Falta de jeito

O artigo de Fernanda Câncio no Diário de Notícias de hoje sobre a derrota de Pacheco (via País Relativo) ficará nos arquivos do melhor de 2008 no campo da análise mediática. O historiador que no pós-25 de Abril fez carreira a confundir propaganda com jornalismo e se distinguiu a defender — corajosamente, que fique escrito — o autoritarismo, falhou cada uma das suas iniciativas partidárias.
A Pacheco Pereira, a história da política portuguesa atribuirá as justas responsabilidades pelo atraso da adaptação do PSD à política do século XXI. A insistência na geração passada, boicotando o acesso dos émulos de José Sócrates ao poder partidário, é o corolário de um percurso desastroso no partido hoje consciente de que tardou a atribuir a Pacheco o seu verdadeiro lugar: o de “livre pensador”, que fica prudentemente de fora do tabuleiro de jogo (e a votar em Santarém).
Paulo Portas (CDS-PP). José Sócrates (PS). Francisco Louçã (BE). Jerónimo de Sousa (PCP). As principais forças políticas são lideradas por figuras de segunda ou terceira geração. Sujeitaram-se às purgas, às dores de crescimento, à renovação dos seus tecidos, deixaram emergir lideranças que, com maior (Sousa) ou menor (Portas) ligação umbilical às referências históricas e ao passado dos respectivos partidos, fizeram a transição de audiências, que é como quem diz de eleitores.
O PSD, não. Desde que foi arredado do poder central, o PSD ficou — qual galinha decapitada — a andar às voltas, picado de fora por duas eminências bastante antigas e nada pardas que tudo fizeram para condicionar o partido aos seus projectos de ambição pessoal, fossem eles quais fossem.
Essa interrupção voluntária do normal processo de amadurecimento partidário tem sistematicamente atrasado a modernização de quadros. Sem mudança de líderes e de processos internos que respondam aos seus inputs, os novos mais brilhantes que poderiam estar na calha vêem as suas carreiras tapadas e saem para o estrangeiro, para a universidade ou para o mundo empresarial, ou ficam a marcar passo nos lustrosos institutos do partido.
O PSD é o único partido que continua liderado pela geração política correspondente aos reformados do PS, PP e PCP e regido pelos respectivos processos. Os processos tipo Pacheco.
Tudo estaria bem se a derrota fosse só dele.

(Brevemente, no blog Abrupto, um surto de auto-vitimização).

Debate

Ainda sem opiniões no artigo “Falta de jeito”

    1 Daniel Marques em 19 Dez 08 15:55

    Eu agora percebo o efeito ventoinha que se aplica à simbologia do PSD. Deve ser dos calores!

    2 Jorge A. S. em 19 Dez 08 17:06

    Texto notável com efeito. JPP faz-me lembrar aqueles cujo prazer se centra no “ver”…da arquibancada, da cátedra ou do alto do seu estatuto de “luminária, e não no fazer, que dá trabalho e exige arregaçar de mangas e mexer no fango…

    Personagem interessante contudo…não lhe falta espessura ontológica. Quanto ao mais, caminha a passos largos para a perda total de credibilidade.

    Abraço.

    3 António P. em 19 Dez 08 18:36

    Boa noite Paulo Querido,
    Belo texto. pena que JPP, a quem reconheço coragem e inteligência, não tenha a capacidade dos mestres ( e ele é Prof. ) de aprender com os outros, nomeadamente os mais novos.
    Bom fim de semana

    4 jpt em 19 Dez 08 21:06

    lisboa menina e moça, velha carcaça afinal. engraçado – de tão longe – que os movimentos políticos aí se meçam na porradita (em DN) no blogger (bloguista) do lado. uma minudência intelectual (em registo DN) total. nem sei que diga sobre os louvores. ou sei, isso é mesmo lisboa, carcaça fedorenta
    os fadistas a jeito que trinem, como é o timbre do fadista de qualquer regime, o de se enrolar em trinados

    [já agora, PQ, e para além do texto da jornalista, pensar por "classes de idade" (Gerações chamam aí) foi chão que deu carcaças]

    5 Paulo Querido em 19 Dez 08 22:53

    António, suponho que falta a Pacheco Pereira a humildade. Coragem e inteligência são 2 argumentos para o sucesso, mas não são determinantes. A derrota presente (que sabe a prémio carreira, como fez notar, argutamente, Fernanda Câncio) resultou, na minha opinião, de um erro de avaliação de Pacheco Pereira. Ele parece ter querido reeditar o PSD de Cavaco de forma a ter um papel. Mas nem Manuela é Aníbal, nem sobretudo os tempos são aqueles: só um político português foi capaz de provar que a mesma água passa debaixo da ponte 2 vezes.

    jpt, eu não falei em idade e peço desculpa se o induzi em erro. Falei em geração política. Compare as estruturas de poder / ministros dos partidos e verá como o PSD surge como a turma de repetentes.

