O portátil Magalhães foi um sucesso que nem os sistemáticos contras conseguiram travar, do alto das suas múltiplas medias.
A oposição à direita está vazia de imaginação, o que tem pouco ou nada de surpreendente tendo em conta os seus protagonistas para a ocasião. Deixou de colar o discurso minimal repetitivo da chapa “mais um exemplo de falta de ____ (qualquer coisa que ocorra no momento, adequada ou nem por isso) sobre este governo ficou mais uma vez patente na/o ______ (última iniciativa/projecto do governo)”. A 10/12 meses das eleições legislativas, ainda haverá tempo para Manuela Ferreira Leite trocar de “fato”? É uma boa pergunta.
Pedro Santana Lopes está num ímpasse por causa da trapalhada das casas, que veio finalmente a lume. Mas o envolvimento dele naquilo é zero vírgula responsabilidade inerente. Vai ser o candidato do PSD à Câmara de Lisboa. É o melhor trunfo do partido — o que diz mais sobre o partido do que os actuais corpos gerentes gostam de admitir. Não tenham ilusões. Quem imagina um Partido Social Democrata este século sem PSL e a “corrente populista”, o melhor é mudar de partido. A reforma na vida privada é outra opção, mais recomendável.
Marques Mendes sobreviveu. Em melhores condições que o PSD, o que é notícia. E mais um problema para MFL. Uma coisa é “comprar” PSL com a maior câmara do país. Mas com Menezes do lado ácido de fora, Rio a submarino, Borges a desajudar, Passos Coelho sempre em cima, e agora Mendes a “roubar” os holofotes, a vida não está fácil para a chefe. E ainda nem falámos do PS.
Já não há Partido Popular. É uma imagem ectoplásmica. O CDS eventualmente ainda subsiste no coração de algumas pessoas distintas. Eventualmente. E porque o PSD deixa.
A esquerda exterior ao PS tem quase 25% das preferências do eleitorado, dizem as sondagens. MFL e a “ala credível” do PSD nunca conseguirão capitalizar o descontentamento de classes que simplesmente não entendem, não absorvem, ignoraram toda a vida. As classes médias e médias baixas — a intensa maioria sociológica deste país, cujo contacto com o PSD se fez sempre por via de líderes populistas/autoritários. Imaginar que essa gente dispensará o voto a Manuela Ferreira Leite e António Borges é delirar.
Mas o PS tem de trabalhar. Mais: está na hora do PS, e do governo, começarem a trabalhar. Ou isso — ou em 200 teremos o PP da esquerda, finalmente: o BE a formar governo.
Impensável? Não vejo porquê. Dêem as voltas que derem, e sem meter a ideologia nisto, Francisco Louçã é mais “conhecedor dos dossiers” e mais bem preparado político que Paulo Portas e este foi a ministro.
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