Sequestro no BES: directos na SIC Notícias e… no Twitter

O sequestro no BES ontem, que demorou 8 horas, teve o seu desfecho seguido ao vivo através da SIC Notícias e do Twitter. A agência assaltada fica no centro de Lisboa e o assalto começou à hora de fecho, 15:00 (14:00 TMG). A SIC Notícias ligou o directo alguns minutos antes das 23:21 (22:21 TMG) — a hora a que os snipers do GOP dispararam 2 tiros supostamente certeiros que puseram fim ao sequestro. Ouviu-se um terceiro disparo de um dos polícias que irrompeu para dentro das instalações naquele instante, fixado na imagem acima, reproduzida a partir da gravação da emissão em directo da SIC Notícias (link).
A refém — supõe-se que é a gerente da dependência bancária assaltada — conseguiu fugir no instante em que ouviu os disparos, dando mostras de grande sangue frio; segundos depois vê-se o segundo dos reféns ainda tomados naquela altura — foram seis inicialmente, mas os assaltantes deixaram sair quatro ao longo do cerco — dirigir-se pelo seu pé para uma ambulância com sangue na camisa, supuseram os repórteres televisivos que de um ferimento nos pulsos, que ainda tem ligados, embora a mim me pareça que seriam salpicos de um ferimento de outra pessoa, talvez resultante de cortes em vidros, ou semelhante.
A PSP depressa cobre, com uma manga de tecido, o corredor entre a porta do banco e as ambulâncias. É tomada por certa a morte dos dois assaltantes — ao que se sabe, de nacionalidade brasileira, entre os 20 e os 30 anos, informações que a polícia não tinha ainda confirmado à hora a que publico este artigo.
Mais tarde chegam dois médicos do INEM — alto, há feridos. Um dos assaltantes está “gravemente ferido” — deixam os polícias cair informalmente aos jornalistas no local (e confirmarão depois no comunicado breve com que fecharam a acção já perto da 1 da manhã (00:00 TMG).
Os 2 suspeitos assomaram à porta, com os reféns sob mira das suas armas, pelas 23:00 — foi aí que a SIC Notícias “pegou” no directo, “cheirando” o desfecho iminente. 23 minutos depois estava tudo acabado numa acção que ficará como “exemplar” para a PSP, para grande alívio do Ministro da Administração Interna, Rui Pereira.
Ao longo desta hora e meia entre o assomo dos suspeitos, vendo-se perfeitamente a arma apontada ao pescoço da refém, e o comunicado, fui dando informações em Inglês e também para o Brasil através do Twitter, numa operação de re-difusão a que se associaram depois outros portugueses que estavam a seguir os directos (a RTP 1 falhou os timings, a TVI ainda acertou cirurgicamente no instante dos disparos, segundo foi “twitado”). A operação espontânea valeu alguns agradecimentos.

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Tweets

Debate

30 opiniões no artigo “Sequestro no BES: directos na SIC Notícias e… no Twitter”

    1 Vera em 8 Ago 08 02:10

    Um dos agradecimentos foi o meu (twitter/paudecanela_nz). Daqui do outro lado do mundo, so mesmo o twitter salvou a situacao porque os sites noticiosos pareciam estar todos fora de servico. as actualizacoes chegaram tarde e a mas horas (as que chegaram).

    Mais um exemplo de como o twitter consegue ser uma boa ferramenta de comunicacao e transmissao de mensagens.

    (Peco desculpa pela falta de acentos…)

