Quais são as vantagens e desvantagens das novas tecnologias para o jornalismo? 

…Sou aluna do 3º ano de Ciências da Comunicação da UTAD. Esttou a fazer um trabalho sobre jornalismo, seria possível responder-me a algumas perguntas?

Como vê o jornalismo de hoje?
Com alguma preocupação. O jornalismo está numa fase negativa, descaracterizado, sem uma boa imagem de si mesmo. A forma como as empresas de jornalismo têm reagido em função das mudanças na distribuição e no consumo leva os profissionais à desorientação — quando não mesmo a abandonarem o barco.

Quais acha que são as vantagens e desvantagens das novas tecnologias para o jornalismo?
Não vejo desvantagens directas para o jornalismo. Só indirectas, na medida em que o reforço do poder editorial e retransmissor do indivíduo, a par da ausência de geografia, aniquila o anterior negócio de transporte das notícias, que permitia pagar os salários dos jornalistas. Será necessário encontrar modos alternativos de financiar a actividade.
Vantagens, vejo muitas. As tecnologias são (podem ser, quando usadas nesse sentido) ajudas importantes para melhorar a eficácia da recolha de informação, do seu processamento e ainda da sua distribuição.

Qual a importância das redes sociais como Twitter, Facebook, etc?
As redes sociais são importantes na medida em que as pessoas estão lá. É lá que se concentra, hoje, uma enorme quantidade de olhos, de atenção. Além de serem, elas próprias, objecto de notícia, as redes sociais são uma plataforma de acção (na recolha como na difusão) e de relacionamento (conquista e manutenção de audiências).

O que mudaria na forma como o jornalismo é feito hoje em dia?
Eu? Nada ;) Nunca me passou pela cabeça ser capaz de mudar um processo global e tão plural como o jornalismo.
Sei que o jornalismo precisa encontrar o seu caminho na rede, na Internet. Esse caminho passa por tomar a tarefa de dirigir a narrativa da realidade (cf. http://pauloquerido.pt/media/3437) . Mas também passa pelo data journalism (compilar e processar grandes quantidades de informação de interesse público), pelo link journalism (linkar as melhores reportagens e notícias, sejam de quem forem, e não as reproduzir usando a própria marca, reservada para as investigações originais, próprias), pela Reportagem Assistida por Computador, e outras novidades permitidas pelo ecosistema reticular. E por uma relação aberta com as audiências e as tecnologias das redes.

Publicado por Paulo Querido in media, pessoal. Bookmark permalink.


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