"O surpreendente Passos Coelho" 

Aqui há dias previ que Manuela Ferreira Leite não ganharia estas directas, provavelmente ficaria até em terceiro lugar, reservando depois noutros locais a previsão sobre como distribuiriam Passos Coelho e Santana Lopes as cadeiras restantes no pódio.
As sondagens dizem outra. Mas eu não sou um centro de sondagens, sou apenas um cidadão a emitir a sua opinião. E a arriscar pelo prazer de arriscar.
Hoje arrisco. E risco. Risco Santana Lopes, que poderá ir directo para o terceiro lugar, com MFL eventualmente a conseguir a segunda posição. Eventualmente, admito.
Ganha Passos Coelho.
A entrevista dele a uma surpreendente (pela positiva) Júdite de Sousa foi muito boa. Quanto mais o tempo passava, mais eu conseguia imaginar o desespero de MFL a ver a entrevista, e o encolher de ombros de Rebelo de Sousa, que se limitou a fazer o que dele se esperava. Isto não são eleições abertas e eu não conheço suficientemente a realidade interior do PSD (nem de nenhum outro partido) para aquilatar da permeabilidade dos eleitores aos mecanismos mediáticos do costume. Também não li, ainda, nenhum análise à entrevista. Escrevo “virgem” e escrevo isto: fiquei bem impressionado e se eu votasse laranja, estava decidido em quem.

Anterior em uma semana à entrevista de Passos Coelho, relativo ainda à entrevista de Ferreira Leite ao “nosso” semanário, este texto de João Pereira Coutinho no Expresso é ilustrativo do que me levara, desde o primeiro minuto, a desacreditar de Manuela, e mais recentemente a surpreender-me com Passos Coelho. Respigo, negritos meus:

“Entrevista” é força de expressão: uma página de silêncios não constitui propriamente um diálogo. Por cada pergunta feita, Ferreira Leite não responde, responde vagamente ou simplesmente não sabe. E até confessa que, por vontade própria, não haveria campanha. Campanha para quê, parece perguntar Ferreira Leite, que dedica à política um desprezo que só revela uma preocupante vaidade?
Exactamente o contrário do surpreendente Pedro Passos Coelho. Concorde-se ou discorde-se com a sua pueril visão “liberal”, há pelo menos algumas ideias naquela cabeça: sobre o Estado, a economia, os partidos, as questões “fracturantes” ou regimentais. Há, pelo menos, uma vontade saudável em discuti-las e testá-las.
Ferreira Leite acredita que, nada dizendo ou pensando, os portugueses irão aplaudir uma estátua. Talvez tenha razão. Mas alguém devia informar os portugueses, a começar pelos portugueses sociais-democratas, que foi precisamente esta náusea pelo baixo mundo do combate político, típico do baronato, que enfiou o PSD no seu lamentável estado. Convém não esquecer.

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