    6 José Couto Nogueira em 20 Dez 08 01:59

    Pois, exactamente, o problema do PP é a arrogância (ou falta de humildade). Nisso não está só na política nem na inteligenztia portuguesa, mas o caso dele é mais agudo porque se trata de um homem muito inteligente e muito empenhado e portanto poderia talvez ter superado a a proa intelectual, o enfado perante a pouca perspicácia do vulgo. É interessante que também Paulo Portas é inteligente e empenhado (e arrogante) mas tem um lado hiper-activo que o tem servido bem (e servido mal o PP, que se tornou uma espécie de one-man-show). Mas isso é outra estória.

    7 Paulo Querido em 20 Dez 08 21:41

    Poderia, José?

    Ao longo da vida conheci sujeitos assim emproados e sobranceiros. Nenhum o era por ser inteligente ou culto ou mesmo arrogante (embora alguns tb fossem arrogantes no sentido em que Pacheco Pereira se projecta). mais ou menos inteligentes e mais ou menos cultivados, todos tinham um forte complexo, o mesmo complexo.

    Tu sabes qual, certamente.

    8 Paulo Querido em 20 Dez 08 21:41

    Olha, Paulo Portas por exemplo não chega a tê-lo. Nem a isso chega.

    9 jpt em 20 Dez 08 23:20

    pois, não é de idades (BIs) que se fala quando se fala de gerações políticas, mas é da analogia organicista – os grupos nascem, amadurecem, fenecem. Não é Socrates um repetente (e isto não é piada aos seus méritos escolares, não vá a fenomenal jornalista analista política chamar-me filho da p…)? Há quantos anos anda na política, no comboio do poder, no governo? Nao foi António Costa para aí há 20 anos candidato a Loures, logo ali ao lado? António José Seguro não era há vinte anos o grande líder da JS, “o próximo homem”? E está-se a falar em pormenores biográficos. E no pensar? nos pensares? estamos diante de uma nova geração de pensamento político (obras públicas para aquecer a economia, combater o desemprego, essas coisas?)
    V. desculpe lá mas não é preciso escavar muito nem reflectir muito para ver a total demagogia do argumento. Ou então não é demagogia, é mera distracção, a gente põe-se a torcer por um e o árbitro é gatuno e é óbvio que foi penalty

    Eu, não sei, mas se fosse analista político em DN,independente, era capaz de dar porrada ao Pacheco Pereira por muitas coisas, e também por a Ferreira Leite e o PSD escolherem o Santana Lopes (ainda assim ex-presidente do meu SCP). Mas se fosse um bocadinho menos independente do que os silêncios tonitruantes da hipocrisia medio-bloguísticas assobiam era capaz de dar uma porrada no PS do Mesquita Machado e quejandos. Também dar, entenda-se. Ou Portugal (e os seus partidos) é Lisboa e o resto é paisagem.

    Ok, tudo isto é um bocado por causa de um eslovaco que defendeu tudo o que havia para defender. Mas raisparta, que baixo nível de análise política que vai aí pelo rincão.

    10 Paulo Querido em 21 Dez 08 12:32

    jpt, é natural que o nível de análise política corresponda à qualidade da sua praxis — diria eu lapalissiamente.

    Maus exemplos os seus. É claro que José Sócrates não é um arrivista recém-chegado à arena política. Nem António Costa. Quer um quer outro foram tarimbeiros na altura própria, fizeram percursos ascendentes nos seus partidos e passaram a década de 80 em tirocínios nas jotas, no poder local, na associações, emergem em posições subalternas pelo segundo lustro de 90 e chegam ao topo do partido num momento, a meio da década de 10, eu diria julgo que com propriedade, de refundação do “velho” Partido Socialista num novo PPPdC?, Partido Pragmático de Poder deslocado ao Centro Interrogação (a interrogação é a wild card: dá para esquerda, dá para direita).