    2 Miguel Mota Cardoso em 8 Ago 08 12:28

    Parece cada vez mais célere a tendência dos órgãos de polícia, com o consentimento silencioso do Estado e da comunidade (que fundam constitucionalmente o seu ordenamento jurídico de acordo com os princípios de Direito Democrático e pelo respeito pelas Liberdades e Garantias), para justificar certas “execuções” públicas. A morte de um e a inocuização grave do outro salteador, ontem pelos “snipers” da P.S.P., deve envergonhar-nos profundamente, ainda por cima sendo eles, ao que parece, larápios de meia tigela, provavelmente com fome e falta de condições de vida, coisa que não falta neste país. Em 18 de Dezembro de 2007, a Assembleia Geral das ONU aprovou, por 104 votos a favor, 54 contra e 29 abstenções, uma moratória formulada pela Itália e endossada inicialmente pela União Europeia onde se pretendeu advertir os países que aboliram a pena de morte a não reintroduzir a mesma. E Portugal foi, como todos sabemos, dos primeiros países a recusar as teorias “retributivas” ou de Talião (“olho por olho, dente por dente”). Estávamos em 1867 no reinado de D. Luís. Em 1876 escreve Victor Hugo: ”Está pois a pena de morte abolida nesse nobre Portugal, pequeno povo que tem uma grande história. (…) Felicito a vossa nação. Portugal dá o exemplo à Europa. Desfrutai de antemão essa imensa glória. A Europa imitará Portugal. Morte à morte! Guerra à guerra! Viva a vida! Ódio ao ódio. A liberdade é uma cidade imensa da qual todos somos concidadãos”. A verdade dura e crua é que as autoridades portuguesas não fizeram tudo o que lhes competia para evitar a transmissão de pelo menos um assassinato, ao vivo e a cores. Se é pontaria que os GOE têm, além da brutalidade inerente à sua necessária estrutura psicológica, podiam ter acertado em partes não vitais, ao invés de fazerem logo dois buracos na cabeça dum deles e terem entrado ao encontro do outro que se calhar também não vai sobreviver para chegar a conhecer a cara do juiz a quem incumbe conhecer e aplicar a justiça. Tudo para dizer que, afinal, por vezes –e já são muitas – há pena de morte em Portugal e normalmente aplicada por um coordenador policial, sem acusações formais ou julgamentos justos e imparciais. A pena de morte deve ser abolida sem excepção. Ela viola o direito à vida assegurado pela Declaração Universal dos Direitos do Homem e representa a total negação dos direitos humanos. É o assassínio premeditado a sangue frio, pelo Estado e em nome da justiça. É o castigo mais cruel, desumano e degradante e é um acto de violência irreversível, incompatível com o comportamento civilizado dum povo e uma resposta inapropriada e inaceitável contra o crime.

    3 Artur em 8 Ago 08 14:22

    Tiro neles …
    Menos um a “roubar”.
    Por favor, alguém tenha a decência de desligar o respirador ao outro. Assim eram menos dois … e poupava uns trocos à nação!!

    4 Tania em 8 Ago 08 14:52

    PARABÉNS a toda a força policial e meios de trabalho envolvidos nesta acção. Foi sem duvida uma acção da qual este deveria ser sempre o final.
    Srs Ministros apliquem as leis no sitio certo ou um dia poderemos passar todos por “Gerentes de Banco”

    5 RD em 8 Ago 08 15:06

    Dito assim e na generalidade das situações, sinto-me capaz de concordar 100% com o Miguel Mota Cardoso. Quem não concordará? Infelizmente estas situações são sempre um pouco mais complexas do que parecem à partida. Gosto sempre de pensar que quem está de fora naturalmente não terá toda a informação.E depois, pergunto-me o que pensariam os familiares dos ditos reféns? pergunto-me o que pensariam os familiares dos ditos reféns se algum deles tivesse sido assassinado? Será que tiveram na iminência disso? Saberemos nós isso? Saberia a polícia? A polícia acredito que sim. Cruelmente, às vezes somos mesmo obrigados a decidir; a fazer escolhas. Não gosto mas sinto-me tentado a perceber.

    6 Paulo Querido em 8 Ago 08 15:34

    Caro Miguel Mota Cardoso,
    desconsidero a sua opinião, que está fundamentada em retórica sem consistência.

    A ver uma tendência nos órgãos de polícia, é para o laxismo. Como se nota no aumento de vários tipos de criminalidade, a começar pelo crime económico, que considero até agora o mais grave em Portugal.

    Mas não se fica aí. A criminalidade violenta tem vindo a aumentar. Nesse contexto, uma acção policial como a de ontem, pouco menos que irrepreensível (e falo de cima a baixo, do ministro ao polícia de trânsito passando pelos snipers, negociadores e comunicadores), é uma benesse a dois carrinhos.

    Por um lado, dá à sociedade um sinal de que a polícia, ou pelo menos uma parte dela, não está perdida e sabe o que fazer. Sabe até muito bem. Ficamos assim com a sensação que os problemas não têm origem no menor combate à criminalidade, como muitas pessoas dizem abertamente.

