José Sócrates, o Primeiro Ministro, começa finalmente a ter dores de cabeça com os reflexos da governação.
Não, de todo, por causa da oposição formal: Luis Filipe Menezes ainda nem percebeu bem o que está a acontecer, continua a brincar com peças de lego como a RTP e o que diz um deputado.
Um pouco mais por causa da oposição informal: os analistas com agenda apostaram nos cavalos errados, escolhendo os assuntos que não entalaram Sócrates, mas o tom em que se diz também tem significado.
Não tanto por causa da blogosfera — ou pelo menos da tal blogosfera política, que evidentemente falou dos professores, porque falou de tudo o que mexeu e do que não mexeu no Universo conhecido e desconhecido, como é seu timbre e apanágio. Mas os grandes cavalos de batalha da “blogosfera de oposição” foram dois e apenas dois, a saber: iregularidades no canudo de José Sócrates e dúvidas sobre os tristonhos projectos assinados por ele. Foram esses que “se convencionou” que podiam ter os ingredientes de escândalo suficientemente picantes para os colocar na agenda dos jornais e televisões — e o Público fez o que lhe competia.
Nem por isso por causa dos media (o que é neutro — e isto é uma virtude, não compete aos media fazerem de oposição na falta de oposição): propagaram a “vox populi” tal como esta lhes soava (nas Redacções deviam arejar as bookmarks, há mais blogues de política interessantes fora da meia dúzia maximal repetitiva do costume e dos spinners de vocação).
Ora, não foram as “questões de carácter”, onde pomposamente se agruparam as diatribes contra o cidadão José Sócrates, que entalaram o Primeiro Ministro José Sócrates.
Foram os suspeitos do costume: os sindicatos dos trabalhadores mais fustigados pelas intempéries, os desprotegidos e os directamente sacrificados pelo sistema.
Foram as pessoas que se fizeram ouvir.
A política real manda mais que a política de manual e o homem do talho tem mais peso que o diletante do teclado.
A democracia é fodida, bem sei.
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