Agências de comunicação, temos um problema
Todos os dias recebo diversos press releases, perdão, notas de Imprensa.
As notas de Imprensa, perdão, press releases, têm vindo a degradar-se e espero que seja só impressão minha.
Se eu estivesse numa redacção, o trabalho que enfrentava só para descodificar o seguinte press release, perdão, nota de Imprensa, fazia-me passar à próxima. O pior é que a próxima é igual à anterior… Alguém é capaz de descodificar para mim? Obrigado. (Substitui os nomes, o que na realidade não tem qualquer importância.)
Segue em anexo o Press Release “ZBR em destaque no Evento tirititi & blá bla da XPTO”. Como Consultora especializada e focada na área de GRUNGRUN, a ZBR não podia deixar de estar presente no maior evento sobre esta temática existente em Portugal.
Como Patrocinadora Platinum, a participação da ZBR inclui um stand na área de exposição, onde vai demonstrar e divulgar os seus serviços e soluções líderes na área de tirititi, e uma palestra às 11h55 por Fulano De Tal, CEO da empresa. Intitulada “Gestão Integrada de Processos”, a apresentação vai focar a orientação da Gestão de Processos para uma estratégia de integração com vista à obtenção de uma resposta pronta, completa, coerente e eficaz às necessidades dos vários stakeholders de uma organização – que traduz o objectivo subjacente à metodologia concebida pela ZBR e implementada com sucesso em diversas empresas de grande dimensão.
A ZBR é uma consultora especializada e líder nacional na prestação de serviços e desenvolvimento de soluções tiritiri (Business Qualquer Coisa Mais).
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14 opiniões no artigo “Agências de comunicação, temos um problema”
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Olá, o meu nome é Paulo Querido e Certamente! é o meu webzine pessoal. Sou consultor de new media, jornalista e escrevo livros e artigos (e também algum código) sobre a net e na net desde 1989. (
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[...] Agências de comunicação, temos um problema [...]
[...] Querido deixa aqui um post em que alerta as agências de comunicação para a sua abordagem aos jornalistas. Na [...]
Não sabes falar “consulturês”, a linguagem que as empresas de consultoria falam? Descodificar isso é simples: não tem conteúdo, logo não há informação a extrair do texto.
Caro Paulo,
Deixei, no A Nossa Candeia, um post que é, também para si. Abraço.
É aproximadamente tão “descodificável” como isto:
«Por isso importa que os actores envolvidos neste processo de construção de valor percebam o alcance destas apostas estratégicas. Não se pode querer mobilizar a região e o país para um novo paradigma de desenvolvimento, centrado numa maior equidade social e coesão territorial, sem partilhar soluções estratégicas de compromisso colaborativo.»
Beijokense: LOL!
LOLOLOLOL !
Heheheheheh !
A sério que invejo a capacidade desses senhores de escrever tanto sem dizer absolutamente nada…
humm… não são só as agências. eu também tenho.
peço desculpa pelo trackback, por favor apaga-o.
houve aqui uma coisa com um plugin de integração google/twitter e acabei com os tweets em post…
bom, mas isso só prova que a coisa andou a ser divulgada.
de qualquer forma, peço desculpa pelo “spam” involuntário que atingiu este e mais 118 blogs
abraço!
cjt
agora, em relação ao assunto.
o problema é simples: estagiários que não sabem jornalês. e a culpa não é deles…
isto é excelente. juro, já tentei escrever uma coisa assim para gozar com este tipo de escrita mas não consegui. Esbarro logo no facto de escrever sempre “skateholder”
Isso são problemas clássicos de consultores que nunca tiveram de trabalhar com engenheiros e médicos e depois traduzir tudo para jornalistas.
Era uma das coisas que mais gostava de fazer em SP, “traduzir” e deixar tudo “mastigadinho” para o repórter que ia fazer a matéria.
Além disso, quando a coisa era mesmo muito complicada, fazíamos um workshop com jornalistas para explicar algumas das expressões utilizadas.
Mas geralmente, era só mesmo transcrever todo o texto, opinião, ou o que quer que seja, para linguagem simples que todos entendem para não dar trabalho ao jornalista!
Para mim, o pior desta forma de fazer as coisas é que, dada a repetição, acaba por verter para a publicação jornalística. Seja pela pressa, pela boa vontade, pela necessidade de tapar um buraco, o jornalista acaba a publicar sem editar. Às tantas, torna-se parte.