Da série this is Portugal: o atraso como instituição

Se há traço distintivo da cultura lusitana de 800 anos, é o atraso. Gostamos de andar a reboque do futuro. Vem este pensamento sombrio a propósito da tirada certeira de Vasco Campilho sobre o PSD e os seus reservatórios de pensamento:
Devo dizer que a apresentação me inspirou um estado de espírito algo nostálgico, e não apenas pela evocação de Francisco Sá Carneiro. Fiquei sobretudo nostálgico de algo que nunca foi, e devia ter sido: esta revitalização do IFSC devia ter sido conduzida logo em 2005-2006, no consulado de Marques Mendes, para dela estarmos a recolher os frutos hoje. Eu sei que havia na sua direcção quem tivesse essa perspectiva. E tenho pena, muita pena, que isso não tivesse acontecido” (em bem vindos!).
Tem o Vasco TODA a razão. Não se lança o debate de ideias e a interacção com a “sociedade civil” a 6 meses das eleições. O PSD é um partido atrasado. Valer-lhe-á que os portugueses, triste sina, já se conformaram com a institucionalização do atraso.
Pelo menos os portugueses mais antigos.
E os portugueses mais recentes?

Debate

Ainda sem opiniões no artigo “Da série this is Portugal: o atraso como instituição”

    1 Diogo Vasconcelos em 28 Nov 08 21:31

    Paulo,em Portugal os Partidos pensam pouco (veja-se o PS, que praticamente não existe desde que é Governo). O ISC está a fazer um trabalho de fundo, num Pais onde não há tradição de “think tanks”. É um esforço que deve ser louvado, resulta do trabalho de dezenas de voluntários, um trabalho aberto à participação, exposto na internet, num site que arranca bem e que irá obviamente evoluir. Um instituto desta natureza existe para estimular a criação de novas propostas politicas, o debate ideológico e a formação de quadros. Em 2009, há 3 eleições de 2009, uma das quais, as legislativas, terá lugar daqui a sensivelmente um ano (uma eternidade em politica). A reflexão política interminente, nas vésperas (literalmente) das eleições, é uma das pechas da nossa Democracia. Em paises com tradição de reflexão política, entidades como o Instituto Sa Carneiro contribuem para enriquecer os programas eleitorais, mas vão muito para além dos ciclos políticos. Dai o mérito da iniciativa ontem apresentada. O PSD precisa de uma nova narrativa: é essa a missão do Instituto Sá Carneiro.

    2 Paulo Querido em 28 Nov 08 22:58

    Diogo, é verdade que o PS deixou de pensar. Isso repete-se sempre que um partido é governo.

    Concordo que o esforço de pensar a política deve ser louvado — e se a sociedade precisa disso, hoje mais que nunca, olhando os fracassos da economia entregue a si própria, com regulamentações para chinês comprar.

    Longe de mim, aliás, regatear aplausos ao esforço presente do PSD. Como não regateei ao esforço do PS, aquando do último movimento de pensamento que ajudaria Sócrates a vencer as legislativas. Não faço mais porque não sou actor desses palcos — o meu contributo é meramente no campo da divulgação e de alguma crítica pontual.

    Agora, permite-me discordar de ti no aspecto do timing. Segundo o calendário de Marcelo, que é um homem prático, que se aplica neste caso, em termos de legislativas têm os partidos de chegar ao Verão com os discursos engatilhados e a campanha praticamente feita onde contam os think tanks, que é na identificação dos problemas e nas melhores respostas, ou pelo menos as frases mais eficazes. No Verão é a campanha da bifana e do sound-byte, e mesmo esta feita a correr.

    Se somares a indisponibilidade tradicional de Dezembro, isso deixa o PSD — que é quem tem de correr atrás do prejuízo, com muito mais responsabilidades nisto que o PS confortável no seu poleiro — com seis meses. Eu não diria que é muito tempo… Embora também não diga que é missão impossível. Não é. As fronteiras também foram corridas e deu certo — mas o adversário era bem mais fraco que este PS e a sua conjuntura.

    Sei que sabes que, malícias à parte, este meu artigo não pretende contrariar o avanço do Instituto. Bem pelo contrário. Quis apenas dizer que concordo com o Vasco em relação ao tempo de lançamento, e que as condições com Marques Mendes em 2006 eram muito mais adequadas.

    Espero que o PSD encontre uma nova narrativa. Bem precisa dela. Tenho a certeza que o Instituto Sá Carneiro contribuirá para tal. E sei que tu darás à iniciativa uma dinâmica mais próxima da web social — sabes melhor que eu como foi fulcral para o triunfo de Obama a utilização de mestre, criativa, da web pela parte do staff dele.

    Eu aviso: apesar de Portugal não ter, nem de perto nem de longe, as taxas de literacia web dos EUA, a comunicação reticular será mais importante nas eleições de 2009, em particular nas autárquicas e legislativas, do que nunca.

    Ora, é dos livros que o incumbente depende menos da sua capacidade de inovar. Quem tem de rasgar a cortina da comunicação “social” é o PSD. Quem tem a lucrar com uma aposta firme, decidida, racional e profissional na comunicação com as pessoas que comunicam na web é o PSD.

    Tendes um longo caminho pela frente.

    3 Pessoal e transmissível e… imperdível (por Paulo Querido, em Certamente!) em 29 Nov 08 10:33

    [...] sequência da troca de comentários com Diogo Vasconcelos neste pequeno post sobre os think tanks do PSD, acabei a ouvir a entrevista que deu ao Carlos Vaz Marques, na antena [...]

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mini fotografia paulo querido Olá, o meu nome é Paulo Querido e Certamente! é o meu webzine pessoal. Sou consultor de new media, jornalista e escrevo livros e artigos (e também algum código) sobre a net e na net desde 1989. (Mais)

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