    Por outro dá sinal aos pequenos e médios candidatos a criminosos (os grandes e empedernidos o que fazem é comprar mais artilharia e coletes, não são impressionáveis) de que os riscos aumentaram — o que levará alguns a desistir de acções e no cômputo geral contribuirá para baixar os, ou pelo menos para evitar o aumento dos, índices de criminalidade pesada.

    Ao contrário de si, como cidadão sinto-me não envergonhado mas satisfeito pela pontaria certeira dos snipers da PSP.

    Meta o Talião nisto é retórica de merda. Você está a querer misturar a aplicação da justiça (decisões pensadas e em que a sociedade tem responsabilidade) com os cenários que lhe são prévios (acções policiais que constituem um combate, por vezes mortal em função do que está em jogo, entre forças contrárias).

    “A verdade dura e crua é que as autoridades portuguesas não fizeram tudo o que lhes competia para evitar a transmissão de pelo menos um assassinato, ao vivo e a cores.”

    Não. A verdade nua e crua é que você é a última pessoa do mundo a poder dizer-me o que é que competia às autoridades. A verdade nua e crua é que as autoridades fizeram muito mais do que jamais tinham feito, até hoje, para evitar a recolha de imagens da acção: desviaram cedo as pessoas do local, remeteram as câmaras de televisão a uma posição lateral e taparam com grandes cortinas, nunca vistas antes, a maior parte do teatro da operação, com um cuidado assinalável na parte final, tirando dali os reféns sem preder UM ÚNICO segundo e evitando a transmissão de imagens da retirada dos corpos dos assaltantes em (provável) maca, o vivo, e (presumo) saco de plástico, o cadáver.

    e sobretudo filtraram a informação de uma forma absolutamente competente. O que os jornalistas foram passando, a conta gotas, foi passado informalmente, racionado, de forma a permitir aliviar a pressão mediática sem perturbar os operacionais. Nenhuma informação foi confirmada ou sequer passada formalmente até mais de uma hora depois de concluída a operação, quando já só restavam os investigadores forenses estavam no local.

    Foi isto que vimos, foi uma polícia competente que tivémos, e não um pelotão de polícias prepotentes com uma arma em cada mão.

    Os snipers mostraram algo tão ou mais preciso que a pontaria, e que merece mais elogio e reconhecimento público: mostraram uma coordenação de operação impecáveis, resolvendo pela certa, e apenas pela certa, sem atropelos, sem hesitações, concentração no que estavam a fazer.

    Não confie em mim, que nisto não passo de um cidadão: procure informar-se junto das pessoas capazes de julgar este tipo de acções, aqui e no estrangeiro, e verá que todas realçarão o que acabo de escrever.

    Admito que possam existir críticas à actuação dos agentes. Eu não passo de um cidadão, e gostarei de ouvir peritos a esmiuçar a coisa. Mas as suas não são críticas à actuação da polícia, são generalidades de trazer por mesa de café acerca da “importância da vida humana”.

    Permita-me que classifique de mera ignorância inconsequente a sua afirmação sobre a pena de morte relacionada com este caso. Às forças policiais no terreno não competia fazer justiça e aplicar o direito, mas sim salvar duas vidas numa situação de sequestro com reféns e provável assalto . Adivinhe — as vidas não eram as dos sequestradores.

    7 Paulo Querido em 8 Ago 08 15:50

    Caro Miguel Mota Cardoso, googlar o seu nome foi muito instrutivo. Espero que não seja “aquele” Miguel Mota Cardoso. Pode confirmar?

    8 Paulo Querido em 8 Ago 08 15:54

    Caro Artur, você parece o Miguel Mota Cardoso, mas ao contrário.

    Cara Tânia, a perfeição teria sido não ter morto um dos assaltantes. Mas a perfeição, como sabemos, não existe.

    Rui, as escolhas ali são simples para os polícias. Para elas são mandatos e instruídos pela sociedade. As escolhas são: salvar toda a gente, se não for possível salvar o maior número de pessoas com a atenção concentrada prioritariamente nos reféns.

    9 Miguel Mota Cardoso em 8 Ago 08 15:58

    Caro Paulo Querido. Aceito a sua opinião, alias a generalizada da população portuguesa. Portanto, não fiquei admirado. Assim sendo, acredite que gostava que também aceitasse os meus pontos de vistas, designadamente sobre o perigo que este precedente levanta face para futuros problemas. Por outro lado utilizar a retórica não é desprestigiante! Pelo contrário: como viu foi suficiente para tocar a sua sensibilidade.De qualquer forma, aconselho-o a ver os imensos vídeos que se encontram “on-line” com, precisamente, aquilo que o meu caro amigo referiu como grande preocupação da polícia, isto é, esconder o mais possível, o que efectivamente não conseguiu. Conseguiu foi demonstrar a desnecessidade da existência de vítimas mortais, como bem demonstram as tais várias filmagens via telemóvel que existem que revelam a neutralização dos assaltantes logo ao primeiro tiro.