    O perfil de António José Seguro é equivalente — mas porque chama AJS a esta conversa? Ele não risca (ainda não, se quiser, e há muitos ps que querem) em termos de comandar o partido, nem mesmo influenciar o comando.

    A estes nomes, no PSD, correspondem pessoas como Passos Coelho. Não correspondem pessoas como Ferreira Leite, que já andava de governante ainda Sócrates se fazia eleger para deputado, e ainda menos Pacheco Pereira, que já fazia de propagandista do líder há 20 anos.

    Refuto o epíteto de demagogo aplicado a este argumentário. Não pretende agradar às massas mas sim chamar a atenção das elites. E embora não desdenhe o papel de boxeur-analista, não pretendo bater em nenhuma dessas figuras, e muito menos pela razão que sugere — que seria, sim, motivo de aplauso. A escolha de Santana Lopes é uma decisão político-partidária de acordo com o exercício realista da liderança, do que deve um partido fazer e até da humildade, se quiser, de um líder que coloca de parte a sua própria pessoa para fazer o que é, evidentemente, o melhor para o partido, nas circunstâncias deste.

    Bem reparo que os egocêntricos não atinjam, sequer, esta forma de fazer. Uma cegueira assim, desprezo.

    Não é nenhum exercício de playground comparar os percursos dos partidos e das pessoas que os comandam. Fi-lo, de forma sucinta e simplista, se quiser, isto é, deixando pistas para alguém com maior vocação (e interesses no PSD) aprofundar alguma coisa que mereça a pena.

    E é isto que encontra no PSD: um partido que não se atreveu, nem na altura certa (quando está arredado do poder e se pode virar para si próprio), a renovar os seus tecidos perto da cabeça e a própria cabeça.

    Não.

    O PSD apresenta-se ao eleitorado português como um partido mono-fórmula. Teve Cavaco e quer reeditar Cavaco. Hoje e, se for preciso, em versões embalsamadas.

    Por mim, caro jpt, encolho os ombros. The mummy is alive, long live the mummies.

    11 jpt em 21 Dez 08 18:13

    1. vamos lá ver, é claro que há uma forte ligação entre o nível da análise e o nível da prática política. Mas há modos e modos. A fanfarra independentista (a invectiva de demagogia não era exactamente para aqui, aqui era mais o assobio para o (neo?)adepto – aqui entre nós V. parece um convertido ao Manchester united ou ao chelsea) é demasiada. Eu não leio o DN (a bem dizer-se só o record) apenas em poucas diagonais na net, mas francamente. E escrever do púlpito partidário é suspeitoso, especialmente quando não assumido.

    2. os exemplos são mais do que pertinentes. O trio geracional foi-se afirmando este. O simpático “Tó-Zé” não risca? Talvez. Mas pugnou e porventura pugna por riscar. É gente entre os quarenta e picos (ele) e os cinquenta. Sempre dedicados à política. Nunca em rupturas pragmáticas ou de ideário com o passado (se me explicarem com verdadeira substância o que é que o “pragmatismo” [é uma incorrecta utilização do termo, passa pelo uso] de Socrates é estruturalmente diverso quanto à sociedade da democracia-cristão de Guterres ficarei feliz. E não me venham falar no Aborto (aka Interrupção Voluntária de Gravidez) e do Divórcio (pro-aka Cessação Amigável de Conjugalidade).

    3. quanto ao psd fizeram a tal ruptura “geracional” (com a tal continuidade de ideário e também simbólica) com tipos da mesma geração e com a mesma veterania política e de imagem (não vou buscar os BIs pois eles não são o cerne, mas sim a constância dos percursos): barroso, lopes, mendes são a geração velha e que socrates e outros são uma geração nova só dá para o leitor apupar ou rir. Ou seja fizeram a tal “renovação” (no sentido pífio que é dado à palavra) antes. Que o refluxo das asneiras e da ascensão aparelhistica do mais-que-cacique Meneses tenha provocado a evocação e invocação do antepassado protector, na figura de MFL é um epifenómeno, um (estrondoso falhanço) recuo em busca de norte.

