Entretanto na China (a propósito de mineiros que se safam, os que não se safam) 

Os 33 mineiros salvos na mina chilena foram uns heróis. Mas nem todas as histórias com mineiros soterrados acabam bem. Fiquei feliz por termos tido uma boa notícia, mas o mundo continua uma miséria por culpa do Homem — e de Deus e do capitalismo, entidades que vi serem “responsabilizadas” pelo sucedido no Chile, numa ação de cobrança que diz tudo sobre os nossos tempos…

Rui Bebiano aponta:

Vale a pena, por isso, lembrar neste momento de alegria a situação catastrófica dos mineiros chineses, com índices de sinistralidade e de mortalidade — associados a condições de trabalho e salariais miseráveis — verdadeiramente inconcebíveis. Estudos recentes apontam para cerca de 1.000 (mil, não é engano) mortos por ano, correspondendo a 80% do número de fatalidades ocorridas em todo o mundo quando a produção mineira da China é apenas de 35% da global. Em 2006, e de acordo com os números oficiais, o número de mortos foi mesmo de 7.500. Um acidente praticamente em cada 7 dias, a maior parte sem referência nos meios de comunicação e nenhum deles com um décimo da atenção mediática dada ao acidente de San José. Será de recordar estes dados aos responsáveis do partido político português que calam os crimes diários praticados na China contra os trabalhadores mas se preocupam tanto com a atribuição do Nobel da Paz ao activista dos direitos humanos Liu Xiaobo.



Consultar original, Entretanto na China (a propósito de mineiros que se safam, os que não se safam)
Fonte: A Terceira Noite

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