    10 Paulo Querido em 8 Ago 08 16:15

    Caro Miguel Mota Cardoso, há um perigo inerente a cada decisão que tomamos. Nesse sentido, aceito que existe um perigo no “precedente”, como diz. Ressalvo, contudo, que prefiro este precedente com os perigos associados que o precedente de 4 mortos, ou 1 refém morto, ou qualquer outro desfecho que não o de 4 vivos.

    Utilizar a retórica não é desprestigiante, nem foi isso que quis dizer. É apenas fraco. A retórica é facilmente combatida com retórica (usei um pouco disso na minha resposta, aquela parte da verdade nua e crua) e é facilmente desmontada com factos, ou mesmo opiniões fundamentadas.

    Não, não me tocou a sensibilidade. Uso frequentemente comentários como o seu para clarificar posições e estender os assuntos — uma estratégia de comunicação e um exercício de escrita. É o trade-off dos comentários.

    Sobre os videos: como está demonstrado até ao vómito, vivemos numa sociedade big brother, rodeados de câmara por todos os lados. É impossível, hoje, esconder as coisas, em especial acontecimentos de notoriedade que decorrem na via pública durante longos períodos de tempo.

    Tendo isto presente, quer reformular a sua apreciação? Comentar, talvez, a escassez de imagens, incluindo de incontroláveis cidadãos? Os directos filtrados, filmados de lado?

    Usar o plural em “vítimas mortais” trai totalmente o seu discurso, revelando as suas intenções. Houve uma vítima mortal.

    As imagens de frente mostram que os snipers actuaram com grande precisão, louvável precisão. Quem seguia a transmissão em directo pode apreciar (e interrogar-se, como eu fiz) diversas ocasiões que aparentavam tiro limpo, onde raio andavam os snipers? Como as imagens comprovam, eles estavam no sítio certo e seguindo ordens frias e racionais, que foram a chave do êxito da operação. Disparam apenas três tiros (talvez dois, há quem defenda que um dos 3 veio de um assaltante) neutralizando a ameaça de 8 horas em menos de 2 segundos. Com tiros difíceis: você não quer reparar mas eu não me importo, há dois reféns a debaterem-se, interferindo com as linhas de tiro. Foi um risco atirar. (E este é o momento de aplaudir a pontaria).

    11 Miguel em 8 Ago 08 16:18

    Pelo amor de Deus…

    Aceitando todas as opiniões como aceito, não posso deixar de dizer que aplaudo a actuação da Polícia no incidente de ontém.

    A história dos direitos Humanos é válida quando não se está a atentar contra esses mesmos direitos em pessoas inocentes.

    A partir do momento em que se abdica dos seus direitos através de actos de cobardia e violência como os dois indivíduos do frustrado assalto de ontém fizeram, cabe às autoridades responderem na máxima força, protegendo e, neste caso, salvando as vidas dos inocentes envolvidos.

    Mataram os dois assaltantes (o que está ferido dificilmente se salvará), é lamentável sim, mas seis horas de negociação são mais do que suficientes para tentar levar as coisas “a bem”.
    Pode ser que o exemplo sirva para que outros cidadãos, legais ou não, tentem a via da produtividade em vez da via da criminalidade.

    Este tipo de desfechos pelo menos dão credibilidade às polícias, que são perfeitamente enxovalhadas sempre que têm que fazer o seu trabalho. Proteger e servir.

    É difícil ver a realidade das ruas quando se vê o País do alto.

    12 Paulo Querido em 8 Ago 08 16:30

    Caro Miguel,

    não sei se a quantidade de horas de negociação é factor, mas penso que numa acção deste tipo a avaliação profissional é essencial e quem está de fora (todos nós) não domina o big picture. Nem mesmo passados anos se sabe tantas vezes o que estava em jogo. E a avaliação, pelo que pude observar ao longo de todo o cerco, pareceu sempre positiva, para não usar o termo excelente (um pouco de sobriedade nos elogios também convém, para não desvirtuar a realidade não pontual).