    Feliz o Ps em que Mesquita Machado não vem a Lisboa. VEio o Fernando Gomes e teve que recuar. E, para aliados do betão (futebolístico), basta-lhe o Socrates. O tal do rejuvenescimento do PS

    Não chateio mais, vou ver se há mais eslovacos lá pela Madeira, que sejam Betão. Mas francamente, isto vai ser um ano eleitoral e se o caminho é este Mas Certamente Que Não!

    12 Paulo Querido em 21 Dez 08 18:44

    Caro jpt, desengane-se. Não há aqui púlpito partidário algum. Eu nunca pertenci a nenhum partido nem simpatizei com qualquer deles. Sou um ácrata. Na últimas legislativas apelei publicamente ao voto pela primeira vez na minha vida, e provavelmente pela última. Mais assumido que isso, não encontra. Agora, isso não pode ser confundido com filiação e nem sequer com simpatia. O momento era extremo e decidi ter um atitude enquanto cidadão com voz, em vez de me resumir ao meu cantinho de gajo que está completamente de fora.

    No futebol enquanto clubite também sou visto de lado: tendo coração lagarto por inerência paterna, sou tão capaz de aplaudir os bons momentos de futebol do arqui-inimigo Benfica como torcer pelo Barcelona — ou pelo Chelsea exemplar de Mourinho. Só é difícil apanhar-me em palmas ao FC Porto — mas por causa do que sofri e vi camaradas meus sofrerem às mãos dos jagunços pintodacostistas, quando foi o tempo deles. Até no FC Porto fiz “amigos” (xomo o bi-bota Gomes).

    Basicamente, gosto de ver bom futebol.

    Basicamente, comento o reflexo da política e digo o que penso sobre os aparelhos e pessoas que lhe dão corpo.

    2. Se bebeu na democracia cristã de Guterres, Sócrates não dá sinais disso. Como todos os governantes deste início de século que se prezam (governantes e líderes como Barroso, às vezes tenho de reparar no cargo e na gravata para os distinguir), Sócrates governa à vista e faz o que pode. Sorry, o mundo não dá para mais do que aguentar o sistema financeiro-económico que mantém esta coisa a funcionar.

    3. Hum… há uma linha interessante no seu olhar, agora vejo. Essa do recuo. Pressupõe que já havia um avanço renovativo com Menezes, o que me apanha de acordo (por vezes é preciso dar um mau passo para tactear o caminho; Menezes foi isto.) A “culpa” da ausência de renovação é efectivamente de Barroso — mas que quer, o homem tinha uma ambição, e francamente, agora que tem um mandato cumprido, olhando para a “obra”, emendo a minha mão e dou-lhe razão. Aqui a chafarica é irrelevante, after all.
    Lopes é o mais velho PSD que existe. Ser camaleónico e populista não chega para me fazer esquecer a sua origem. Ele é, até, anterior ao cavaquismo, vem de Sá Carneiro. Mais velho que ele, só Balsemão, que ainda é do tempo da Assembleia Nacional e fundador da social democracia.

    Mendes é continuação de Cavaco, e não choque, ruptura, inovação, renovação, refundação. Com Mendes teria o PSD uma linha de continuidade com o cavaquismo mas uma linha adaptada aos tempos, um político hábil, um negociador. Com Manuela tem o PSD uma linha de combate ideológico anacrónico — o que o capital menos precisa, por estes dias, é de quem fala como se tudo fosse hoje como nos noventas.

    Noap ercebi a insistência em Mesquita Quem?

    13 Gerações políticas : Vasco Campilho em 23 Dez 08 00:41

    [...] – que Fernanda Câncio escreveu sobre a vida interna do PSD teve o mérito de despoletar esta reflexão- essa sim, imperdível - de Paulo Querido. Abstraindo da focalização em Pacheco Pereira, a [...]

