Não é a primeira vez que assistimos na web a um black-out contra projetos de lei (houve um na década de 90 por causa de uma lei sobre pornografia online), mas é a primeira vez que à cabeça do protesto estão empresas como a Google, sites como a Wikipedia, revistas como a Wired e ícones como Mark Zuckerberg. Isto para mencionar apenas quatro dos mais significativos entre os mais de 10.000 sites envolvidos no protesto de dia 18 de Janeiro de 2012, sendo esta grande dimensão outra novidade.
As leis em causa, o Stop Online Piracy Act e o Protect Intelectual Property Act, não perseguiriam quem nomeiam — a pirataria nem em sonhos seria afetada por elas — mas atingiriam com violência as indústrias que os americanos vêem como fundamentais para a economia agora e no futuro.
É um confronto — talvez o último — entre impérios moribundos, aos quais já só resta a força clientelar, e os emergentes que os vão substituir.
A pirataria é uma falsa questão, um pretexto.
Não foram os piratas que ficaram com os lucros que eram das cinco majors da música, mas a Apple.
E não foram os piratas quem lucrou com as hesitações das indústrias editoriais, mas sim a Amazon.
(Versão original, mais comprida, do artigo publicado no Jornal de Negócios. Título modificado.)

Mas certamente que sim! é uma publicação de Paulo Querido, jornalista e consultor de comunicação. Também autor de livros, artigos e algum código. Na net desde 1989. (
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