    Sim — este tipo de desfechos credibiliza os seus profissionais. E às polícias portuguesas um alento de credibilidade dá um jeitão, nesta altura.

    13 Tiago em 8 Ago 08 17:13

    Acho que foi bem feito e a polícia agiu, até onde eu sei, de acordo com os procedimentos que já vi outras polícias adoptarem em situações similares!

    Ruim mesmo é ser brasileiro e ter que ler algumas pessoas (como comentários no expresso) falando de xenofobia e comemorando a morte de brasileiros, mas isso nada tem a ver com seu blog Paulo, que foi muito bem escrito e tratou apenas dos acontecimentos!

    14 Paulo Querido em 8 Ago 08 17:18

    Tiago, eu não dou para esses peditórios — e apagarei sem dó nem piedade comentários do género no meu blogue.

    Ainda não li no Expresso, mas calculo o tom. Ontem mesmo, ainda em cima do acontecimento, li noutro órgão e só li 2 comentários, fechei de imediato aquela janela e não volto aquele órgão de informação. Os jornais estão a ver mal o “filme” dos comentários dos leitores. Estão a deixar denegrir as suas marcas a troco de meia dúzia de maus hits.

    15 Tiago em 8 Ago 08 17:25

    Certamente estão, uma vez que deixei a minha réplica educada ao senhor que fez ode à morte dos brasileiros e até agora o Expresso não a publicou!

    Mas isso sempre haverá..o importante é saber que a minoria age dessa forma!

    16 Paulo Querido em 8 Ago 08 17:29

    Eu, pelo contrário, fico contente com o nível dos comentários aqui. Mesmo acalorado, e até com opiniões contrárias, o debate não resvala para a baixaria.
    Sem prejuízo da continuação dos comentários, fica desde já o meu obrigado pelas contribuições valiosas para o artigo.

    17 RD em 8 Ago 08 17:50

    Ainda sobre os comentários e pior ainda, é quando são os próprios meios de comunicação social a ‘embelezar’ as suas notícias com dados relativos à nacionalidade, etnia ou religião dos envolvidos, quando nada disso é essencial para a notícia em si. E ontem, mais uma vez e contra todas as recomendações, caíram na tentação…

    18 Cidadao Kapa em 8 Ago 08 19:13

    É incrivel como há sempre gente preparada para dizer mal. Seja do que for! “Preso por ter cão, preso por não ter”, somos especialista nessa merda.

    Às pessoas que pensam (pensam??) como o Miguel Mota Cardoso, espero que um dia tivesse uma arma apontada à cabeça. Depois depois falamos! Que demagogia barata.

    19 Paulo Querido em 8 Ago 08 19:23

    Rui @ 17, reconheço-te razão. Ontem era dispensável tanta repetição. Aceito que a nacionalidade é um elemento noticioso (a etnia e a religião não, a menos que se tratem de notícias nesse contexto), mas a repetição de elementos é desnecessária e ao jornalista compete informar e, também, formar (sei que há dúvidas sobre isto).

    Agora, reflectirá isso uma atitude pensada dos jornalistas, uma atitude deliberada? Ou, como eu tendo a pensar, é um reflexo condicionado da sua formação cívica e moral (que se pensassem filtravam)?

    Caro Cidadão Kapa, há sempre gostos para tudo e a diversidade em si não é um mal, mas sim uma benesse. É da diversidade que nasce o passo seguinte, a evolução.

    MMC tem razões para pensar o que pensa (googlem-no). Como aqui as suas ideias não tiveram o retorno esperado, foi encher as caixas dos jornais com elas. Aí sim, tem pasto para as suas chamas. Ou por outra, elas juntar-se-ão à fogueira colectiva.

    20 Miguel Mota Cardoso em 8 Ago 08 19:55

    Esperava de si mais cortesia ou civilidade, mas enganei-me!

    21 RD em 8 Ago 08 20:18

    Paulo @ 19, não, na esmagadora maioria dos casos não acredito que seja deliberada a referência, acredito é que se pode fazer muito melhor. Quem está mais atento a estes casos, sabe que ainda são muitos os ‘deslizes’…e sim, há muitas dúvidas sobre isto, mesmo sobre a nacionalidade.

    22 Paulo Querido em 8 Ago 08 21:44

    Caro Miguel Mota Cardoso, esse é um problema seu, não meu. A expectativa era sua.

