Ainda não foi desta, agora é que vai ser
O discurso de Manuela Ferreira Leite deixou, como eu já esperava, aos intelectuais à direita do PS a nobre missão de colocar os paninhos quentes. Mas mesmo assim surpreendi-me. Não pensei que pudesse ser tão mau. Quando, depois de 4 meses a anunciarem para ontem a palavra de Manuela, Francisco José Viegas envereda pelo tom “isto não foi nada, daqui em diante é que vamos ver”, fico um pouco alarmado.
“O confronto de Ferreira Leite com Sócrates só conta a partir de agora, e esperamos que não seja um combate surdo. Ambos sabem que, adormecido como está, inerte, surpreendido pela sensação de risco, o País precisa de líderes” (no Correio da Manhã)
Leituras recomendadas
No mesmo jornal, mas ontem, CAA (aqui citado do Blasfémias): “hoje acabarão as férias prolongadas da líder do PSD, um dos factos mais extravagantes da política nacional após o fim do PREC“.
Vasco Campilho: “Pareceu-me evidente que Manuela Ferreira Leite procurou estabelecer um contraste vivaz entre José Sócrates e ela própria - mais até do que entre PS e PSD - ao nível da estatura moral. [...] Esta é uma estratégia que faz sentido. O prestígio do PM já conheceu melhores dias na sociedade portuguesa, e não apenas em virtude dos medíocres resultados da sua governação. Não estando esta direcção do PSD vocacionada para uma diferenciação abrupta - salvo seja - no domínio das políticas propostas, a personalização da disputa eleitoral afigura-se como o ângulo de ataque mais viável”

O Leonel Vicente fez um oportuno trabalho com o Discurso de Manuela Ferreira Leite na Universidade de Verão do PSD, atirado para uma nuvem de palavras. A não perder — e a interpretar o resultado: política e governo são as 2 palavras mais usadas.
Em contraste, o discurso de Jerónimo de Sousa na Festa do Avante dá-nos a ideia de um discurso político mais objectivo, onde a par das preocupações vulgares com a “política e o “governo” temos as palavras trabalhadores, luta e país.
Ah, já agora: actualizei o código do Mediastream do PSD, o mashup que permite observar em tempo real o que é publicado na Internet relativamente à Universidade de Verão do PSD. Um bug estava a repetir uma tag de HTML e o Internet Explorer tem tolerância zero a (certas) tags não fechadas, pelo que crashava. Também dei uma horita ao aspecto: está agora mais embonecado e legível.
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Olá, o meu nome é Paulo Querido e Certamente! é o meu webzine pessoal. Sou jornalista free lance, escrevo livros e artigos (e também algum código) sobre a net e na net desde 1989. (
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Obrigado pela referência!
Não foi ‘difícil’: anotei as frases-chave em directo e construí a word cloud; depois, à tarde, quando o discurso foi publicado no site do PSD; refiz a word cloud, com o texto integral…
Paulo,
Já viste isto?
http://www.youcit.com/techcrunch50/
Esse não tinha visto, mas já conheço a tecnologia por baixo, chama-se Sweetcron. Estou a experimentá-la.
A sua capacidade de compreender o que a MFL tem para oferecer vem da altura em que ela iria ficar em terceiro no Partido…
Já disse noutro blog: a má imagem dela em TV é precisamente a boa imagem que ela precisa para ser alternativa. Aquela voz pouco entusiasmanda é precisamente o que lhe dará garantias de fiabilidade num país farto de espectáculo e promeças.
Nao ouvi o JM. Mas ouvi dizer que tinha sido um bom discurso…Deve ter sido, mas precisa de ser ouvido. Acho que foi “concreto” apresentou “propostas” e etc.
