José Sócrates na SIC: 16 valores
A prestação de José Sócrates esta noite na SIC foi boa. Numa escala de 0 a 20, nota 16. Mais que dominar linguagem da televisão, que domina, o Primeiro Ministro esteve genericamente bem, conseguindo mesmo a surpresa de se safar no impopular sector da Saúde. E teve uma vitória: onde se esperava arrogância, Sócrates saiu-se com educação.
“Eu conformo-me com isso”, disse José Sócrates a Ricardo Costa respondendo ao que classificou (e bem) de uma opinião. Um Sócrates capaz de se conformar e viver com a opinião alheia — eis a grande mudança na imagem no Primeiro Ministro que já se lhe pedia.
Sócrates entrou, também ele, na campanha eleitoral que inaugurou há três semanas com o refrescamento da equipa governamental. Mas entrou de uma forma decidida, não pedinchona. Entra ao ataque, com uma folga bastante grande, ainda, a ano e meio das eleições.
A folga sobre uma oposição que precisa de se somar e parecer multiplicada, fazendo parecer que CDS e Partido Comunista Português prosseguem os mesmos objectivos (!) ombro com ombro e de mãos dadas.
A folga de quem fez o essencial do trabalho de um Primeiro Ministro, nomeadamente no que conta: a economia. A economia deste país é uma economia fortemente dependente, com agentes totalmente encostados ao Estado. Como um planeta, não tem luz própria, reflecte o brilho da conjuntura internacional e da estrela das obras do Estado. Sócrates não manda na Economia “privada”: a iniciativa individual e a conjuntura internacional. Mas no que manda, fez o que podia. Menos Ota mais Alcochete, a luz verde para a construção do aeroporto, a terceira travessia do Tejo na Grande Lisboa e o comboio de alta velocidade é suficiente para injectar dinâmica na economia — e assegurar a segunda maioria absoluta. O resto são detalhes.
Pergunta: em que país vive Luís Delgado? O homem não lê os jornais portugueses? Não lê as sondagens? Não é capaz de interpretar os sinais? Cai-lhe mal invocar o suposto “descontentamento” do “povo” cuja morada nem com código postal parece capaz de encontrar. A crispação do seu discurso é a melhor prova de que o PSD é absolutamente incapaz de apresentar uma ideia e uma alternativa. Menezes, basista, ganha alguma coisa ao PSD intelectual (composto na sua totalidade por cinco pessoas e alguns comensais) mas em termos eleitorais ficará com pouco mais que os votos de descontentamento.
Acções
Guardar/partilhar:
Facebook
Twitter
delicious.com
DoMelhor
Assinar publicação:
feed RSS
e-mail diário
Tweets
Debate
11 opiniões no artigo “José Sócrates na SIC: 16 valores”
Textos mais recentes
- Racionalidade, amén em 9 de Março de 2010
- Social networks, what dreams are made of (The New Dork) em 9 de Março de 2010
- Inquéritos em tempo real: Pedro Passos Coelho arrasou Paulo Rangel em 3 de Março de 2010
- Os virgens em 26 de Fevereiro de 2010
- O jornalismo online português está na fase do slideshow em 24 de Fevereiro de 2010
- Mais visibilidade para os seus tweets e links em 23 de Fevereiro de 2010
- A censura velada, a ditadura silenciosa e o plano inclinado em 23 de Fevereiro de 2010
- Madeira: a derrota dos jornais em 20 de Fevereiro de 2010
- O jornalista programador em 18 de Fevereiro de 2010
- PSD: a inventona em 13 de Fevereiro de 2010

Olá, o meu nome é Paulo Querido e Certamente! é o meu webzine pessoal. Sou consultor de new media, jornalista e escrevo livros e artigos (e também algum código) sobre a net e na net desde 1989. (
Siga o feed RSS
Receba a edição diária por e-mail
eh um comentario paralelo, PQ. Mas nao privado. Confesso que ao ler os seus posts “socraticos” me apetece bater. Tal como volta e meia tenho feito por aqui. Mas agora no Tubarao Esquilo custa-me mais dar caneladas. Sei (presumo) que para si lhe seja igual, que responda “De homem, nao se coiba”. Sei (presumia) que para mim me seja igual, me responda “Da-lhe homem, nao te coibas”. Ainda assim deixo nota do meu relativo desconforto.