    E mais uma vez discordo de si. Fui não apenas cortês no tratamento que lhe dispensei como civilizado na linguagem e nas respostas. Pelo menos até agora.

    As frases ficam com quem as escreve. Aqui e nos outros locais. Como já deve ter reparado, e ao que parece de forma desagradável, somos responsáveis pelo que fazemos, dizemos e escrevemos. Somos SEMPRE responsáveis e OS PRIMEIROS responsáveis. Se acha que pode escrever o que quiser e as outras pessoas estão obrigadas a concordar consigo ou, discordando, deixarem-lhe o palco, está a achar mal, lamento.

    Rui, ainda são muitos os deslizes e continuarão a ser. Não posso deixar de referir que gostei de ver o noticiário da SIC esta noite. Exploraram muito bem o assunto, escalpelizando-o com profissionalismo e distância. Até nas menções à nacionalidade.

    23 Tiago Loureiro em 9 Ago 08 02:28

    A propósito dos comentários xenófobos que não tardaram, infelizmente já eram esperados. Na verdade, um dos piores efeitos colaterais que resultam de crimes cometidos por cidadãos estrangeiros em Portugal, é o aproveitamento desonesto que pessoas com graves tiques de xenofobia fazem do acontecimento.

    Já agora, e sobre o assunto, deixo aqui
    o link para um post que escrevi a respeito no meu blog.

    24 Paulo Querido em 9 Ago 08 02:33

    Tiago, gostei do seu post. Nem de propósito, a notícia do português que matou uma espanhola em Espanha.
    Há um par de coisas no universo que eu nunca consegui entender e uma delas é a xenofobia. Discriminar o outro em função de acidentes geográficos?

    25 Mar34 em 9 Ago 08 12:09

    Acho muito natural que ao atavessarmos uma crise económica nos seja ainda mais dificil entender que venham brasileiros assaltar bancos, e mais dificil de desculpar quando se usa a violência que todos assistimos no caso do sequestro do bes. Não discrimino ninguém pela sua nacionalidade, mas sinceramente, porque não ficaram lá no brasil a cometer crimes? Lá provavelmente quem teria morrido não eram eles, teriam sido muito mais bem sucedidos concerteza!

    26 Sequestros e epítetos | ma-schamba em 9 Ago 08 12:27

    [...] pormenor, e repetidamente, os tiros certeiros. O reality show da morte - afã que a própria blogosfera louva. Um nojo imoral. Uma estupidez. Gente que nem [...]

    27 Paulo Querido em 9 Ago 08 16:15

    Mar34, eu acho muito estúpido que se escrevaqm expressões como”venham brasileiros assaltar bancos”, sem escrever, antes ou depois:
    “venham brasileiros servir cafés”, “venham brasileiros fazer anúncios”, “venham brasileiros lavar escadas”, “venham brasileiros ensinar artes”, “venham brasileiros pregar sermões”, “venham brasileiros impulsionar a economia empresarial”, “venham brasileiros construir hotéis de 5 estrelas”, “venham brasileiros salvar a TAP da falência”, etc.

    Eu não discrimino ninguém pela quantidade de neurónios, mas porque não ficou lá na sua casinha a dizer estupidezes? Aí provavelmente não me incomodava, e escusava de levar esta resposta.

    28 Paulo Querido em 9 Ago 08 18:57

    Cara Mar34, o seu último comentário foi apagado. Sabe, eu faço mais do que escrever parvoíces: também as apagao.

    29 Tiago em 9 Ago 08 20:22

    Caro Paulo!

    Obrigado por se manifestar antes do que eu!!

    poupe-me o serviço de responder a essa pessoa!

    abs

    30 Tomás Mendes em 11 Ago 08 03:08

    Boa noite,

    Hoje escrevi no meu blog sobre algo totalmente diferente destes acontecimentos do BES. No entanto, penso que poderá estar relacionado com a actuação da polícia portuguesa e a forma como alguns de nós encaram Portugal.

    Modéstia à parte, vale a pena ler.

    Deixo uma passagem para decidir se lhe interessa a leitura ou não:

    “Sugiro a reflexão: será este um país assim tão mau? O conceito de bom país é bastante subjectivo. Não considero censurável pensar que Portugal é um mais país mas tomo por condenáveis os que o pensem e o dizem simplesmente porque é moda.”

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