Tomem a nossa informação para as vossas aplicações
Depois da apresentação Jornalismo; uma profissão em mudança, cujas envolventes descrevi sinteticamente aqui, um dos jornalistas que veio falar comigo dava nota do facto de ser impossível, como se fosse contra natura, um jornal a meter links para outro.
Argumentei com todos os pesos pesados, números e estudos de caso para provar o contrário — mas é simplesmente mais forte que tudo isso, o pavor de dizer ao leitor que há uma notícia algures fora do NOSSO jornal cuja leitura se aconselha.
Enquanto os jornais online portugueses teorizam sobre como evitar encontros com o hipertexto, esse grande malandro que nos vai tirar o emprego a todos, o New York Times abre a sua API, anunciada antes do Verão. O que é uma API? Vejam no link a explicação detalhada. Em plain portuguese: tomem lá a nossa informação para as vossas páginas e aplicações e brilhem, rapazes.
Já nem falo em algum dia o Parlamento disponibilizar informação dos plenários e das comissões de forma a poder ser perscrutada de forma útil pela sociedade civil, jornalistas incluídos. Ainda de mandam internet, perdão, internar.
(btw, pergunta: sabe o leitor quantas formas diferentes tem o americano de saber quem financia quem na política do seu país?)
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Olá, o meu nome é Paulo Querido e Certamente! é o meu webzine pessoal. Sou consultor de new media, jornalista e escrevo livros e artigos (e também algum código) sobre a net e na net desde 1989. (
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Paulo, esta é mais uma razão porque eu raramente leio jornais portugueses, mesmo online. O espírito de umbiguismo e o proteccionismo sobrepuseram-se à missão do jornalista que é a de informar da melhor maneira possível. The Guardian, Los Angeles Times, Libérarion, todos linkam para fora. Só os órgãos de comunicação social ‘tugas’ é que permanecem orgulhosamente sós, como se a Web fosse um oceano feito de ilhas autónomas. Se os media continuam de facto a ser um dos principais responsáveis pela formação de uma opinião pública, é de recear que esta opinião pública tenda a tornar-se a médio prazo cada vez mais ignorante e passiva caso esta teimosia persista. Quanto a mim, isto é um indicador claro de subdesenvolvimento e de tacanhez
Miguel, esses jornais linkam para fora a partir de algumas zonas editoriais — o noticiário também ainda não liga nada… Mas está bem, é preciso começar por algum lado. E cá, nem sequer as zonas da frente — como os blogues — se atrevem a linkar. Tirando notórias excepções.
É por isso, nao tenho a mínima dúvida, que alguns bons blogues de jornais não passam cá para fora, estão fechados lá dentro, como meras páginas de opinião. Um blogue é bastante mais que uma coluna de opinião.
Embora discorde do “só os tugas”, tens razão. Carradas dela.