, ja’ agora).
Deixa lá… eu ainda estou na fase de explicar a web 1.0 a uma audiência de engravatados iluminados…
Um dia hei-de conseguir fazer um blogue corporativo, talvez quando já não existam.
Gostava de poder falar de API’s… acredita… [suspiro]
pfig, sei que tens essa ideia. Mas sei, tb, que terás alguma dificuldade em prová-la.
Qual é a quantidade de informação com estatuto de notícia (i.e., que tenham relevância) que já deram em primeira mão no Castelo?
Sabes calcular, mesmo que seja por aproximação, quantas notícias partiram da blogosfera para a vida nos últimos, digamos, 4 anos?
Pedro: eu até podia gostar que fossem mais — era sinal de uma vitalidade por parte da nossa blogosfera. Mas não são. São poucas. Muito poucas, mesmo. A nossa blogosfera não produziu UMA ÚNICA marca que se distinguisse por dar novidades com potencial de notícia.
Ficou-se pelo debate. Tudo bem, é aliás o seu código genético, a evolução para fonte de informação não ocorre forçosamente.
Faz lá a contas… Nas minhas, não chega a UMA NOTÍCIA POR ANO.
Carlos, ao menos estão mais adiantados que Pinto Balsemão, que descobriu agora que existem livros em PDF.
paulo, tens raza~o: na~o fui procurar, mas nestes 4 ou 5 anos lembro-me de 3 ou 4 “noti’cias” que surgiram nos blogs oureenses e passaram depois para a imprensa local. mas repara para as tuas contas so’ consideras o que 1) surge num blog *e* 2) passa para a imprensa tradicional.
como referes sa~o inconta’veis os assuntos de que so’ se fala nos blogs (o castelo mante’m um planet dos blogs oureenses que torna fa’cil seguir isto), os pedidos de divulgac,a~o de eventos (que nunca chegam ‘a imprensa), posts e fotografias enviados por leitores (e numa terra pequena – em todos os sentidos – como oure’m, os que pedem para na~o ser feita refere^ncia ao seu nome e’ elucidativo), o acompanhamento de reunio~es de ca^mara que jamais chegara’ a qualquer imprensa controlada pelo cacique local, etc, etc.
na~o, continu’o a achar que esta’s muito enganado.
ena, massou-me. Alexandre, gostei da analogia da APIcultura
filling space
Pedro, reuniões de câmara não são notícia em nenhum jornal do mundo. Pedidos de divulgação de eventos não têm de ser aceites: um jornal publica os que considera relevantes e caibam nas páginas de que dispõe.
Há incontáveis assuntos que NÃO SÃO NOTÍCIA e por isso nunca chegariam às páginas dos jornais, mas interessam o suficiente às pessoas para os levarem aos blogues.
Continuo a achar que tens uma visão um pouco diferente do que é um jornal e para que serve.
“the average national newspaper journalist now spends around a third of the time on a single story that his counterpart would have done in 1985, and a survey of 2,000 stories found that 54% “consisted mainly of PR material”".
Pedro, reuniões de câmara não são notícia em nenhum jornal do mundo.
se por “mundo” queres dizer “recta^ngulo”, tudo bem. e’ que eu ontem passei 2h30m a ver o mayor’s question time na bbc, e diariamente ha’ *pelo menos* um grande artigo sobre a ca^mara no guardian e no telegraph (que sa~o jornais nacionais, nem vou falar nos locais). se olhar para o new york times e’ a mesma coisa. que os jornalistas em portugal se estejam marimbando, e’ outra coisa completamente distinta.
continu’o a achar que a tua visa~o de um jornal e para o que serve esta’ demasiado condicionada pela profissa~o e arriscaria mesmo a dizer que e’ apenas um reflexo de defesa corporativo
repara que esta’s completamente fechado a repensar o que sera’ ou na~o noti’cia – e’ o que o jornalista (o mesmo de ha’ 30 anos) decidir, achas que os problemas da imprensa em portugal se resolvem no dia em que todas as edic,o~es online tiverem uma api, etc.
Pedro, admito que a minha visão do que é um jornal e para que serve esteja condicionada pela profissão, mas refuto o reflexo de defesa corporativo.
Não, não estou fechado a repensar o que será ou não notícia. Repenso isso constantemente, como qualquer jornalista consciente.
Quem define o que é notícia é, efectivamente, o jornalista. Fá-lo em função de uma série de parâmetros, mas sempre tendo por pano de fundo o que ele interpreta serem as necessidades dos seus leitores.
Essa interpretação abre naturalmente caminho a deficiências.
Mas é sobretudo a natureza variada da audiência — o conjunto dos leitores — que dita os atritos. Aquilo que TU achas que é notícia NÃO É FORÇOSAMENTE o que o teu vizinho acha que é notícia.
O conjunto de jornalistas que faz um órgão (é um conjunto, Pedro; dentro de uma redacção tens logo divergências sobre o que é mais e menos notícia, as decisões são tomadas em pirâmides) interpreta as necessidades da audiência e ainda que esteja consciente das divergências de gosto de sub-conjuntos da sua audiência, tentará — se não ferir os outros parâmetros para julgar o que é notícia — conciliar e agirá em função do maior denominador comum.
Isto é verdade em todos os mass media.
A Internet muda aqui alguma coisa na medida em que:
a) o espaço não é tão condicionado como nos outros meios (talking long tail here)
b) as tecnologias de informação permitem fraccionar a audiência, quase ao ponto do indivíduo, pelo que os alinhamentos de importância podem (e quase sempre devem) ser libertados (talking “my news” here).
A tua última frase (o que eu acho sobre a solução dos problemas da imprensa) é demasiado redutora para eu a aceitar vinda de ti. Risca.
De qq forma, fugiste à questão com essa espécie de contra ataque. Não está na natureza dos blogues “dar notícias” e raramente o fazem, em especial em Portugal.
De qq forma, fugiste à questão…
deixa estar, foi para compensar tu na~o teres tocado nas noti’cias da ca^mara fora do recta^ngulo