Desculpem perguntar: onde está Manuela Ferreira Leite?

Desculpem interromper o recreio-Magalhães, e desculpem perguntar: onde está Manuela Ferreira Leite?
Ontem vi o esforçado Paulo Rangel a defender a honra do convento no debate quinzenal — o primeiro depois do combate de rentrées, que terminou com a vitória do PS com o KO da “mudança”.
Hoje procuro afanosamente UMA palavra da líder do PSD sobre o debate. Debalde. É sem dúvida culpa do Google News. Não. A culpa é do noticiário das 13, que é governamentalizado. Não. A culpa é dos jornalistas de esquerda que dominam a Redacção do Público. Não. A culpa é dos webmasters do site oficial do partido, que mantém como “novidades” o “documento dos princípios orientadores da Estratégia das Eleições Autárquicas de 2009″ e como “manchete” “Manuela Ferreira Leite estranha silêncio de Carlos César sobre proposta de nova lei eleitoral”. Não. A culpa é dos editores de esquerda que dominam os jornais. Não. A culpa é dos webmasters do site do grupo parlamentar do partido, que só colocaram Rangel, Negrão e Guilherme Silva, omitindo as reacções de Ferreira Leite e, deixa ver quem é o vice-presidente que ainda aparece às vezes nos jornais, ah, António Borges. Não. A culpa é, definitivamente, dos algoritmos do Google, que só fazem aparecer estas notícias.
Há uma crise financeira mundial?
O Presidente Cavaco Silva faz um discurso importante na ONU, que envolve Portugal, a CPLP e a língua portuguesa?
Os jogos de bastidores para a Câmara de Lisboa começaram?
Vai um regabofe nos preços da gasolina e o Governo assobia para o ar, uma exelente oportunidade para o olhar de frente e fazer 2 ou 3 Perguntas Realmente Importantes?
A Rangel dava jeito sentir a líder por perto, para a tarefa de entalar o Primeiro-Ministro no debate quizenal e tentar marcar pontos para o orçamento que virá dentro de 15 dias?
Nada disto tem o menor interesse para os estrategas deste enigmático PSD. O espaço disponível para o PSD no sistema de partilha de espaço em capa e prime-time a que alguns reduzem o jornalismo está ocupado com os problemas de tribunal de Santana Lopes e Valentim Loureiro e o come-back de Marques Mendes. De Manuela, Borges — ou, vá lá, Rui Rio e Aguiar Branco — nem rasto.
Nem uma chamadita.
Uma evocação.
Uma legenda?
Um discurso directo, nem que seja requentado?
Nada. Népias. Nil. Null. 0.

Como escreve António Bento em carta a Luís Paixão Martins, “quanto mais invisível e privada, quanto mais privativa e ascética for a imagem física da líder, acredita-se, tanto mais o fantasma da sua ausência se tornará presente e se fará sentir, insinuando-se na “alma” do eleitorado” (em A credibilidade do silêncio de Manuela Ferreira Leite)
Mas no cubo de Rubik que é a vida, a cor do silêncio não está associada só aos cubos “asceta” e “puro”.
Uma rotação — e o cubo “cadáver” pisca-nos o olho, sorriso maléfico.


© rabiscos vieira, publicado no Arrastão

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5 opiniões no artigo “Desculpem perguntar: onde está Manuela Ferreira Leite?”

    1 Valupi em 25 Set 08 20:29

    Muito bom.

    2 Joaquim em 27 Set 08 11:24

    Para qualquer cidadão desesperado pelo dia das eleições, basta ter que ver, ouvir e/ou ler José Pinto de Sousa e/ou todos os jornalistas seus defensores todos dos dias da semana, durante 365 dias por ano.

    Por isso a estratégia de Manuela Ferreira Leite é evidentemente a mais acertada.

    Como diz quase toda a gente: faltam 12 meses para os estalinistas (ooooops socialistas) irem pregar para outra freguesia!

    Quanto aos seus jornalistas apoiantes, algo terá que ser feito.

    3 Paulo Querido em 27 Set 08 13:17

    Joaquim, o tamanho do seu “quase” é cá uma coisa.

    4 Joaquim em 27 Set 08 19:44

    Aí está caro Paulo Querido.

    Se ler os princípios deontológicos a que os jornalistas estão obrigados de forma a poderem exercer a sua profissão, verificará que a insenção é um requisito essencial.

    Quando digo “quase”, sei muito quilo que estou a dizer. Basta que o caro Paulo Querido faça a seguinte questão a quem encontrar na rua: “Está farto deste governo?”

    Não pode é utilizar a habitual questão no jornalismo à portuguesa: “Encontra alguma alternativa a este governo?”

    São questões completamente diferentes, como lhe dirá Durão Barroso poucos meses antes de vencer as eleições, apesar dos jornalistas à portuguesa jurarem a pés juntos que não havia alternativa ao governo de então…

    Lembre-se que não é a oposição que ganha eleições, são os governos que as perdem.

    5 Paulo Querido em 27 Set 08 22:46

    Sim, Joaquim. É por isso que decidiram que a senhora devia calar-se.

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