Agências de comunicação, temos um problema

Todos os dias recebo diversos press releases, perdão, notas de Imprensa.
As notas de Imprensa, perdão, press releases, têm vindo a degradar-se e espero que seja só impressão minha.
Se eu estivesse numa redacção, o trabalho que enfrentava só para descodificar o seguinte press release, perdão, nota de Imprensa, fazia-me passar à próxima. O pior é que a próxima é igual à anterior… Alguém é capaz de descodificar para mim? Obrigado. (Substitui os nomes, o que na realidade não tem qualquer importância.)

Segue em anexo o Press Release “ZBR em destaque no Evento tirititi & blá bla da XPTO”. Como Consultora especializada e focada na área de GRUNGRUN, a ZBR não podia deixar de estar presente no maior evento sobre esta temática existente em Portugal.
Como Patrocinadora Platinum, a participação da ZBR inclui um stand na área de exposição, onde vai demonstrar e divulgar os seus serviços e soluções líderes na área de tirititi, e uma palestra às 11h55 por Fulano De Tal, CEO da empresa. Intitulada “Gestão Integrada de Processos”, a apresentação vai focar a orientação da Gestão de Processos para uma estratégia de integração com vista à obtenção de uma resposta pronta, completa, coerente e eficaz às necessidades dos vários stakeholders de uma organização – que traduz o objectivo subjacente à metodologia concebida pela ZBR e implementada com sucesso em diversas empresas de grande dimensão.
A ZBR é uma consultora especializada e líder nacional na prestação de serviços e desenvolvimento de soluções tiritiri (Business Qualquer Coisa Mais).

Debate

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14 opiniões no artigo “Agências de comunicação, temos um problema”

    1 fractura.net! » Blog Archive » | 370 em 19 Jun 09 12:31

    [...] Agências de comunicação, temos um problema [...]

    2 Paulo Querido e a sua experiência com agências de comunicação em 19 Jun 09 14:52

    [...] Querido deixa aqui um post em que alerta as agências de comunicação para a sua abordagem aos jornalistas. Na [...]

    3 João Almeida em 19 Jun 09 15:11

    Não sabes falar “consulturês”, a linguagem que as empresas de consultoria falam? Descodificar isso é simples: não tem conteúdo, logo não há informação a extrair do texto.

    4 Ana Paula Fitas em 19 Jun 09 15:38

    Caro Paulo,
    Deixei, no A Nossa Candeia, um post que é, também para si. Abraço.

    5 Beijokense em 19 Jun 09 15:39

    É aproximadamente tão “descodificável” como isto:
    «Por isso importa que os actores envolvidos neste processo de construção de valor percebam o alcance destas apostas estratégicas. Não se pode querer mobilizar a região e o país para um novo paradigma de desenvolvimento, centrado numa maior equidade social e coesão territorial, sem partilhar soluções estratégicas de compromisso colaborativo.»

    6 Paulo Querido em 19 Jun 09 15:48

    Beijokense: LOL!

    7 Mduza em 19 Jun 09 15:55

    LOLOLOLOL !

    8 Mduza em 19 Jun 09 15:56

    Heheheheheh !

    9 João Almeida em 19 Jun 09 16:15

    A sério que invejo a capacidade desses senhores de escrever tanto sem dizer absolutamente nada…

    10 cjt em 19 Jun 09 17:38

    humm… não são só as agências. eu também tenho.
    peço desculpa pelo trackback, por favor apaga-o.
    houve aqui uma coisa com um plugin de integração google/twitter e acabei com os tweets em post…

    bom, mas isso só prova que a coisa andou a ser divulgada.
    de qualquer forma, peço desculpa pelo “spam” involuntário que atingiu este e mais 118 blogs :-)

    abraço!
    cjt

    11 cjt em 19 Jun 09 17:39

    agora, em relação ao assunto.
    o problema é simples: estagiários que não sabem jornalês. e a culpa não é deles…

    12 Mr. Steed em 19 Jun 09 18:42

    isto é excelente. juro, já tentei escrever uma coisa assim para gozar com este tipo de escrita mas não consegui. Esbarro logo no facto de escrever sempre “skateholder” :(

    13 FlaviaPM em 19 Jun 09 23:43

    Isso são problemas clássicos de consultores que nunca tiveram de trabalhar com engenheiros e médicos e depois traduzir tudo para jornalistas.
    Era uma das coisas que mais gostava de fazer em SP, “traduzir” e deixar tudo “mastigadinho” para o repórter que ia fazer a matéria.
    Além disso, quando a coisa era mesmo muito complicada, fazíamos um workshop com jornalistas para explicar algumas das expressões utilizadas.
    Mas geralmente, era só mesmo transcrever todo o texto, opinião, ou o que quer que seja, para linguagem simples que todos entendem para não dar trabalho ao jornalista!

    14 Paulo Querido em 21 Jun 09 18:49

    Para mim, o pior desta forma de fazer as coisas é que, dada a repetição, acaba por verter para a publicação jornalística. Seja pela pressa, pela boa vontade, pela necessidade de tapar um buraco, o jornalista acaba a publicar sem editar. Às tantas, torna-se parte.

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