Aquelas coisas que na altura de vencer eleições não contam mas que se passa sempre a vida a exigir aos políticos que façam…
É bom que façam, mas quando for altura disso. E na plateia correcta. Se calhar até o meio mais indicado nem é uma conferência de imprensa, mas um blog…
“Aquela voz pouco entusiasmanda é precisamente o que lhe dará garantias de fiabilidade num país farto de espectáculo e promeças.”
Yeps. O país está farto de espectáculo e de promessas desde o final do PREC. Tipo, há 25 anos, topa Nuno? E como é que decidiu sempre votar? Diga-me: foi nas manuelas e manuéis de low profile, de voz pouco entusiasmada, e que ganharam graças à sua falta de imagem televisiva.
Foram os seus perfis de Insígnes Maus Prestadores Televisivos e Cultivadores de Credibilidade Através do Silêncio que levaram ao poder Balsemão, Soares, Cavaco, Guterres, Barroso, Lopes e Sócrates (to name just a few).
E esqueça os blogues como meio de falar às massas. Os políticos portugueses não falam para a net, falam para a televisão. Porquê? Porque são info-ignorantes, como “nós” gostamos de dizer?
Não.
Porque na Internet as massas vêm p0rn, gossip & celebrities, não lêem os blogues de debate político. As massas (os gajos que votam às dezenas de milhar, pobres coitados que não se fazem ouvir de outra forma senão pela porcaria do voto) olham para a televisão e gostam do/a finório/a que se propõe substituir o incumbente, ou não gostam.
Não se distraia com o meu rebuscado: o que conta na frase anterior é: televisão.
Os blogues de debate político servem precisamente para isso: debater. Ajudar a formar os candidatos. Não servem para arregimentar eleitores. This is not USA.
Paulo,
As vozes pouco entusiasmadas ganham depois das vozes com excesso de entusiasmo, assim como a paixão se impõe após o excesso de racionalismo (seja ele real ou percepcionado pelas pessoas e/ou por aqueles que massificam e intensificam o sentimento geral…)
Falo dos blogs não para ganhar eleições. Ainda acho que há políticos que são mais que máquinas papa eleições (não apenas a MFL, José Sócrates é sem dúvida um político esforçado e com real vontade de deixar obra). Apresentar alternativas nos Blogs era aproveitar para trocar ideias, debater junto de um público que realmente se interessa por estes assuntos. Na televisão é pronto a comer.
Poderia ajudar a criar opinião junto dos opinion makers mas secundariamente.
Será uma outra forma de cidadania.
(nao percebo se a menção aos USA tem alguma ironia, parece-me que não, sendo assim iria jurar que tinha tido uma troca de ideias mas com posições contrárias há uns mesitos).
“Na televisão é pronto a comer.”
Iup. a papinha feita nos blogues (antigamente era noutros sitios, agora é neles e também aqui).
Hum? Não dera nenhum remoque. Nos EUA as massas já estão na web. Cá não. Penso que as presidenciais americanas mostram isso com clareza.
(E btw, repare que o blogger portugues credenciado para a convenção republicana leva o seu trabalho a sério, enquanto os bloggers que se credenciam para manifestações do género cá são os humoristas. Isto deve ter um significado.)
E estamos a perder-nos nos aspectos formais. O que é mau. Significa que não há mais nada para discutir.
Discutir os aspectos formais é precisamente o que há para discutir nesta altura. Porque é isso que MFL tem que para “dizer” nesta altura e porque é precisamente pela forma que a MFL se vai impor para obter conteúdo. Mas isso posso ser eu a ser otimista e tentar adivinhar para onde devem ir. Mas como guarda arquivo podemos sempre cá vir ver novamente.
A forma é o que há no meio TV/pronto a comer os conteudos vêm (podem vir) dos blogs.
(quando falava pronto a comer estava a falar para o público, não para os jornalistas…)
Pedindo antecipadas desculpas pela “invasão” e alguma usurpação de espaço, gostaríamos de deixar o convite para uma visita a este Espaço que irá agitar as águas da Passividade Portuguesa…