Há dias assim. Hoje é um péssimo dia para postar. É dia 1 de Abril, dia em que não se confia no que se lê, dia em que uns enganam deliberadamente os outros invocando uma permissividade ancestral, não-escrita e jamais sufragada. Uma febre apodera-se dos autores da mediasfera, a começar pelos jornalistas e pivots e a acabar nos bloggers.
Há dias assim. Outros exemplos de actividades não recomendáveis pelo calendário incluem:
- Carnaval: não frequentar bares e discotecas. A música fica sem critério, os barmen enfiam qualquer coisa ridícula na cabeça, toda a gente finge estar muito divertida e ninguém sabe realmente o que está ali a fazer (nos outros dias também não, mas não finge), é uma palhaçada inane onde a muito custo se descortinará algum tipo de humor ou divertimento — e mesmo aí só os apreciadores do género básico tirarão partido.
- Passagem do ano: evitar a qualquer custo sair para festividades populares. O mar de gente, a música deprimente-repetitiva, os carteiristas, os abusadores, os vomitados — é sem dúvida alguma um dos momentos deploráveis da humanidade, rivalizando com o Carnaval. Tem sobre este a vantagem de ser um período único, que nunca demora mais de 8 a 10 horas, incluindo o período de vómito.
- Santos populares: fugir dos bairros “típicos”. Junho é um mês horrível para sair à rua. Em especial nas vésperas dos santos populares, os deuses pagãos e/ou religiosos o impeçam de ir a um bairro “típico”. Transformadas as ruas num paraíso de carteiristas e prevertidos sexuais, além destes perigos dificilmente se locomoverá por ali, sujeitando-se a uns valentes encontrões, a porradas no alto da cabeça, ficará com a roupa toda amassada do corropio de roços. E comer ou beber, esqueça, a menos que seja apreciador de copos de plástico, pratos de plástico, bebidas derramadas pela metade e bancos corridos emporcalhados, entre outros detalhes do figurino “popular”.
Há ainda outras datas assim, queira o leitor ser gentil e partilhe as suas. Sempre é uma forma de não andar por aí a ler patranhas.
Sugestões dos leitores
- Dia dos namorados: não ir jantar a lado nenhum no dia 14. Marcar o jantar para dia 13 e, após a meia noite, começar a comemorar o dia mais cedo (MV)
- A partir de 27/28 de cada mês e no primeiro sábado do mês: fugir como o diabo da cruz de hipermercados e centros comerciais (sobretudo os primeiros); idem nos fins-de-semana que antecedem o Natal e a Páscoa (Uma Senhora De Idade Que Passou Por Aqui)

Mas certamente que sim! é uma publicação de Paulo Querido, jornalista e consultor de comunicação. Também autor de livros, artigos e algum código. Na net desde 1989. (
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