Enfim, depois disto – um homem nao eh obrigado a ser oposicionista. Mas ainda que va matizando a retorica nao podia ser um pouco menos apologetico ao sumo?
cumprimentos
Para programa de ficção esteve bem sim Sr.
Foi pena não terem divulgado o nome do País que ali descreveram porque até era capaz de ser um local simpático para se visitar. :)
jpt, somos uma rede plural numa sociedade plural e eu não pergunto a ninguém onde vota antes de convidar ou aceitar as propostas. Nem antes nem depois :)
Bata à sua vontade.
Razão tem, ninguém é obrigado a ser oposicionista.
Hum… eu não pretendo ser apologético. Embora sim, ache que o actual Primeiro Ministro está a fazer as coisas certas — tendo em conta a situação actual do mundo, a maior parte das vezes basta ser simples e pragmático — não me move um milímetro, não mexe comigo. Vou lembrar-me das suas palavras da próxima vez.
Paulo,
Umas notas sobre a forma, apenas.
Concordo – o desempenho do primeiro-ministro foi bom.
Fez bem a sua preparação e não fugiu dos três ou quatro pontos que levava preparados.
Não fugiu porque não precisou.
Não fugiu porque nenhum dos dois entrevistadores esteve próximo sequer de um trabalho tão profissional como o do primeiro-ministro.
Se há frase que, para mim, é exemplar de todo o programa é a seguinte: “eu vou expôr…”.
Foi exactamente isso que JS fez. Expôs. O que quis e como quis.
Se tivesse que classificar a coisa diria que esteve mais próxima daquelas tão famosas ‘entrevistas de uma menina simpática ao Prof. Marcelo’ do que de uma entrevista jornalística.
Um dos entrevistadores esteve no seu habitual registo – fraco, SUF-…com estilo – o outro preparou-se mal e excedeu-se na ‘farpice’ sem consistência.
O que nós ontem vimos foi, como disseste e bem, um JS em fase de lançamento da campanha eleitoral que se segue; foi, nesse sentido, o melhor profissional em cena.
Mas nada daquilo teve a ver com uma Entrevista.
Não devemos esquecer isso.
Abraço
Luis: não sei se os jornalistas iam mal preparados ou bem. Conheço ambos de com eles trabalhar e não é habitual descurarem o trabalho de casa. Não percebi a escolha deles: o Ricardo, embora bom jornalista e à altura, não tenho dúvida, tem um tipo de proximidade que é um pau de dois bicos. É como teres uma irmã professora (eu tive, fui sistematicamente prejudicado em 1 valor, como ela me disse duas décadas depois; ainda bem que o fez, o valor não me teria servido para nada, mas serviu-lhe na altura para segurar a situação); o Nicolau é e será sempre um entrevistador simpático, porque é uma pessa simpática.
Entrevistar em estúdio o primeiro ministro em exercício (ou o presidente em exercício) não é a mesma coisa que entrevistar o PM na rua.
Nem é a mesma coisa que entrevistar outro político.
Como é lógico, há um quadro de temas anunciados, ou negociados?, de antemão; o Ricardo até quebrou isso — é garantido que a pergunta final nunca seria negociada.
Agora, o principal, imho, foi isto: o PM entrou a matar, com um sorriso estampado nos lábios, qual soldado a desejar a batalha, e nas três ou quatro primeiras frases desarmou por completo os 2 entrevistados, que só se recompuseram no tema seguinte. Com esta entrada Sócrates marcou o ritmo a seu favor, estabeleceu o padrão.
