O cavalo de Manuela

Um cavalo armadilhado, não de Tróia, mas de Manuela, é o que fica no PSD após o congresso que hoje terminou na terra do Piquenicão — essa outra festa popular tão justamente esquecida.
Um cavalo sob a forma de regra estatutária que prevê sanções para os militantes que critiquem a direcção nos 60 dias antes das eleições. É claro que ninguém vai cumprir uma regra tão idiota, mas que ela lá está, está.
Um cavalo com o poder de minar a partir de dentro qualquer estratégia de qualquer líder que tenha a intenção de re-credibilizar o partido aos olhos do seu eleitorado e do país. Eleitorado e país que já estão baralhados: onde está a coerência de quem andou a armadilhar a comunicação social com as “asfixias democráticas”, a “censura” e as “violações” da “liberdade de expressão” e agora impõe a lei da rolha aos seus militantes?
Muitos estão a concluir, desgraçadamente, que não era gaffe, afinal, a ideia de Manuela Ferreira Leite de suspender a democracia por 6 meses.
O facto de os três principais candidatos à sucessão se terem manifestado contra a extraordinária medida reforça a ideia de estarmos perante uma manobra de guerra — ainda que infantil.
Como se vê pelos links abaixo, não são propriamente as “centrais de comunicação” “afetas” ao Partido Socialista ou ao governo a fazer vapor, como também envenenaram as eminências (?) pardas de Manuela ao longo dos útimos 3 anos. Ná. É tudo boa gente à direita, nalguns casos muito, do partido que governa, que consideram muito justamente a medida como errada, para não dizer pior.
A sovietização do PSD. De Francisco Almeida Leite (e de onde pedi emprestado o cartaz brilhantemente escolhido para ilustração).
Sobre a lei da rolha. De Carlos Abreu Amorim.
Asfixia democática no PSD. De André Azevedo Alves.
Uma aprovação norte-coreana. De Nuno Gouveia.
Mancha deplorável. De Luís Rocha.
Quo vadis PSD? De António de Almeida.
A lei da rolha De Paulo Gorjão.
E mais pelos lados esquerdos do PS, mas sem ligações às “centrais”:
ПСД De Daniel Oliveira
Eu, francamente, acho que a coisa vai esquecer-se depressa. Mas a mancha fica. Ainda para mais porque se soma a outra no mesmo sentido: proibir o acesso normal dos bloggers ao congresso. O sinal passado é claro e é de inspiração costista: evitar o debate e as opiniões que afrontem o chefe e o seu poder, controlando ao máximo quem tem acesso e quem diz o quê.
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