De Eiffel ao Google: criatividade e inovação como atitudes
Quando pensamos em criatividade temos tendência a associar o termo a actividades culturais. Paralelamente, o termo inovação evoca logo cometimentos na área tecnológica. Há que ser criativo e exercitar o pensamento contrário!

Pense o leitor na torre Eiffel. Mesmo que não tenha estado lá, que não tenha tocado o ferro, conhece inúmeras fotos. A torre que domina Paris é um dos emblemas da civilização ocidental. Qual o termo que lhe ocorre: criatividade ou inovação? Ou ambos?
Repita o exercício desta vez pensando no motor de pesquisa Google. Que termo é mais adequado, na sua cabeça, para o classificar: criativo? Inovador?
Provavelmente, respondeu “criatividade” para o primeiro e “inovador” para o segundo.
No primeiro caso, pensamos na beleza da torre, no seu impacto visual, orgulhamo-nos da sua imponência e graça. No segundo agradecemos a funcionalidade, a extraordinária capacidade de nos apontar os melhores resultados para as nossas pesquisas.
No entanto, ambos são maravilhosos exemplos de obras de engenharia, muito avançadas para os seus tempos. Sergei Brin e Larry Page não foram menos criativos que Gustav Eiffel. O engenheiro da torre parisiense não foi menos inovador que os estudantes do motor de pesquisa americano.
Sempre uso este exemplo duplo para ilustrar a minha convicção de que a nossa sociedade passou o último século a sobrevalorizar os autores das actividades culturais, esquecendo as obras que não pertencem às indústrias mediáticas.
É como se Da Vinci fosse admirado apenas como pintor, esquecendo nós o seu contributo para a ciência — que, aliás, é bem mais extenso.
Fernando Pessoa escreveu um belo poema que sintetiza isto mesmo:
O binómio de Newton é tão belo como a Vénus de Milo. O que há é pouca gente para dar por isso. óóóó—óóóóóó óóó—óóóóóóó óóóóóóóó (O vento lá fora.)
A criatividade e a inovação são sobretudo atitudes. Podemos melhorar todo e cada aspecto das nossas vidas, tanto na parte funcional como na parte lúdica, estimulando essas atitudes.
(Republicação. Originalmente publicado em 22 de Junho de 2009 em Criar2009, a publicação portuguesa do Ano Europeu da Criatividade e Inovação. Link. )
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Olá, o meu nome é Paulo Querido e Certamente! é o meu webzine pessoal. Sou consultor de new media, jornalista e escrevo livros e artigos (e também algum código) sobre a net e na net desde 1989. (
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Perfeita essa abordagem comparativa sobre os termos! Dou minha contribuição, segundo o meu ponto de vista, comentando os seus exemplos. A torre Eiffel é criativa e inovadora, pois o autor construiu um objeto já conhecido para um fim com um design segundo o seu ponto vista (criatividade), mas que ganhou um novo propósito, que foi o aspecto artístico (inovação). Então a torre executaria sua função de “torre” e também de “objeto artístico”, estabelecendo um novo conceito. Já o Google é apenas inovador, pois estabeleceu uma nova forma de uso para algo, tornando o conceito anterior para o mesmo fim, de certa forma obsoleto. Seria como substituir a enciclopédia impressa ou o fichário de uma biblioteca pela busca digital de informações.
Exercitando mais nessa análise eu diria que Da Vinci conseguiu ser ao mesmo tempo Criativo e Inovador, pois executava o primeiro segundo o seu ponto vista e o segundo por introduzir em sua arte alguma mensagem direta ou subliminar, que até nos dia atuais ainda nos levam a pensar e interpretar o quê ele pretendia dizer com cada traço e cada expressão de sua arte. A arte de Da Vinci não é apenas admirável pela criatividade, mas inovadora porque sempre tem algo mais a nos dizer…