Como sabes, o PM foi um bom tribuno na AR, é um confrontista nato e quando bem preparado (curioso; não tenho memória de o ver mal preparado em televisão ou AR) chega a ser demolidor. Não me surpreende a qualidade da prestação. Aliás, por isso mesmo, por corresponder ao seu padrão, devo confessar que a minha nota inicial era 14 — só a subi porque as pessoas a quem perguntei como tinham corrido, uma delas NADA favorável a Sócrtates, deram 16 de caras.
Atenção, de novo: estou a avaliar uma prestação na televisão e não três anos de governação. Que fique bem claro.
(Isto vale dizer: Sócrates safou-se bem no tema Saúde, meteu-nos o pauzinho da dúvida, não andarão as televisões a abusar do mau — que é sempre notícia! — e a preterir as coisas positivas que foram feitas. Mas meter uma dúvida, por legítima que seja, na plateia é um bom trunfo comunicacional e eu não sou um cidadão completamente destituído de conhecimento na matéria.)
Paulo,
Estamos de acordo então em quase tudo…menos na preparação dos jornalistas.
Iam mal preparados sim, porque senão não se tinham deixado antecipar, como dizes, nas primeiras questões.
Eles sabiam que Sócrates ia preparar-se bem e sabiam que ele é um político muito eficiente em confronto imediato; a questão é mesmo essa, um político conhecido de ambos, bem conhecido, não os pode surpreender (imagino que, do lado do PM, os seus assessores tudo terão – e bem – feito para antecipar perguntas, cenários, réplicas).
Nestas coisas não há surpresas.
Não imagino que a questão familiar seja, pelo próprio Ricardo, considerada um impedimento, senão ele seria o primeiro a excluir-se deste tipo de situações.
O que vimos todos em prática foi o pior da técnica do pé de microfone…’vamos lá a ver se isto cola’. E é apenas isso que me incomoda. Não é tanto que o JS seja um tribuno profissional, competente, lutador, astuto…é que quem o confronta (em nome de uma audiência) possa mostrar tanta displicência (e lembro-te que isso aconteceu, pelo menos, na questão dos números do desemprego e nas questões da educação…em que o PM chegou mesmo a dizer – sem resposta à altura! – que esse era o posicionamento da oposição…).
Em vez de consistência, tivemos perguntas ‘ouvi dizer’ e bocaças.
É muito pouco.
É muito mau.
Eu não acho que seja um impedimento, Luís. Mas é um pau de dois bicos. É preciso ser corajoso para enfrentar a situação. O Ricardo é corajoso e faz bem.
Agora, moleza… A SIC tem feito a vida negra a este governo, até ao ponto de insistirem num determinado tipo de noticiário e procurarem acontecimentos de desgaste. Não sei em que quadro poderão ter agora metido um pouco de açúcar…
Entretanto, e para uma análise mais política da entrevista (aqui temos falado sobre a prestação, que é bem diferente) recomendo a leitura do Daniel Oliveira (aqui). É eventualmente um pouco à esquerda demais — mas a verdadeira oposição a este governo nunca veio da direita, satisfeita com ele.
(imagino que, do lado do PM, os seus assessores tudo terão – e bem – feito para antecipar perguntas, cenários, réplicas).
Pois, de acordo :)
“A SIC tem feito a vida negra a este governo,(…)”
Para o elogio do regime existe a RTP/RDP.
Não é para isso que a pagamos, quer o queiramos ou não?
Vº exª Sr Primeiro Ministro.
Tendo em conta a crise de que o País está a suceder a nivél económico gostaria de salientar de que, Portugal poderia aliar-se com algum País da União Europeia(UE), em que a independência dos dois Países não fosse prejudicada, em que Portugal e um outro País da(UE) que seria seu aliado poderiam-se de alguma forma benefeciar-se a ambos.
Gostaria que reflecti-se sobre este assunto com censatez.
“Tirar Portugal da crise é dever de todos os portugueses, porque Portugal é uma nação!”
Muitos cumprimentos.
Obrigado.