Já está visto o fundo ao tacho do PSD versão triunvirato. Dois spinners que controlam os opinion-makers e mandam avançar e recuar as tropas, sempre as mesmas e muito escassas, para ocupar espaço mediático em função das necessidades. E uma “líder” que está bem é calada e sempre que abre a boca o resultado é triste.
Ainda por cima, este triunvirato é uma formação de conveniência entre pessoas a quem não se conhece uma ideia política comum. Aliás, a uma delas, José Pacheco Pereira, não se conhece uma ideia política, ponto. A Marcelo Rebelo de Sousa conhecem-se princípios vagos de uma social-democracia século XX e doses de consenso centrista, e a Manuela Ferreira Leite o país conhece a profundidade política da gestão de mercearia.
A conveniência presume-se que seja aguentar o PSD em banho maria à espera de um líder com carisma que satisfaça o baronato que subsiste, que é o baronato intelectual. (O outro, empresarial, tem mais que fazer e recosta-se nos braços de um primeiro ministro igualzinho, se não melhor, ao do último período de Vacas Gordas do partido). E ao mesmo tempo evitar o “populismo”, como se isso representasse um perigo para um partido condenado a viver no centro partidário onde o populismo, quando vem, é sempre bem vindo uma vez que não há riscos de desvios (não há possibilidade de desvios, melhor dizendo).
Os laranjas vivem a ilusão de que o triunvirato de últimos moicanos do século XX que aceitaram que assaltasse o poder no PSD lhes dará alguma coisa. Não dará nada. O triunvirato só pensa em si próprio e em manter as aparências de um Grande Partido. É um triunvirato sem substância criativa, sem cabeça, é a política à medida das circunstâncias mediáticas, feita de silêncios de conveniência entre chefes tribais e arrivistas, sem um rumo, um leme, uma determinação.
Em 2009 Sócrates corre o risco de perder, como todos os primeiros ministros europeus da actualidade, à força do fracasso do liberalismo económico, culpa de uma organização empresarial e financeira incapaz de gerir a riqueza colectiva ou até de resolver os seus próprios problemas.
Se tal desgraça acontecer ao país, teremos uma primeira-ministra.xls, um professor de boas maneiras a orar aos domingos na televisão e um ministro da Administração Interna, Propaganda, Assuntos Parlamentares e de Estado a despachar em post, a enviar editoriais e alinhamentos por e-mail e a mandar na chefe por telefone, como faz desde a primeira hora da abruptada que decapitou o PSD queimando, como um ácido, os tecidos em redor e as hipóteses de o partido se renovar.
Agora percebo, mea culpa: quem a topava bem era o Zé Manel.
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