Para sempre 

Sabes, meu amor, há sentimentos assim, avassaladores, ficamos rendidos, quietos, presos, manietados pelo instante fixado num riff do viola solo, um riff que não começa nem acaba, é hipnótico, está lá, para sempre, no meio da música, e a música parece que é eterna, sabemos que não é, mas sabemos fora e isso não conta quando estamos dentro, e nós estamos dentro e eu sempre soube que estava dentro de alguma coisa mas não sabia o que era, quando ouvia isto e não entendia, e agora entendo — entendo e sinto e gosto, regosto daquele ostinato que esteve este tempo todo dentro de mim sem eu o compreender,

(Xutos & Pontapés. Leitores por feed e newsletters, este link)

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