    14 jpt em 23 Dez 08 02:00

    1. nunca fui muito explícito em comentários (se é que o fui noutros sítios): o púlpito partidário que invoquei é mesmo o do DN e da prestigiada jornalistas independente elevada a grande analista vs o bloguista do lado. Da sua adesão só referi que me parece a dos tipos que de repente, tvcabo oblige, viram adeptos de um qualquer clube internacional … como vê.
    2. nao quis dizer que o psd se refundou ou não. não me parece que o tenha feito, e aí concordo consigo na continuidade, apesar da mudança de quadros dirigentes – que foi geracional, no sentido etário, mas nem tanto no sentido de antiguidade de militância..
    O que me parece é que afirmar isso, que é uma relativa realidade, e depois contrapor com a mudança de quadros no PS (e no PCP, que é outra coisa, um outro fenómeno – tanto pela veterania dos seus antigos dirigentes [caramba, a gente morre quando é muito velho e lá chegou] e pela própria evolução do tal “movimento comunista” e abandonos e depurações – ou seja neste caso é exactamente o contrário da refundação, dá cabo do argumento do post), e depois contrapor com a mudança de quadros no PS, dizia, e afirmar nesta uma renovação substantiva “refundação”, como diz – e até implicitando um sentido positivo – é uma falácia. Não vale a pena repetir-me, acho que terá ficado mais ou menos explícito o que quis dizer sobre o quanto não gosto do post.

    3. Mesquita Quem é o presidente da câmara da cidade que fez o estádio mais bonito aproveitando aquilo a que v. chama navegação de cabotagem e que eu chamo crença no betão, a cosmologia de Socrates, como tão bem ficou vincado no Euro-2004 que ele promoveu aquando no governo que ganhou a organização. Há mais maneiras de navegar, mesmo que perto da costa, PQ. Não me lixem com refundações amnésicas

    4. Parabéns pelo senhor seu pai. Aqui está uma coisa que partilhamos, e é uma opinião política: a história dos jagunços do porto, e como avassalaram por aí. A mim, e por isso muito mais do que pelos penalities à Fernando Correia ou árbitros quejandos, sempre me fez muita impressão o namoro do poder com Pinto da costa e isso. O namoro do PS (Guterres perdeu-me como eleitor meio ano depois de ter votado no PS pela única vez, quando foi festejar na Praça o bicampeonato do porto de então. Se estava com aquela mafia anti-democrática que batia em jornalistas como confiar nele como primeiro-ministro?), o namoro do Ps vergonhoso, o constante namoro de Eanes, esse grande democrata e figura ética, mano de Pinto da Costa e financiado pelo “saudoso” comendador Gomes.

    Refundações?

    15 Paulo Querido em 23 Dez 08 10:06

    jpt,

    1. não me ocorreu que podia estar a falar de Fernanda Câncio. Coitada, não pode ter uma opinião desfavorável ao PSD, é logo epitetada numa moldura acusatória que abusa das suas ligaçôes. Enfim, ela está habituada a isso, certamente.
    OK.
    Mas não há adesão alguma deste lado. Continuo a gostar do Sporting e a vibrar com o bom futebol — literal e figurado.

    2. Os quadros precisam orientação, direcção. Eu estou mais preocupado com a direcção — em todas as vertentes dela, do topo da pirâmide às franjas — e foi da não renovação aí que falei. O PS já experimentou 2 modelos depois dos fundadores terem passado à reforma partidária. Até o PCP já vai no segundo modelo — ao nível dos comunistas, as mudanças processam-se a outra velocidade, mas até eles experimentam mudar as hierarquias e os processos.

    O PS refundou-se até bastante, assuma-o ou não. Tanto se refundou que as mudanças de orientação originaram um movimento centrífugo à esquerda que pode vir a estilhaçar o centro-direita actual, que passaria (passará, passou — dizem já alguns) a ser ocupado pelo actual PS pragmático.

    Mas isso levava-nos a teorizar sobre o falhanço do pensamento de direita, nomeadamente na sua visão excessiva sobre os “benefícios” do capital (ler: bajulice), e não estou para isso, é Natal.

    3. A crença do betão é uma das qualidades do PSD ganhador — o de Cavaco. Mesquita Machado é um político local. A política local, se bem que possa atraiçoar os esforços de um partido nacional, tem as suas particularidades. Mesquita não risca no actual PS, nem sequer risca no pais, daí a minha perplexidade pela sua inclusão aqui.

    E como betoneira… aponte-me os autarcas que o não são.

    4. obrigado :)

    16 jpt em 24 Dez 08 23:40

    Vamos lá a falar a sério: quem é que não é um político local aí? O Oliveira da Figueira? Por amor de Deus … (um calor de abacaxis por aqui, consoada terminada, até o ateu invoca a santissima trindade)
    quanto ao resto rendo-me, se o PS tem uma vantagem comparativa V. deve saber melhor do que eu, cá longe. Na prática daqui só dá para mandar bocas
    Um SAnto Natal para si e todos os leitores do blog

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