O Twitter é o serviço web mais revolucionário e marcante depois dos wikis e dos blogues. Até porque não é apenas um serviço para a web: é ubíquo fora da web seja em software específico que corre no nosso desktop, seja no Instant Messaging (Google Talk, MSN só em regime experimental). E também fora da Internet: recebo e envio twitters por SMS, por exemplo, ou sigo os meus contactos através de aplicativos para o telemóvel ou PDA.
A fazer dois anos este mês, o Twitter continua em grande medida por explorar. Tem aplicações criativas, como servir de sistema de alertas: há aplicativos externos que avisam com um SMS instantâneo se um um determinado servidor for abaixo. Tem uma forma de interacção por programas externos (API) bem desenhada e robusta — e muito usada.
Nos Estados Unidos o Twitter é uma febre — os debates televisivos dos candidatos presidenciais geram quantidades colossais de mensagens, com centenas de milhar em todo o mundo a comentar entre si, apaixonadamente e na forma peculiar do Twitter: cada mensagem tem um limite de 140 caracteres.
O cenário é um pouco diferente na Europa, onde se nota algum atraso na adopção do Twitter. Mas diferenciado por países: os britânicos e os franceses “twitterizam” mais que os portugueses, que continuam a resistir galhardamente à inovação e renovação do espaço comunicacional. Parece que quem se atreveu a criar um blogue esgotou nesse acto a sua capacidade para o novo. Mas isso são outros quinhentos.
Carlos Duarte, licenciado em jornalismo, identifica no seu blogue seis classes de twitters:
- O curioso
- O social
- O reservado
- O introvertido
- O oportunista (não negativo, sublinha)
- O arrivista
Auto-classifico-me na classe dos oportunistas: uso o Twitter sobretudo como canal alternativo de distribuição do que escrevo na Internet (PauloQuerido) e dos fluxos noticiosos do Expresso, da SIC e da TubarãoEsquilo, e muito pouco como microblogging, interagindo raramente através do serviço.
Uma curiosidade: também o Twitter atrai os fakers — indivíduos que usam (ou abusam) de nomes muito populares, criando contas de apelo irresistível como a de José Sócrates. Mas ao contrário da bitola americana, onde só triunfam fakers com piada e/ou inteligência, este faker português é tosco e não tem arcaboiço para aguentar a farsa. É pena — alguns dos melhores momentos da web social têm sido proporcionados pelo brilhantismo irreverente de fakers.

Mas certamente que sim! é uma publicação de Paulo Querido, jornalista e consultor de comunicação. Também autor de livros, artigos e algum código. Na net desde 1989. (
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