Qual a maior lacuna no panorama dos Social Media portugueses?

social media in plain englishQual a maior lacuna no panorama dos Social Media portugueses? — é uma das perguntas de Hugo Neves da Silva incluída num seriado dem que inquire pessoas ligadas à web e à blogosfera. O entrevistado desta semana tem uma resposta pertinente, que coloca um desafio aos meios tradicionais.
O facto da surdez destes os impedir de estarem presentes num desafio no qual basta irem a jogo para ganhar não evita que o debate avance. Aliás, logo nos comentários ao artigo que aqui destaco se levanta uma questão não menos interessante: como caracterizar os social media?
Mas antes de lá irem, eis a resposta de Bruno Ribeiro à pergunta em título. A negrito, o desafio:
Acho que respondi um pouco a esta questão na anterior: a falta de plataformas/serviços dedicados aos Social Media nacionais! Se queremos pesquisar optamos pelo Google/Technorati/Blogpulse; se queremos agregar as opções são o Netvibes ou Pageflakes…
Por outro lado, penso que é necessário haver mais discussão e conferências acerca do tema, não onde participem académicos que o estudem do ponto de vista da sua especialidade, mas sim com a participação de quem realmente “pertence” ao meio. Acho necessário deixar quem produz e consome Social Media regularmente falar sobre o tema.

Penso que na memória de Bruno Ribeiro — um blogger dos mais experientes em Portugal, com apenas 24 anos, uma licenciatura em Psicologia e a caminho do seu terceiro blogue de referência — estão dois acontecimentos recentes, ambos reveladores da forma desastrosa como os meios de comunicação tradicionais continuam a lidar com os novos meios de comunicação. O estudo em má hora patrocinado pelo Obercom, que retratava uma realidade que terá eventualmente existido três anos antes ( e refiro-me a três anos de calendário, não a três anos web, muito mais rápidos), e o programa da SIC que apresentava a Internet em geral como uma fábrica de marginais capazes dos crimes mais horrendos, do terrorismo em diante, e a blogosfera em particular como um antro de anónimos psicóticos com uma tara por crianças e outra tara por perseguir figuras com casa posta nos meios tradicionais.
social media in plain english

Mas para reparar na negligência e no erro de perspectiva da maioria do nosso jornalismo quando o assunto são os meios de comunicação em rede não são precisos estes exemplos, eu ia escrever extremos, mas na verdade não posso, porque estes são os exemplos que se encontram em cada dobra do papel dos nossos jornais e revistas, em cada minuto de antena.
Basta ver as edições online dos jornais — em 2008 e ainda não usam o hipertexto (na realidade pouco usam jornalistas).
Basta ver que nenhum dos acontecimentos nacionais que têm directa e indirectamente a ver com os meios sociais mereceu espaço nos órgãos de informação.
Basta ver que os raros empreendedores da web social portuguesa não furam o cerco da desconfiança dos jornais e quando algum é notícia, é pelo lado pitoresco ou por alguma pontualidade do mundo dos átomos.
Basta ver que ainda não houve um único programa de televisão dedicado aos media sociais.
Basta ver que os agentes dos media sociais não são entrevistados por um jornalismo que parece incapaz de descortinar a inovação fora da fotografia que lhes é servida pelo circuito oficial das agências de comunicação. Até parece que além das telecoms e de duas ou três instituições de ensino, mais ninguém em Portugal inova.
Não é que faltem pessoas para falar disto.
Olhem: tanto o Hugo Neves da Silva como o Bruno Ribeiro fariam melhor figura a falar sobre blogosfera que Francisco Moita Flores e Miguel Sousa Tavares.
Querem académicos? Tendes o Luis Santos, um post no Atrium vale por dez “estudos” do Obercom. Tendes o Fernando Zamith e o António Granado, que também são jornalistas. Tendes o Manuel Pinto, que tem um olhar de grande profundidade. Não faltam pessoas com experiência, com vontade e com legitimidade para falar sobre este assunto.
Ainda sobre social media, leituras recomendadas a jornalistas que se queiram informar:
Os social media em Portugal, artigo também de Neves da Silva que faz uma caracterização.
Social media in plain english, um video simples e que diz tudo
A ascensão dos media sociais, no espaço web 2.0 do Expresso Multimedia, há dias.

