Conta-me como foi
Não conheço o seriado televisivo “conta-me como foi”, nem sequer faço ideia em que canal passa, ou passou, mas ler este post de Pedro Aniceto no Cão com pulgas despertou-me uma lembrança dos meus verdes anos no mercado de trabalho, já em Lisboa.
Escreveu Pedro Aniceto, entre outras pérolas da sua antiguidade (esteve na inauguração do Imaviz!):
passei muitas horas a subir e descer escadas rolantes na estação Parque do metropolitano de Lisboa
Eu saí muitas vezes nesta estação. Nesse tempo, estamos em 1981-82 e eu a debutar na Gazeta dos Desportos, apanhava três ou quatro transportes desde a casa de um familiar até à Poço dos Negros. O Metro era o segundo deles. Vindo de Sete Rios (se fosse hoje, viria do Alto dos Moínhos), tinha duas alternativas: ou ficava no Marquês e em seguida apanhava, no início da Braancamp (cobiçando o edifício do Expresso…), o 22 ou o 38 ou o 49, saindo na D. Carlos I lá em baixo; ou ia sair aos Restauradores, subia no elevador, descia ao Camões e descia a pé ou no 28 a Calçada do Combro.
Quando tinha mais tempo, e já estavam dias bons, primaveris, gostava de sair no Parque e subir as imensas escadarias rolantes, um dos street-symbols da modernidade urbana lisboeta dos anos 70. E sobretudo descer pelo meio do Parque, amplos passeios, árvores vergadas ao verde, até à rotunda barulhenta do Marquês.
Em trabalho, usávamos os carros do jornal ou íamos de taxi. No resto do tempo andava sobretudo de Metro. Às tantas conhecia todas as estações.
Seguindo o Pedro Aniceto, eis a minha afirmação hilariante para fazer corar de espanto alguns dos meus leitores mais jovens: um dos meus passatempos de dia de folga consistia em, jornal ou livro no bolso, fazer o metro de um extremo ao outro e voltar, saindo episodicamente num estação ao acaso para tomar um café. Eram 40 minutos de introspecção no silêncio humano da carruagem, entre Sete Rios e Entre-Campos, ou Alvalade.
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Olá, o meu nome é Paulo Querido e Certamente! é o meu webzine pessoal. Sou consultor de new media, jornalista e escrevo livros e artigos (e também algum código) sobre a net e na net desde 1989. (
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É muito mais vulgar do que o que pensas… Durante muito tempo, e como os donos dos cafés não gostavam muito que a malta lá acampasse a estudar, embarquei no Estrela – Gomes Freire (do qual nem tinha que se sair nos terminus das viagens) e dava-se uma volta enorme a Lisboa com um banco de enrugada napa verde como mesa de estudo. És menino para te lembrar do cheiro acre das folhas amontoadas de Lisboa pela janela em guilhotina de um 28? Ou de um Cruz Quebrada – Praça do Comércio?
Pedro, então não sou. O que eu penei no 28
E o Estádio Nacional era um sítio onde fiz muito trabalho de repórter, treinos das selecções e assim. Adorava ir no eléctrico — aquilo demorava um ror de tempo, mas era uma viagem. Uma viagem, não um passeio e muito menos uma deslocação.