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7 opiniões no artigo “Qual a maior lacuna no panorama dos Social Media portugueses?”

    1 Bruno Ribeiro em 17 Jun 08 12:00

    Paulo,

    até me fizeste corar com essas referências. :P

    Estou em crer que para que o panorama mude, ainda que ligeiramente, terá de ser a malta que participa e cria neste universo que são os social media a fazer por isso. E acho também que é essa a maneira correcta de fazer as coisas. Por isso é que acho que iniciativas como a TubarãoEsquilo e ptblogs são fundamentais para o crescimento e reconhecimento destes meio em Portugal.

    2 HugoNS em 17 Jun 08 14:48

    Obrigado pela referência Paulo.
    Abraço

    3 Paulo Querido em 17 Jun 08 16:25

    Bruno, Hugo, são merecidas :)

    4 jorge em 17 Jun 08 18:52

    São excelentes iniciativas como tubarão esquilo ptblogs para o conhecimento em geral e informação e opinião mais limpa e saudável que as dos medias tradicionais como a televisão, mas não nos devemos fechar em capelas e colocar os blogues e opinião vinda da net como superior o única informação actualmente “mais ” credível mesmo para falar de ela própria também o social media descritos aqui e que tão estão na moda podem se tornar rapidamente suspeitos sendo alvo de tentações e infiltrações dos grupos publicitários e de marketing que vão sem duvida desnaturar as opiniões e sinceridades.

    5 Paulo Querido em 17 Jun 08 19:07

    jorge: os blogues não são vistos hoje como mais credíveis, mas sim como menos credíveis.
    Há iniciativas, como essas duas e não só, que visam contribuir para melhorar essa imagem deformada que os mainstream media, e algumas das suas supostas credíveis instituições, têm dado do user-generated content e da web social.
    Quanto ao resto, é claro que serão alvo de tentações. Têm tanto direito a isso como os media, não lhe parece?

    6 Gino Cosme em 20 Jun 08 14:34

    Firstly, forgive me for writing in English. I may be a Portuguese descendant but English is still my strong language -)

    In my opinion, while each nation has its own internet penetration and usage patterns, I feel that it’s important to realise that social media needs to be approached as a genuine communication channel no different to any other tool. As an online and social media consultant and strategist, one approach that has helped me in the debate of “why are companies too afraid to invest in social media marketing?” is approaching social media in a measurable manner, much like SEO and SEM has been done. We need to focuses on metrics and ROI. As marketing budgets start to shrink because of a tightening global economy, this is not a luxury anymore but a complete necessity.

    Remember, people want to talked to by fellow human beings, not companies, and as such companies are learning that their communications, pr, and marketing strategies must follow suit. Social media is a very valid tool for just this. However, it boils down to a strategy that is paralleled by good business sense.

    Look forward to hopefully meeting you when I plan to be in Portugal later this year!

    7 ricardo brito em 16 Jun 09 00:56

    Desde já vou me focar ao essencial os media nomeadamente os 4 canais nacionais de tv estão em constante ataque ao actual governo de Socrates. Existe uma terrivel lavagem cerebral desde novelas que falam em tgv governantes que dão prendas (o que insinuarão os senhores da sic) os tele jornais mostram pequenas gotas da realidde dos portugueses existindo niveis de pobreza económica e infelizmente espiritual e intelectual vivemos num pais podre
    Possivel solução, reunirmos-nos em pequenos grupos debatendo estudando formas de começar a combater os partidos PSD essencialmente que gangrenou este pais e os outros não serão certamente santos .
    Basta de conformismo !!!!!!!!!!!!!!

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